18 de fevereiro de 2018

134 Calvino era um ditador sanguinário que estabeleceu uma teocracia totalitária em Genebra?



Considerações prévias: O artigo abaixo é outro trecho do meu livro sobre a Reforma (ainda em construção). O tópico anterior fala da Reforma de Zwínglio em Zurique, que conquistou alguns cantões suíços ao protestantismo após debates públicos com católicos em que ele debatia sozinho contra vários papistas e se saía vencedor. Quando a situação começou a ficar preocupante para o lado católico, eles se uniram em uma liga de cantões católicos para esmagar a Reforma nos cantões protestantes. Zwínglio morreria em uma dessas guerras, em 1531. A partir daí, surgiriam dois novos expoentes principais na Reforma suíça: Farel e Calvino, que estabeleceram suas bases em Genebra, que, segundo os apologistas católicos, era um “estado teocrático totalitário”, onde o “ditador Calvino” mandava matar todo mundo que discordasse dele. Continue lendo para ver se as coisas eram bem assim.

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A Genebra de Calvino

Quando se fala na Genebra de Calvino, a primeira coisa que vem à mente são ataques inflamados e apaixonados de “intolerância” e “tirania”, sendo Calvino o “grande ditador”. Isso se torna muito mais irônico quando vindo da boca de apologistas católicos defensores do absolutismo papal, da Inquisição e da proibição às liberdades civis e religiosas de não-católicos em terras católicas. Torna-se ainda mais irônico quando notamos que, enquanto as “democracias” católicas assassinavam as minorias religiosas às dezenas de milhares, principalmente na França, Espanha e nos Países Baixos, em Genebra apenas uma única pessoa morreu por questão estritamente religiosa, que é também o mesmo sujeito que já havia sido condenado pela própria Inquisição, de onde conseguiu fugir.

Mas antes de abordarmos este fato propriamente dito, precisamos voltar para a época em que Genebra foi ganha ao protestantismo. Zwínglio morre em 1531, mas a habilidade de vencer debates com papistas não morreu com ele. Um de seus principais seguidores, Guilherme Farel (1489-1565), venceu um debate em Genebra em 1535, que resultou na adoção formal das ideias reformadas pela Assembleia Geral dos Cidadãos, em 1536[1]. Um ambiente mais democrático e aberto ao debate nos cantões suíços foi o responsável pelo extraordinário sucesso que a Reforma logrou tão rápido neste país. Enquanto na Alemanha as Dietas eram convocadas para julgar os protestantes, na Suíça as assembleias eram debates livres julgados por representantes de todo o povo, que por regra terminava com o protestantismo prevalecendo.

Genebra pode ter sido conquistada para a Reforma em 1536, mas não se muda a mentalidade e a cultura de todo um povo da noite pro dia, ainda mais quando essa mudança parte de cima pra baixo. Genebra, desde muito antes, era conhecida por ser uma cidade promíscua e de moral relaxada. Walker afirma que “Genebra, antes da chegada de Farel, apresentava uma crise revolucionária, com padrões morais inferiores mesmo sendo numerosos os seus mosteiros e fundações eclesiásticas”[2].

Duduch diz que “as tavernas estavam sempre repletas. Havia bebedeiras e jogatina à vontade. Os velhos grupos que eram inimigos voltaram novamente a brigar. Genebra precisava urgentemente de uma obra construtiva, tanto moral quanto espiritual”[3]. Para piorar, “uns certos entusiastas devassos começaram a apregoar doutrinas falsas e imorais acerca da natureza da liberdade cristã, e parecia não haver meio de conter o povo”[4]. Farel havia “esgotado todos os recursos da sua inteligência”[5] para lidar, sem sucesso, com o problema, e então decidiu buscar ajuda em um jovem francês, refugiado das perseguições em seu país. Seu nome é João Calvino (1509-1564).

Quando Calvino chegou a Genebra, o que ele viu foi “condescendência para tudo quanto fosse imoral”[6]. Por mais normal que isso fosse em países católicos – devemos lembrar que a própria Roma papal era a campeã mundial de prostituição[7] – Calvino achava inadmissível que uma imoralidade dessas predominasse em uma cidade – ao menos nominalmente – evangélica. Os protestantes eram conhecidos justamente por terem uma moral superior e por se preocuparem mais com os princípios e valores cristãos. Era dito entre os próprios papistas que “fulano não pragueja, porque é protestante, fulano não pratica imoralidades nem se embriaga, porque pertence à nova seita”[8]. Calvino não iria permitir que Genebra fosse uma exceção à regra, onde não se notaria qualquer diferença entre o protestante e o católico.

Para moralizar a cidade, Calvino sugeriu a criação do Consistório, que, diferentemente do que alegam os apologistas católicos, não se tratava de uma “Inquisição protestante”, pois era encarregado apenas da disciplina eclesiástica[9], cuja pena máxima era a excomunhão[10]. Todas as execuções que ocorreram em Genebra, que os críticos calculam em 58, eram levadas a cabo pelas autoridades civis, não pelo Consistório[11], e apenas uma o foi por questões religiosas. Para efeito de comparação, em apenas uma única noite dezenas de milhares de protestantes foram chacinados em Paris, na noite de São Bartolomeu, pela única razão de serem protestantes[12].

Esse órgão [o Consistório] não podia sentenciar ninguém à morte, apenas tratava de disciplinar os membros da Igreja por meio de advertências e em última instância a restrição de participar da Ceia do Senhor, sendo restabelecida a comunhão àqueles que demonstravam sinais de mudança.[13]

O próprio Calvino afirmava insistentemente que “este governo era espiritual, e que só lhe pertencia julgar as infrações espirituais e infligir castigos espirituais. O maior castigo espiritual era, segundo ele, a excomunhão”[14]. Não obstante, Calvino é tido injustamente como o responsável pelo estabelecimento de regulamentos excessivamente restritivos em Genebra, entre eles as leis contra a dança, a gula, os jogos de azar, o luxo e até contra faltar no culto[15]. Hoje se sabe que nenhum desses regulamentos foi criado por ele diretamente, e muitos já existiam desde a época em que Genebra ainda era uma cidade católica. Lindsay discorre sobre isso quando escreve:

Farel sabia havia muito, e Calvino em breve o reconheceu também, que o que Genebra necessitava era uma reforma moral. A cidade era o mais que podia ser de dissoluta, e havia muito tempo que permanecia naquele estado. Os que durante muitas gerações tinham estado à frente dos negócios públicos conheciam esse fato, e tinham promulgado leis contra o viver licencioso. Entre os arquivos de Genebra relativos ao principio do século XVI, e, ainda entre alguns do XV, aparecem leis suntuárias contra o jogo, a embriaguez, as mascaradas, as danças e o luxo no vestuário; e, examinando os documentos judiciais, encontram-se referências a condenações por infrações dessas leis, cometidas muito antes de Calvino ter fixado lá a sua residência. Isto tem sido esquecido pelos historiadores quando acusam Calvino de ter tentado reformar o povo, mediante, como nós diríamos, de leis votadas no parlamento. Calvino não fez essas leis, nem há evidência de que ele as considerasse importantes.[16]

Vale ressaltar que a literatura de Calvino é muito vasta e rica, maior que a de qualquer outro reformador em termos quantitativos, e mesmo assim seus estudiosos até hoje não conseguiram encontrar em um único desses escritos qualquer coisa que sugerisse que Calvino era a favor dessas leis, e muito menos que as tenha criado. Como vimos, a maior parte desses regulamentos já existia em Genebra desde muito antes da Reforma, e outras foram criadas pelo Conselho, sobre o qual Calvino não tinha tanta influência quanto os críticos presumem.

Daniel-Rops, um revisionista católico que escrevia mais como apologista que como “historiador”, chegou a dizer que Calvino se considerava o “Procurador de Deus” e o chama de “ditador de Genebra”[17], uma difamação que se tornou bastante popular nos círculos católicos. Na verdade, se Calvino foi mesmo o “ditador de Genebra”, ele foi o ditador mais fraco e incompetente de todos os tempos, chegando a ser expulso da cidade pelo mesmo Conselho que promulgava essas leis, e justamente por não gostar da interferência do estado nas questões de natureza estritamente religiosas – o que mostra que era o Conselho que impunha a autoridade suprema na cidade, e não Calvino.

Calvino sustentava firmemente que “as pessoas que tinham uma vida imoral, cujas ações e linguagem não estavam em harmonia com a sua profissão cristã, não se devia permitir que participassem da solene instituição da Ceia do Senhor, e esse seu modo de ver não tardou em indispô-lo com os habitantes de Genebra”[18]. Depois de muitas admoestações, Calvino e Farel conseguiram afastar da Mesa do Senhor os comungantes indignos, em conformidade com 1ª Coríntios 11:29, o que irritou os magistrados, que por sua vez os proibiram de pregar[19].

O que Calvino lutava era pela independência da Igreja em assuntos espirituais, tais como a excomunhão, algo que os magistrados se opunham, por quererem eles próprios ter a autoridade suprema sobre tudo[20]. Os dois reformadores, sem aceitar o que consideravam um “atentado à total liberdade da Igreja”[21], se recusaram a ser cúmplices em tal assunto e foram então banidos, em 23 de abril de 1538[22]. Mais tarde, o Conselho se deu conta do erro que cometeu e chamou de volta Farel e Calvino, o qual só voltou depois de muita hesitação e insistência. Alister McGrath discorreu sobre este assunto nas seguintes palavras:

A expulsão de Calvino de Genebra em 1538 demonstra que o poder político permanecia firmemente nas mãos do Conselho municipal. A noção de que Calvino era o “ditador de Genebra” é totalmente destituída de fundamento histórico. Não obstante, o Conselho municipal se descobriu incapaz de lidar com a situação religiosa deteriorante na ausência de Calvino. Num ato notável de pragmatismo social e realismo religioso, o Conselho chamou novamente seu reformador, e lhe permitiu continuar sua obra de reforma. Genebra precisava de Calvino, assim como Calvino precisava de Genebra.[23]

Ainda assim, Calvino não foi totalmente atendido em suas reivindicações e por elas teve que lutar até o fim. O direito da excomunhão, que considerava vital na Igreja e pelo qual lutou por toda a vida, só foi alcançado em 1555, nove anos antes de sua morte[24]. E o mais impressionante é que ele só se tornou cidadão de Genebra em 1559, ou seja, cinco anos antes de morrer[25]. É realmente chocante o “ditador” de uma cidade não ser sequer um cidadão dela até tão pouco antes da morte, não tendo nem os mesmos direitos de um cidadão comum. 

Calvino não tinha poder político, e, como um não-cidadão, não podia nem mesmo concorrer a qualquer cargo, e tampouco exercer poder de voto. Nunca foi membro do Pequeno Conselho (composto por 25 homens que exerciam a magistratura), também nunca foi membro do Conselho dos Duzentos (responsável por legislar), jamais desfrutou dos recursos materiais do bispo católico deposto de Genebra antes dele, nunca teve ao seu lado as centenas de sacerdotes, monges e cônegos disponíveis na velha Igreja, tendo no ano de sua morte apenas 19 pastores em Genebra, todos eles empregados do governo municipal[26].

Se Calvino fosse o “ditador de Genebra”, ele jamais permitiria que as coisas na cidade ocorressem contraditoriamente aos seus pensamentos e intenções. Todavia, embora nas Institutas defenda a ideia de que “a eleição ou escolha dos ministros deve ser por seus pares, assistidos dos presbíteros ou anciãos, com aprovação direta da Igreja ou assembleia dos fiéis”[27], em Genebra os presbíteros eram escolhidos pelos membros do Conselho, e não da forma que Calvino desejava. Chamamos alguém de “ditador” justamente por ser ele quem dita as regras do jogo e concentra todo o poder em suas mãos, mas em Genebra Calvino não tinha a autoridade de fazer isso nem no aspecto religioso, quanto menos no político.

Ademais, contraditoriamente à crença popular na apologética católica de que ninguém ousava contrariar Calvino por ser ele um “ditador sanguinário” que mataria a qualquer um que lhe opusesse, o fato é que Calvino era alvo de zombaria, escárnio e humilhação entre os “libertinos” da cidade, que formavam um partido considerável, que não admitia a reforma moral em Genebra e que lutava por voltar as coisas como estavam antes, tendo ao seu lado membros e votos significativos no Conselho. Eles davam aos seus cachorros o nome do reformador, e entoavam canções para zombar de Calvino[28]. Armas eram disparadas do lado de fora da sua janela tarde da noite[29]. O próprio Calvino relatou, em 1554:

Cães latem para mim de todos os lados. Em todo lugar eu sou saudado com o nome de “herege”, e todas as calúnias que podem possivelmente ser inventadas são acumuladas sobre mim; em resumo, os inimigos entre meu próprio rebanho me atacam com maior aspereza do que meus inimigos declarados entre os papistas.[30]

Creio não ser necessário dizer que nada disso seria possível em um estado teocrático totalitário, onde Calvino fosse o grande e temido ditador e a autoridade suprema e intocável, que amedrontasse a todos e matasse a quem quer que lhe atentasse. Nem na Itália de Mussolini, nem na Alemanha de Hitler, nem na Rússia de Stalin e muito menos na Roma papal os respectivos ditadores seriam tratados desta maneira abertamente, e atacados pessoalmente, e permaneceriam impunes. Em regimes totalitários, o ditador impõe tanto medo quanto respeito, e ninguém se atreve a desacatá-los, muito menos a desafiá-los. Tal era exatamente a situação oposta à de Calvino em Genebra, tornando risível e ridícula tais insinuações da defasada e desonesta apologética católica.

Calvino também é frequentemente acusado por 58 execuções sofridas na cidade por volta da mesma época em que verdadeiras chacinas sangrentas eram causadas por católicos contra as minorias religiosas na faixa das centenas de milhares de vítimas. Neste suposto “estado teocrático calvinista”, houve 58 execuções sendo apenas uma por questões religiosas (o caso de Miguel Serveto, que analisaremos no tópico seguinte), enquanto na “democrática” Espanha a Inquisição varria a “heresia” a fogo e ferro; na “democrática” França os protestantes eram dizimados em massacres sistemáticos, e na “democrática” Itália nem o maior cientista da época tinha paz e sossego, quanto menos os “hereges” protestantes.

É importante ressaltar desde já que a pena de morte era muito mais comum naquele tempo do que nos dias de hoje, e que 58 execuções para uma população total de 21 mil pessoas era um número realmente pequeno para os padrões da época. Basicamente, eram executadas uma a cada 362 pessoas, todas por crimes de natureza civil e levadas a cabo pelo Conselho da cidade, não por Calvino ou pelo Consistório. Os chamados “crimes por imoralidade” também existiam (por exemplo, a condenação por adultério), mas isso estava longe de ser uma exclusividade de Genebra. Execuções por adultério existiam nos países mais católicos da Europa como Espanha e Portugal, com a diferença de que nestes países o adúltero só morria se fosse pobre[31]. Poucos sabem que no Brasil o adultério ainda era legalmente considerado um crime até 2005[32].

O nome desses supostos 58 condenados em Genebra é sempre misteriosamente omitido, mas um deles em particular é sempre levantado como um exemplo da “incrível intolerância” dos calvinistas: o de Jaques Gruet. De acordo com os apologistas católicos, ele foi torturado até a morte apenas por ter falado mal do “ditador” Calvino. A verdade histórica, por outro lado, é que Gruet foi preso por “libertino” (ou seja, por imoralidade), e provavelmente não seria morto se não fosse pelo fato de ter apelado ao rei francês para que fizesse uma intervenção militar em Genebra[33]. Em consequência, foi punido com a pena capital, que era a penalidade padrão para esse tipo de crime em qualquer país da época, conhecido como “alta traição”.

Quando estudamos caso a caso e comparamos com as outras cidades e países, principalmente com os católicos, podemos ver facilmente o quão burra é a afirmação de que Calvino instaurou uma “ditadura teocrática” em Genebra. Para início de conversa, nenhum totalitarismo matou ou exilou tão pouca gente, o que torna ridícula tal suposição por si só. Mesmo Paul Johnson, historiador católico bastante crítico de Calvino, a quem taxa de intolerante, reconhece que a pena imposta aos desobedientes à lei em Genebra era quando muito o exílio, após a excomunhão. A execução era reservada aos casos de protesto, isto é, quando alguém se recusava ao exílio e preferia a morte, e por isso as execuções em Genebra eram tão raras[34]. Mas mesmo o número de exílios não era grande: apenas 66 pessoas foram exiladas durante a “ditadura totalitarista” de Calvino[35].

Por menos tolerante que isso possa parecer quando comparado a um mundo moderno muito mais desenvolvido em termos de tolerância e liberdade de consciência, esse modus operandi era muito menos severo que nos países católicos, onde as fogueiras eram acessas para qualquer tipo de “sectário”, e nos quais o exílio era considerado um bem imerecido a um “herege”, que a priori não tinha o direito de viver[36]. Por isso, enquanto milhares eram queimados por heresia nos países católicos, apenas um o foi em um país protestante – não obstante muitos heterodoxos buscassem e encontrassem refúgio em Genebra, fugindo das perseguições católicas.

Considerando apenas os onze anos em que Torquemada foi inquisidor-geral na Espanha (1483-1494), pelo menos dez mil pessoas foram executadas unicamente pela acusação de “heresia”[37]. E considerando apenas a noite de São Bartolomeu, por volta de 70 mil protestantes foram assassinados por católicos na França, de acordo com os registros da época[38]. Diante desses números assombrosos e brutais, os 58 executados na Genebra de Calvino é brincadeirinha de criança – ainda mais quando se considera que apenas um desses 58 foi executado por razões religiosas (ou seja, por atacar alguma doutrina da igreja estabelecida). À luz de tudo isso, Lindberg tem toda a razão quando diz que “seria um erro concluir que Calvino transformou Genebra num estado policial teocrático”[39].

Importante é também lembrar que uma característica comum a todos os regimes totalitários é ser extremamente rígido com seus oponentes (via de regra, assassinando todos eles ou os escravizando em campos de concentração), mas igualmente frouxo em relação aos “camaradas”. Em regimes totalitários, quem faz parte do sistema desfruta de regalias e privilégios, entre eles o de praticar corrupção sem punição, e de estar à margem da lei. Nesses regimes o ditador é podre de rico, enquanto o povo morre de fome. A Genebra de Calvino era precisamente o contrário disso. As leis, por mais rigorosas que fossem, eram aplicadas igualmente a qualquer um que as infringisse, sem parcialidade ou injustiça.

Quando a cunhada de Calvino foi surpreendida em adultério com seu serviçal, no mesmo ano em que sua enteada Judite foi condenada pela mesma razão (1557), foram banidas de Genebra, cumprindo a mesma pena que os demais que incorriam no mesmo crime[40]. Lindberg escreve que “durante todo esse processo, ele não sucumbiu a uma estratégia de favorecimentos para obter apoio. Nem cidadãos proeminentes nem sua própria família tinham a permissão de ficar acima da lei. Nesse tocante, Calvino proporcionou um modelo de igualdade democrática sob a lei que os estados modernos fariam bem em imitar”[41].

Compare este aspecto da Genebra de Calvino com os países católicos, sobre os quais o propagandista católico João Bernardino Gonzaga é obrigado a admitir:

Cominavam-se, isto é, indicavam-se na lei sanções distintas, conforme a categoria do acusado. Eloquente exemplo disso é o Livro V, Título XXV, sobre o crime de adultério, das Ordenações Filipinas, que Filipe III de Espanha outorgou a Portugal em 1603: “Mandamos que o homem que dormir com mulher casada, e que em fama de casada estiver, morra por isso. Porém, se o adúltero for de maior condição que o marido dela, assim como se o tal adúltero for Fidalgo, e o marido Cavaleiro, ou Escudeiro, ou o adúltero Cavaleiro, ou Escudeiro, e o marido peão, não farão as justiças nele”[42]

Nos países católicos também havia as leis rigorosas da Genebra de Calvino, as quais também já existiam na própria Genebra na época em que ainda era católica. A diferença é que nesses países a lei só era aplicada ao pobre, e os “amigos do rei” – e do papa – estavam isentos, enquanto na Genebra calvinista a lei era pra todos, sem distinção, favoritismo, preconceito ou desigualdade, e ninguém estava acima dela. Calvino pode ser acusado por muita coisa, mas não por más intenções ou falta de sinceridade.

O fato concreto é que, a despeito de todas as acusações e das leis completamente ultrapassadas para os dias atuais (as quais já existiam desde antes da Reforma, me perdoe por lembrar de novo), Calvino conseguiu trazer ao âmbito pastoral a influência moralizante que a cidade nunca teve antes dele enquanto católica. “Tendo sido a mais frívola e mais devassa de todas as cidades europeias, tornou-se o berço do puritanismo, tanto francês, como holandês, como inglês, como escocês”[43]. Da fama de cidade imoral e depravada, Genebra se tornou a “mais perfeita escola de Cristo que já existiu nesta terra desde os dias dos apóstolos”[44], nas memoráveis palavras de John Knox. “Confesso que Cristo é verdadeiramente pregado em outros lugares; mas em nenhum outro lugar vi uma reforma tão sincera dos costumes e da religião”[45], disse ele.

Genebra não apenas havia se livrado da imoralidade que nela prevalecia há tanto tempo, como ainda se tornou um centro do protestantismo europeu, pela enorme quantidade de protestantes perseguidos nos mais diversos países, que para lá fugiam e encontravam refúgio. Lindberg afirma que “entre 1550 e 1562, Genebra recebeu aproximadamente sete mil imigrantes – isto numa cidade cuja população total na época da chegada de Calvino era de aproximadamente dez mil habitantes”[46]. A maioria desses refugiados vinha da França – de onde veio o próprio Calvino –, mas também havia significativas colônias inglesas e italianas[47].

O Departamento Federal de Estatísticas da Suíça[48] mostra dados ainda mais impressionantes: de três mil habitantes por volta de 1550, a população genebrina salta para incríveis 21 mil na década seguinte – o que equivale a um aumento de 600% na população, em apenas dez anos. Isso é ainda mais significativo quando consideramos que o mundo da época era marcado por muito mais rivalidades e nacionalismos ferrenhos do que hoje; que a guerra era uma constante invariável e o ódio entre os povos de nações vizinhas era incrivelmente maior. Em Genebra, no entanto, pessoas das mais diversas nacionalidades se encontravam em um lugar de consolo e amparo, em um clima amistoso de paz. Foi, na realidade, a primeira cidade da Europa a se tornar mais estrangeira do que «nacional» de fato, e sem gerar as animosidades típicas, porque o rei de todos era o mesmo: Cristo.

Por mais natural que isso possa soar para os dias de hoje, era algo tão impressionante para a época que um refugiado inglês do período de Maria a Sanguinária escreveu:

Genebra parece-me ser o milagre maravilhoso do mundo todo (...) Não é maravilhoso o fato de que espanhóis, italianos, escoceses, ingleses, franceses, e alemães, com suas diferenças de maneiras, fala e vestuário (...), unidos somente com o jugo de Cristo, vivam juntos de modo tão amoroso... como uma congregação espiritual e cristã?[49]

Lindsay resume a transformação que Calvino produziu em Genebra ao dizer que “é inquestionável que durante o seu governo em Genebra o caráter da cidade mudou inteiramente”[50], e que “não podemos dizer o que seria preciso para obter uma reforma de costumes numa cidade tão imoral e tão turbulenta como Genebra”[51].

Calvino não ajudou a transformar Genebra apenas moralmente, porque também foi responsável pelo estabelecimento de um sistema eclesiástico de auxílio aos pobres e de promoção do bem-estar social, devendo-se a ele “a criação de manufaturas de pano, veludo e relógios, que foram introduzidas em Genebra para dar trabalho aos pobres e desempregados”[52]. Esse trabalho foi tão notável que até Daniel-Rops, o ferrenho inimigo da Reforma, logo após sua acusação a Calvino como um “ditador”, reconhece:

De qualquer modo, o "Procurador de Deus", como ditador que era na prática, não deixou de procurar para o seu povo o bem material, tanto quanto procurava o espiritual. Genebra ficou-lhe a dever admiráveis hospitais, asilos noturnos e casas de caridade. Foi ele quem introduziu na cidade as indústrias da lã e da seda que fizeram a sua riqueza. A organização econômica da cidade no seu tempo mereceria um estudo especial; as leis contra a alta de preços foram draconianas, mas eficazes: praticamente, todos os produtos foram tabelados.[53]

Mas as transformações sociais e econômicas implementadas pelo protestantismo serão melhor examinadas no segundo volume. Por hora, dentro do escopo deste livro, nos cabe dar atenção especial ao caso excepcional que foi de fato a “mancha negra” de toda a Reforma. Falaremos do tão falado caso de Miguel Serveto.


O caso Serveto

Quando se fala da pretensa “intolerância protestante” ou mesmo da suposta “Inquisição protestante”, um único nome é sempre suscitado como um “mártir” nas mãos dos protestantes. Ele é Miguel Serveto (1511-1553), um teólogo e médico espanhol. Seu nome é frequentemente o único levantado pelos papistas quando se trata de ressaltar os “crimes” da Reforma, precisamente porque não tem outro. Curiosamente, esse único “mártir da Reforma” nem católico era. Na verdade, ele foi perseguido pelos católicos e teve na Inquisição francesa sua sentença de morte decretada, mas de alguma forma conseguiu fugir dos cárceres do Santo Ofício e dirigiu-se então a Genebra, onde começa a história na versão da apologética católica. Ou seja, por ironia do destino, o único sujeito executado em um país protestante por razões puramente religiosas foi alguém que já era perseguido antes pelos próprios católicos e destinado ao mesmo fim.

É comumente alegado que Serveto foi sentenciado à morte por causa da sua rejeição à trindade, uma ofensa punível com a morte segundo o Código Justiniano[54]. No entanto, essa não seria a definição mais precisa. Serveto não foi sentenciado à morte por uma mera “heresia”, como os países católicos faziam, mas por blasfêmia. Ele nem mesmo rejeitava a trindade no seu próprio entender, embora rejeitasse vigorosamente o conceito trinitariano tradicional. Não era exatamente um unitarista como a maioria dos antitrinitarianos de nossos dias (como as testemunhas de Jeová, por exemplo), mas tinha uma concepção peculiar e estranha a respeito do que ele considerava ser a “verdadeira trindade”[55].

Essa “verdadeira trindade” que Serveto sustentava era na verdade uma crença parecida com o sabelianismo (também conhecido hoje como “unicismo”), segundo o qual o Pai, o Filho e o Espírito Santo eram a mesma pessoa (não o mesmo Deus em três pessoas), embora negasse a personalidade do Espírito Santo. Essa crença heterodoxa levava a algumas bizarrices, como o entendimento de que Jesus orava a si mesmo na terra, ou que ele se “auto-enviou” ao mundo, em vez do Pai enviar o Filho.

Serveto trocou uma série de cartas com Calvino, as quais começaram amistosas, mas foram ganhando um tom cada vez mais áspero e pesado. Calvino já era dotado de uma personalidade forte, para não dizer enérgica, frequentemente demonstrando um temperamento agressivo com quem o confrontava, e se agravou muito mais depois que Serveto mexeu com aquilo que Calvino considerava o mais importante – a natureza de Deus. O principal problema não era a negação à crença ortodoxa na trindade em si, que Serveto já rejeitava desde a época das cartas amigáveis, mas a forma como ele começou a debochar e ridicularizar a doutrina. Ele a comparava com o Cérbero, o monstro de três cabeças da mitologia grega, que despedaçava os mortais e aprisionava as almas dos mortos em um mundo subterrâneo[56].

Isso poderia soar apenas como uma zombaria para grande parte dos cristãos atuais, mas para os cristãos da época, que prezavam muito mais pela ortodoxia e eram bem mais rígidos na questão doutrinária, era um atrevimento sacrílego (ou, para usar as palavras de Calvino, uma “blasfêmia execrável”), em um grau totalmente inaceitável. Nada lhes soava mais escandaloso e blasfemo do que isso. De certo modo, o fato de Serveto ser um caso isolado e excepcional que foge à regra de conduta protestante mesmo em Genebra corresponde à excepcionalidade e extravagância de suas “blasfêmias”. Os reformadores em geral podiam tender a serem muito mais tolerantes em questões religiosas do que os católicos, mas isso já ultrapassava os limites do aceitável.

Não obstante, os apologistas católicos que se apropriam da imagem de Serveto para condenar a Reforma deveriam pensar duas vezes antes disso, pois ele já “estava condenado ao fogo [pela Inquisição], mas antes da sentença escapara da prisão, em Vienne”[57], de onde se dirigiu a Genebra, em agosto de 1553. Mesmo antes disso, Serveto só tinha se mantido vivo até então em um país católico porque passou duas décadas vivendo com um nome falso, fingindo ser leal ao papa, assumindo o pseudônimo de “Michel de Villeneuve”.

Em poucas palavras, se a condenação à morte de Serveto por parte dos protestantes é uma prova de “totalitarismo” e “intolerância” da Reforma, no mínimo se exigiria o mesmo conceito em relação ao que os papistas pretendiam fazer com o mesmo homem (que acabou sendo queimado em efígie no auto-da-fé católico, como faziam com os que eram condenados à morte mas fugiam antes da execução, ou que morriam nas prisões, ou durante as torturas), com a diferença de que os protestantes pararam em Serveto, e os católicos executavam milhares por qualquer razão muito mais frívola. O próprio fato de Serveto ter escolhido fugir justamente para a cidade de seu maior rival – a Genebra de Calvino – já indica que ele a via como mais tolerante que as cidades católicas, para as quais poderia ter fugido também.

Quando Serveto acabou reconhecido por franceses residentes em Genebra durante um culto conduzido pelo próprio Calvino, foi trazido perante as autoridades civis, que decidiriam sua sorte. Calvino, como já dissemos, não era um membro do Conselho e nem tinha direito a voto, mas por carta expressou diversas vezes seu desejo de que Serveto fosse condenado à pena capital por suas blasfêmias[58].

Por outro lado, Serveto também não era nenhum santo nessa história. Ao chegar a Genebra, teve conhecimento de que Calvino estava com dificuldades para manter sua autoridade e seu programa de reforma na cidade. Ele encontrava forte oposição dos “libertinos”, que se opunham ao novo estilo de vida genebrino e lutavam pela volta das antigas libertinagens na cidade. Walker diz que nos anos anteriores à chegada de Serveto à Genebra as eleições já estavam muito equilibradas, mas que naquele ano “penderam decididamente para os oponentes de Calvino”[59].

Consciente disso, Serveto colocou a autoridade de Calvino à prova, exigindo que Calvino fosse exilado e que seus bens lhe fossem entregues[60]. Latourette acrescenta que “Serveto exigiu que Calvino fosse preso como um falso acusador e um herege, que fosse expulso da cidade e seus bens fossem dados a ele”[61]. Serveto estava certo de que venceria no julgamento, o que implicaria no restabelecimento da velha ordem na cidade. Mas quando o Conselho teve acesso às suas palavras blasfêmicas, o jogo virou contra ele. Assim, em outubro de 1553, depois de dois meses de processo, Serveto é sentenciado pelo Conselho municipal à morte na fogueira[62]. Lindberg afirma que “a pena estava de acordo com a lei contra blasfemos contida no artigo 106 do código criminal de Carlos V, a Constitutio criminalis Carolina”[63].

Num “gesto humanitário mal-sucedido”[64], Calvino tentou mudar a sentença, propondo a morte por decapitação – muito mais rápida e indolor – em vez da fogueira[65]. Mas “a despeito do apelo de Calvino para uma forma mais misericordiosa de execução, Serveto foi queimado em uma estaca em 27 de outubro de 1553”[66]. O fato do Conselho mais uma vez ignorar o apelo de Calvino confirma, novamente, que quem realmente mandava nas questões políticas da cidade era o Conselho, e não o suposto “ditador” que frequentemente não conseguia ser atendido e que via suas petições serem rejeitadas.

Mas o mais importante e que mais diferencia o protestantismo do catolicismo militante nesta questão não é apenas o fato de que no catolicismo a morte por qualquer coisa considerada “heresia” era algo corriqueiro e banal enquanto no protestantismo era coisa excepcional e isolada, mas principalmente porque os evangélicos têm consciência do grande pecado que foi a morte de Serveto, que efetivamente colocou uma mancha negra em uma história radiante, enquanto entre os apologistas católicos prevalece a defesa vigorosa e ferrenha da Inquisição como algo bom, necessário e proveitoso[67], e alguns até clamam pela sua volta[68].

Diferentemente dos católicos frente às suas milhares de execuções sem remorso, os protestantes reconhecem e admitem abertamente que a morte de Miguel Serveto foi “uma mancha que obscurece todo o bem que pudesse ter feito Calvino”[69], e que “não há maneira de desculpar semelhante crueldade”[70]. Como José Pijoán destaca, os protestantes “condenam aquele erro de Calvino, ainda que tenha sido o erro do século. Mas nem Lutero nem Zwínglio haviam incorrido em tais erros”[71].

Como uma forma de expressar abertamente o arrependimento pela decisão tomada pelo Conselho e com a aprovação de Calvino, os herdeiros do reformador de Genebra erigiram um monumento para fazer expiação no local da execução de Serveto. Neste monumento está escrito:

Nós, filhos devotos e gratos de Calvino, nosso grande reformador, sendo, porém, pessoas que condenam um erro que foi o erro de seu século e estando firmemente devotados à liberdade de consciência de acordo com os verdadeiros princípios da Reforma e do evangelho, erigimos este monumento expiatório em 27 de outubro de 1903.[72]

• Continua em meu livro “500 Anos de Reforma: Como o protestantismo revolucionou o mundo" (livro em construção)

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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[1] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 281.

[2] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 66.

[3] DUDUCH, João. História da Igreja. São Paulo: Novas edições líderes evangélicos, 1974, p. 181.

[4] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 69.

[5] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 69.

[6] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 81.

[7] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 101.

[8] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 120.

[9] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 156.

[10] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 76.

[11] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 76.

[12] Discorrerei sobre o evento no capítulo seguinte, que abordará a Reforma na França.

[13] OLIVEIRA, Thiago. Calvino mandou matar Serveto? Disponível em: <https://medium.com/@thiagooliveira_73579/calvino-mandou-matar-serveto-4b23b725736a>.  Acesso em: 17/02/2018;

[14] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 79.

[15] SCHAFF, Philip. History of the Christian Church – Vol. 8. Hardcover: 2006, p. 490-491.

[16] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 74.

[17] ROPS, Daniel. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). São Paulo: Quadrante, 1996, p. 428.

[18] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 74.

[19] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 74.

[20] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 75.

[21] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 75.

[22] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 75.

[23] McGRATH, Alister E. A Vida de João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 105.

[24] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 76.

[25] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 312.

[26] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 312.

[27] Institutas, 4.3.15.

[28] WALKER, Williston. John Calvin: The Organizer of Reformed Protestantism.New York: Schocken Books, 1969, p. 310.

[29] FISHER, George Park. The Reformation. Nova York: Scribner, Armstrong, and Co., 1873, p. 224.

[30] SCHAFF, Philip. History of the Christian Church – Vol. 8. Hardcover: 2006, p. 496.

[31] GONZAGA, João Bernardino Garcia. A inquisição em seu mundo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 27.

[32] Lei 11.106/2005: Novas modificações ao Código Penal Brasileiro (IV) - Dispositivos revogados. Disponível em: <https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2857/Lei-11106-2005-Novas-modificacoes-ao-Codigo-Penal-Brasileiro-IV-Dispositivos-revogados>. Acesso em: 16/02/2018.

[33] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 316.

[34] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 348.

[35] McNEIL, John T. The History and Character of Calvinism. Londres: Oxford University Press, 1966, p. 172.  

[36] Discorrerei mais sobre isso no capítulo referente ao grau de tolerância nos países católicos e nos protestantes (cap. 10).

[37] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 319.

[38] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 107.

[39] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 324.

[40] KINGDON, Robert M. The Geneva Consistory in the Time of Calvin. In: PETTEGREE, Andrew; DUKE, Alastair; LEWIS, Gillian (Eds.). Calvinism in Europe 1540-1620. Cambridge: Cambrigde University, 1994, p. 32-33.

[41] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 324.

[42] GONZAGA, João Bernardino Garcia. A inquisição em seu mundo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 27.

[43] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 77.

[44] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 297.

[45] ibid.

[46] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 317.

[47] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 317.

[48] Disponível em: https://www.bfs.admin.ch/bfs/portal/fr/index/news.html

[49] McNEILL, Joihn T. The History and Character of Calvinism. New York: Oxford University, 1967, p. 178.

[50] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 77.

[51] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 81.

[52] DUDUCH, João. História da Igreja. São Paulo: Novas edições líderes evangélicos, 1974, p. 191.

[53] ROPS, Daniel. A Igreja da Renascença e da Reforma (I). São Paulo: Quadrante, 1996, p. 428.

[54] LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do Cristianismo: volume II: 1500 a.D. a 1975 a.D. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 1028.

[55] SCHAFF, Philip. History of the Christian Church – Vol. 8. Hardcover: 2006, p. 771.

[56] SCHAFF, Philip. History of the Christian Church – Vol. 8. Hardcover: 2006, p. 742.

[57] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 78.

[58] CALVINO, João. Letters of John Calvin. Edinburgo: The Banner of Truth Trust, 1980, p. 82.

[59] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 78.

[60] WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967, p. 78.

[61] LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do Cristianismo: volume II: 1500 a.D. a 1975 a.D. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 1028.

[62] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 157.

[63] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 321.

[64] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 321.

[65] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 321.

[66] LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do Cristianismo: volume II: 1500 a.D. a 1975 a.D. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 1028.

[69] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 128.

[70] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 128.

[71] PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933, p. 128.

[72] NIJENHUIS, W. Ecclesia Reformata: studies on the Reformation. Leiden: E. J. Brill, 1972, p. 122.

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134 comentários:

  1. Lucas desculpe, sei que aqui não é o espaço mas vc poderia me passar algum artigo sobre casamento. obrigado. graça e paz!

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    1. Olá, infelizmente eu ainda não tenho nenhum artigo sobre esse tema, mas agradeço a sugestão, vou providenciar um futuramente. Abs!

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    2. No Império o Brasil era a quarta maior economia?
      No império tinha liberdade de imprensa?

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    3. Avalie: https://youtu.be/pZvGdQ3MxrA

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    4. "No Império o Brasil era a quarta maior economia?"

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/04/o-brasil-era-mais-rico-e-desenvolvido.html

      "No império tinha liberdade de imprensa?"

      Com Dom Pedro II sim, com Dom Pedro I não.

      "Avalie: https://youtu.be/pZvGdQ3MxrA"

      Ótimo vídeo, um dos melhores canais.

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    5. https://m.youtube.com/watch?v=pZvGdQ3MxrA&feature=youtu.be
      A parte que diz que a marinha brasileira era melhor é verdade?

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    6. Óbvio que não, inclusive a marinha brasileira recebia reclamações por ser defasada e antiquada (mesmo para os padrões da época, e em comparação aos outros países da América do Sul).

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    7. Então por que ele fala isso?

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    8. Olha seu clone aí:
      https://youtu.be/Wz74w8epaIA

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    9. "Então por que ele fala isso?"

      Porque mente.

      "Olha seu clone aí"

      Nada parecido comigo, eu sou muito mais bonito ;p

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    10. "Porque mente"
      Então por que você elogiou o vídeo?

      "eu sou muito mais bonito"
      Concordo.

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    11. Ah esse tema sobre casamento é muito bom, existem várias polêmicas em torno desse assunto rs. Uma das polêmicas é em relação ao divórcio e segundo casamento (várias hipóteses que podem existir). Seria legal se fosse fizesse um artigo sobre isso. Esse assunto dá muito pano pra manga e foi abordado nesse programa: https://www.youtube.com/watch?v=1Snts2j3i-o

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    12. "Então por que você elogiou o vídeo?"

      Eu elogiei o outro que você me passou, não o que diz que o Brasil tinha a maior marinha do mundo (na frente até da Inglaterra, segundo ele...).

      "Seria legal se fosse fizesse um artigo sobre isso"

      Também acho um bom tema, vou providenciar um artigo sobre isso nas próximas semanas.

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    13. Tem outro cara que parece mais com o Lucas do que esse indicado pelo Anônimo do Avalie

      https://www.youtube.com/watch?v=4uGeS1rc_Ug

      É o cara que está na frente à esquerda...

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    14. "Eu elogiei o outro que você me passou"
      Mas é no outro que diz isso.

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    15. "Tem outro cara que parece mais com o Lucas do que esse indicado pelo Anônimo do Avalie"

      Na verdade vocês dois estão errados, quem se parece mais é esse cara aqui:

      https://pt.churchpop.com/wp-content/uploads/2018/01/sequels-700x438.jpg

      "Mas é no outro que diz isso"

      Calma aí, você me passou dois vídeos diferentes sobre um mesmo tema. Um deles diz que o Brasil tinha a maior marinha do mundo, maior até que a da Inglaterra (o que é coisa de doido), e no outro só diz que era maior que a da Cisplatina (o que é bem aceitável).

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    16. "e no outro só diz que era maior que a da Cisplatina (o que é bem aceitável)"
      Fala mais forte que a Argentina e não Cisplatina.
      Mas era mesmo?

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    17. Avalie o vídeo desse monarquista (Obs: Não é sobre monarquia): https://youtu.be/jACiIe8Ly5o

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    18. "Mas era mesmo?"

      Não é o que parece. O próprio Barão do Rio Branco (que era monarquista), escreveu ao barão Homem de Melo:

      “Fico muito inquieto com o nosso negócio de missões, porque se os argentinos aproveitarem a ocasião teremos de passar por grandes vergonhas. Não temos esquadra, não temos torpedos, não temos exército, e os argentinos têm tudo isso. Pela primeira vez, desde que o Império existe, achamo-nos assim à mercê dos nossos vizinhos” (A Vida do Barão de Rio Branco, p. 126)

      "Avalie o vídeo desse monarquista (Obs: Não é sobre monarquia)"

      Esse canal é muito bom quando não fala de monarquia.

      Excluir
    19. “Fico muito inquieto com o nosso negócio de missões, porque se os argentinos aproveitarem a ocasião teremos de passar por grandes vergonhas. Não temos esquadra, não temos torpedos, não temos exército, e os argentinos têm tudo isso. Pela primeira vez, desde que o Império existe, achamo-nos assim à mercê dos nossos vizinhos” (A Vida do Barão de Rio Branco, p. 126)"

      Pelo que parece se trata de algo momentâneo, ele diz "Pela primeira vez, desde que o Império existe" mostrando que não era durante todo Império.
      Mas prova que a marinha do Brasil não era tudo isso que os "Tvs Imperiais" da vida dizem, pois chegou ao ponto de "Não temos esquadra, não temos torpedos, não temos exército"
      Você considera que a república já começou com ditaduras?

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    20. "Esse canal é muito bom quando não fala de monarquia"
      Você avaliou o canal, não o vídeo.

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    21. "Você considera que a república já começou com ditaduras?"

      Não concordo, por que seria?

      "Você avaliou o canal, não o vídeo"

      Se o canal "é muito bom quando não fala de monarquia" e esse vídeo não fala de monarquia, então presume-se que ele é muito bom também.

      Excluir
    22. Porque muitos presidentes (como Floriano Peixoto e Getúlio Vargas) prediam quem discordava deles e teve a política dos governadores.
      Vocês concorda?

      Excluir
    23. Getúlio teve a sua fase de ditador populista, mas mesmo considerando um país problemático como o Brasil, os períodos de ditadura que já tivemos sempre foram muito menores do que os períodos democráticos. Democracia essa que não pode existir em um regime monárquico sem apoio popular.

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    24. Concordo, o ideal é ver como foi o governo de cada presidente para ver como tivemos muitos que prestaram.
      Bolsonaro presta?

      Excluir
    25. É cedo para avaliá-lo já que ele nem ganhou ainda, mas dentre os presidenciáveis, é junto com o Caiado o que mais presta.

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  2. Lucas, quando você diz que Serveto "acabou sendo queimado em efígie no auto-da-fé católico", há alguma referência bibliográfica para isso?

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    1. Está em: BAINTON, Roland H. Hunted Heretic: The Life and Death of Michael Servetus 1511–1553. Boston: The Beacon Press, 1953, p. 164. Também consta na "História da Igreja Cristã" (History of the Christian Church), de Philip Schaff:

      http://www.ccel.org/ccel/schaff/hcc8.iv.xvi.xix.html

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  3. Muito bom artigo. Bastante esclarecedor para enfrentarmos as mentiras católicas. Outra opinião convergente com a sua, do Augustus Nicodemus: http://www.monergismo.com/textos/jcalvino/calvino_serveto_augustus.htm.

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    1. Não conhecia esse artigo do Nicodemus, mas só disse verdades.

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    2. Ele só omitiu que Calvino sugeriu cortar a cabeça de Servetus ao invés de queima-lo.

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    3. Ele deixou isso implícito na parte que escreve: "Calvino suplicou ao Conselho que executasse Serveto de uma maneira mais humanitária do que o ritual tradicional de queima de hereges".

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    4. Lembrando que a decapitação era a forma mais rápida de execução conhecida na época, em que o indivíduo sofria menos.

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  4. 1)Parabéns Lucas pelo artigo ! 2 ) Lucas você acha que os "protestantes " que se tornaram apóstatas e se tornaram papistas como Scott Han e companhia estão sob a maldição de Hebreus 6 estou falando que de pessoas que realmente fizeram parte de uma igreja seria e estudaram teologia ( nem que seja um pouco ) . Ainda devemos orar por sua reabilitação a fé ou devemos nem orar por esses pecado como João fala sobre o pecado para a morte ?

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    1. Na verdade o texto de Hebreus 6 fala de pessoas que chegaram bem mais longe do que apenas o rótulo de cristãos nominais ou de líderes religiosos. Entre outras coisas, diz que se tornaram "participantes do Espírito Santo" (v. 6), o que eu não sei se Scott Hahn já teve algum dia. Talvez ele nunca tenha sido um crente genuíno, convicto de sua fé e regenerado, ou talvez sempre foi um jesuíta infiltrado na igreja para depois dissimular uma falsa "conversão", seguindo a ética da Companhia "de Jesus". Nós não sabemos. É um caso bem diferente de pastores renomados e de reconhecida sinceridade, como John Piper e Paul Washer por exemplo, que se apostatassem aí sim eu diria que é um caso sem volta. Mas quanto a Hahn, eu não faço a menor ideia. Quase ninguém além dos membros da igreja dele o conheciam antes da suposta "conversão", quando passou a ser explorado para efeitos de marketing e propagandismo católico e se tornou "famoso". Em todo o caso, entendo que devemos orar pela salvação de todos, pois só Deus sabe quem já chegou ao ponto que não tem mais volta.

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    2. John Piper e Paul washer apostataram da fé?

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    3. Eu disse "SE APOSTATASSEM", e não que apostataram.

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    4. "É um caso bem diferente de pastores renomados e de reconhecida sinceridade, como John Piper e Paul Washer por exemplo, que se apostatassem aí sim eu diria que é um caso sem volta"

      E se eles se arrependessem e quisessem voltar, Deus não receberia mais? Seriam rejeitados?

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    5. A questão é que quem cai desse jeito não tem mais arrependimento. Não é que Deus não perdoe, mas que as pessoas que apostataram a este ponto não se arrependem mais.

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    6. Lucas, você colocaria o Caio Fábio na lista dos apóstatas?

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    7. O liberalismo dele chegou a um ponto que é difícil pensar que não.

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    8. Lucas que parte e essa da companhia de Jesus ? Você acha que existem jesuítas infraltados na igreja ?

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    9. Antes existiam, os jesuítas se infiltravam até nas cortes reais para manipular os reis, quanto mais nas igrejas protestantes a fim de perverter os fieis. Isso tudo está muito bem documentado, inclusive irei transmitir no livro. E sinceramente eu não confio que eles se tornaram "bonzinhos" com o passar do tempo, acho apenas que eles mudaram de estratégia para alguma mais conveniente e eficaz para o século XXI.

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  5. Lucas, você pode me indicar bons comentarios biblicos e seus autores? Abraços!

    ResponderExcluir
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    1. Respondi aqui:

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/02/lutero-foi-um-genocida-que-matou.html?showComment=1519065383204#c60417542080498750

      Abs!

      Excluir
  6. Boa tarde amigo Lucas, gostaria da sua opiniao a respeito de uma materia colocada no site CACP centro apologético que diz:

    Os mortos possuem lembranças?

    RESPOSTA APOLOGÉTICA:
    A Bíblia ensina que a alma sobrevive à morte em um estado de compreensão consciente (IIRs. 14.29; IICo. 5.8). Salomão claramente especificou o seu comentário, dizendo que era “na sepultura” (Ec. 9.10) que não haveria “nem ciência nem sabedoria alguma”. Ele também afirmou que os mortos não sabem o que está acontecendo “debaixo do sol” (Ec. 9.6). Os mortos não sabem nada do que diz respeito ao que se passa aqui na terra, mas certamente conhecem o que está se passando no lugar onde se encontram, em gozo ou tormento (Lc. 16.22-26).

    sem mais agradeço pela atenção dada.

    Marcos Monteiro

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    Respostas
    1. Tudo isso é reduzido às cinzas no meu livro "A Lenda da Imortalidade da Alma" (disponível na página dos livros), mas para poupar tempo vou dar uma resposta rápida e objetiva sobre cada texto que eles citam aí.

      2ª Reis 14:29 não fala nada sobre imortalidade da alma. "Descansar com os seus antepassados" era um eufemismo hebraico para dizer que a pessoa estaria no mesmo lugar que seus antepassados já foram, ou seja, a sepultura, onde todos os mortos se encontram na mesma condição. Ainda hoje dizemos coisas como "descanse em paz" acerca de quem já morreu, incluindo quem não tem nenhuma crença de que a alma de um morto está literalmente "descansando" como quem literalmente dorme à noite ou tira uma soneca.

      2ª Coríntios 5:8 na versão imortalista é uma distorção grosseira e grotesca. Eles tiram pateticamente o verso 8 do contexto, onde Paulo diz claramente que esperava estar com Cristo NÃO NA CONDIÇÃO DE DESPIDO (isto é, fora de um corpo), MAS SIM REVESTIDO (isto é, com o corpo ressurreto). Basta ler o verso 4, por exemplo:

      “Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; NÃO PORQUE QUEREMOS SER DESPIDOS, MAS REVESTIDOS, para que o mortal seja absorvido pela vida” (2ª Coríntios 5:4)

      Portanto, para Paulo o “ausente do corpo” era realmente a morte, mas o “estar com o Senhor” não era um estado intermediário onde o apóstolo estaria com Cristo como um “fantasminha camarada” em uma forma incorpórea, mas sim em um corpo glorioso quando ressuscitasse no último dia. A impressão de que isso se dá de forma imediata é natural, visto que o tempo não passa na percepção de quem já morreu e voltou ao pó, então para quem está morto e ressuscita milhares de anos depois é como se não tivesse passado tempo nenhum e já se visse imediatamente na presença de Deus (embora possa ter se passado muitos anos na perspectiva dos que estão vivos na terra).

      Eclesiastes 9:10 não usa o termo hebraico para sepultura, mas sim o termo SHEOL, que é justamente o lugar em que os imortalistas acham que se trata do “mundo dos mortos-vivos”. Infelizmente o péssimo escritor dessa “resposta apologética” deve ter pesquisado o texto em uma versão em português que traduz erroneamente por “sepultura” e sido enganado, para então citar um texto que o refuta como se estivesse dizendo algo a seu favor. É uma pena.

      Eclesiastes 9:6 realmente usa a expressão “debaixo do sol”, mas isso porque o autor não tinha nenhuma noção de que existisse vida humana inteligente em algum outro lugar. Para quem morreu, morreu e acabou, até que a ressurreição pudesse trazê-lo de volta à existência na terra. Por isso ele diz que “os mortos não sabem de nada” (Ec 9:5), que os imortalistas interpretam como “nada do que acontece na terra”, ignorando que poucos versos adiante Salomão afirma o mesmo a respeito do Sheol, que para os imortalistas seria o lugar onde as almas estariam bem vivas e conscientes, e no entanto ali também “não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Ec 9:10).

      Lucas 16:19-31 se trata de uma PARÁBOLA, e não de uma descrição literal de um lugar literal. É indecente usar os meios de uma parábola, que é por definição uma alegoria, para fundamentar uma doutrina teológica – ainda mais uma doutrina que contraria o consenso de toda a Bíblia. No meu livro eu dedico mais de 20 páginas apenas para fazer uma análise exegética da parábola e provar que ela não serve para ser usada de modo algum como prova de imortalidade da alma, como fiz mais recentemente neste vídeo de 1h e 17m:

      https://www.youtube.com/watch?v=Y0BxGJo5TIA

      Em síntese, TODOS os textos usados pelos imortalistas em qualquer parte da Bíblia são SEMPRE passagens isoladas, tiradas do contexto, analisadas superficialmente e interpretadas de maneira medíocre. Não é preciso nem muito estudo para perceber isso, pelo menos para quem tem a mente aberta e livre dos víeis denominacionais e das tradições ensinadas por toda a vida com o tom de verdade absoluta.

      Abs!

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  7. Na sua opinião quem escreveu a epístola aos hebreus?O que a maioria dos historiadores falam sobre a carta que foi tema de tantas divergências ao longo dos séculos?

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    1. Não há nenhum consenso e a opinião da maioria é somente um "não sei", mas ao meu ver se tem algum autor conhecido que se encontra mais apto a ser esse escritor de Hebreus é o evangelista Lucas, que escreveu o evangelho e Atos. Os estudiosos apontam semelhanças linguísticas impressionantes entre Hebreus e esses outros dois livros de Lucas, semelhanças essas que não são encontradas em nenhum outro autor do NT, quando se analisa o original grego. Então mesmo sem poder "bater o martelo", Lucas é o autor mais provável, pelo menos um passo a frente dos demais nomes possíveis (some a isso o fato de que os outros autores do NT sempre se identificam em suas cartas, e Lucas não, da mesma forma que em Hebreus).

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    2. Veja a frase "toda boa obra" de Hebreus 13:21 e compare com 2 cor 9:8; Col 1:10; 2 Tess 2:17; 1 Tm 5:10; 2 Tm 2:21; 3:17; Tt 1:16; 3:1.

      Ache a mesma frase em outro livro do N Testamento que nao seja uma carta de Paulo. Até o momento não encontrei. Passo a procura para outro

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    3. Acho que foi Barnabé, ele era um levita de chipre e conhecia bastante a lei, sendo um exemplo bom para falar dos sacrifícios no livro de hebreus.

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  8. Você não é arminiano? Eu pensei que você fosse arminiano.

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    1. E o que tem a ver? Esse artigo é de cunho histórico, não teológico.

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    2. No Arminianismo da Zueira eles vivem falando de casos como esse.

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    3. "da zueira"
      Isso já diz tudo msm...

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  9. Você viu a entrevista do Bolsonaro com Nando Moura?

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    1. O que achou?

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    2. Não é ruim, mas é mais-do-mesmo.

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    3. "mais-do-mesmo"
      Quis dizer "mais ou menos" né?

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    4. Quis dizer que ele não disse nenhuma coisa nova, apenas o que todo mundo já sabia.

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  10. Lucas fiquei chocada com o vídeo dos TEOLOGUEIROS sobre o título:O Adventismo é uma seita?De fato essa denominação não é tão inocente assim temos que tomar cuidado!www.youtube.com/watch?v=BUsKB6L3duI.O que achou Lucas do vídeo?

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    1. "Este vídeo não está disponível."

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    2. https://www.youtube.com/watch?v=BUskB6L3duI

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    3. O vídeo é um bom "compilado de erros e bizarrices de Ellen White", mas está muito longe de fazer aquilo que o título sensacionalista propõe (na verdade ele nem chega a concluir que a IASD é uma seita no fim do vídeo, apenas deixa implícito diante de tudo o que disse). Mesmo que eu concorde com tudo o que ele afirmou no vídeo, isso só provaria que Ellen White cometia erros como qualquer outro teólogo ou suposto "profeta", e não que a IASD é uma seita. Para ser uma seita, uma igreja precisa acreditar em coisas bem piores que essas, coisas que afetem a salvação de uma alma, e não conversinha fiada sobre peruca, Enoque em Saturno, de não tomar chá e blá blá blá, que não são pregadas por ninguém hoje em dia e que sequer dizem respeito a uma doutrina oficial crida pelos adventistas modernos. A IASD tem 28 doutrinas oficiais, e na minha análise ninguém conseguiria julgá-los como "seita" apenas por essas crenças oficiais:

      http://www.adventistas.org/pt/institucional/crencas/

      http://biblia.com.br/perguntas-biblicas/ensinos-biblicos/as-28-crencas-fundamentais-da-igreja-adventista-do-setimo-dia/

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  11. Lucas em um debate que Daniel Wallace teve com o Bart Ehrman, ele (Daniel) disse que tinha encontrado um fragmento do evangelho de Marcos, datado do ano 90 d.C. Você sabe se o texto desse fragmento já foi publicado? Qual texto de Marcos esse manuscrito traz?

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    1. Também não encontrei em nenhum lugar esse manuscrito disponibilizado, apenas notícias da descoberta do mesmo. O jeito é esperar...

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  12. Lucas no link e só mudar no final o l minúsculo pelo i maiúsculo

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  13. Lucas, estou lendo o seu comentário dos quatros evangelhos e estou sendo muito edificado. Uma pergunta, você tem intenção de escrever mais livros de comentários de outros livros da Bíblia? Tipo gálatas, efésios, Judas, Apocalípse etc. Abraços!

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    1. Vou sim, só não estou escrevendo no momento por causa do livro da Reforma que é a prioridade agora, mas depois vou voltar aos comentários e publico aqui. Abs!

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  14. Olá Lucas.
    Qual a sua resposta ao trilema de Epícuro?

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    1. O erro está na primeira premissa:

      "Enquanto onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é onibenevolente"

      A razão pela qual "não o faz" não é por não ser bom, mas para criar seres livres com a oportunidade de escolha (livre-arbítrio). Permitir o livre arbítrio é uma das razões pelas quais Deus criou o homem, e se todos os efeitos maléficos da livre vontade fossem destruídos por Deus (por exemplo, Deus fazer com que todas as balas voassem na direção errada quando voa em um criança), isso minaria todo o ponto de permitir que o homem faça o mal.

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  15. Lucas, se permite a intromissão, gostaria de dizer pra sua leitora (Paula) que procure se informar com os próprios adventistas o que eles pensam e tire suas conclusões ao invés ouvir opiniões de terceiros que muitas vezes o intuito é denegrir a imagem de quem se discorda e não informar. Obrigado

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    1. Não sou adventista e nem vi o vídeo (não pude ver porque o link estava errado), mas concordo plenamente.

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  16. O que eu acho mais lamentavél nisso é quando certos arminianos usam o caso de miguel serveto para atacar o calvinismo.

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    1. Isso é normal para apologistas com menos experiência, eu também fazia isso quando não conhecia a história bem, só fui compreender depois de ler muitos livros.

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    2. Lucas, mudando um pouco de assunto; você, no seu livro sobre as cruzadas, afirma que os árabes mulçumanos eram extremamente tolerantes com povos de outras religiões, e que os cristãos eram os intolerantes. Mas a propósito, a expansão islâmica não foi violenta?O que dizer da escravidão árabe, na qual se estima que cerca de 17 milhões de pessoas foram escravizadas e sem qualquer tipo de processo abolicionista posterior?

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    3. Creio que estes pontos já foram respondidos no próprio livro, mas vamos por partes:

      1) A expansão árabe seria considerada uma barbaridade para os dias de hoje, mas era o padrão na época. TODA grande civilização ou império que se estabeleceu no passado foi ganhando território por meio da guerra, aí inclusos o antigo Egito, Assíria, Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma e etc. Um império derrubava o outro através de guerras, conquistava território e estendia seu domínio territorial, político e cultural. Depois do Império Romano foi a vez dos povos bárbaros no Ocidente, e do Império Otomano no Oriente. A expansão árabe faz parte deste processo natural que era fruto da mentalidade de conquista que todos os povos da época tinham. Tanto é que os próprios povos católicos lutavam entre si por território ou domínio; Inglaterra e França tiveram guerra de mais de cem anos, para ter uma noção. A única razão pela qual os povos católicos não costumavam invadir as terras muçulmanas para tomá-las é porque eram mais fracos, por isso quando tentaram (nas Cruzadas) perderam feio em todas exceto uma cruzada. Não era por serem bonzinhos, tolerantes ou respeitadores do território alheio.

      2) Essas “17 milhões de pessoas escravizadas” precisa de esclarecimentos. Refere-se a que período até que período? Diz respeito a todos os escravos que existiram ao longo de todo este tempo ou somente aos que foram feitos escravos quando ainda eram livres? Inclui aí os “servos”, que eram na prática escravos e tratados como escravos no mundo medieval, ou apenas à escravidão clássica como na Roma antiga e no Novo Mundo? Sem esses dados não tem como fazer nenhuma análise objetiva a respeito. O que se sabe é que só de escravos trazidos por “cristãos” da África para a América superou a faixa dos 20 milhões, o que já é mais que a escravidão árabe aí dita, mas este número não inclui todos os que foram escravizados depois disso, nem a descendência dos mesmos, e muito menos a condição padrão de um camponês comum na Europa medieval e de inícios da Idade Moderna, que na prática era quase indistinguível da condição de um escravo propriamente dito. Adicionando apenas estes últimos, já ultrapassaria de longe a faixa dos 100 milhões.

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    4. 3) Quando os historiadores (de forma unânime, diga-se de passagem) falam da tolerância islâmica daquele tempo, isso não é de acordo com os padrões dos dias de hoje, mas de acordo com o que era praticado na época. Eu mencionei os impérios do passado que também praticaram conquistas de território, e em grande parte deles o modus operandi era matar todo mundo, e de fazer escravos a todos que não eram mortos. Este era muito diferente do modus operandi dos árabes medievais, que via de regra permitiam que os povos conquistados mantivessem sua liberdade, sua cultura e sua religião desde que pagassem um imposto. Por comparação, quando os católicos reconquistaram a Península Ibérica ou Jerusalém, o modus operandi foi exterminar todo mundo, e, no caso de Espanha e Portugal, expulsar os “mouros” remanescentes junto com os judeus. Não tinha nada de pagamento de imposto, a coisa era toda muito mais rígida. Apenas compare a conquista de Jerusalém na Primeira Cruzada com a reconquista muçulmana de Saladino – enquanto a primeira foi um banho de sangue que assassinou até mulheres, idosos e crianças de peito, a segunda respeitou todas as regras de guerra de uma guerra moderna.

      E para terminar, havia cristãos missionários em países árabes, o que seria inadmissível em países católicos da mesma época; por exemplo, Francisco de Assis foi pregar aos árabes na terra deles em plena cruzada, e não foi perturbado, nem preso, nem executado em nenhum momento. Adicionalmente, havia territórios árabes cujo governante continuava sendo cristão (eles literalmente não fizeram a menor questão de destituí-lo do trono!), o que seria um absurdo de se pensar no caso europeu, que não apresenta qualquer precedente. Se os muçulmanos da época fossem tão intolerantes, a Igreja Ortodoxa grega já teria sido completamente exterminada há muito tempo e não sobraria ninguém deles nos dias de hoje, principalmente depois da tomada de Constantinopla, o último país ainda em mãos de um imperador bizantino. Mas eles os permitiram viver em paz, praticando sua religião sob um país muçulmano.

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    5. Pela breve pesquisa (bem porca, diga-se de passagem), que fiz, alguns historiadores estimam que cerca de 10 a 20 milhões de negros foram escravizados pelos árabes desde o século X até o início do século XX, fora as milhões de pessoas que morreram. Também estive pesquisando algumas bibliografias sobre o assunto e achei alguns livros sobre essa questão:


      "Les Négriers En Terres D'Islam", de Jacques Heers.
      "White Slaves, African Masters", de Paul Baepler.
      "Traites Négrières", de Olivier Pétré Grenouilleau.
      "Quand Les Noirs Avaient Des Esclaves Blancs", de Serge Bilé.
      "Afrique, L'Histoire Á L'Endroit" e " L'Histoire De L'Afrique", de Bernard Lugan.
      "Islam's Black Slaves", de Ronald Segal.
      "Le génocide voilé", de Tidiane N'Diaye.
      "Slave", de Mende Nazer.
      "White Gold", de Giles Milton.

      Do resto, obrigado pela resposta, Lucas.

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    6. Pelo que eu andei vendo a maior parte estima entre 7 a 8 milhões, mas mesmo que tenha sido entre 10 e 20, ainda é menor que a escravidão católica sozinha. E esses escravizados eram da África central e do sul, o que corrobora com as afirmações dos historiadores de que os árabes costumavam ser tolerantes para com os povos cristãos conquistados (os quais ocupavam terras no norte da África, Europa e Oriente, e não eram escravizados e nem exterminados). Abs.

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  17. O que você acha do livro "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota"

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  18. Estou lendo o livro de Jó e vejo que alguns questionamentos que ele fez a Deus são válidos para os dias de hoje. Por exemplo na parte em que ele fala que os maus permanecem impunes e vivem bem aqui na terra, o amigo dele diz que não é verdade, pelo contrário, os maus recebem castigo de Deus aqui na terra e não são abundantes. Porém se a fala do amigo de Jó é verdadeira porque, por exemplo, aqui no Brasil os políticos corruptos vivem bem? Não ficam presos da forma que deveriam ficar, acumulam riquezas e morrem tranquilamente?

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    1. Mas os amigos de Jó estavam errados em sua tese principal. Essa é uma das morais do livro. Eles pensavam que se alguém está em sofrimento ou pobreza é por castigo divino por impiedade, mas então Jó, o homem mais justo do mundo inteiro, se tornou o homem em estado mais degradante de todos e perdeu tudo, para provar que essa era uma falsa filosofia. Nem o fato de ser rico ou bem-sucedido era sinônimo de ser necessariamente justo, nem tampouco o fato de alguém estar na pior significa que é necessariamente ímpio. Era isso que os "amigos" de Jó não entendiam, e por isso acusavam Jó no livro inteiro, injustamente.

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  19. Olá Lucas
    você poderia ver essa matéria e comentar?
    https://noticias.gospelprime.com.br/o-cristao-pode-perder-salvacao-john-piper-responde/

    Quando leio Hebreus 6 não tenho duvidas quanto a perder a salvação!

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    1. Eu concordo com ele na parte que diz que o "voluntariamente" (ou "deliberadamente") diz respeito a uma prática contínua e despreocupada na direção do pecado, e não qualquer pecado que se caia por fraqueza a qualquer momento. Só não entendi o que que isso prova sobre não poder perder a salvação, já que a lógica do texto implica justamente no contrário. O autor de Hebreus diz que se NÓS pecarmos deliberadamente, já não há mais perdão mas apenas condenação ao inferno, então isso logicamente implica na possibilidade de um cristão genuíno acabar pecando deliberadamente e perder a salvação.

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  20. Lucas, excelente artigo! muito bom mesmo! Lucas estava lendo o apocalipse e quero saber quem eram os nicolaítas? eram discípulos do diácono Nicolau ? ( desculpe não ter nada haver com o texto acima).

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    1. Olá, na verdade ninguém sabe de forma precisa e exata quem foram eles. Alguns Pais da Igreja escreveram algo a respeito, inclusive sobre o termo vir desse diácono Nicolau que teria sido um apóstata, e que sua doutrina incluía a poligamia, de modo que logo cedo o nicolaísmo virou sinônimo de imoralidade. Assim, os textos que dizem por exemplo que tal igreja está "tolerando os nicolaístas", na prática tem o sentido de dizer que aqueles cristãos estão admitindo a imoralidade (razão pela qual foram repreendidos e advertidos por Deus). Abs!

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  21. O que você acha dos vídeos desse youtuber? https://www.youtube.com/watch?v=CsLILK4FvDk

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    1. Nunca tinha visto um vídeo dele, mas a respeito deste em específico eu discordo de quase tudo o que ele disse.

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  22. Olá Lucas!
    Estou amando estes artigos, e aguardando com ansiedade o seu mais novo e abençoado livro.
    Que Deus abençõe este projeto e que ele seja fonte de edificação, sabedoria e que abra os olhos da igreja brasileira nesse país ainda tão católico e idolatra.

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    1. Obrigado Nataly, mal espero por terminar esse livro e disponibilizá-lo completo por aqui pra vocês. Deus lhe abençoe! :)

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    2. Mais um artigo bomba!

      Parabens Banzoli

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  23. lucas tem como vc atender um pedido meu: teria como vc fazer o seu próximo artigo respondendo uma pergunta que todo católico joga sempre na minha cara mas eu não sei responder? a pergunta é: como que eu sei que a Bíblia tem os livros que tem e como que eu sei que o novo testamento tem 27 livros? quem os definiu? qual igreja definiu? quem deu a palavra final xeque mate nesse assunto dos livros? é que o católico sempre pergunta isso e eu nao sei responder a fundo.obrigado

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    1. Eu já tenho vários artigos sobre isso, na verdade acho que este é o tema com mais artigos produzidos até hoje. Sugiro-lhe os artigos sobre Sola Scriptura, disponíveis nesta lista temática:

      http://www.lucasbanzoli.com/2015/07/artigos-sobre-catolicismo.html

      Abaixo segue alguns que tratam mais especificamente destas questões:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/09/a-igreja-catolica-esta-acima-da-biblia.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/04/a-biblia-foi-escrita-por-catolicos-e.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2016/03/o-canon-do-novo-testamento-invalida.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2016/01/destruindo-panfletagem-catolica.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/refutando-argumentos-catolicos-contra.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/11/cinco-perguntas-ridiculas-que-qualquer.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/11/refutando-falacias-catolicas-sobre.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/02/a-biblia-e-filha-da-igreja.html

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    2. ok, mas esses artigos nao falam nada pq o numero 27 livros e não 30 ou 28? qual igreja decidiu esse canon?

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    3. Os artigos não falam nada ou você que não os leu? Nem o Flash teria conseguido ler todo o conteúdo tão rápido, se é que você chegou a ler algum. Provavelmente é apenas um debatedor católico escondido no anonimato e se passando por "protestante com dúvidas", mas de todo modo, já que parece que você quer tudo mastigado ao invés de estudar os materiais que eu indiquei, a resposta rápida sobre os 27 livros é porque eles foram os únicos que os cristãos da época (os Pais da Igreja) conseguiam comprovar que foram escritos pelos apóstolos ou na era apostólica. Os outros eram escritos gnósticos a partir do segundo século em diante, portanto, apócrifos. Quanto a "qual Igreja definiu esse cânon", é óbvio que foi a Igreja antiga. Essa Igreja não era nem a Igreja Romana e nem a Igreja Ortodoxa constituídas a partir do Cisma, nem alguma igreja protestante. Todas essas são apenas ramos da Igreja original, ou ramos dos ramos. E mesmo se tivesse sido a Igreja Romana ou a Ortodoxa ou qualquer outra atual isso ainda não provaria nada, já que os judeus foram os responsáveis pelo cânon do AT e nem por isso eram infalíveis ou estão com a verdade, tampouco os cristãos que reconhecem o cânon do NT ganhariam infalibilidade doutrinária por isso.

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  24. Mais uma vez o guru da Virgínia foi desmascarado, pelo jeito essa apologética católica não cansa de mentir, difamar e enganar, são iguaizinhos aos esquerdistas, e ainda querem ter moral para falar mal da esquerda (ambos são o mesmo lado da moeda) (e dos protestantes) e dizer que a Igreja é o baluarte do conservadorismo, Lucas você acha que Calvino foi um dos percussores do Estado laico? (Acredito que sim)

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    1. Concordo, Calvino era claramente a favor da separação entre a Igreja em Genebra e o Estado nas questões religiosas, ele só não conseguiu fazer isso virar uma realidade na época porque o Conselho tinha um peso muito maior do que ele.

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  25. Banzoli, o que você acha da Bíblia de Estudo Apologética?

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    1. Não tenho essa Bíblia, então não posso comentar.

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  26. Meus amigos, senhoras e senhores. Procurem não rir, pois é sério o que descobri.

    Na ocasião da morte e ressurreição de Jesus muitos santos que estavam no túmulo, ressuscitaram. Evidente que entre eles estavam três bem conhecidoos: A mulher de Pedro, João Batista e José, pai adotivo de Jesus.


    "Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito. Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu, e as rochas se partiram. Os sepulcros se abriram, e os corpos de muitos santos que tinham morrido foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mateus 27:50-53).




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  27. E mais um detalhe: NÃO JULGUE ANTES DA HORA

    https://youtu.be/YPUqBe6iiHg

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  28. Olá Lucas! Você conhece a biografia de Calvino escrita por Bernard Cottret? Se sim, o que achou?

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    1. Essa aí eu não li, mas tem uma outra feita pelo Alister McGrath que é bastante recomendável.

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  29. Lucas poderia me explicar que no concílio de Jamnia eram os judeus apóstatas,já que esses judeus foram os que negaram a TRINDADE,portanto não tinha mais o Espírito Santo por isso negaram os 7 livros deuterocanônicos do AT e todo o NT?

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    1. Este argumento é inócuo já que os "deuterocanônicos" (na verdade, apócrifos) já eram rejeitados pelos judeus desde muito antes de Jâmnia. Na verdade, eles nunca entraram, então o que o concílio de Jâmnia disse ou deixou de dizer é irrelevante, eles apenas confirmaram o cânon já aceito entre os judeus desde a época de Jesus (o cânon que o próprio Senhor seguiu em vida). Por isso Jesus e os apóstolos usaram a expressão "está escrito" (referindo-se às Escrituras do AT) mais de 90 vezes, e nunca para um livro apócrifo. Paulo mesmo deixou claro que a responsabilidade pela palavra de Deus no tempo da antiga aliança era dos judeus, e não da Igreja que nem existia ainda (e muito menos da Igreja Romana), veja Romanos 3:2 e contexto. À Igreja (não a Romana) coube apenas definir o cânon da nova aliança, ou seja, do Novo Testamento, como fez.

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  30. No concílio de Hipona,Cartago e Roma os textos deuterocanônicos estão la inseridos?

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    1. Estão. E no de Laodiceia não. E no cânon listado por numerosos Pais da Igreja de antes e de depois desses concílios também não. E no da maioria dos "doutores da Igreja" também não. E na Glossa ordinaria também não. E na opinião de alguns dos próprios bispos católicos presentes na sessão em Trento, também não. É preciso entender que estes concílios eram apenas sínodos locais, que não tinham nenhuma autoridade sobre a Igreja inteira. Por isso mesmo os doutores da Igreja medieval costumavam seguir o cânon de Jerônimo (sem os apócrifos), em vez do cânon de Hipona ou Cartago, ou do suposto concílio de Roma:

      http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/bibliologia/canon-do-velho-testamento-de-jeronimo-a-reforma.html

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

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  31. LUCAS SOARES MARTINS23 de fevereiro de 2018 20:03

    Lucas estava vendo o vídeo do Maurício Ribeiro que é católico que ele afirma que os católicos nos EUA estão crescendo em ritmo acelerado.Xará é a última vez que o assisto, porque o cara é descaradamente mentiroso,desonesto e mau caráter.fiz uma pesquisa mais recente e constatei que os católicos diminuiu 2% de 22% passou para 20% e os evangélicos infelizmente diminuiu de 48% para 46% e mesmo assim lá os protestantes tem mais do que o dobro de católicos e eles se esquecem de falar que o que mais cresce lá é o números dos sem religião que já ultrapassa os católicos que são 22% e os números de católicos hispânicos estão perdendo para os pentecostais de 19% para 22%.O que me faz lembrar desses tridentinos é o DESESPERO dessa gente coitado que tenta enganar os incautos pra dar o ar de que a ICAR é poderosa e predominante...infelizmente eles são sujos inventam mentiras em nome dessa IGREJA APÓSTATA achando que assim vão conseguir mais adeptos para seu aprisco que não passa de PESCADOR DE AQUÁRIO(só os néscios imaturos),mas graças ao bom Deus que o povo tá maduro o suficiente e não engana mais ninguém como era na IDADE MEDIEVAL e pra variar as estatísticas nos mostram que os protestantes vão ultrapassar os católicos na América Latina daqui os 10 anos e no mais tardar 15 anos segundo o IBGE é só ver Lucas saiu no site Gospel Prime de hoje,citando o Brasil que é o país onde os romanos perdem mais adeptos que os pesquisadores do IBGE acreditam que não vai precisar chegar 2040 para os protestantes ultrapassar,já em 2028 já seremos a maioria pra sofrimento dos CATOLEIGOS é pra rir desses FANÁTICOS, apesar dos ataques contra nós não estão surtindo o efeito desejado.O que pensas desse DELÍRIO CATÓLICO sem falar da CNBB apóstata comunista corrompendo o clero romano por completo pra variar?Me desculpe a expressão mais eles estão literalmente FUDIDOS?

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    1. Essa baboseira estúpida e risível de que a ICAR "está crescendo nos Estados Unidos", que só poderia vir da mente diabólica de apologistas picaretas e mentirosos, já foi refutada por mim há muito tempo aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2016/03/a-igreja-catolica-esta-crescendo-nos.html

      Vale acrescentar que esses míseros 20% aí eles só conseguem porque os EUA é o país que mais recebe imigração (legal e ilegal) no mundo em disparado, principalmente de latinos (cuja religião predominante de forma esmagadora é o catolicismo). Sem o fator imigração, o catolicismo romano seria simplesmente insignificante nos EUA, como o era até o final do século XVIII, quando apenas 1% da população estadunidense era católica.

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  32. Lucas, se você puder analisar e dar sua opinião sobre isso eu agradeço.
    https://apocalipsetotal.wordpress.com/2011/10/02/para-entender-a-nova-ordem-mundial-%E2%80%93-parte-ii/

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    1. Muito interessante. Eu não conhecia esse bahaismo, mas o curioso é que ele concorda com tudo aquilo que já cria sobre o Apocalipse (inclusive quanto ao governo mundial ser socialista, sobre o papa ser o falso profeta, sobre o falso ecumenismo e perseguição aos cristãos, etc). Se encaixa certinho.

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    2. Sim cara! Fiquei impressionado quando pesquisei sobre. Recomendo você estudar mais sobre isso.

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  33. Great article. Congratulations.

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    1. Anônima

      "Great article. Congratulations"

      Senti o cheiro da brisa das praias de Marataízes

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  34. Lucas o que acha dessa música?www.youtube.com/watch?v=nE7_V6QZwjA

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    1. "Este vídeo não está disponível."

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    2. Lucas, o vídeo não estar disponível pode significar que o link é um virus. Talvez não tenha sido enviado para você.

      Nai clica mais. Faz uma varredura no seu pc urgente!

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  35. Lucas e na sua opinião por que nos dias atuais a situação se inverteu?O mundo católico ficou mais tolerante que o mundo islâmico

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    1. Porque o "mundo católico" (considere o Ocidente) passou por transformações profundas trazidas principalmente pela Reforma e pelo iluminismo, que exigiram que o próprio catolicismo se reformasse internamente e se adaptasse ao novo mundo, enquanto o Islã jamais passou por uma revolução semelhante, uma transformação ou reforma de qualquer tipo. Ou seja, está perdido no tempo, é um pedaço da Idade Média em pleno século XXI...

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  36. Eu não sou calvinista, mas são os próprios evangélicos anti calvinismo que se dedicam a espalhar essas monstruosidades sobre Calvino, mais que católicos

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  37. O que dizer desse artigo?

    https://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.cacp.org.br/o-lado-desconhecido-de-joao-calvino/&ved=2ahUKEwjzi5X6ka_bAhUHH5AKHVDUB0sQFjAAegQIBxAB&usg=AOvVaw1YGJVPO1CnvsSBw21KqgwI

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    1. Infelizmente é um artigo escrito com base em mitos, os quais eu também acreditava antes de estudar o assunto a fundo.

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    2. E as referências bibliográficas?

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    3. Uma referência bibliográfica não significa necessariamente uma fonte histórica, quando não é escrito por um historiador reconhecido na área. Muitas dessas fontes citadas não tem autoridade acadêmica, são apenas escritores apologéticos como qualquer pessoa comum. Também não há uma concatenação dos fatos, não se aborda a questão historicamente, apenas vai juntando citação com citação como uma colcha de retalhos, nenhum historiador trabalha assim. Por exemplo, não se diz que em Genebra já existiam as leis restritivas desde bem antes de Calvino, apenas cita essas leis e tenta jogar nas costas de Calvino. Também ignora completamente todos os fatos históricos que demonstram de forma clara que Calvino não tinha toda essa autoridade em Genebra que eles aclamam, a qual foi inventada pelos católicos buscando difamar a Reforma, disseminando a lenda que é crida até hoje em certos círculos e transmitida adiante como se fosse uma verdade.

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