13 de abril de 2018

86 Refutando todas as calúnias católicas contra a rainha Isabel da Inglaterra



Considerações prévias: Este artigo é extraído de um dos capítulos do meu livro sobre a Reforma (ainda em construção), e é presumivelmente bem mais longo do que a maioria das pessoas estará disposta a ler, mas eu preferi postar a refutação a todas as calúnias dentro de um único artigo do que dividi-lo em múltiplas partes. A única que deixei de fora foi a da Armada Invencível (quando os espanhois instigados pelo papa tentaram destruir a Inglaterra em uma invasão marítima fracassada), um episódio que pretendo publicar em um artigo à parte, por isso o “(...)” no final. Um dos tópicos aqui presentes aborda a questão moral dos jesuítas, que é extremamente importante mesmo para quem não está nada interessado no reinado de Isabel.

Apenas contextualizando brevemente: no artigo anterior abordamos o reinado de Henrique VIII, que rompeu com Roma mas prosseguiu defendendo as doutrinas católicas e perseguindo os protestantes com a mesma severidade que os outros reis católicos do continente. Após sua morte, seu filho Eduardo VI herdou o trono. Ele era protestante e implementou algumas reformas na Igreja Anglicana, mas morreu ainda criança. Então quem ocupou a coroa foi Maria, a famosa “Sanguinária” que restaurou o catolicismo na Inglaterra e voltou a perseguir os protestantes cruelmente, gerando em poucos anos centenas de mártires protestantes, além de milhares de exílios e fugas. Por sorte, Maria também morreu cedo, dando um fim precoce ao seu reinado de terror, e é neste contexto que a jovem rainha Isabel assume a coroa – onde prosseguiria pelos próximos 45 anos. Sem mais, aproveitem a leitura!

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O reinado de Isabel: a era de ouro

Isabel I (ou “Elizabeth”, seu nome inglês pelo qual também é conhecida) é até hoje reconhecida como a maior rainha da história da Inglaterra e de longe a mais sábia e capaz monarca do século XVI. Até o papa Sisto V reconheceu certa vez que “na Europa há unicamente duas pessoas verdadeiramente feitas para serem chefes: Isabel da Inglaterra e Henrique de Navarra”[1]. Tal como seu irmão Eduardo, Isabel era uma intelectual que “escrevia latim tão bem quanto inglês, falava italiano e francês, e lia, afirma um dos seus mestres, mais grego num dia do que um cônego lê latim numa semana”[2]. Johnson a descreve como, “sem dúvida, uma princesa erasmiana – culta, moderada em suas posições religiosas e protetora de eruditos como o Dr. Dee”[3].

Ela só não foi assassinada por sua irmã sanguinária porque foi persuadida a se passar por católica e aceitou ser doutrinada por dois gentleman católicos (Pope e Gaje), que a vigiavam[4]. O fim precoce dos reinados de Eduardo e Maria a levaram ao trono ainda jovem, com 25 anos. Seus longos 45 anos de reinado (1558-1603) eram bastante inusitados para uma época em que a expectativa de vida era tão baixa e os reis costumavam herdar a coroa já na fase adulta, mas foi uma bênção para um povo até então desprezado no continente e renegado à “potência de segunda categoria”[5], para então constar entre as principais potências mundiais, onde se estabelece até hoje. Seu reinado é até hoje conhecido como a “era de ouro” da Inglaterra, que levantou um gigante adormecido e o colocou em patamares nunca antes alcançados.

Martinez escreve que “foi esta uma grande época, um momento decisivo na evolução histórica da Inglaterra”[6]. Roberts afirma que “o reinado de Isabel é visto, corretamente, como uma época áurea, e assim foi”[7]. Lindberg diz que seu reinado “pode bem ser descrito como um caso de amor de 45 anos entre a rainha e os ingleses”[8], pois “sob Isabel, a Inglaterra tornou-se protestante, tornou-se uma das principais nações da Europa, conquistou um império mundial e passou por uma renascença cultural”[9]. Pirenne sustenta que “ela foi a verdadeira fundadora da potência naval inglesa”[10], e Mousnier que “todos os soberanos se esforçam por imitar o exemplo fornecido por Isabel da Inglaterra, no século XVI”[11]. A Inglaterra de Isabel era “um mundo de exageros, transbordante de energia e com uma inesgotável alegria de viver”[12].

Isabel, “culta e realizadora, gozava de grande popularidade”[13]. Shakespeare a descrevia como “a grande rainha sentada em meio aos mares sobre o trono do Ocidente”[14]. Era conhecida pelos seus súditos de “a Boa Rainha Bess”[15], e “todo o povo mostrava sua lealdade à coroa e o seu amor pela rainha”[16]. Quando Isabel ia de Londres a Hampton Court, “multidões imensas comprimiam-se à sua passagem e aclamavam-na, chamando sobre ela a bênção de Deus e reclamando penas severas para todos os que pretendiam atentar contra a sua vida”[17]. Diferente de Maria, resistiu por toda a vida aos muitos pedidos de casamento recebidos por influentes líderes estrangeiros das mais diversas nacionalidades (até mesmo de Filipe II), razão pela qual ficou conhecida como “a rainha virgem”.

Grimberg declara que “Isabel queria viver no seu país e para o seu país. Não abandonaria o seu reino por metade do mundo, disse um dia a um dos seus pretendentes, Eric XIV da Suécia. Queria mostrar aos seus súditos e às outras nações que era uma honra ser inglês. O povo inglês amava a sua nova soberana pela sua infalível confiança em tudo o que era inglês, pela sua vontade de sacrificar a sua felicidade e o seu conforto pessoais ao bem do país”[18]. Quando os ingleses temiam um ataque de Alexandre de Parma, Isabel dirigiu-se pessoalmente a Tilbury para inspecionar seu exército, onde lhes pronunciou essas memoráveis palavras:

Pessoas que se inquietam pela minha segurança aconselharam-me a ser prudente e a não aparecer perante soldados armados. Mas deixai-me que vos diga que a vida me seria insuportável se tivesse de desconfiar dos meus próprios súditos. Que os tiranos temam pela sua vida! Quanto a mim, sempre confiei na lealdade dos meus vassalos. Tal é a razão por que vim aqui: para viver ou morrer no meio de vós. Sei que o meu corpo é um fraco corpo de mulher, mas o meu coração é o de um rei, de um rei da Inglaterra! Que o duque de Parma, ou não importa que outro duque soberano, se arrisque a atacar o meu reino! De preferência a aceitar essa afronta, pegarei eu própria em armas![19]

Mas os feitos e êxitos de Isabel no campo social, político e econômico serão pormenorizados no segundo e terceiro volumes desta obra. Voltemos ao campo religioso, no qual Isabel pôs um fim ao terror disseminado por sua falecida irmã e reestruturou a Igreja Anglicana aos moldes da reforma de Eduardo. Através dela, “a Igreja Anglicana ficou então definitivamente estabelecida segundo os dogmas calvinistas”[20], razão pela qual ela “é considerada por muitos como a fundadora da Igreja Anglicana”[21]. Foi em seu governo que a Inglaterra aprovou os “39 Artigos da Religião”[22] – a confissão de fé oficial da Igreja Anglicana que permanece em vigor até os dias de hoje, de teor protestante[23]. A missa e as doutrinas particulares do catolicismo romano como o purgatório, as indulgências, o papado e a invocação dos santos foram condenadas[24].

Mas espere um momento. Uma rainha culta, erudita, eficiente, amada por todo o povo, que colocou a Inglaterra nos trilhos do desenvolvimento como nunca antes... e protestante? Há algo de errado nisso, pensa o apologista católico. Melhor descrevê-la então como um monstro de terrível crueldade, um demônio humano, uma malévola, uma diaba encarnada – mesmo contra o consenso unânime de todos os historiadores sérios. Surpreendentemente, é exatamente esse o nível que se presta a apologética católica, que santifica sua irmã sanguinária e retrata Isabel como faz o padre Cechinato:

Após a morte de Henrique VIII, subiu ao trono da Inglaterra Maria Tudor, nascida do casamento do rei com Catarina de Aragão. Ela possuía boa educação católica, recebida de sua mãe. Por isso, deu liberdade aos católicos e fez a reconciliação da Igreja Anglicana com o papa. Maria Tudor reinou de 1553 a 1558. Depois dela subiu ao trono sua meia-irmã, a rainha Elisabete I, filha de Henrique com Ana Bolena. Elizabete governou de 1558 a 1603. Foi terrível. Mais cruel que o pai. Rompeu novamente com Roma e voltou a perseguir os católicos.[25]

Para entender o quão perturbador é uma difamação dessas, precisamos primeiro ter em mente a moderação e equilíbrio de Isabel na questão religiosa – às vezes até excessivamente. Embora os papistas a representem como uma protestante radical e extremista com um ódio mortal aos católicos, ela era justamente o contrário disso. Isabel não queria uma reforma radical que desagradasse muito os seus súditos católicos. Por isso criou a via media, que conservava todas as doutrinas protestantes tradicionais, mas que mantinha as vestimentas e liturgias católicas de antes, o que “permitia à pessoa tradicional, iletrada, vivenciar o culto anglicano quase do mesmo modo como vivenciara o culto católico”[26].

Ao mesmo tempo, “o uso de inglês ao invés de latim permitia ao protestante letrado ouvir uma mensagem reformatória nos sermões e orações situados dentro de uma teologia reformada estruturada pelos Trinta e Nove Artigos”[27]. Nichols discorre que a rainha “procurou manter uma situação intermediária entre os extremos, a fim de agradar o maior número de pessoas. A Reforma inglesa foi, desse modo, conservadora, guardando o velho sistema de governo da Igreja e muitas das antigas formas de culto”[28]. O próprio Livro de Oração de 1552 ainda mantinha imagens e crucifixos na Igreja[29], que só foram retirados na versão mais recente, de 1662[30].

Também para não aborrecer os católicos, Isabel mandou remover em 1559 um item que dizia: “Da tirania do bispo de Roma e de todos os seus detestáveis abusos... Bom Senhor, livre-nos!”[31]. Pijoan afirma que “quando o Parlamento tratou de promulgar uma lei declarando Isabel a Cabeça da Igreja, como seu pai e seu irmão, a rainha recusou este título para não ofender os católicos”[32], pois “repugnava que pudessem fazer dela uma papisa laica”[33]. Como rainha e detentora de um poder absoluto, ela não precisava fazer essas concessões, caso não quisesse. Fazia apenas porque respeitava seus súditos católicos e não queria dar nenhuma razão para uma possível rebelião contra seu governo.

Maurois escreve ainda:

No momento da ascensão ao trono, pediu a Deus que lhe desse a graça de governar sem derramar sangue. Não o conseguiu, mas fez o máximo que pôde. Foi sempre orgulhosa do lealismo dos seus súditos católicos. Percebendo um dia, na multidão, um velho que gritava “Vivat Regina! Honi soit qui mal y pense”, mostrou-o, muito contente, ao embaixador da Espanha: “Esse bom homem é um padre da velha religião”. Prudente, repeliu os monges que lhe vinham ao encontro com círios: “Largai essas tochas, estamos enxergando muito bem”, mas conservou sempre um crucifixo na sua própria capela e impôs silêncio, muito secamente, a um pregador protestante que ousava censurá-la por isso. Em religião como em política, ela temporizou, procurou uma fé no meio termo, cultivou o compromisso.[34]

Como se vê, Isabel não fazia nenhum tipo de monarca protestante radical ou anticatólica, muito menos uma tirana que forçava conversões ou que matava em nome da fé. Na verdade, grande parte de sua enorme popularidade na Inglaterra devia-se justamente a essa moderação que sempre a afastou de qualquer perseguição religiosa nos moldes de sua irmã sanguinária. O que mais chama a atenção a qualquer bom historiador é o impressionante fato de que a maior parte do clero católico aceitou as reformas na Igreja propostas por Isabel, a despeito do fato de tais reformas irem frontalmente contra as doutrinas católicas.

Pela ocasião do Ato de Uniformidade (1559), Grimberg atesta que “a maioria do baixo clero prestou o juramento”[35], e Maurois diz que “quando a Coroa e o Parlamento restabeleceram o anglicanismo, de oito mil padres sete mil aceitaram a mudança”[36]. Mesmo em relação ao “alto clero”, a aceitação também foi significativa: “De 900 clérigos romanos, menos de 200 recusam prestar juramento de aliança com Isabel, sendo que todos os bispos marianos estavam incluídos nesta minoria”[37]. Isabel decidiu nomear Mateus Parker, um moderado, como arcebispo de Cantuária, o qual havia sido consagrado por três ex-bispos que haviam sido expulsos por Maria, de modo que a Igreja Anglicana manteve a sucessão apostólica[38].

Mesmo anos depois, quando o Concílio Privado (1564) solicitou que os bispos apresentassem um relatório do estado do sentimento religioso na Inglaterra, Johnson sustenta que “foram encontrados 431 magistrados favoráveis ao pacto anglicano, 264 neutros e 157 hostis”[39], acrescentando que “com o progresso do reino, esses números devem ter mudado a favor do regime e sua religião”[40]. A grande questão que deve ser respondida pelos críticos leigos de Isabel I é de que maneira os próprios padres católicos aceitariam em suma maioria as mudanças religiosas no país, se, como dizem, Isabel era uma déspota que perseguia e assassinava católicos em massa, a fim de instituir algum tipo de “protestantismo radical”.

Tão poucos eram os católicos insatisfeitos com o governo de Isabel que o historiador católico Paul Johnson ressalta que “durante o levante de 1569, somente sete mil de sessenta mil jovens capazes possíveis responderam ao apelo para se erguer em nome da antiga fé, e a sublevação em si foi um fiasco”[41]. Ele complementa dizendo que “mesmo no norte, as cidades do sudeste de Lancashire e York, por exemplo, tendiam a favorecer o pacto anglicano; no fim do reinado de Isabel, o número de verdadeiros recusantes, mesmo em Lancashire e Yorkshire, as regiões mais católicas, não chegava a 5% da população”[42].

Johnson revela também:

Cromwell contava com uma rede de agentes e informantes em todo o país, que o mantinha informado a respeito de quem criticava as mudanças e com que fundamentos. A análise dessas provas não apresenta qualquer sugestão de um partido “católico”, e muito menos “papista”, de resistência. Talvez fosse uma outra questão caso o clero regular, que constituía mais de um terço do pessoal da Igreja e controlava quase metade de seus recursos, se tivesse oposto ao programa real. Com efeito, apenas uma pequena minoria o fez. As dissoluções monásticas eram aceitas, em grande parte, com indiferença, onde quer que fossem realizadas – na Inglaterra, Escandinávia e Alemanha luterana. O clero britânico, via de regra, foi igualmente passivo.[43]

Maurois assegura que “o seu reinado está longe de ser limpo de injustiça, mas talvez ela tenha feito tão pouco mal quanto era possível em tempos difíceis”[44]. Johnson é mais específico ao falar dessas injustiças, quando se refere ao fato de que “os nobres foram dispensados do juramento exigido pelo Ato Protestante de Uniformidade de 1559, o que significava que eles poderiam continuar como católicos sem sofrer as penalidades financeiras infligidas aos menos favorecidos”[45]. Mas observe que mesmo em relação a esses “católicos menos favorecidos” a penalidade imposta era financeira, e não a fogueira, como o reinado de terror da sua irmã católica. Ninguém era forçado a se converter ao protestantismo, nem era morto em razão de sua fé.

Se por um lado o protestantismo crescia na Inglaterra a despeito da severa perseguição de Maria Sanguinária, o catolicismo perdia multidões de fieis sob o reinado de Isabel mesmo sem qualquer perseguição. Os católicos, nobres ou não, continuaram existindo ao longo de todo o período isabelino[46], mas ao final de seu governo “já quase não formavam a vigésima parte da população”[47] – mesmo sem nenhum massacre, nenhum auto-da-fé, nenhuma Inquisição e nenhuma obrigação a deixar de ser católico para se manter vivo. Isso significa que a aprovação dos católicos a Isabel, que já era grande em seu período inicial, se tornou ainda maior ao final dele, a ponto da maior parte deles abandonar o catolicismo mesmo sem uma espada no pescoço que os levasse a isso.

Essa tolerância de Isabel, extremamente incomum para seu tempo, também é atestada em todas as fontes. Grimberg, por exemplo, afirma que “apesar de seu poder absoluto, Isabel não era déspota para com o seu povo”[48], e Pijoan confirma que “enquanto ela reinou, não houve perseguições religiosas e nem autos-da-fé”[49]. Mesmo depois do terrível massacre da Noite de São Bartolomeu, que a Inglaterra recebeu com “horror e angústia”[50], a ponto de seus conselheiros lhe sugerirem entrar em guerra contra a França para vingar os huguenotes, Isabel se recusou terminantemente: “’Nada de guerra, meus senhores, nada de guerra’, exclamava ela invariavelmente quando Cecil ou outro qualquer ministro manifestava o desejo de a ver colocada à frente de uma liga protestante”[51].

Isso não significava que Isabel era indiferente ao sofrimento de seus irmãos de fé no continente. Quando o embaixador da França apareceu na corte para informar a rainha do que acabava de se passar no seu país, ela o fez esperar três dias pela audiência. Quando finalmente o admitiu à sua presença, “o embaixador viu-se acolhido, num silêncio glacial, por uma Isabel vestida de negro, em sinal de luto”[52]. Ela também ajudava os protestantes perseguidos com recursos financeiros, mas seu caráter pacifista a impedia de entrar em guerra diretamente. Esse pacifismo notório chamava a atenção de Francis Bacon, que em carta a Essex (em 1596) disse que “Sua Majestade [Isabel] ama a paz e detesta ter de despender dinheiro”[53].

Em quase 50 anos de governo, sua única guerra conhecida, “após trinta anos de paz quase ininterrupta”[54], é batalha da “Armada Invencível” contra os espanhois – uma batalha em legítima defesa que ocorreu somente porque os espanhois decidiram atacar primeiro. Como Grimberg afirma, “Isabel contentou-se em preservar a paz durante tanto tempo quanto possível e nas condições mais vantajosas”[55]. Não era, portanto, uma rainha violenta, sanguinária ou dada à guerra, mas excepcionalmente tolerante para os padrões da época, pacifista e religiosamente moderada, o que conquistou a fidelidade e lealdade até dos seus súditos mais católicos. O que vai além disso é lenda da apologética católica, mas dois episódios específicos merecem uma análise mais detalhada.


Isabel e Maria Stuart

O caso mais abordado pela apologética católica para realçar a suposta “crueldade” da rainha Isabel é o episódio que envolve sua prima, a rainha Maria Stuart, da Escócia. Na versão da apologética católica, Isabel a mandou matar a sangue frio em função de sua fé porque era uma tirana protestante que odiava católicos. Essa versão delirante dos fatos é facilmente confrontada quando simplesmente se abre qualquer livro de história que aborde a vida de Maria Stuart. Aqui farei um apanhado dos verdadeiros fatos históricos que a cercam, e para uma análise mais profunda da história da rainha basta consultar as fontes utilizadas.

Maria Stuart foi rainha consorte[56] da França por um breve período entre 1559 e 1560. Quando isso aconteceu, soldados franceses foram enviados à Escócia e o povo escocês pediu ajuda a Isabel, que “hesitou em cooperar com um povo em revolta contra sua soberana”[57]. Os protestantes escoceses temiam o reinado de uma rainha católica no país, pois conheciam muito bem o que se passou nos outros países do continente em que monarcas católicos governavam com mão-de-ferro causando verdadeiras chacinas e massacres por toda a parte. Ainda assim, Isabel se recusou a intervir militarmente para destituir sua prima, pois aceitava seu direito legal ao trono da Escócia, onde reinou de 1561 a 1567[58].

Maria e Isabel trocavam cartas amigáveis com certa frequência, embora sempre rolasse uma pontinha de rivalidade entre as duas. De fato, excetuando a religião, elas compartilhavam muito mais aspectos em comum do que o parentesco: ambas eram rainhas de países próximos e governavam com autoridade suprema (e não apenas como esposas de um rei), ambas governaram seus respectivos reinos ainda jovens (Isabel com 25, Maria com 18), ambas eram tolerantes e mostravam moderação para com seus súditos de outra confissão religiosa, ambas tinham interesses e gostos em comum.

As coisas começaram a desandar para Maria quando ela fez questão de contrair matrimônio com um inglês católico, súdito de Isabel, chamado Henrique Darnley, como parte desse jogo de provocações. Segundo Grimberg, ela não fez isso por amar Darnley, mas apenas para “procurar ela própria um candidato que desagradasse o mais possível Isabel”[59]. Havia algo a mais: Darnley descendia de Henrique VII, e por isso, em tese, podia pretender a coroa da Inglaterra, em caso de morte ou destituição de Isabel[60]. Infelizmente, Maria acabaria pagando caro por essa má escolha. Não demorou muito para perceber que Darnley não fazia seu tipo, mas agora que havia se casado não tinha como desfazer a união.

Algum tempo depois, Maria se envolveu com o italiano David Rizzio, seu secretário particular. Embora não haja provas de que ela o tinha como amante, a estreita aproximação entre os dois e os rumores que corriam à solta começaram a perturbar Darnley, que então se envolveu em uma conspiração para assassinar seu rival. Na verdade, a coisa foi bem mais dramática do que você deve estar pensando: Darnley e seus capangas invadiram o aposento onde estavam Maria e Rizzio, tomaram Rizzio à força diante da rainha e o esfaquearam 56 vezes. Maria não tomou nenhuma providência de imediato, mas amargou a partir dali um ódio profundo a seu marido, a quem já não amava.

O assassinato de Rizzio tomou desdobramentos em parte previsíveis, em parte inesperados. Dez meses depois, Darnley é assassinado em circunstâncias misteriosas, e a responsabilidade pelo homicídio recai sobre James Hepbuern, o conde de Bothwell. As circunstâncias da morte de Darnley “horrorizaram aos católicos e protestantes”[61], mas a parte inesperada ainda estava por vir: apenas três meses após o crime, provavelmente no pior momento possível, Maria Stuart se casa com o assassino[62] (que se divorciou de sua esposa doze dias antes do casamento)[63].

Grimberg comenta:

Era dar uma bofetada na opinião pública. Ter-se-ia, talvez, perdoado a Maria o ter participado no assassinato de Darnley. Mas o seu casamento com o assassino, três meses depois do crime, era mais do que se podia suportar. O povo manifestou imediatamente os seus sentimentos. Até mesmo o mundo católico, que depositara tantas esperanças em Maria, lhe voltava agora as costas. O papa teria declarado: “Da rainha da Inglaterra e da rainha da Escócia não sei qual é a mais culpada!”. Maria viu-se subitamente isolada, mas a cólera do seu povo talvez lhe importasse muito pouco.[64]

Walker afirma que a revolta popular foi tão intensa no país que “protestantes e católicos juntaram suas forças contra ela”[65], e Pijoan relata que “o escândalo foi tão enorme que Maria e seu terceiro marido tiveram que fazer frente à rebelião de toda a nobreza e do povo escocês, coaligados contra eles”[66]. Maria depositou suas últimas esperanças em uma luta real contra os lordes, conhecida como a Batalha do Morro de Carberry. Mas tamanho era o desânimo de suas tropas que a maior parte dos soldados desertou do exército[67]. Não bastasse ser abandonada pelo seu próprio exército real, Hepbuern, seu novo marido, fugiu como um covarde, deixando Maria sozinha. Ela foi aprisionada no Castelo de Loch Leven, após passar por Edimburgo, onde a multidão revoltada a chamava de assassina e adúltera[68].

Em 2 de maio de 1568, com a ajuda de Jorge Douglas, Maria consegue fugir do Castelo de Loch Leven, e então faz a polêmica escolha que definiria seu destino dali em diante: ela toma o rumo da Inglaterra e pede refúgio a Isabel[69]. É curioso notar que Maria poderia ter pedido refúgio em qualquer país católico do continente, inclusive na França, onde foi rainha consorte e passou toda a infância. Em vez disso, preferiu ir justamente à Inglaterra de Isabel, que, segundo os apologistas católicos, era uma ditadura protestante sanguinária que assassinava católicos a torto e a direito...

Na verdade, Maria sabia que o refúgio mais seguro era no reino de sua prima protestante, que sempre agiu com temperança e moderação na questão religiosa, o que não lhe seria um problema. Ademais, como vimos, até os países católicos e o papa estavam chocados com as atitudes recentes da rainha da Escócia. De fato, diante dos crimes cometidos – ou pelo menos da forte possibilidade de tê-los cometido – lugar nenhum seria realmente “seguro” para Maria Stuart. Isabel pelo menos era a menos propensa a tratá-la da forma cruel como seria tratada em um lugar qualquer. O desenrolar dos acontecimentos é narrado por Grimberg:

Ao saber da chegada de Maria ao seu país, Isabel pensou, a princípio, chamar a fugitiva à sua corte. A rainha da Inglaterra reprovava formalmente a ação dos lordes contra Maria. Não era esse o tratamento que uma rainha tinha o direito de esperar. Mas os conselheiros de Isabel opuseram-se à estada de Maria Stuart em Londres e a rainha vergou-se perante os seus argumentos. Maria começava assim o seu longo cativeiro na Inglaterra. Isabel fez-lhe saber que a não podia receber na sua corte enquanto não tivesse provado a sua completa inocência no assassinato de Darnley. No outono de 1568, a rainha da Inglaterra instituía uma comissão de inquérito a este respeito. Os lordes escoceses puderam assistir às sessões, mas sem resultado. Isabel concluiu que, se as afirmações de Maria se não provavam, o mesmo sucedia com as dos seus inimigos. A rainha da Escócia teve, por consequência, de continuar no castelo para onde a haviam levado.[70]

É importante ressaltar que Maria não foi tratada como uma prisioneira ou ré comum, encarcerada em um calabouço ou em uma prisão qualquer – e as prisões da época eram realmente muito piores que as de hoje. Em vez disso, foi mantida em um castelo de nobres, com muitas regalias impensáveis para um cidadão comum, e que Maria jamais teria em sua própria pátria. Ela viveu nesta condição durante seus últimos dezoitos anos, ou seja, não foi executada repentinamente e nem tratada da forma que uma assassina e adúltera era tratada na época. E isso a despeito da posição pessoal de Isabel, que preferiria recebê-la em sua corte não obstante tudo o que fez, mas era pressionada pelo Parlamento a proceder de acordo com a lei.

Maria poderia ter tido uma sorte melhor se não fosse a intromissão da Igreja e do papa, que decidiram se aproveitar dessa situação para tentar dar um golpe de Estado que colocasse no poder a prisioneira católica no lugar da rainha protestante. E isso pouco depois de ter condenado publicamente as ações da rainha escocesa. Como aponta Maurois, “o papa e a Igreja esqueciam que Maria foi ré de adultério, talvez de homicídio e, de novo, fundavam nela grandes esperanças”[71]. Quem também estava por detrás disso era, adivinhe, Filipe II (que surpresa). Grimberg escreve:

Um dia, o governo inglês soube que a embaixada da Espanha se mantinha em ligação com Maria Stuart. Em 1568, Filipe II enviara um novo embaixador a Londres, D. Guerran de Spes, um ardente católico que pretendia servir-se da sua posição na Inglaterra para derrubar Isabel. Após ter estudado, durante algum tempo, a situação política do país, Spes informou Filipe de que não seria difícil organizar uma revolta contra Isabel e libertar Maria Stuart. Aconselhava o rei a estabelecer, logo que possível, e com a colaboração da França, um bloqueio econômico à Inglaterra, cortando a ilha de todo o aprovisionamento de açúcar, especiarias, azeite e outros produtos de importação. Isto obrigaria os ingleses a mudar de ideia. Quanto a Maria Stuart, esta teria enviado a seguinte mensagem a D. Guerran: “Se o rei da Espanha consentir em me ajudar, serei rainha da Inglaterra em menos de três meses e restabelecerei o culto católico em todo o país”[72]

Assim começou a “Revolta do Norte” (1569), cujo fracasso já foi apontado anteriormente, pois nem os súditos católicos estavam dispostos a pegar em armas para destituir Isabel. Grimberg diz que “os que a provocaram não tiveram sorte alguma”[73], e que “as tropas lealistas esmagaram de tal modo os rebeldes que os seus chefes tiveram de fugir para lá da fronteira escocesa”[74]. O fiasco da conspiração católica para libertar Maria Stuart e destituir Isabel acabou piorando e muito as coisas para a primeira. Ela passou a ganhar ainda mais a desconfiança do Parlamento e da corte, os quais ainda desconheciam o envolvimento da mesma, embora já suspeitassem.

A opinião popular, que já não era nada simpática à Maria, começou a reclamar sua cabeça, o que só não foi levado a efeito porque “Isabel esperava sempre libertar Maria e restituir-lhe o seu trono”[75]. Tanto era o interesse da rainha em livrar a pele de sua prima – mesmo após a rebelião – que ela fez a sua defesa perante o Parlamento:

Pronunciou um longo discurso, que foi infelizmente acolhido de modo muito frio. Pela primeira vez, desde o início do seu reinado, a nação se recusou a compreender a rainha. Pelo contrário, via muito bem que era preciso recorrer a tudo para proteger a vida de Isabel, porque disso dependia a prosperidade do país.[76]

Quanto mais a rainha insistia para salvar sua prima, mais os católicos conspiravam para assassiná-la e colocar Maria em seu lugar. Pijoan escreve:

O papa era partidário de uma ação imediata, mas Filipe II preferia esperar, e enquanto isso preparava o terreno enviando dinheiro aos católicos ingleses; estes deviam começar libertando Maria Stuart e coroá-la rainha em lugar de Isabel. O exército espanhol chegaria em seguida, Maria casaria com Filipe e se poderia começar uma segunda edição do reinado da Sanguinária. E efetivamente, uns quantos barões católicos do norte da Inglaterra se rebelaram, e com um exército de 1.700 homens de cavalaria e 4.000 de infantaria entraram na cidade de Durham. Começaram ouvindo a missa e queimaram a tradução inglesa da Bíblia e o famoso Livro de Orações. Mas não conseguiram outro triunfo; poucas semanas depois, os que não tinham escapado, fugindo, morriam na forca.[77]

Afirma ainda que “em 1571 o programa espanhol, aceito pelo papa, era que o italiano Ridolfi assassinasse Isabel e que Maria Stuart, saindo de sua prisão, se casasse com o duque de Norfolk, que era católico”[78]. O papa e o rei espanhol davam a essa conspiração o nome de “empreendimento”, a respeito do qual Maria Stuart estava perfeitamente bem informada. Grimberg descreve os acontecimentos seguintes:

Maria Stuart consagrava uma grande parte do seu tempo à correspondência. Escrevia à rainha da Inglaterra, a Filipe II, ao rei da França, ao papa e aos seus fieis partidários espalhados pela Europa. Algumas destas cartas eram lidas e por vezes censuradas pelo conde de Shrewsbury; outras epístolas nunca lhe caíam nas mãos e saíam furtivamente do castelo graças ao fiel secretário da rainha. Estas cartas continham apelos prementes a uma assistência exterior, projetos de libertação e planos de golpes de Estado destinados a lançar Isabel para fora do trono. Da sua prisão, Maria teceu um fio de intrigas que se estendeu a quase toda a Europa. Quando o governo inglês descobriu a coisa, a rainha da Escócia alegou nada saber. Era mestra na arte de dissimular. Um belo dia de 1582 foi interceptado, muito perto da fronteira escocesa, um correio do embaixador espanhol em Londres. O homem conseguiu escapar, mas teve de abandonar a sua bagagem. Uma busca minuciosa permitiu aos policiais de Walsingham descobrir várias cartas dissimuladas num espelho. Uma descoberta sensacional! Com efeito, esta correspondência secreta pôs o governo inglês ao corrente do “empreendimento”. Walsingham decidiu estabelecer um inquérito sobre todos os detalhes do assunto, para esclarecer totalmente a conjura. Lançou os seus agentes ao trabalho, com instruções muito circunstanciadas, e esperou pelos resultados. Durante algum tempo nada sucedeu. Depois, um dia, um dos espiões seguiu a pista duma correspondência secreta entre Maria Stuart e o embaixador da França. Fizeram-se imediatamente cópias das cartas apreendidas, mas elas pareciam não ter qualquer relação com o “empreendimento”. Um novo relatório chegou a Londres um pouco mais tarde, revelando que um jovem, Francis Throckmorton, fazia regularmente visitas noturnas ao embaixador. Era uma pista a seguir. Throckmorton foi preso após uma perseguição de seis meses. Era bem ele quem se procurava. Sob a tortura, o jovem confessou fazer parte duma conjura que visava destronar Isabel e libertar Maria Stuart. Walsingham conseguiu arrancar-lhe outras confissões: o embaixador da Espanha desempenhava um papel importante nesta conspiração, que tinha as suas raízes não só na Inglaterra, mas também no continente.[79]

Os ingleses já estavam agora a par do “empreendimento”, mas ainda faltava a prova cabal de que Maria estava conscientemente envolvida na conspiração, pois Isabel jamais consentiria em condená-la por traição apenas por fortes suspeitas. Isso foi conseguido quatro anos mais tarde:

No ano 1586 os conspiradores de Isabel conseguiram a cumplicidade de Maria Stuart; esta, desde seu cativeiro, assinou uma abdicação de seus direitos às coroas da Inglaterra e Escócia em favor de Filipe II. Como se cria que era indispensável o assassinato preliminar de Isabel, se consultou a Maria, e a pobre cativa aprovou o plano, acrescentando alguns detalhes que podiam, segundo ela, assegurar o êxito. A nota de sua mão acabava com este parágrafo: “Prepare-se tudo assim, e quando seja a hora, comecem seu trabalho os seis cavaleiros”. Os seis cavaleiros eram os seis assassinos.[80]

Isso era o bastante, e agora nem Isabel tinha palavras para defender sua prima, cujo envolvimento na conspiração para assassiná-la já estava mais do que claro. Cairns diz que “ela então concordou, relutante, com a execução de Maria em 1587”[81] – a pena prescrita pela lei de qualquer país da época para o crime de alta traição.

Em suma, conquanto afirmem os apologistas católicos que Maria Stuart é uma “mártir” nas mãos de uma rainha protestante malvadona que a matou por razões religiosas, a verdade histórica é diametralmente oposta. Maria teria sido morta por seus crimes em seu próprio país e por seus próprios compatriotas se não tivesse buscado refúgio em Isabel, que a tratou com privilégios sem limites para alguém naquela condição e que a defendeu até o último momento, quando finalmente se provou sua traição e já não havia mais nada a se fazer.

Resta-nos agora examinar os casos de “execuções de católicos” durante o reinado isabelino, que ocorreram precisamente em torno dessa conspiração, numa tentativa papal de dar êxito ao “empreendimento”.


Isabel e os jesuítas

Além do caso mais famoso de Maria Stuart, Isabel é acusada de matar por intolerância religiosa “centenas de católicos” ao longo dos seus 45 anos de reinado. De fato, foi executada uma quantidade irrisória de católicos, equivalente a quatro a cada ano de reinado, mas nenhum deles por “heresia” ou pelo “crime” de expressar suas opiniões religiosas. Em vez disso, esse número consiste fundamentalmente de jesuítas enviados para a Inglaterra na específica missão de realizar o “empreendimento”, onde Isabel terminaria assassinada e destronada, e Maria Stuart assumiria a coroa em seu lugar.

Tudo começou quando, em 27 de abril de 1570, o papa Pio V emitiu uma bula chamada Regnans in excelsis, onde excomunga Isabel. Se isso fosse feito nos dias de hoje, não significaria mais que uma decisão religiosa unilateral, de teor puramente espiritual e sem nenhuma relevância maior. Mas no século XVI, quando o papa ainda detinha um poder temporal enorme e se sobrepunha acima dos imperadores e reis, isso tinha implicações bem mais sérias. Basicamente, o que o papa fez, acredite se quiser, foi destituir Isabel do seu próprio reino, como se tivesse autoridade para isso. A bula em questão dizia expressamente:

A este único homem Cristo estabeleceu como chefe sobre todas as nações e todos os reinos para arrancar, destruir, dispersar, dispor, plantar e construir (...) Apoiados, portanto, sobre a autoridade daquele que nos quis colocar (embora incapazes de tal peso) neste supremo trono de justiça, declaramos a predita Isabel como herege e protetora de hereges, e declaramos que os que a seguem nas matérias que mencionamos incorreram na sentença do anátema e que sejam cortados da unidade do corpo de Cristo. Declaramos, além disto, que ela está privada de seu pretendido direito sobre o reino predito, e de todo domínio, dignidade e privilégio, qualquer que seja. E os nobres, súditos e povos do dito reino, e todos os outros que tomaram um juramento de qualquer espécie para com ela, declaramos absolvidos para sempre de tal juramento e de todos os deveres de domínio, fidelidade e obediência, e pela autoridade da presente nós os absolvemos. E privamos a dita Isabel de seu pretendido direito sobre o reino e sobre todas as coisas preditas, e obrigamos e proibimos todos os nobres, etc.,... que não presumam obedecer a ela e a suas admoestações, mandamentos e leis. Todos os que desobedecerem a nosso mandamento envolvemos na mesma sentença de anátema.[82]

Pio V não estava apenas excomungando Isabel. Ele estava literalmente a destituindo de seu próprio reino, e, como se não bastasse, proibindo sem qualquer escrúpulo que os súditos católicos lhe fossem leais. Seria inimaginável pensar nos dias de hoje em um papa Francisco destituindo Donald Trump ou qualquer outro presidente americano do governo dos EUA apenas por ser protestante, mas foi justamente o que o papa tentou fazer com Isabel. Ele não estava se intrometendo apenas no aspecto espiritual que lhe dizia respeito, mas sobretudo na esfera temporal, na qual seu atrevimento era totalmente descabido, presunçoso e prepotente. Lindberg informa que

o papa Pio V deixou claro que seu poder se estendia sobre todas as nações e que, porquanto Isabel era uma escrava do vício, usurpadora do ofício do papa e “calvínista”, ela estava excluída do corpo de Cristo e todos os súditos estavam desobrigados de juramentos de lealdade a ela.[83]

Mas se engana quem pensa que essas palavras eram vãs e sem efeito prático. O papa não iria escrever tudo isso para depois ficar de braços cruzados esperando que a situação se resolvesse por si só. Em vez disso, fez valer a bula, lançando mão de todos os meios possíveis para destronar Isabel, ainda que contra qualquer princípio moral ou ético. Como Malucelli escreve, “esse ato, que excluía os súditos da obrigação de fidelidade, representava um grave perigo para a autoridade e a própria vida do monarca”[84].

Devemos lembrar que naquela época de monarquia absolutista um governante supremo de um país não era destituído através de impeachment ou voto popular. Em vez disso, se o papa queria destituir Isabel, ele teria que assassiná-la e passar a coroa a outra pessoa. Nenhum rei ou rainha de nenhum país simplesmente se “aposentava” ou renunciava, muito menos nestas condições. Era precisamente de um assassinato da rainha que o papa precisava, da mesma forma que havia conseguido com Coligny, Henrique III e Henrique VI na França, e com Guilherme de Orange na Holanda. Voluntários católicos fanáticos dispostos a executar esse trabalho sujo não faltavam: eles eram principalmente os jesuítas, a “milícia da Igreja” que estava em constante pé de guerra com Isabel durante quase todo o seu reinado.

Grimberg escreve:

Pio V excomungara a rainha em 1570. Este papa, defensor do programa da Contrarreforma e ardente adepto dos severos ideais ascéticos, proclamou que todas as potências católicas deviam se unir contra a Inglaterra isabelina e enviar tropas para a submeter. As coisas não evoluíram segundo os seus desejos. Em primeiro lugar, as potências católicas estavam muito menos preparadas para lutar do que o papa supusera. Em seguida, os católicos ingleses causaram uma desilusão ao Santo Padre, tanto pelo que respeita ao seu número como à sua influência. Após as declarações pontifícias, toda a nação inglesa se uniu numa frente comum contra Roma. A rainha Isabel assegurou ao mundo que “jamais os navios de São Pedro entrarão nos meus portos”. Palavras adequadas para agradarem aos seus súditos e para fortalecerem a sua resistência. A Igreja Católica nem mesmo assim abandonou a luta. Uma vez que uma guerra aberta contra a Inglaterra se revelava impossível, a Igreja lançou-se na luta clandestina.[85]

Dickens é mais preciso ao afirmar sobre quais eram esses “soldados” da Igreja envolvidos nessa «luta clandestina»:

Estes padres – e os jesuítas que vão segui-los – são enviados por autoridades que procuram derrubar um governo que conquistara a lealdade da maioria dos ingleses. Um ou outro acham a atividade missionária menos exaltante do que conspirar com leigos para assassinar a rainha, e os que os dirigem, do continente, participam em negociações destinadas à organização de uma invasão estrangeira, que mergulhe o país no abismo em que soçobrara a França.[86]

Para entender melhor o caráter pérfido desses jesuítas infiltrados na Inglaterra para conspirar contra a rainha a fim de cumprir os decretos papais, devemos voltar por um momento às suas raízes, quando Inácio de Loyola, um ex-soldado cuja carreira militar acabou precocemente após um ferimento na perna, criou a “Companhia de Jesus”, em 1534. Inácio pregava uma espécie de fideísmo radical (submissão incondicional e cega ao papa), que os papas não tardaram em usá-la em seu proveito. Como Curtis sublinha, “seus princípios incluíam obediência absoluta, inquestionável e quase militar ao papa”[87]. Baker complementa que “esta obediência cega demandava renunciar à consciência individual”[88].

Para ter uma ideia do nível que a coisa chegava, a célebre 13ª “regra para se pensar com a Igreja” de seus famosos Exercícios Espirituais dizia:

Para não nos desviarmos da verdade, devemos sempre estar dispostos a crer que o que o branco que eu vejo é negro, se a hierarquia da Igreja o tiver determinado.[89]

Essa era a predisposição cega que os jesuítas tinham para lutar com a Igreja contra literalmente tudo – inclusive para passar por cima de princípios morais sem nenhuma hesitação. Os jesuítas eram adeptos do probabilismo, que consistia basicamente na justificação de qualquer procedimento quando se encontra uma autoridade em seu favor, e do intencionalismo, que justifica qualquer ação se a intenção é boa[90]. Eram ainda adeptos das “reservas mentais”. Não tinham que dizer necessariamente toda a verdade, ainda que sob juramento[91]. Mousnier nos passa alguns exemplos de como funcionava essa ética jesuíta:

Podemos, portanto, fugir ao pecado por diferentes meios, como a restrição mental: se uma mulher adúltera foi absolvida no confessionário e se o marido lhe perguntar se ela o enganou, pode responder que não cometeu adultério, acrescentando, de si para si, “adultério que seja obrigada a confessar” (...) Quando um nobre acha que, embora Deus tenha dito “não matarás”, pode bater-se em duelo, não para se vingar, mas para defender sua honra; como o probabilismo: uma maneira de agir é permitida quando é verossímil que seja aceite pela opinião de um autor respeitado.[92]

A conclusão que estes sofismas levavam era uma só, que Maquiavel já conhecia bem: “O fim justifica os meios”[93]. Para os jesuítas, “se o resultado é para a maior glória de Deus, então qualquer meio usado para alcançá-lo é permitido”[94]. A mais espantosa ética jesuíta relacionada a esses princípios é a que chamavam de «assassinato dos tiranos». Baker afirma que “há evidência de que este princípio era aceitável no primeiro período da história da sociedade e, de fato, está implícito nas outras normas morais”[95]. Oliveira também disserta a respeito:

Termos que têm a ver com a ética jesuíta são: probabilismo e intencionalismo. Através do probabilismo, qualquer atitude é aceita se existir algum escrito de Pais da Igreja que a justifique. Pelo intencionalismo, os fins justificam os meios, ou seja, se a intenção é boa, não importam as formas, contanto que o objetivo seja alcançar a glória de Deus. Atribui-se aos jesuítas as práticas de assassinato dos tiranos e renúncia da consciência individual.[96]

A tão aclamada “Companhia de Jesus” conseguiu assim criar um “verdadeiro exército de propagandistas”[97] a serviço do papa, com a finalidade de “obter a adesão das classes superiores à luta contra as heresias”[98], e os meios utilizados para a supressão da “heresia” e dos “hereges” era o que menos importava. Não à toa, por detrás de cada assassinato de um líder protestante no continente, havia sempre um jesuíta na história.

Veit Valentin não poupa palavras quando diz que a Companhia realizava “uma racionalização de toda a ética, perigosa não só pelos processos como pela degeneração que podem facilmente produzir-se. O próprio Loyola declarava explicitamente que para combater o demônio podia-se recorrer a todos os meios de que este se servia para perder as almas”[99]. Roberts complementa que “mais do que qualquer outro grupo clerical, eles personificavam o espírito combativo e obstinado da Contrarreforma, o que combinava com o temperamento heroico de Loyola, pois ele fora soldado e parece ter sempre visto a sua Companhia em termos muito militares; às vezes os jesuítas são citados como a milícia da Igreja. Os jesuítas fizeram parte de um novo conjunto de armas do papado, junto com a Inquisição”[100].

Nichols também escreve:

Os jesuítas dedicaram-se a inspirar nos governantes católicos devoção à Igreja e ódio ao protestantismo. Como resultado dessa política, levantaram-se tremendas perseguições aos protestantes em vários países. A pressão jesuítica era constante e poderosa no ânimo dos governos. Dentro de poucos anos, os jesuítas tornaram-se dominadores da Igreja Católica Romana. O espírito deles era o da Contrarreforma e o seu ideal era esmagar os dissidentes.[101]

Lindsay, na mesma linha, comenta:

A política da corte romana, e especialmente as declaradas intenções e desígnios dos jesuítas forçaram Isabel, depois de ter reinado quase doze anos, a mostrar-se mais decidida a defender a fé protestante, tanto na Inglaterra como fora dela. Os jesuítas tinham insistido repetidas vezes em que não se devia guardar fidelidade aos chefes de estado protestantes; alguns dos seus emissários tinham pregado o assassinato como meio lícito de desembaraçar os países dos seus soberanos protestantes, e não faltavam exemplos que advertissem Isabel da sorte que a esperava.[102]

Até o famoso historiador católico conservador Paul Johnson reconhece:

Acima de tudo, os jesuítas eram amplamente identificados com a atitude de que o código moral poderia ser suspenso, de algum modo, quando os interesses católicos se encontrassem ameaçados. Os jesuítas não somente defendiam a guerra como um instrumento legítimo contra a heresia como eram favoráveis ao assassinato seletivo dos protestantes – sobretudo se ocupassem posições importantes. Era uma extensão de suas técnicas pedagógicas: se um governante não podia ser convertido, que fosse assassinado. Assim, em 1599, Juan Mariani, aconselhando Filipe III a respeito da questão da monarquia, escreveu sobre os soberanos protestantes: “É algo glorioso exterminar toda essa raça pestilenta e perniciosa da comunidade dos homens. Também os membros são cortados fora quando corruptos, a fim de não infectarem o restante do corpo; da mesma forma, essa crueldade bestial sob forma humana tem de ser apartada do Estado e cortada com a espada”.[103]

Com sua moral relaxada, relativista e baixa, os jesuítas conseguiram “grandes êxitos junto aos príncipes, aos senhores e aos burgueses, graças à sua habilidade de confessores”[104]. Lindberg também atesta que “a influência política dos jesuítas aumentou à medida que membros da ordem ganharam acesso às cortes da Europa como confessores de pessoas influentes. Dessa maneira, eles induziram eficazmente governantes políticos a suprimir o protestantismo”[105].

Os jesuítas haviam se tornado tão traiçoeiros, ardilosos, pérfidos e desleais que não respeitavam sequer a autonomia dos governantes católicos, razão pela qual foram expulsos de quase todos os países europeus e no resto do mundo todo. Pirenne diz que a Companhia “em nenhuma parte se fez instrumento dos governos nacionais senão que esforçou-se, em toda parte, em submeter o Estado à influência de Roma”[106]. Por essa razão foram expulsos até dos países mais fortemente católicos como França[107], Espanha[108], Itália[109] e Portugal[110], onde foram acusados de conspiração[111]. Em função de sua moral pervertida e perversa, eles foram combatidos pelos próprios clérigos católicos:

Durante a última parte do século XVII e durante o XVIII, os jesuítas experimentaram forte oposição por parte dos mais hábeis e melhores homens da Igreja Romana na França. Estes homens energicamente protestavam contra as ideias falsas, dolosas e oportunistas a respeito da moral e de certos princípios, ideias realmente perigosas que os jesuítas espalhavam através do confessionário.[112]

Riberdi diz que “nada, exceto seus excessos, lhes freava a penetração”[113], e que sua ação “retardou a pacificação da Alemanha”[114]. Na Bélgica católica, os jesuítas que quiseram se instalar tiveram que encarar um protesto formal da Universidade Católica de Lovaina (1556)[115]. Na Suécia, Gustavo Vasa “repeliu suas manobras para arrebatar-lhe a Suécia, uni-la à Polônia católica e entregá-la à Igreja Romana”[116]. Suas artimanhas e manobras políticas chegaram tão longe a ponto de conseguirem o feito extraordinário de serem expulsos até do Japão, no outro lado do mundo[117]. Tentaram ainda sem sucesso ligar a Igreja russa à Santa Sé[118] – e foram expulsos dali também[119].

A Enciclopédia Britânica oferece uma lista de lugares em que os jesuítas foram expulsos como “perturbadores da ordem pública”[120], entre eles: França (1594, 1765, 1830 e 1880), Antuérpia (1578), Holanda (1592 e 1816), Veneza (1606), Boêmia (1616), Morávia (1610), Malta (1643), Rússia (1723, 1813 e 1820), Portugal (1759), Espanha (1767, 1820 e 1835), Sicília e Nápoles (1767), Parma (1786) e Suíça (1847 e 1848)[121]. Pirenne resume o quadro simplesmente dizendo que “os jesuítas, que representam a tese romana autoritária da Contrarreforma, são expulsos de quase todos os países”[122].

Após tantos insucessos e fracassos, o papa Clemente XIV, sob forte pressão política dos próprios monarcas católicos, se viu forçado a abolir a Ordem, a 21 de julho de 1773[123]. O que mais chama a atenção é a linguagem voraz expressa pelo papa nesta ocasião. “Nenhum protestante jamais os condenou de forma tão inequívoca”[124], aponta Baker. O papa justificou sua medida de encerrar a Companhia de Jesus nos seguintes termos:

Diante das intrigas políticas, seu antagonismo para com as outras ordens religiosas, a grande ruína das almas produzidas pelo seu espírito metediço e perturbador, sua falta de escrúpulo em se conformar com as práticas pagãs no Oriente, a instigação à revolta e à perseguição em países católicos. Finalmente, uma vez que os soberanos católicos já os tem expulsado de seus domínios e muitos bispos e personagens eminentes pedem a sua extinção, o papa resolve, por amor à paz da Igreja, a suprimi-la, extingui-la, aboli-la e revogá-la para sempre, com todos os seus ritos, casas, colégios, escolas e hospitais.[125]

O papa taxativamente disse que a Ordem dos Jesuítas seria «revogada para sempre», mas como em se tratando de Vaticano o que menos se exige é coerência, uma geração mais tarde um novo papa infalível chamado Pio VII revogou a “revogação eterna” do papa infalível anterior, restaurando a Companhia em 4 de agosto de 1814. Nestes quarenta anos de intervalo, os jesuítas expulsos de todos os países católicos e condenados pelo próprio papa tiveram que encontrar refúgio – por ironia do destino – justamente na terra do “herege” Frederico da Prússia, um luterano, e da “cismática” Catarina da Rússia, uma católica ortodoxa grega, que representavam tudo o que mais odiavam.

Nichols escreve:

Os jesuítas foram mais e mais perdendo a sua popularidade. Foi se desenvolvendo o sentimento de que essa poderosa organização secreta, embora vivendo na França, prestava a sua obediência última e definitiva a um governo estrangeiro, sendo, portanto, perigosa e traiçoeira. Quando Portugal, em 1759, expulsou os jesuítas, a opinião pública francesa exigiu que se fizesse o mesmo na França, o que foi conseguido em 1764. Este foi o começo do fim dos jesuítas. Logo após, a Espanha também os exilava; depois, o reino de Nápoles. Em todos os casos, a razão da sua expulsão era: os jesuítas eram desleais e perigosos aos governos. Finalmente o papa Clemente XIV, sob a pressão dos reis de todos esses países, dissolveu a Ordem em 1773. Por mais estranho que pareça, os jesuítas que, em seguida a este golpe, resolveram manter secretamente a sua organização, encontraram refúgio num país protestante, a Prússia; e também na Rússia, onde dominava a Igreja oriental ou ortodoxa.[126]

Como vemos, o ardil e a malícia dos jesuítas, suas manobras políticas e conspirações supranacionais estavam longe de ser uma criação de Isabel ou uma invenção de protestantes maldosos. Em vez disso, era algo notório pela própria moral jesuíta e perceptível mundialmente, chegando a escandalizar até os países mais profundamente católicos do continente. A Ordem já havia cumprido um importante trabalho nos assassinatos de líderes protestantes ou de católicos moderados em outros países, mas agora a coisa era diferente: a afronta do papa Pio V era uma declaração de guerra aberta contra a Inglaterra protestante. Os jesuítas não apenas tinham permissão, mas a missão de cumprir a bula e assassinar Isabel para que uma católica ocupasse o trono inglês.

Rowse escreve:

O papa tentou atacar a Inglaterra de duas formas, a primeira das quais tinha a ver com um empreendimento militar. Para tal, tentou convencer os príncipes católicos da Europa a levar a cabo uma cruzada contra o pais herético. Como estes não estavam dispostos a desafiar o temido poder marítimo inglês, o papa teve que atacar de outra forma, recorrendo ao trabalho de missionários. Em 1568, um não-conformista inglês, William Allen, tinha fundado um colégio na França, em Douai, com o intuito de preparar missionários para atuarem posteriormente na Inglaterra. Outros estabelecimentos foram criados com o mesmo objetivo, inclusive um em Roma, submetendo os discípulos a um treino bastante severo que os preparava para situações de tortura e de martírio. Em 1581, mais de 100 missionários circulavam pela Inglaterra tentando converter o maior número possível de fieis. O trabalho destes evangelizadores, na sua maioria jesuítas, foi constantemente perturbado pela influência papal, agora na pessoa de Gregório XIII, que os incitava à sabotagem política, incluindo o assassinato da rainha, justificando a sua posição dizendo: “Quem quer que a envie para fora do mundo com a intenção piedosa de fazer um serviço a Deus não só não peca, mas ganha mérito” (Carta do secretário do Papa ao Núncio de Madrid)[127]. Roma ultrapassava assim a questão religiosa transformando-a numa política, indo além da sua devida competência, não olhando a meios para atingir os fins.[128]

Cairns também fala sobre o seminário de William Allen, de onde os jesuítas “treinavam pessoas para trabalhos secretos com seguidores do papa na Inglaterra”[129], bem como Lindsay, que após dizer que “as forças católicas romanas trabalhavam com mais ardor para a ruína da Inglaterra”[130], menciona o seminário em Douai e o colégio em Roma, “onde se preparavam padres ingleses que iriam depois para o seu país promover agitação entre os romanistas”[131]. A afirmação de que o papa e a Igreja autorizaram expressamente o assassinato de Isabel e o trataram como algo louvável também é atestado por múltiplas fontes. Grimberg, por exemplo, escreve:

Um muito alto dignitário da corte pontifícia disse, um dia, a propósito de Isabel: “Uma vez que esta mulher culpada é a causa da perda, para a fé, de tantos milhões de almas, não há qualquer dúvida de que aquele que a enviar para fora deste mundo com a piedosa intenção de servir a Deus, não só não pecará, como adquirirá méritos”. Esta declaração data de 1580 e exprime magnificamente a mentalidade do mundo católico nessa época. Numerosos políticos católicos aceitavam a ideia de mandar assassinar Isabel para colocar Maria Stuart no trono e restabelecer o catolicismo na Inglaterra. Este projeto tinha o nome de “empreendimento”. Não têm conta as intrigas estabelecidas para a sua realização. Maria Stuart, a rainha cativa, estava no centro de todas as conspirações.[132]

Maurois, por sua vez, escreve:

Excomungar a soberana importava desligar os seus súditos católicos da fidelidade, e havia até quem dissesse que o papa teria de bom grado absolvido o assassino de Isabel. Em dezembro de 1580 o secretário de Estado pontífico respondeu de maneira ambígua e suspeita a uma questão formulada em nome de certos jesuítas ingleses: “Posto que essa mulher delinquente é causa da perda para a fé de tantos milhões de almas, não há dúvida nenhuma que aquele que a fizer sair deste mundo com a piedosa intenção de servir a Deus, não somente não pecará de modo nenhum, mas adquirirá méritos”. A partir de 1570, padres católicos e leigos foram executados na Inglaterra, não por heresia, mas por alta traição.[133]

É importante ter esses fatos em mente para compreender a dimensão da obsessão papal pelo extermínio da Reforma, para cujo empreendimento ele não media custos nem esforços, e muito menos «reservas mentais». A mentalidade papista do século XVI era um verdadeiro “vale tudo” para aniquilar qualquer semente da Reforma – fosse assassinando protestantes individuais pela Inquisição em países como Espanha e Portugal, ou em massacres sistemáticos como o da Noite de São Bartolomeu, ou em conspirações políticas como a fracassada tentativa de assassinar Isabel para recatolizar a Inglaterra à força.

Nunca é tarde lembrar novamente o levante católico de 1569, liderado pelo duque de Norfolk na tentativa de levar a cabo o “empreendimento” papal, que só não obteve êxito por causa da enorme popularidade de Isabel na Inglaterra, com a qual Roma não estava contando. Quando no ano seguinte o papa excomunga Isabel e a destitui do trono, “a bula papal uniu o mundo católico no ‘Empreendimento da Inglaterra’ – a derrubada do novo regime protestante”[134]. No mesmo ano da bula, o papa Pio V declarou o reino de Isabel “como alvo para as cruzadas de fé”[135], e “a Companhia de Jesus providencia soldados treinados e zelosos, que se infiltram em territórios protestantes e escolas, com efeitos subversivos”[136], chegando a se infiltrar nas “hostes luteranas”[137].

Os acontecimentos sucedem com rapidez. Em 1570, o regente Moray, que era o chefe político da Reforma na Escócia, foi “escandalosamente assassinado”[138]. Em 1572, Coligny é assassinado na França. Em 1584, Guilherme de Orange é assassinado na Holanda. Em 1589, Henrique III também é assassinado na França. Só faltava a cabeça de Isabel, peça mais cobiçada no Vaticano e na Espanha, e razão pela qual Gregório XIII, Filipe II e o duque de Alba se reúnem com o florentino Ridolfi numa conferência de 1572, “sobre a possibilidade de uma insurreição católica romana na Inglaterra”[139].

Isso foi tentado novamente em 1580, quando os jesuítas iniciaram uma missão sob a liderança de Robert Persons (1546-1610). Ele “atraiu William Allen para seus planos, começou uma série de intrigas para provocar uma invasão espanhola na Inglaterra e um levante nesse país, e a morte ou a deposição de Isabel”[140]. Ele acabou sendo uma das peças-chave no planeamento da “Armada Invencível”, a fase final do “empreendimento”, a respeito da qual abordarei um tópico adiante.

Em suma, o que é conhecido por qualquer historiador ou estudioso sério é que Isabel não perseguiu católico nenhum por convicções religiosas, nem impôs oposição alguma à liberdade de consciência, coisas tais que a rainha, famosa por sua moderação, abominava. Tudo o que ela fez foi punir com a pena de morte alguns jesuítas infiltrados na Inglaterra com a específica missão de conspirar, sublevar o país através de rebeliões e traições, incitar à sabotagem política e por fim assassiná-la – e tudo isso para libertar sua prima adúltera e presumivelmente assassina, colocá-la no poder e impor a volta do catolicismo romano à força, tal como no regime da Sanguinária.

Por muito menos do que isso já se punia com a pena capital em qualquer país do mundo, e, por mais tolerante que Isabel fosse, mesmo para o seu padrão isso ultrapassava todos os limites. Lindberg corrobora que Isabel “era de opinião que, contanto que seus súditos observassem publicamente as leis do país, suas consciências não deveriam ser examinadas. Quando baniu os jesuítas em 1585, um de seus motivos era mitigar o ultraje público contra conspirações estrangeiras e, com isso, minimizar os ataques públicos a católicos ingleses”[141]. Cantú concorda quando diz que “Isabel, não querendo parecer atentar contra a liberdade de consciência, alegou que os jesuítas, contra os quais ela tinha instituído uma comissão suprema, intrigavam para sublevar o país, e introduzir os estrangeiros”[142].

É sumamente importante observar que durante toda a primeira década do seu reinado (ou seja, o período anterior à bula do papa Pio V, a revolta do Norte e as conspirações para assassinar a rainha) não houve qualquer condenação à morte na Inglaterra[143]. Este fato é extremamente significativo, pois vai ao encontro dos fatos históricos de que Isabel não era uma rainha religiosamente intolerante com interesse em punir católicos pelo “crime” de heresia, pois se este fosse o caso ela certamente já teria feito em larga escala desde quando assumiu o trono. Católicos não faltavam na Inglaterra, e em bem menos tempo a sua irmã sanguinária assassinou centenas de protestantes, reavivando as leis contra heresia de seu pai Henrique VIII.

Maria reinou cinco anos e matou 300 protestantes por heresia, enquanto Isabel reinou por dez anos sem condenar ninguém à pena capital, e quando começou a condenar o fez por alta traição, e não por razões doutrinárias. Os números de Isabel apontam 187 execuções (sendo 123 de “missionários” jesuítas[144]) ao longo de todos os seus 45 anos de reinado[145], o que equivale a quatro indivíduos por ano, um número absolutamente irrisório para qualquer rainha que quisesse matar por doutrina numa Inglaterra que contava com milhões de católicos a quem poderia ter matado, caso quisesse.

A Inglaterra de Isabel não tinha leis contra heresia, não tinha tribunais eclesiásticos julgando a fé das pessoas, não tinha autos-da-fé, não tinha cerimônias públicas de queima de hereges, não tinha restrições à liberdade de consciência, e ninguém era obrigado (embora houvesse o incentivo) a ser protestante. O que havia, como em todo e qualquer lugar, era a pena capital (na forca ou por decapitação) para quem incorria no crime de alta traição, no qual os jesuítas condenados eram, de longe, os maiores profissionais.

(...)

Um tratamento apropriado de todos os seus feitos e êxitos, de sua impecável capacidade administrativa, sua admirável tolerância religiosa e seu “caso de amor de 45 anos entre a rainha e os ingleses”[146] só poderia ser feito em um livro à parte, e mesmo assim dificilmente faria jus a toda a sua grandeza. Graças a ela, em vez de um levante católico na Inglaterra como planejado por Filipe II e o papa, “católicos e protestantes permaneceram ombro a ombro, como ingleses, contra a Espanha”[147].

A paz que durante um reinado de quase meio século ela manteve nos seus domínios, enquanto as nações vizinhas eram convulsionadas em dissensões internas, tem servido de prova da sabedoria e do vigor de seu governo (...) Quando ela chegou ao trono, a Inglaterra se achava ainda na categoria das monarquias secundárias; antes de sua morte, o país já tinha alcançado o nível das primeiras nações da Europa.[148]

Sua morte trouxe fim a “uma das mais belas épocas da história da Inglaterra”[149], que consolidou a Reforma em uma nação-chave, contra a qual as portas de Roma não prevaleceram. O papado não conseguiu destruir a Reforma porque não conseguiu destruir a Inglaterra. Como escreve Walker, “a Inglaterra foi a pedra sobre a qual os planos de Filipe de um catolicismo vitorioso se esfacelaram”[150].

• Continua em meu livro “500 Anos de Reforma: Como o protestantismo revolucionou o mundo" (livro em construção)

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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[1] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 37.

[2] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 202.

[3] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 389.

[4] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 560.

[5] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 192.

[6] MARTINEZ, Jesus P. Historia Universal: Vol. III – Edad Moderna. Madrid: Ediciones y Publicaciones Españolas, S. A., 1960, p. 67.

[7] ROBERTS, J. M. O livro de ouro da história do mundo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 471.

[8] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 386.

[9] SPITZ, Lewis W. The Renaissance and Reformation Moviments. Chicago: Rand McNally, 1971, p. 523.

[10] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 116.

[11] MOUSNIER, Roland; LABROUSSE, Ernest. História Geral das Civilizações, Tomo V: O Século XVIII – O último século do Antigo Regime. 2ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1961, p. 205.

[12] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 111.

[13] MAIOR, Armando Souto. História Geral. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967, p. 373.

[14] MARTINEZ, Jesus P. Historia Universal: Vol. III – Edad Moderna. Madrid: Ediciones y Publicaciones Españolas, S. A., 1960, p. 67.

[15] ROBERTS, J. M. O livro de ouro da história do mundo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 472.

[16] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 98.

[17] ibid.

[18] ibid, p. 63.

[19] ibid, p. 105.

[20] CANTÚ, Cesare. História Universal – Vigésimo Segundo Volume. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 134.

[21] DUDUCH, João. História da Igreja. São Paulo: Novas edições líderes evangélicos, 1974, p. 211.

[22] Disponível em: http://igrejaanglicana.com.br/os-39-artigos

[23] MARTINEZ, Jesus P. Historia Universal: Vol. III – Edad Moderna. Madrid: Ediciones y Publicaciones Españolas, S. A., 1960, p. 40.

[24] CANTÚ, Cesare. História Universal – Vigésimo Segundo Volume. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 136.

[25] CECHINATO, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja: principais acontecimentos da cristandade, desde os tempos de Jesus até João Paulo II. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996, p. 257.

[26] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 388.

[27] ibid.

[28] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960, p. 178.

[29] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 389.

[30] LANE, Tony. Pensamento Cristão – Vol. 2: Da Reforma à Modernidade. São Paulo: Press Abba, 1999, p. 39.

[31] ibid.

[32] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 215.

[33] ibid, p. 214.

[34] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 214.

[35] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 63.

[36] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 215.

[37] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 195.

[38] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 389.

[39] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 356.

[40] ibid.

[41] ibid, p. 356-357.

[42] ibid, p. 357.

[43] ibid, p. 354.

[44] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 212.

[45] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 354.

[46] MARTINEZ, Jesus P. Historia Universal: Vol. III – Edad Moderna. Madrid: Ediciones y Publicaciones Españolas, S. A., 1960, p. 40.

[47] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 243.

[48] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 64.
[49] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 212.

[50] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 93.

[51] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 194.

[52] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 93.

[53] ibid, p. 116.

[54] ibid, p. 102.

[55] ibid, p. 67.

[56] Uma rainha consorte era uma rainha que não reinava de fato, sendo apenas a esposa do rei. Isso difere de Isabel na Inglaterra e da própria Maria na Escócia, as quais reinaram de fato. Isso porque na França a lei imperava a lei sálica, que proibia uma mulher de reinar de fato.

[57] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 289.

[58] Ela já era considerada “rainha da Escócia” desde seu nascimento (1542), mas até então a Escócia era governada de fato por regentes, enquanto Maria vivia na França.

[59] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 76.

[60] ibid.

[61] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 217.

[62] Existe a possibilidade de que Hepburn a tenha sequestrado e estuprado no Castelo de Dunbar, um mês antes do casamento. Jaime Melville, que estava no castelo, disse que o conde de Bothwell "tinha arrebatado ela e deitado com ela contra sua vontade". Outros, porém, consideram essa versão narrada por Melville uma farsa (FRASER, Antonia. Mary Queen of Scots. London: Weidenfeld and Nicolson, 1994, p. 314).

[63] FRASER, Antonia. Mary Queen of Scots. London: Weidenfeld and Nicolson, 1994, p. 319.

[64] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 84.

[65] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 101.

[66] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 217.

[67] WORMALD, Jenny. Mary, Queen of Scots. London: George Philip, 1988, p. 165.

[68] WEIR, Alison. Mary, Queen of Scots and the Murder of Lord Darnley. London: Random House, 2008, p. 391.

[69] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 217.

[70] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 85.

[71] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 230.

[72] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 89.

[73] ibid, p. 91.

[74] ibid.

[75] ibid, p. 92.

[76] ibid.

[77] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 219-220.

[78] ibid, p. 220.

[79] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 96-98.

[80] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 221.

[81] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 290.

[82] Bula de Pio V, Regnans in excelsis: B. R. VII. 810 ss. Citado em: BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 1967, p. 276-277.

[83] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 392.

[84] MALUCELLI, Laura; FO, Jacob; TOMAT, Sergio. O livro negro do Cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007, p. 174.

[85] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 94.

[86] DICKENS, A. G. A Contrarreforma. Lisboa: Editorial Verbo, 1972, p. 143-144.

[87] CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China. São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 120.

[88] BAKER, Robert A. Compendio de la historia cristiana. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1974, p. 237.

[89] Exercícios de Santo Inácio de Loiola. Petrópolis: Vozes, 1959, p. 333.

[90] BAKER, Robert A. Compendio de la historia cristiana. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1974, p. 237.

[91] ibid.

[92] MOUSNIER, Roland. História Geral das Civilizações: Os Séculos XVI e XVII – Tomo IV, 1º Volume. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1960, p. 103.

[93] BAKER, Robert A. Compendio de la historia cristiana. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1974, p. 237.

[94] ibid.

[95] ibid.

[96] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 217-218.

[97] RIBARD, André. A Prodigiosa História da Humanidade – Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 23.

[98] ibid.

[99] VALENTIN, Veit. História Universal – Tomo II. 6ª ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1961, p. 288.

[100] ROBERTS, J. M. O livro de ouro da história do mundo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001, p. 468.

[101] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960, p. 186.

[102] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 195.

[103] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 367.

[104] MOUSNIER, Roland. História Geral das Civilizações: Os Séculos XVI e XVII – Tomo IV, 1º Volume. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1960, p. 103.

[105] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 414.

[106] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 62.

[107] RIBARD, André. A Prodigiosa História da Humanidade – Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 42.

[108] LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do Cristianismo: volume II: 1500 a.D. a 1975 a.D. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 1150.

[109] MOUSNIER, Roland; LABROUSSE, Ernest. História Geral das Civilizações, Tomo V: O Século XVIII – O último século do Antigo Regime. 2ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1961, p. 203.

[110] ibid, p. 202.

[111] ibid.

[112] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960, p. 194.

[113] RIBARD, André. A Prodigiosa História da Humanidade – Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 43.

[114] ibid.

[115] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 79.

[116] RIBARD, André. A Prodigiosa História da Humanidade – Tomo II. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 46.

[117] ibid, p. 43.

[118] ibid, p. 46.

[119] MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011, p. 161.
[120] ibid.

[121] Citado em: MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011, p. 161.

[122] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen IV, El siglo XVIII liberal y capitalista. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1954, p. 217.

[123] MOUSNIER, Roland; LABROUSSE, Ernest. História Geral das Civilizações, Tomo V: O Século XVIII – O último século do Antigo Regime. 2ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1961, p. 93.

[124] BAKER, Robert A. Compendio de la historia cristiana. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1974, p. 266.

[125] PEREIRA, Eduardo Carlos. O problema religioso da América Latina. São Paulo: Empresa Editora Brasileira, 1920, p. 334.

[126] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960, p. 194-195.

[127] Citado em: MOORMER, John R. H. A History of the Church in England. London: Adam and Charles Black, 1967, p. 206.

[128] ROWSE, A. L. The English Spirit. London: S/editor, 1944, p. 201.

[129] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 301.

[130] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 197.

[131] ibid.

[132] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 96.

[133] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 216.

[134] McGRATH, Alister E. Revolução Protestante. Brasília: Palavra, 2012, p. 123.

[135] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 195.

[136] ibid, p. 224.

[137] MAIOR, Armando Souto. História Geral. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967, p. 355.

[138] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 196.

[139] ibid.

[140] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 117.

[141] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 393.

[142] CANTÚ, Cesare. História Universal – Vigésimo Segundo Volume. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 137.

[143] MAUROIS, André. História da Inglaterra. Rio de Janeiro: Pongetti, 1959, p. 215.

[144] DICKENS, A. G. A Contrarreforma. Lisboa: Editorial Verbo, 1972, p. 144.

[145] MALUCELLI, Laura; FO, Jacob; TOMAT, Sergio. O livro negro do Cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007, p. 174.

[146] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 386.

[147] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 119.

[148] CARVALHO, Delgado de. História Geral – Vol. 3: Idade Moderna. Rio de Janeiro: Distribuidora Record, 1974, p. 325.

[149] GRIMBERG, Carl. História Universal 11: As lutas empreendidas nos séculos XVI-XVII. Estocolmo: Publicaciones Europa-America, 1940, p. 118.

[150] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 118.

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86 comentários:

  1. Bom dia Lucas

    Você poderia fazer uma breve análise desse artigo?

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69091998000300006

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    1. Olá, não pude ler tudo, mas destaco essa parte que parece ser o cerne do artigo:

      "Esta outra realidade, para Schwartzman, é possibilitada pelo aspecto peculiar do desenvolvimento de São Paulo. Para o autor, a diferença de nosso desenvolvimento histórico por comparação com o americano é que nos EUA o elemento tradicional (o Sul daquele país) foi dominado pelo elemento mais moderno e empreendedor (o Nordeste americano). No Brasil, para nossa infelicidade, teria acontecido o fato inverso: o Brasil tradicional, representado basicamente pelos eixos Nordeste, Minas e Rio de Janeiro, além do Rio Grande do Sul, teria sistematicamente vencido a influência mais moderna e empreendedora de São Paulo. Entre nós, ao contrário dos EUA, a tradição venceu a modernidade"

      A tese é interessante, mas o problema é que os dados mostram que os EUA já eram muito mais desenvolvidos que o Brasil desde muito antes disso. Você pode comparar os números nas tabelas divulgadas neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/04/o-brasil-era-mais-rico-e-desenvolvido.html

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    2. Valeu Lucas

      Posso fazer outras duas perguntas?

      A Igreja Católica Romana se enquadra na definição de seita?

      Em qual Igreja você congrega?

      Abraços

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    3. "A Igreja Católica Romana se enquadra na definição de seita?"

      Com certeza sim.

      "Em qual Igreja você congrega?"

      Atualmente estou congregando na comunidade Vineyard da minha cidade.

      Abs!

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  2. Banzoli, e se os imperadores romanos não tivessem colocado o cristianismo como a religião oficial do império, o que teria acontecido? Como seria a situação religiosa dos nossos dias? Você já parou pra pensar nisso? Como seria hoje se Constantino não tivesse colocado o cristianismo como religião oficial nos seus dias?

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    1. É uma pergunta muito difícil. Pessoalmente eu apostaria que haveriam bem menos cristãos (em se tratando de cristãos nominais), mas o Cristianismo vivenciado por essa minoria seria bem mais puro que o atual.

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  3. Lucas analise a seguinte frase: ''Todos os defensores da perda da salvação acreditam na justificação pelas obras''.

    O que acha? é verdade?

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    1. Não sei de que modo alguém poderia chegar a essa conclusão sem esbofetear alguns espantalhos no meio do caminho.

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    2. não entendi? quem disse isso foi o pastor granconato em sue facebook. Os arminianos creem que para eles continuarem salvos eles tem que ter fé mas tb tem que permanecer no bom caminho fazendo obras boas. caso eles caiam em adulterio, mentira, homossexualidade eles perdem a salvação, ou seja, a salvação é perdida por obras ruins que eles fazem. O calvinismo diz que Deus é que mantem a salvação da pessoa e o homem não pode perder algo que não é dele.

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    3. Quem disse isso foi o pastor Marcos Granconato.

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    4. Granconato adora atacar um espantalho quando é para atacar o arminianismo. A maior parte do que ele diz, inclusive essa asneira do arminianismo ensinar salvação pelas obras através da perda da salvação, não condiz com a crença arminiana. É puro sofisma para enganar seguidores calvinistas leigos que o seguem, assim como faziam na época em que acusavam o arminianismo de ser pelagiano.

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  4. Mas na cabeça de gente vigarista como padre Paulo Ricardo, a rainha Elizabeth matou os católicos apenas por serem católicos, enquanto a sua meia irmã Maria impôs uma perseguição legítima aos protestantes:

    https://youtu.be/2MVGlBShKIU

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    1. Padre Paulo Ricardo é um safado sem nenhum escrúpulo. Desculpe o uso do termo, mas não tenho definição mais precisa.

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    2. Esse padre raivoso aí possui desafetos até dentro do clero católico. Sua apologética consiste em Fake News e estórias católicas.

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  5. Você acredita na salvação dentro da igreja católica?

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  6. Fala Lucas tudo bem, cara hj eu tenho uma pergunta que n tem nada a ver com o assunto. O assunto é o seguinte, eu to fazendo o último ano do ensino médio, mas tenho uma certa dificuldade em matemática, qual seria sua dica para me ajudar nos estudos?

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    Respostas
    1. É complicado responder essa pergunta porque matemática sempre foi a minha maior dificuldade na escola (não à toa eu sou de humanas). Eu me lembro que quando estava no segundo ano do ensino médio eu estudei para as provas mais importantes com um aluno cdf que morava aqui perto de casa (uma rua abaixo), fazíamos muitos exercícios juntos e eu tirava as dúvidas com ele, acho que foi fundamental para ter conseguido passar nesse pesadelo de matéria. Então se você tiver algum amigo que seja bom em matemática, seria uma boa ideia combinarem de estudar juntos um dia desses até ficar craque na matéria que vai cair na prova, principalmente fazendo exercícios até gravar tudo.

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    2. Acesse o site do Khan Academy, é muito bom. É gratuito

      Tem tbm alguns professores que oferecem cursos na internet, como o Procópio e o Ferreto. O meu preferido é o ferreto que foca bastante em questões. É pago, mas vc encontra algumas aulas gratuitas na internet.

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    3. Valeu Lucas pela dica, eu também sou de humanas rsrsrsrsrs. Uma grande dificuldade minha é que eu me distraio facilmente e isso complica também, mas eu já estou tentando ajeitar isso.

      Mudando de assunto, eu gostaria de saber se vc poderia me enviar alguns artigos falando sobre terra jovem e refutações ao darwinismo.

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    4. Recomendo-lhe estes sites:

      https://darwinismo.wordpress.com/2011/07/19/evidencias-para-uma-terra-jovem/

      http://pontodevistacristao.weebly.com/as-10-melhores-evidecircncias-da-ciecircncia-que-confirmam-uma-terra-jovem.html

      http://designinteligente.blogspot.com.br/

      https://www.allaboutcreation.org/portuguese/escala-de-tempo-geologico.htm

      https://www.allaboutcreation.org/portuguese/catastrofismo.htm

      https://www.allaboutcreation.org/portuguese/o-diluvio.htm

      https://www.allaboutcreation.org/portuguese/o-diluvio-2.htm

      https://apologiacrista.com/provas-do-diluvio-global-e-da-terra-jovem

      https://apologiacrista.com/330-perguntas-aos-evolucionistas

      http://www.digitais.criacionismo.com.br/

      http://www.criacionismo.com.br/

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  7. Olá Lucas. Achei surpreendente um preletor adventista, analisando Eclesiastes 2. 3-16, afirmar que Salomão, provavelmente tenha tido relação homossexual, citando escritos de Ellen Gould White. Qual a sua opinião?

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  8. Lucas, você concorda que a Bíblia é a favor da pena capital, como entendem alguns? Eles alegam que no Decálogo está escrito originalmente "não cometerás homicídio". Matar por motivos válidos não é pecado.

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    1. Sobre a pena capital na lei de Moisés, escrevi aqui:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/04/a-pena-de-morte-na-lei-do-antigo.html

      Sobre a pena de morte nos dias de hoje, eu sou mais a favor da prisão perpétua por crer que faz mais jus ao crime hediondo cometido do que a morte logo de cara, mas classifico a prisão perpétua como um tipo de pena de morte, embora prolongada.

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  9. Lucas, na idade média existia pagamento de tributos à igreja? Você concorda que essa tributação contribuiu para um ambiente de insatisfação?

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    1. Existia e de fato gerou muita insatisfação, inclusive isso foi abordado neste artigo:

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/02/o-protestantismo-e-o-culpado-pela.html

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  10. Lucas, o que você acha do conde de loppeux?

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    1. http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2016/03/por-que-eu-nao-respondo-ao-conde.html

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  11. Lucas, outra pergunta nada a ver, mas queria saber sua opinião sobre esse tal de aquecimento Global? Eu particularmente acho isso uma bobagem inventada pelo IPCC (um órgão da ONU que é globalista).

    Também gostaria que vc analisasse esse vídeo que fala que é uma farsa:

    Link do vídeo: https://youtu.be/wAR_hJdQuwk

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    1. Muito bom o vídeo dele, de fato essa teoria do aquecimento global por influência humana é muito mais politicagem do que ciência. Há um tempo atrás vi muito vídeo sobre o assunto defendendo os dois lados e fica claro como o aquecimento global não pode ser provado.

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  12. Veja esse video onde um calvinista reformado vai refutar um dos ultimos videos do Yago Martins e fala tb desse tal Vincet

    https://www.youtube.com/watch?v=2o96ErXTAa4

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    1. Embora sob uma perspectiva arminiana os dois estejam errados, nessa discussão específica o cara desse vídeo está com a razão. O calvinismo do Yago é um calvinismo inconsistente, que não segue as consequências lógicas do próprio sistema. Se Deus determina tudo, então ele determina o mal. Se ele determina o mal, então o mal é uma criação de Deus, o seu autor. Não existe como fugir dessa lógica a não ser apelando-se ao "mistério".

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  13. Lucas tem como você me passar uma lista dos pais da igreja que acreditavam nos dons, e os que não acreditavam. Certa vez, um pregador disse que a maioria dos pais da igreja eram sessacionistas, e a minoria era continuísta, preciso fazer um estudo de cada um, para montar um artigo a respeito, por isso, preciso de uma abordagem mais completa. "Deus lhe abençoe"

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    1. Se você quer fazer um estudo sério sobre o tema leia o livro "2000 Anos de Cristianismo Carismático", de Eddie Hyatt. Eu ainda não tenho artigo específico sobre o tema e também não tive tempo de ler esse livro que foi publicado recentemente, mas dizem que é o mais completo da área.

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  14. Analise:

    Link do vídeo: https://youtu.be/YBCf3w3FShU

    Link do artigo: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1998

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    1. Não vi o vídeo, preferi ler o artigo, e os argumentos usados ali são bem ruins mesmo. O cara literalmente diz que para Paulo "o estado é divinamente instituído da mesma foram que Satã é divinamente instituído". Então vamos ver como os textos ficariam nesta hipótese:

      "Portanto, é necessário que sejamos submissos A SATANÁS, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência"

      "Portanto, aquele que se rebela CONTRA SATANÁS está se opondo ao que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos"

      "Todos devem sujeitar-se a SATANÁS, pois não há autoridade que não venha de Deus"

      Não preciso nem dizer que essa "interpretação" é uma tese revisionista, tendenciosa e forçada por doentes mentais. É um exemplo clássico de eisegese, em vez da velha e boa exegese. Os caras tem uma visão política claramente incompatível com a Bíblia, então tentam mudar a Bíblia ao invés de mudar de concepção política. É lamentável casos assim, seriam mais honestos se simplesmente admitissem que a Bíblia é contra as suas ideias e pronto, fim de papo. Esse tipo de interpretação forçada só serve a desprestigiar o "movimento" (ainda mais).

      O resto do texto em si é um horror. A única parte que se salva é a que diz que em circunstâncias excepcionais não devemos seguir as ordens de um governante (por exemplo, quando Faraó mandou matar as criancinhas), mas isso é por definição EXCEPCIONAL, casos raros e esporádicos que consistem numa afronta explícita e declarada aos princípios cristãos, e nunca contra o Estado em si, como fazem os ancap. A Bíblia NUNCA se posicionou contra o Estado em si, apenas contra atitudes isoladas de um ou outro rei específico.

      A parte que incita a sonegar impostos e ainda com a audácia e sem-vergonhice de dizer que Paulo concordaria com isso é criminosa, e um caso sério para se pensar em denúncia.

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  15. Olá Lucas Banzoli! Como vai? Eu achei interessante uma pesquisa que amostra que macacos prego aprenderam oque é o dinheiro(moeda, nota, etc.)e usar-lo de um modo parecido com humanos. http://www.anderson.ucla.edu/faculty/keith.chen/papers/Final_JPE06.pdf

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    1. Interessante o artigo, mas esse é o tipo de coisa que só acredito vendo :)

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  16. Porque existem pessoas que possuem um relacionamento muito mais real (digamos assim) com Deus do que outras pessoas (que também buscam a Deus)? Por exemplo, existem pessoas que tem o dom da profecia, que escutam a voz do Espírito Santo, etc, enquanto que outras pessoas oram a Deus e é como se Ele não estivesse presente? Eu sei que Deus está presente, mas não sei se deu pra entender, o que questiono é porque Deus se manifesta de forma muito mais real para algumas pessoas e para outras não, sendo que ambas buscam a Ele?

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    1. Deus trata com cada pessoa de forma diferente, seria bem desagradável se ele tivesse a obrigação de falar com as pessoas sempre do mesmo jeito, no mesmo nível, tempo, intensidade e etc, como se colocasse Deus numa "caixinha". Esse tipo de coisa me faz lembrar este verso de Paulo sobre os dons:

      "Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, CONFORME QUER" (1 Coríntios 12:11)

      Além disso é preciso considerar que o fato de alguém ouvir a Deus hoje não significa que irá ouvir amanhã (e vice-versa), que muitos desses casos de pessoas que falam com Deus são inventados por gente que quer se passar de "espiritual" (embora outros eu reconheça como verdadeiros, mas geralmente só com quem é mais consagrado mesmo, e em uma minoria de casos), e que Deus irá julgar cada um de acordo com o conhecimento e revelação que recebeu (ou seja, alguém que tinha tanta profundidade com Deus a ponto de ouvi-lo audivelmente receberá um nível de juízo bem maior do que alguém que não teve esse tipo de relacionamento mesmo buscando). Talvez seja até bom para a maioria das pessoas que não ouçam a Deus audivelmente, senão correriam o risco de pecar e se desviar mesmo assim, e no dia do juízo a coisa seria muito mais feia. Também cabe lembrar que essas pessoas que tem contato mais próximo com Deus também são alvos preferidos do Inimigo, e nem todo mundo tem suporte emocional e espiritual para suportar os ataques, por isso para muitos é melhor mesmo não receber coisa a mais do que ainda é capaz de receber. Devemos lembrar que "com o poder vem a responsabilidade", muitos só gostariam de ouvir Deus por curiosidade ou por ser "uma coisa maneira", mas não tem a menor noção da responsabilidade e do desafio espiritual que isso traz consigo, como se fosse coisa de criança. Então em resumo, eu aconselharia buscar a Deus o máximo que puder, mas estar consciente de que se Ele não está falando com você de uma forma tão direta ainda, ele tem razões para isso e não nos cabe questioná-lo, pois um dia o veremos face a face se continuarmos fieis.

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    2. Oi Lucas, entao vc tem um relacionamento com Deus e pode se comunicar com ele. Noutro comentário vc disse que nao se tornaria ateu devido a suas experiências com Deus, poderia nos contar sobre suas experiências? Quem sabe tu podia fazer um post nos contando tua história como cristao (testemunho), o que vc acha?

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  17. Vc acha certo cristãos comerem fast-food? Recentemente, uma pessoa muito próxima a mim foi diagnosticada com uma doença que afeta, normalmente, pessoas que bebem álcool e fumam, só que essa pessoa nunca usou nenhum tipo de droga, mas tinha uma vida muito ruim, era sedentária e só comia besteira como fast-food, coca cola e outros venenos...

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    1. Em excesso é errado mesmo. Acho que tudo se feito em excesso é errado, incluindo o fast-food. Mas comer de vez em quando, tipo uma vez por semana ou algo assim, não vai matar ninguém (senão já estaria todo mundo morto, afinal).

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  18. Lucas, qual politico que você demonstra algum apoio (qualquer cargo que seja), porque teve uma vez que você falou que votaria no Dória para presidente, não sei se você já mudou de opinião, mas apoiar o PSDB é um pouco ilógico, isso pois o PSDB segue a ideologia social-democrata, que é basicamente a ideologia seguida por todos os governos ou partidos liberais da Europa e América do Norte, a social-democracia é uma ideologia que provem do marxismo, ao invés do comunismo totalitário, os sociais democratas prefeririam uma outra ideologia que com o tempo, fizesse com que o estado social-democrata crescesse e tivesse mais controle dos indivíduos, e que este mesmo estado deveria acabar de maneira progressiva com aquilo que os comunistas sempre odiaram (burguesia, religião, família, etc) até que então, este estado seria o estado totalitário e ai chegaria no comunismo, mais especificamente, o comunismo deveria usar dos métodos capitalistas e ocidentais para acabar com o próprio ocidente e assim acarretar no domínio comunista, claro que a social-democracia atual não chegou nisso, mais a social-democracia, com ecessão do comunismo e islamismo, é o sistema hoje que mais prega valores anti-cristãos e persegue cristãos (não de maneira totalitária, mas sim sempre ofendendo o cristianismo e colocando o cristianismo como algo retrógrado que deve ser esquecido, sem esquecer que toda a mídia ocidental hoje é social-democrata). Você ainda apoia o PSDB ou já mudou de opinião?

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    1. Eu nunca "apoiei o PSDB", da mesma forma que se eu me dissesse a favor de Bolsonaro há alguns anos atrás não significaria um apoio ao PP (partido que ele fez parte por décadas, e que é esquerdista). O fato de apoiar um político x ou y não implica necessariamente em apoiar a ideologia do seu partido ou todos os políticos daquele partido. No caso do Dória, era cogitando uma eleição em que não existissem outros candidatos melhores. E hoje existem candidatos melhores (ex: Amoedo e Flávio Rocha). Também cabe lembrar que na época o discurso do Dória era liberal, mas depois que assumiu a prefeitura tomou algumas medidas anti-liberais, como taxar a Netflix por exemplo, uma medida completamente ridícula feita sob os mesmos pretextos que os socialistas tanto se apoiam. Isso não faz do Dória um socialista, mas faz dele uma decepção, embora de uma forma geral ele tenha feito uma boa prefeitura nesse pouco tempo em que esteve (e o próprio fato de ter pulado fora do barco tão cedo já conta muito contra ele, mostra que não tem palavra e etc, eu já poderia não votar nele só por conta disso).

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  19. Desculpa esse assunto de novo, porém, ele tem me incomodado muito: Levítico. Estou esse mês lendo todo o livro, embora já tivesse lido algumas partes dele no passado. Estou lendo a parte da "Leis para os sacerdotes", e nessa parte Deus fala para Moisés que se a filha de um sacerdote virasse prostituta ela deveria ser QUEIMADA VIVA. Sério, eu realmente tô surpreendida com esse livro, ele é bastante diferente dos demais livros da Bíblia, e sinceramente, não tô gostando. As vezes me questiono, e para mim bastava Deus mandar a filha do sacerdote pra fora do arraial e deixar ela pagar pelas consequências da própria prostituição, mas determinar que ela fosse queimada viva é a mesma coisa que os inquisitores faziam na época da "santa" Inquisição, só que com personagens diferentes (ex: bruxas, anticatólicos, etc). Eu não apoio sou contra a prostituição, mas uma pena dessa é muito desproporcional, inclusiva para aqueles tempos, a meu ver.

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    1. Se serve de consolo, segundo os cânones judeus ela na verdade morria estrangulada antes de ter seu corpo queimado. Ou seja, ela não era queimada viva, este conceito não existia entre os judeus, seu sofrimento era bem menor. Vale lembrar que Jesus nunca disse que a lei era perfeita ou ideal, pelo contrário, ele se opôs abertamente a partes da lei (como o "olho por olho e dente por dente", e a questão do divórcio, por exemplo) e disse que foi feita "por causa da dureza dos vossos corações" (Mt 19:8), e não "por causa da vontade de Deus". Ou seja, como o homem era mau, Deus lhe deu uma lei dura e severa compatível ao seu comportamento até que Jesus viesse e revelasse ao mundo o amor de Deus em sua integridade. Mesmo assim eu diria que a lei de Moisés era muito mais piedosa do que as outras leis da época (por exemplo, o Códice de Hamurabi, no mesmo período). Ou seja, representou um avanço para a época, embora nem de longe comparado ao avanço trazido por Jesus no NT. A comparação com a Inquisição não se sustenta primeiro porque o texto não trata de "heresia" mas sim de uma questão moral, segundo porque foi escrito mais de mil anos antes de Cristo (e a Inquisição mais de mil anos depois de Cristo) e terceiro porque, como já disse, ela não era queimada viva (como a Inquisição fazia, e ainda a fogo lento).

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    2. Entendi. Eu vou parar de ler a bíblia ferreira de almeida pq ele deturpa várias passagens da bíblia. Na ferreira de almeida tá queimada viva, enquanto que NVI tá queimada com fogo (eu olhei aqui). Por essa última tradução, dá pra encaixar a sua interpretação, pq se ela vai ser queimada com fogo pode ser morta antes (com estrangulamento) e depois jogada no fogo morta. Mas pela tradução queimada viva dá a entender que é pra jogar a pessoa viva no fogo pra morrer.

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    3. A NVI costuma ser a melhor mesmo.

      http://www.dc.golgota.org/nvi/nvi.html

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  20. Lucas, você conhece um escritor chamado Eduardo de Proença? Editor da Editora Fonte Editorial? Ele escreveu dois livros a respeito do purgatório, um tema que estou estudando para debater com meus amigos católicos.O nome dos livros que ele escreveu é:(Apócrifos e Pseudo-Epígrafos da Bíblia e Coleção cristianismo Primitivo em debate "Apócrifos Comentados" Editora Fonte Editorial.Gostaria de sua opinião a respeito desses livros, se as obras desse autor é confiável, porque a pricípio, me parece livros interessantes, gostaria que você me desse sua opinião. Abraços!

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    1. Mas esse livro não tem nada a ver com purgatório, são apenas uma coletânia de livros apócrifos (99% deles totalmente esdruxulos, pra ser sincero) que você encontra de graça na internet em um monte de site. Abs!

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  21. O que você acha do Bart D. Ehrman?

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    1. Um cara bem inteligente e capaz, mas que tira conclusões precipitadas, às vezes mesmo diante de fatos verídicos (por exemplo, concluir que o NT não é confiável só porque não temos os originais em mãos, o que seria impossível e sem paralelo na história antiga).

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  22. Lucas é verdade que se não fosse a igreja católica a religião da América seria o islamismo?

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  23. Olá Lucas, quero te parabenizar pelos artigos excelentes! E gostaria de saber se você tem algum pensamento sobre como devia ser a vida no Jardim do Éden, que é uma coisa que eu sempre me pergunto, como devia ser o homem e tudo mais antes da queda? E também queria saber se você tem algum artigo falando sobre o Êxodo, mostrando suas provas históricas, teorias de quem seria o Faraó dessa época e também explicando por quanto tempo os hebreus ficaram no Egito, foram 400 anos?430?200? Pois lembro de ter visto algum verso que dizia que de Abraão até Moisés foram 430 anos, e num outro diz que os hebreus ficaram 400 anos no Egito, e eu não entendi isso, quer dizer que o nascimento de Isaque, Jacó e tudo oque ocorreu com eles foi num período de apenas 30 anos?Isso é meio impossível, eu diria. Achei algumas pessoas que diziam que foram de fato 430 anos de Abraão até Moisés mas que o período de estadia dos hebreus no Egito não foi de 400 anos, e sim por volta de 200, mas não vi nenhuma explicação pra isso e nem para o fato de na Bíblia estar escrito 400 anos e não 200. Obrigado desde já.

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    1. Olá, antes da Queda era tudo igual hoje excetuando: (1) a mortalidade natural; (2) a corrupção (sujeito a doenças, velhice e etc); (3) o pecado. E Jesus chama a ressurreição para a vida eterna de "a regeneração de todas as coisas" (Mt 19:28), pois será exatamente como voltará a ser na nova terra (ou seja, o padrão do Éden restaurado).

      Sobre as provas do Êxodo, confira aqui:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/01/as-provas-do-exodo.html

      Sobre a "contradição" dos 400 anos, o Pipe já explicou isso no site dele:

      http://www.dc.golgota.org/contradicoes/genesis/genesis42.html

      Abs!

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    2. Obrigado, e tenho mais umas perguntas que não saem da cabeça, porque que a pena máxima tinha que ser de morte em Israel? Não seria menos mau que as pessoas que estuprassem por exemplo fossem exiladas pra sempre em vez de mortas?A propósito existia alguma pena de exílio entre os hebreus? E outra questão que sempre me deixou em dúvidas é o fato do sol e da lua só terem serem criados no quarto dia, depois da terra, mas os cientistas dizem que é um fato que o sol veio primeiro que a terra, e não o oposto. E como existia luz antes da sol? Muitos dizem que era a glória do próprio Deus que iluminava mais isso me deixa confuso porque então quer dizer que antes do haja Deus não emitia sua luz ou alguma coisa assim?

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    3. Ah, e esqueci de de perguntar uma coisa, o que são as águas da parte de cima do firmamento?O firmamento é a atmosfera não é?

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    4. Sobre a pena de morte no AT, veja este artigo:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/04/a-pena-de-morte-na-lei-do-antigo.html

      Em relação ao exílio não faz muito sentido, primeiro que o estuprador (do exemplo que você citou) continuaria sendo um perigo mesmo exilado, seria como se um cara estuprasse alguém no Brasil e a "punição" fosse mandá-lo para a Argentina onde ele com certeza continuaria estuprando outras pessoas. E naquela época não existia imigração como nos dias de hoje, até haviam estrangeiros nesse ou naquele país mas era coisa muito rara, os povos não costumavam se misturar muito como ocorre hoje, se um país exilasse todos os criminosos nenhum país seria louco de aceitá-los numa boa e na prática isso daria no mesmo que a pena de morte (iriam ficar sem ter onde morar até morrerem de fome ou por outros fatores).

      Sobre o sol no quarto dia, há uma explicação científica que o Dr. Adauto Lourenço deu a partir do minuto 25 desta entrevista:

      https://www.youtube.com/watch?v=jIWUkWaKXq8

      Em relação à idade do sol ser maior que a da terra isso não tem como saber, teriam que fazer testes no sol o que é impossível de ser feito, não tem como fazer no sol os testes que se fazem na terra, e não há como fazer uma comparação sem que os dados de ambos estejam bem definidos, isso é apenas uma pressuposição evolucionista, nada mais.

      Sobre as águas acima do firmamento, diz respeito a toda água que existe no espaço sideral (e sim, existe água no espaço, a ciência descobriu que nas galáxias mais distantes encontramos moléculas de água).

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  24. Banzoli, parece fazer sentido isso que o Sabino disse. Será que estamos interpretando errado essa passagem de 1 coríntios 11.23-34? Depois faça um artigo sobre essa passagem, fazendo uma exegese:

    https://www.youtube.com/watch?v=ZdL_DKsI3EU

    Desde criança eu sempre me perguntei o porque que pessoas não batizadas não pode tomar a ceia. Eu nunca vi isso na Bíblia. Se existe, então eu li e não entendi. E agora, depois dessa explicação do Sabino, eu tô meio confuso.

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    1. Ele está certo na maior parte do que diz sobre isso, principalmente no que diz respeito à mistificação da Ceia em rituais enfadonhos presentes em muitas igrejas evangélicas (mas não em todas), fruto de sua herança católica. Discordo em especial da parte sobre as pessoas em pecado participarem da Ceia, algo que Paulo proibiu expressamente (1Co 11:29), embora não com a intenção de fazer o pecador não cear, mas sim na intenção de que ele se arrependesse e participasse da ceia. Isso não se deve à "transubstancialização" como ele diz, não é o símbolo que vai condenar a pessoa, não é o pão ou o vinho em si, mas sim o próprio Cristo, que é representado na ceia. Sobre crianças, solteiros ou não-batizados não poderem participar da ceia, eu confesso que eu quase todas as igrejas que já congreguei não havia esse tipo de regrinha boba e sem fundamento bíblico, mas estou ciente de que em algumas igrejas há esse tipo de restrição (contra as Escrituras).

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  25. O que você acha do movimento Dunamis? https://www.youtube.com/results?search_query=dunamis

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  26. Lucas é pecado odiar o Felipe Neto? Sendo bem sincero eu sempre detestei aquele cara, além de ser um baita de um mentiroso, fica se metendo em treta e colocando minhoca na cabeça das crianças além de extorquir os próprios fãs pedindo dinheiro sendo que o cara já é rico e ganha milhares de dólares do YouTube todo mês. Além disso ele é um baita de um oportunista, ora ele é de direita ora é de esquerda e ainda ficou e ficava zombando dos cristãos e conservadores, espalhando aquele ateísmo barato à la Esquerda. E o pior de tudo: Falando até mesmo de sexo, homossexualidade e transexualidade em vídeos que muitas crianças ficam dissimulando, olha de todos os youtubers ele é o que eu mais odeio.

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    1. Se for pra odiar youtubers vamos ter que odiar alguns milhares, gente inútil querendo dar uma de "formador de opinião" é o que não falta, mas o melhor é apenas ignorar, eu não assisto vídeos de Felipe Neto e nem de nenhum outro youtuber detestável.

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  27. Lucas, o catolicismo ainda reconhece o papa como chefe de estado? Toda a mídia que eu vi, o tratam apenas como líder do catolicismo

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    1. Sim, mas hoje o seu poder temporal se limita apenas ao Vaticano (que é o menor estado do mundo, então é virtualmente nulo). Antes os papas tinham os Estados pontíficios onde ele governava diretamente e também tinham influência sobre os reis e imperadores dos outros países (na prática, muitas vezes mandando neles também).

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    2. Hoje, resume se a uma versão religiosa da rainha da Inglaterra. É isso?

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  28. Boa noite Lucas

    Estou terminando de ler 'A ética protestante e o Espírito do Capitalismo" e gostaria de saber se cheguei as conclusões corretas, pois o livro me pareceu meio complicado:

    1 - A questão da vocação Cristã, de entender que a vocação profissional era um "chamado" de Deus, isso fazia com que as pessoas exercessem sua profissão com excelência, levando logicamente a uma mão de obra mais qualificada, seria mais ou menos isso? (Tem aquele lance também da pessoa não ficar toda hora mudando de profissão)

    2 - A questão da ética nos gastos, por exemplo, gastar com coisas realmente importantes, evitar de gastar o seu dinheiro com prazeres da carne e aplicá-lo em coisas úteis para o reino de Deus e a sociedade como um todo (isso seria o espírito do Capitalismo)

    3 - Repúdio a preguiça e a dignificação por meio do trabalho (mesmo as pessoas ricas deveriam trabalhar para serem dignas)

    Seria mais ou menos por aí ou falei besteira?

    Abraços

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    1. Basicamente sim, mas eu lhe recomendo o livro "Reformas na Europa", do Carter Lindberg, que explana esses conceitos com uma linguagem mais fácil e moderna da página 137 à página 163, e também da página 429 à página 440. Tem no Google Books:

      https://books.google.com.br/books?id=lShtOrSi7lYC&printsec=frontcover&dq=carter+lindberg+reformas+na+europa&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwjEw-2DnMjaAhXJkpAKHWOuAt8Q6AEIKDAA#v=onepage&q=carter%20lindberg%20reformas%20na%20europa&f=false

      Abs!

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  29. Você acredita em alienígenas? Se sim, eles são entidades do mal? Vejo muitas pessoas (cristãs e não) falando da existência deles

    1- Prof Afonso = https://www.youtube.com/watch?v=rSkIKnbXoaQ
    2 - Cantora SIA = https://www.youtube.com/watch?v=A7AgiH4yX3w (a partir de 1:08)
    3- Caio Fábio - https://www.youtube.com/watch?v=J0zTqmTIxdI (a partir de 2:15)
    4- Ex Jurista do Banco Mundial - https://www.youtube.com/watch?v=gV0IXuH8bC4

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    1. Na verdade o que o Afonso disse nesse vídeo não é que alienígenas existem, mas sim que são na verdade demônios que aparecem para as pessoas se passando por aliens. É assim que eu creio, não vejo evidências de vida inteligente fora da terra, pelo contrário.

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  30. Lucas você tem algum artigo sobre o dízimo?

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    1. http://ocristianismoemfoco.blogspot.com.br/2015/08/sobre-o-dizimo-na-nova-alianca.html

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  31. O que é a "Enciclopédia Católica" que as vezes vejo sendo usada como fonte? É oficial da ICAR?

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    1. É uma fonte autorizada, escrita por estudiosos católicos de "alto calibre" (escolhidos a dedo entre eles), com o imprimatur da Igreja (a confirmação de que o livro não contém nenhuma heresia ou falha moral), passou pela revisão de um censor e etc. Não tem o mesmo peso do catecismo, mas é uma fonte importante de pesquisa dentro do catolicismo.

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  32. Edir Macedo é um herege? Qual a sua opinião sobre ele e a Igreja Universal?

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    1. Não tem como não considerar um abortista e maior propagandista da teologia da prosperidade como não sendo um herege. Infelizmente a IURD se parece mais com uma empresa disfarçada de igreja do que uma igreja propriamente dita. Fica difícil defender.

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  33. Excelente artigo, Lucas Banzoli.

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  34. Admito que cansei um pouco pra ler este artigo por completo. rsrs... Mas valeu a pena. :)

    Parabéns, Lucas Banzoli. Pelo trabalho que vem realizando.

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