24 de fevereiro de 2018

59 Compêndio de contradições do preterismo


COMPÊNDIO DE CONTRADIÇÕES DO PRETERISMO
(Alon Franco)

Considerações prévias: O artigo a seguir foi escrito originalmente por Alon Franco em seu site A Grande Cidade e publicado em duas partes, disponíveis aqui e aqui. O Alon é de longe o maior especialista no assunto no Brasil e elaborou uma lista que sintetiza algumas das maiores contradições do preterismo. Claro que uma lista completa e exaustiva de contradições de um sistema escatológico tão defeituoso exigiria escrever até a volta de Jesus, mas o que consta aqui já é um belo resumo. Para quem ainda não sabe, o preterismo é uma vertente escatológica que ensina que praticamente o Apocalipse inteiro (incluindo a aparição e morte do anticristo, a marca da besta e o derramar da ira de Deus, e alguns incluem a própria volta de Jesus e a ressurreição) já ocorreu “espiritualmente” em 70 d.C, durante a guerra entre Jerusalém e Roma, e não há mais nenhuma tribulação apocalíptica para esperarmos no fim dos tempos. Por mais bizarro que possa parecer, essa linha escatológica consegue ser crida por uma minoria de católicos e protestantes com pouco ou nenhum estudo. O artigo do Alon, no entanto, é uma bomba atômica em suas invenções e delírios. Sem mais, apreciem este breve compêndio de contradições do preterismo!

***

A doutrina preterista declara que grande parte do livro de Apocalipse, Mateus capítulo 24, Lucas 21:5-36 e referências, já se cumpriram. Alegam que as profecias citadas nestes contextos apontavam para conflitos da Igreja primitiva, e que, portanto, já tiveram cumprimento em 70 d.C, quando os romanos atacaram e destruíram Jerusalém e Israel. Em níveis diferentes de interpretação, esta visão combina o simbolismo com alegoria ensinando que o vasto contexto profético de Apocalipse não lida com eventos futuros específicos.

Na verdade, o preterismo apresenta uma doutrina confusa, recheada de mudanças feitas ao longo dos anos. Estas mudanças foram inseridas porque apareceram muitas refutações contra a escola preterista obrigando-os a fazer ajustes urgentes para que a proposta pudesse ficar de acordo com as Escrituras. Entretanto, o tiro saiu pela culatra, pois aconteceu exatamente o contrário: nos últimos tempos inúmeras contradições surgiram, tornando impossível conciliar a visão preterista com a Bíblia.

Vou reunir aqui várias dessas contradições e analisar uma a uma sob a luz das Escrituras Sagradas. E, tenha certeza, amigo leitor: nenhuma delas prevalecerá diante da Palavra de Deus.


1) Espanto entre os reis de toda a terra

Está escrito em Apocalipse 6:15-16: “E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro”. E o verso 17 diz: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?”.

Segundo os preteristas, este grande dia da ira aconteceu quando Jesus veio sobre Jerusalém em 70 d.C através das tropas romanas. Há, no entanto, vários problemas para essa interpretação, pois esta passagem estabelece uma visão profética para o fim dos dias. E nem que tentem os preteristas, eles jamais poderiam dar explicações satisfatórias do porquê os reis de toda a terra estavam se escondendo nas cavernas e nas rochas em 70 d.C, correndo da ira de Deus que se abateria sobre Jerusalém(?).

Não há maneira de aplicar a passagem em qualquer evento que tenha ocorrido antes da destruição de Jerusalém. O contexto necessita ter uma interpretação literal. Onde, no primeiro século durante o cerco de Jerusalém, se vê “reis da terra”, “grandes homens, homens ricos, chefes militares e todo escravo e todo livre”, se escondendo nas cavernas e nas rochas das montanhas, gritando: “Esconde-nos da ira do Cordeiro” (Ap 6:16)?

A ira do exército romano não é a ira do Cordeiro, nem foi visto em uma escala descrita nas profecias do tempo do fim. O “dia do Senhor” é inaugurado com sinais catastróficos em todo o mundo. Isso não aconteceu no primeiro século.

Em Apocalipse 17:2 vemos os “reis da terra” cometerem fornicação, e seus habitantes se embriagaram com o vinho da sua prostituição. Esta Babilônia é o centro comercial da terra, isto certamente não se encaixa na Jerusalém do primeiro século. Apocalipse 18-9-10-11 diz que os comerciantes e os reis chorarão, e sobre ela prantearão, quando vê-la queimando.

Não houve reis, principalmente do Império Romano, a lamentar sobre Jerusalém em 70 d.C, pelo menos não há registros sobre. Isso é contrário ao crédito preterista da Babilônia ser Jerusalém. Muito provavelmente o Império Romano comemorou, e não lamentou sua destruição. Em continuidade, surge uma questão para determinar quem é o grande mistério do momento. Nas visões de João o anjo lhe mostra um grande império que dominava nações.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 d.C, pudesse ser a mesma metrópole vista no capítulo 17, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu imperador, o rei da terra habitada.


2) Mortos por causa do testemunho

Em Apocalipse 12:17 e 13:7, o dragão e a besta fazem guerra aos santos, (12:17), aqueles que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo. No entanto, na guerra judaica de 66-70 d.C a batalha era contra os judeus rebeldes, e não contra os crentes em Cristo. Estas passagens mostram uma contradição clara do preterismo, que considera que esses registros sustentam a prova da guerra em Jerusalém pelos exércitos romanos. A história diz-nos que aqueles em Cristo, a maioria senão todos, saíram de Jerusalém antes dos romanos completamente cercar e destruir os “judeus incrédulos”. Os seguidores de Cristo escaparam para uma cidade chamada Pella, na Palestina.


3) Todo o sangue derramado sobre a terra

Mesmo se Jesus tivesse aludido implicitamente que Jerusalém seria a cidade sobre a qual recairia a vingança do “sangue de todos os justos derramado sobre a terra“, ainda assim ela não poderia ser identificada como sendo “Mistério, Babilônia”. Na Babilônia é encontrado o sangue de todos os que foram mortos na terra. Essa é uma culpa ainda mais abrangente do que aquela que recaiu sobre os escribas e fariseus.


4) Judeus idólatras

A descrição da prostituta de Apocalipse parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações); esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 d.C não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão da sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria:

“E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos envolver a Jerusalém de 70 d.C em um contexto que a acusa de fabricar ídolos de ouro, de prata e de bronze.


5) Caifás viu a vinda de Jesus?

“Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote [Caifás], disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu” (Mateus 26:63-64)

Aqui temos o “Filho do homem vindo”; outra passagem que é frequentemente citada pelos preteristas como um texto cujo cumprimento é apontado para 70 d.C. O argumento típico preterista é o seguinte: Jesus disse a Caifás que ele iria vê-lo no seu reino, o que foi uma profecia cumprida em 70 d.C, quando Caifás viu Jerusalém em ruínas destruída pelas mãos dos romanos.

O fato triste, porém, é que Caifás morreu muito tempo antes de 70 d.C!

Caifás foi deposto por Vitélio, governador da Síria em 37 d.C. O biógrafo mais completo de Caifás, Helen K. Bond (professor titular de Linguagem do Novo Testamento, da Universidade de Edimburgo), concluiu, após uma década de estudos, que “depois de dezoito anos como sumo sacerdote, Caifás, demasiado idoso e enfermo, morreu logo após essa data” (Caifás: Amigo de Roma e Juiz de Jesus, p. 89).

Em 1990, o ossuário de Caifás foi descoberto. Esta relíquia tem resistido a todos os ataques acadêmicos por razões epigráficas, incluindo a inscrição e outros enfeites, e foi certificado como autêntico. Nesta caixa extremamente ornamentada está inscrito o nome de Caifás – segundo estudos os ossos são de um homem de 60 anos de idade. Se Caifás viveu até 70 d.C e viu a destruição de Jerusalém, então ele teria apenas oito anos quando começou a reinar como sumo sacerdote em Israel, e tinha apenas 20 anos quando condenou Jesus. Mas não é somente isso, ainda há outro detalhe…

Mesmo que Caifás não tenha morrido em torno de 40 d.C, ainda assim não há o menor fragmento de evidência que ele viveu para ver a destruição de Jerusalém. E se ele morreu logo depois, não houve praticamente nenhuma chance para sepultar o sumo sacerdote em meio à destruição e miséria, condições impossíveis de se encontrar em Jerusalém após os ataques do exército romano. Na verdade, ficaria quase impossível concluir que ele tenha sido tão cuidadosamente colocado para descansar em um ossuário ornamentado no túmulo da família diante de tanto lixo e escombros, sem falar na falta de liberdade, pois Jerusalém estava totalmente destruída e vigiada pelo exército inimigo.

Seu túmulo fica ao sul de Jerusalém, em uma área que havia sido controlada pelos romanos desde cerca de 58 d.C. Para todo este tempo e despesas, o tão cuidadoso enterro de Caifás torna o fato altamente improvável de ter acontecido em 70 d.C ou logo depois. A razão de Caifás ser tão importante nesta narrativa (e não apenas um personagem entre os escribas, os anciãos e todo o sinédrio) é que no contexto imediato da presente declaração, Caifás foi especificamente apontado como o destinatário da profecia.

Certamente Caifás não viu a vinda de Jesus em sua época. Jesus falava da geração de judeus que na ocasião da sua segunda vinda representaria todos que ali estavam. O veriam vindo sobre as nuvens. Caifás era apenas um tipo de sacerdote anticristão da alta produção final, o fim dos tempos. “Caifás” vai ver a vinda de Jesus em poder e grande glória.


6) Fatos em Mateus 24

Quero apresentar ao leitor alguns fatos que, segundo o preterismo, já ocorreram antes da destruição de Jerusalém. Acompanhem a leitura e observem como as contradições saltam diante dos olhos:

5  Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos…

11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos...

24 Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

A turbulência promovida por estes falsos ministros seria tão grande que a advertência é repetida em três versículos. Por que Jesus repetiu esse  alerta  por três vezes para sua geração se os falsos mestres que rodearam a Igreja até 70 d.C não passaram de uma dúzia?

Nunca se leu ou ouviu sobre estes muitos falsos profetas que estiveram presentes entre 30 e 70 d.C promovendo sinais e prodígios ao ponto de conseguir enganar até os escolhidos. A profecia só faz sentido se a encaixamos em nossa época. A observação do apologista Lucas em seu site também reforça meu argumento:

“…não há qualquer registro histórico de que, entre 30 e 70 d.C, alguém saiu por aí dizendo ser o ‘Cristo’, muito menos ‘numerosos’ falsos profetas (v. 11)… que fizessem ‘grandes sinais e maravilhas’ (v. 24)” (Fonte)

Paulo deixa implícito que o aparecimento de falsos obreiros, falsos profetas e falsos apóstolos ocorreriam de uma forma mais crescente depois de 70 d.C,

Atos 20:29 Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho.

João, escrevendo muito tempo depois da destruição de Jerusalém, atesta:

1ª João 4:1 – Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

O termo “têm se levantado” poderia ser melhor traduzido por começaram a aparecer.

Por outro lado, Mateus escreveu seu evangelho entre 55 e 60, portanto, quase trinta anos após o discurso do Senhor e perto da destruição de Jerusalém, não fazendo nenhuma adição sua ao contexto, alertando sobre os falsos Cristos que já proliferavam. Isso deve significar também que eles não poderiam jamais se multiplicar em números elevadíssimos nos poucos anos que faltavam até chegar a 70 d.C.

A impressão que se tem quando nos atentamos para esse contexto tendo por base a visão preterista, é que os falsos profetas não existem mais – eles vieram e se foram, como tudo o que eles dizem que cumpriu-se em 70 d.C. Aliás, tem muita coisa que eles garantem ser figura, mas a impressão é que tudo se transforma em fumaça ou neblina, pois na interpretação figurada dos preteristas o que é simbólico some, evapora!

6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7 Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

Não houve um contexto de guerras e rumores de guerras, nação contra nação e reino contra reino numa época – antes de 70 d.C – que o mundo todo era subjugado ao império romano, onde ninguém lhes fazia guerra e muito menos guerreavam entre si.

Aqui podemos aplicar o mesmo raciocínio acima, que tudo cumpriu-se em 70 d.C. Ou seja, as profecias de Jesus sobre guerras e rumores de guerras não se encaixam na nossa época, tão cheia de guerras, fomes, pestes, terremotos e pragas jamais vistas no planeta.

12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.

Segundo os preteristas todos os moradores de Jerusalém iam ficar gelados na fé e a iniquidade iria se multiplicar entre eles. Isso só pode ser uma tremenda brincadeira de mau gosto!

13 Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

Aqui novamente o preterismo garante que os moradores de Jerusalém deveriam perseverar até o fim da destruição da cidade e serem salvos. Destruídos, sem morada, sem nação, quando seriam espalhados sobre toda a terra... e a promessa é que seriam salvos. Somente o preterismo pode explicar essa abominável contradição.

14 E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Aqui é o fim de Jerusalém, conforme afirmam os preteristas. Segundo eles, Jesus está dizendo que o evangelho seria pregado em todo o mundo e depois viria o fim de Jerusalém.


7) Contradição maior, impossível!

Para o preterismo, o Armagedon trata da suposta queda de Jerusalém em 70 d.C. Provavelmente, por este motivo é que a maioria preterista interpreta que a besta e seus exércitos são supostamente vindos de Roma contra a Cidade Santa, mas isto dificilmente pode ser verdade, pois Tito e os exércitos romanos foram os vencedores em 70 d.C, enquanto Apocalipse diz que “a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Ap 19:19), foram os perdedores.

Vamos ver como o preterismo sairá dessa agora, pois aqui encontramos registros de uma outra batalha, ocorrida após a queda da Babilônia (que eles dizem ser Jerusalém) em Apocalipse 18.

Uma facção do preterismo afirma que a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Entretanto, Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Por outro lado, é preciso lembrar que Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano, não Nero. Além disso, se admitem que Nero foi o anticristo, Vespasiano ou Tito, o falso profeta, devem admitir também que eles foram “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19:20).

“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”

As atividades desses homens aparecem em várias partes do livro de Apocalipse. Evidente que o preterismo deve admitir que eles sejam os mesmos personagens lançados vivos dentro do lago de fogo. O problema para essa interpretação é que esse desfecho ocorre no capítulo 19, imediatamente após um grande confronto, onde está registrada a derrota de um numeroso batalhão e seus generais, liderados pelo anticristo, a besta. E para piorar bastante a situação do preterismo, essa guerra supostamente ocorreu após a queda de Babilônia!

Quando foi que os reis da terra e seus exércitos se aprontaram para guerrear contra ao que estava assentado em seu cavalo e seu exército?

Apocalipse 19 registra como estes homens diabólicos, a besta e o falso profeta, foram por fim lançados no lago de fogo e enxofre – nenhum preterista duvida que eles estivessem presentes na profecia antes da queda da Babilônia. Sendo assim, e seguindo a tese do preterismo, temos que localizar o julgamento destas duas figuras reais imediatamente após a destruição “de Jerusalém” (cap 18).

Fica sumamente impossível aos preteristas admitir que o capítulo 18 cumpriu-se em 70 d.C e o 19 somente cumprir-se-á no fim de nossa era, pois o texto mostra as ações maléficas desses homens durante todo o livro profético, nos apresenta a queda da Babilônia, e por fim registra o julgamento dos mesmos em Apocalipse 19.

Observe o leitor que este capítulo revela que eles foram instrumentos do julgamento de Cristo que havia voltado(?). Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua vinda, a qual os preteristas são obrigados a garantir que já ocorreu. Quem poderia agora entender essa terrível contradição preterista? Observem no início que os que estão envolvidos para batalhar contra aquele que está assentado em seu cavalo são os derrotados, o que não ocorreu em 70 d.C, pois o exército romano saiu vencedor.

Aqui está falando de outra batalha! Quando ela ocorreu?

“E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” (Apocalipse 19:19-21)

Babilônia já havia sido destruída, estas coisas só aconteceram depois, como diz em 19:1-2:

“E DEPOIS destas coisas ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia! Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos”

No entanto, como poderiam responder sobre esse combate? Onde e quando ocorreu? E para piorar bastante a situação da escola preterista, ainda há o registro de uma outra guerra, da qual Jerusalém sai triunfante. Está em Apocalipse 20:8-9:

“E [Satanás] sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou”

Isto já aconteceu?

Essa teoria do preterismo não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 d.C não extinguiu o anticristo. Nem a morte da “besta” – que segundo a interpretação destes tem que ser Nero –, e nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém pôs fim ao anticristo. Por quê? Porque o anticristo e muito menos o falso profeta existiam nessa época.

Essa é a falha aberrante do preterismo, que é doutrinariamente confuso ao extremo. Observem que o capítulo 19, imediatamente após a volta de Jesus, registra o destino do anticristo e do falso profeta, além de afirmar sobre outra grande batalha, seguido do capítulo 20, que também alerta sobre um exército imenso avançando sobre Jerusalém e sendo totalmente derrotado.

Só existe uma maneira de resolver essa confusão toda!

A conclusão legítima da interpretação textual é claríssima: Apocalipse jamais foi escrito antes da queda de Jerusalém, sendo que os capítulos 18 e 19, como várias outras partes do livro, ainda não tiveram cumprimento!



8) Os discípulos não percorreram todas as cidades de Israel?

Mateus 10:22-23 e Mateus 10:5-7:

“E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem”

“Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;  E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus“

Conclusão preterista:

(1) Jesus iria retornar antes de os discípulos terem passado por todas as cidades de Israel.

(2) Não levaria mais de 40 anos para os apóstolos passarem por todas as cidades de Israel.

(3) Jesus iria retornar dentro de um período relativamente curto de tempo (40 anos, ou em 70 d.C).

Há muitos outros pontos que podem ser trazidos nas oportunidades que essa passagem fornece. Esse pensamento é sobre o paradoxo dos seguidores de Cristo ter evangelizado todo o mundo conhecido antes de 70 d.C, mesmo não tendo percorrido todas as cidades de Israel.

É ensinado em toda a literatura preterista que o evangelho seria pregado ao Império Romano inteiro antes de 70 d.C. A lista dos versos é normalmente oferecida para provar que o evangelho tinha sido pregado a todo o mundo no cumprimento da declaração de Jesus em Mateus 24: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo (oikoumene), em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.

Então, este modelo desafia a intuição, sugerindo que os discípulos eram: a) capazes de evangelizar todo o mundo conhecido antes de 70 d.C, e ainda: b) não foram capazes de dar cobertura nas cidades em seu próprio quintal após 40 anos de evangelização!

O Evangelho foi pregado ao mundo inteiro até 70 d.C e ao mesmo tempo os discípulos não conseguiram percorrer todas as cidades de Israel? Tenha em mente que eram as cidades de Israel que supostamente não haviam sido ainda alcançadas – mesmo 40 anos depois. Aqui o preterismo tropeça, declarando que o evangelho foi pregado a “toda criatura” antes de 70 d.C, enquanto o contexto diz que os discípulos não percorreram todas as cidades de Israel pregando a Palavra. Um exemplo apenas, dentre centenas, de como o preterismo torce a Palavra de Deus para manter suas heresias. Eis aí um erro de interpretação grosseiro ao extremo!


9) Até que Ele venha

Na Ceia do Senhor os cristãos primitivos foram ensinados a “anunciar a morte do Senhor até que Ele venha” (1Co 11:26). Se em 70 d.C ocorreu a segunda vinda do Senhor, em seguida os discípulos deveriam ter cessado a participação da Ceia! Esta teoria exige uma reinterpretação de muitas passagens claras e prejudica o ensino bíblico básico sobre a nossa adoração e esperança. Se quisermos participar da Ceia do Senhor “até que Ele venha”, e ele já veio, não há propósito na participação da Ceia hoje para nos lembrar a crucificação de Cristo, e nem deveríamos estar ansiosos para a ressurreição no último dia (Jo 6:39,40,44,54; 12:48).

O problema é que Jesus só veio uma vez, e a Bíblia esclarece que haverá uma segunda vez apenas no fim do mundo – esta não será a terceira vinda.

Hebreus 9:28 – Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.


10) Última hora depois do Apocalipse

Outro problema aqui para o preterismo, que é apaixonado por expressões como “a hora é chegada”, “em breve”, “o tempo está próximo” e similares. Segundo muitos teólogos católicos, João escreveu suas pequenas epístolas após ter sido liberto do cativeiro na ilha de Patmos, quase três décadas após a destruição de Jerusalém.

O problema é que João continuou afirmando…

“Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora (1ª João 2:18).


11) Não provarão a morte

Mateus 16:28, Marcos, 9:1 e Lucas 9: 27 dizem:

a) “Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.”

b) “Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder“.

c) “E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus.”

Conclusão preterista: Jesus voltaria antes que alguns daqueles dentre sua audiência imediata morresse.

Refutação:

Das duas uma: ou Jesus falava da transfiguração, ou fazia referência a sua glória, vista e descrita por João na ilha de Patmos.

A interpretação de que o cumprimento dessa passagem pode fazer referência ao acontecimento da transfiguração foi cogitado por muitos e não deve ser abandonado. Alguns estudiosos opinam que isso pode parecer estranho, pois Jesus indica a maravilha de “alguns” viverem para vê-lo no seu reino, quando o cumprimento ocorreria apenas seis dias depois.

Quantos Jesus quis dizer por alguns? Talvez apenas uma pessoa.

“Alguns” – palavra grega “tis” – Strong # 5100

É um pronome indeterminado que pode significar muita coisa. Quando se refere a alguém pode significar um homem qualquer, certo homem, ou alguns homens…

Apocalipse é o registro de João de ter “visto” Jesus no seu reino. João escreveu o Apocalipse no final de sua vida – em cerca de 96 d.C, quase a beira da morte. João era “um certo” (“tis”), que estava presente quando Jesus falou em Mateus 16:28, Marcos 9:1 e Lucas 9:27. Portanto, João viveu para “ver” Jesus no seu reino – isto pode ser o cumprimento de Mateus 16:28, Marcos 9:1 e Lucas 9:27.


12) Não estão escritos no livro da vida do Cordeiro

Apocalipse 13:8 – “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Segundo o preterismo, os que habitam sobre a terra são os habitantes de Jerusalém, os judeus, o povo escolhido. No entanto, o versículo esta dizendo que estes que habitam sobre a terra não têm seus nomes escritos no livro da vida. Estes habitantes da terra se comportaram como idolatras e foram punidos por isso. Não podem ser os judeus de 70 d.C.

É um absurdo sem medida afirmar que o povo escolhido de Deus, Israel, seu primogênito, que por fim verá a salvação (Rom 11:26), está sendo descrito neste contexto do Apocalipse: “Esses, cujos nomes não estão escritos no livro da Vida, serão lançados no inferno”.

Não podemos acreditar que o contexto trata de israelitas quando declara sobre “TODOS” que habitam sobre a terra, sem exceção de nenhum, e ainda por cima admitir que seus nomes nunca foram escritos no livro da vida!

Observem como fica o versículo segundo a teoria do preterismo. Ajunta no meio desse TODOS, os discípulos e a Igreja:

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra [de Jerusalém], esses [da terra de Jerusalém] cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

E para esculhambar de vez com o preterismo, observe nessa passagem que os israelitas, o povo escolhido de Deus, jamais teve seu nome escrito no livro da vida desde que o mundo foi criado:

“A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá” (Apocalipse 17:8)


13) Estamos no milênio

A ideia de que Satanás já foi “amarrado” está em clara contradição com a declaração de Pedro: “O diabo, como um leão que ruge, anda ao derredor buscando a quem possa tragar” (1Pe 5:8). O apóstolo Paulo refere-se a Satanás como o “príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2:2).

Uma ala do preterismo admite que estamos no milênio. Sendo assim, isso deve significar que Satanás está amarrado e preso (Ap 20:2). Se ele está aprisionado mesmo, então as advertências de Pedro e Paulo acima não servem mais para nossa época. Satanás não mais busca a quem devorar, e nem mesmo opera nos filhos da desobediência. Se Satanás está preso hoje, por que as nações ainda estão sendo enganadas?

Se já estamos no milênio, por que ainda há guerra no mundo? Quando o leão deitou-se com o cordeiro? E quando as nações colocaram suas armas em arados? Se os 1000 anos são apenas simbólicos, então é o reinado de Cristo apenas simbólico? Se Deus quebrou sua aliança eterna com Israel, como nós sabemos que Ele não vai quebrar o seu pacto de vida eterna com a gente?
                                                                                  
Se Deus abandonou o Israel étnico, por que Paulo pergunta: “Será que Deus rejeitou o seu povo?”. E por que ele responde de forma tão enfática: “Deus me livre!” (Romanos 11:1)? Por que Paulo disse de Israel, ”tropeçaram para que caíssem?”. E por que ele respondeu novamente: “Deus me livre!” (Romanos 11:11)? Por que Paulo afirma que “a cegueira em parte aconteceu a Israel, até que a plenitude dos gentios se complete” (Romanos 11:25)? Por que ele acreditava que “todo o Israel será salvo” (Romanos 11:26) se Deus abandonou seu povo?

A doutrina preterista está em apuros!


14) Apostasia depois de 70 d.C

O argumento da dogmática católica preterista afirma que a apostasia descrita em Apocalipse para a maioria das igrejas ali apresentadas ocorreu antes da destruição de Jerusalém. Portanto, o que se deve concluir é que as sete cartas endereçadas às sete igrejas foram escritas antes de, no máximo, 65 d.C.

Apocalipse 3:14-22 descreve a Igreja de Laodiceia em meio à riqueza (v. 17). Essa não pode ser a visão de uma igreja que existia antes de 70 d.C. Em 61, um terremoto visitou a cidade de Laodiceia, que levou quase duas décadas para ser reconstruída. Tácito escreveu: “Laodiceia foi destruída por um terremoto neste ano [61 d.C] e reconstruída a partir de seus recursos, sem qualquer subvenção de Roma”.

Esse terremoto foi em toda a cidade, e não se limita apenas a parte dela como supõem alguns preteristas, que enrolados em seus argumentos precisaram limitar o terremoto em apenas uma parte da cidade, tentando salvar quase toda a região de Laodiceia apenas para dar significado à igreja, a qual eles dizem que era rica e abastada antes de 70 d.C. Ora, se o terremoto aconteceu apenas numa pequena parte da cidade, afirmam, obviamente daria tempo dela ser reconstruída antes da queda de Jerusalém e ainda alcançar o status de rica e abastada.

Paulo escreve uma carta para a Igreja de Colossos, a qual seria também de grande utilidade para a Igreja de Laodiceia:

Col 4:16 – E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também.

Ou seja, a condição das duas igrejas era a mesma: elas andavam em comunhão com o Senhor. Observem o que Paulo escreve a Igreja de Colossos/Laodiceia em 62 d.C:

Colossenses 2
1 Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;
2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,
5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Observe que Paulo diz que eles eram fieis, quando lista algumas imoralidades (verso 5 do capítulo 3) e diz a eles que eles tinham superado essas coisas “nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas…” (3:7).

Como poderia uma igreja, elogiada por Paulo na carta aos Colossenses em 62 d.C, que a descreve como um grupo ativo, não ser nem cumprimentada pelo Senhor em Apocalipse na mesma ocasião (3:14-22), que a chamou de “…  miserável, e pobre, e cego, e nu…” (v. 17)?

Se Paulo e João escreviam na mesma época – Colossenses e Apocalipse – como poderiam os preteristas explicar que um deles, em Colossenses, elogia a Igreja de Laodiceia como um grupo de cristãos em comunhão com o Senhor, mas o próprio Jesus, através de João, diz à mesma igreja: “… vomitar-te-ei da minha boca” (Ap 3:16)?

São as contradições do preterismo...


15) “… ainda nos dias de Antipas…”

Apresento aqui aos leitores uma das maiores gafes do preterismo, que na teimosia de querer manter a tese de que  Apocalipse foi escrito antes de 70 d.C, esqueceu-se de um mártir citado numa das cartas dirigida a uma das sete igrejas apresentadas em Apocalipse, na carta a Igreja de Pérgamo. Observem que contradição arrepiante e totalmente destruidora para o preterismo:

Apocalipse 2:13 – Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.

Ali acima fala de um mártir, e o nome dele é Antipas...

O problema é que o versículo fala da morte de Antipas!

O desastre é que Antipas morreu depois do ano 70 d.C. Se o versículo faz referência à morte de Antipas, certamente foi escrito após 70 d.C.

«O Santo e glorioso mártir Antipas foi contemporâneo dos apóstolos que o tinham posto à frente da Igreja de Pérgamo. Na época da perseguição de Domiciano (c. 83), mesmo já sendo de idade avançada, o santo bispo foi levado à prisão pelos pagãos por negar-se a oferecer sacrifícios aos ídolos. O Santo foi então arrastado diante do governador que havia antes tentado persuadi-lo a renegar sua fé em Cristo, dizendo que a adoração aos ídolos era mais antiga e, portanto, mais respeitável do que aquela nova religião pregada por pescadores e gente humilde.

Santo Antipas respondeu lembrando a história de Caim que, embora tenha sido antepassado da humanidade, era, no entanto, abominável e desprezível por ter assassinado seu irmão. Que, mesmo as crenças dos helênicos, também muito antigas, não eram menos desprezível para os que receberam a revelação da plenitude da Verdade nos últimos tempos. Ao ouvir estas palavras, o governador e os pagãos encheram-se de ódio e o jogaram numa fornalha ardente.

De lá, Santo Antipas elevou uma fervorosa oração ao Senhor, dando graças por sofrer por amor e testemunhar assim que o amor de Deus é mais forte que a morte. Assim, entregou sua alma nos braços do Senhor e seu corpo foi sepultado na igreja de Pérgamo. De seu túmulo, um suave odor de bálsamo exalou durante anos, produzindo excelentes efeitos terapêuticos para o consolo dos cristãos na cidade e muitos peregrinos que para lá acorriam de todos os lados, para venerar a memória do santo»

Clique aqui: Antipas, bispo de Pérgamo. Antipas foi perseguido e morto durante o reinado de Domiciano. Catholic Online, St Antipas.


16) Depois da queda de Jerusalém

A Bíblia diz que o anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres:

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“ (2Ts 2: 9)

“E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“ (Ap 13:14)

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 d.C? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar e para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado, para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída...

Se tomarmos por base a tese preterista, devemos concluir que o anticristo Nero foi destruído pelo Senhor em sua vinda, e ao mesmo tempo em que Jesus o destrói, Ele destrói também seu exército juntamente com ele – essa é a descrição bíblica da destruição do anticristo. Basta apenas ler Apocalipse 19, um capítulo após a destruição de Babilônia/Jerusalém. É isso mesmo, Jesus destrói “Nero e seu exército” depois da queda de Jerusalém (Apoc 19:1, atente para as palavras “depois destas coisas…”). Ops! Qual preterista esperava por essa? A coisa ficou feia agora, pois Nero já estava morto antes de Jerusalém ser atacada!

Se acompanhamos os passos cronológicos do preterismo temos que localizar a destruição do homem do pecado após a derrocada de Jerusalém em 70 d.C, a qual o preterista afirma ter acontecido no capítulo 18. Apocalipse 19 afirma que o anticristo e o Falso profeta foram lançados no lago de fogo “…DEPOIS destas coisas…” (Ap 19:1) que ocorrem no capítulo 18. Como poderia o preterismo responder qual foi a batalha de âmbito mundial que registra a derrota total do anticristo e seu numeroso batalhão, ocorrida logo após o exército romano ter invadido Jerusalém e  sair vitorioso?

Apocalipse 19 afirma que Jesus destrói o anticristo e todo o seu exército, um banho de sangue diferente de qualquer outro:

“E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…” – Apoc 19:19-21.

Isso vai ocorrer imediatamente após a segunda vinda de Jesus, o que não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 d.C, pois Jesus não voltou naquela ocasião, e muito menos acabou com o anticristo e seu exército: “E então o iníquo [o anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda…“ (2Ts 2:8-9).

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima. Quando isso aconteceu imediatamente após 70 d.C? Em 70 d.C Tito e seu exército foram os vitoriosos. Quem foi esse homem, que juntamente com um exército mundial foi derrotado naquela ocasião?

Onde os preteristas poderiam encaixar em 70 d.C os acontecimentos de Apocalipse descritos acima, se o exército romano e seu suposto anticristo foram os vencedores?

É isso que chamo de contradição das contradições!


17) Paz e Segurança

A Bíblia menciona em 1ª Tess. 5:2-3: “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão”.

Segundo o preterismo, a passagem deve ser entendida dessa forma:

“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão”.

Portanto, segundo eles, o exército romano veio como um ladrão na noite, exemplificando a volta de Cristo para julgar Jerusalém. O problema é que o versículo afirma sobre um tempo de paz e segurança aos dias que antecedem a destruição. Isso deve significar, para o preterista, que antes da destruição de Jerusalém havia harmonia, paz e segurança entre os judeus e o domínio romano. Onde podemos encontrar esse contexto de paz e segurança na Jerusalém dominada e oprimida pelo poder romano desde antes do nascimento do Senhor?

Mas isso não é tudo; observem aqui alguns versículos que os preteristas usam para encaixar no tempo que antecede à destruição de Jerusalém. Observem quanta paz e segurança houve,

Lucas 21:9-17:

“E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessário que isto aconteça primeiro, mas o fim não será logo. Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino;  E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.  Mas antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos à presença de reis e presidentes, por amor do meu nome…E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome”.

A história atesta sobre motins diversos, protestos, insatisfação e rumores de golpe de estado, guerra civil e semelhantes, o tempo todo – durante mais de duas gerações, envolvendo o povo judeu em protesto à ocupação romana, e agora aparece Jesus e piora mais a situação. Isso não é um quadro que possa ser visto como um tempo de paz e segurança aos anos que antecederam a total destruição da Cidade Santa.

Também temos a afirmação preterista que em Daniel 9:27 há o registro de um tratado de paz que é feito com Israel antes da tribulação que ocorreu em 70 d.C:

“Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta”

Quem fez esse tratado de paz foi o anticristo, afirma o preterismo. O problema é encontrar registros de tudo o que foi exposto acima, quer sejam eles bíblicos ou históricos... Não vai ser fácil não...


18) Do dia e da hora ninguém sabe

Aqui vai mais uma do capítulo 24 do livro de Mateus, o preferido dos preteristas. São apenas dois versículos:

36 Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

42 Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Observem se não seria trivial demais afirmar que por um lado vários sinais devem levar a ação (v. 16), que vários sinais devem indicar que o tempo da destruição de Jerusalém está muito próximo (vs. 14, 33) e, simultaneamente, que esse “dia e hora” ninguém sabe, nem mesmo o Filho de Deus ou os anjos. Por que, se o capítulo trata da destruição de Jerusalém que ocorreria dentro daquela geração? Ora, se as palavras de Jesus deveriam ser cumpridas naquela geração, então tudo ocorreria dentro de, no máximo, 40 anos, o que significa que todos os ouvintes saberiam com precisão o tempo do cumprimento de cada sentença dita pelo Senhor.

Esse é o ponto de todo o contraste: é a mesma coisa que dizer que os discípulos certamente sabiam a semana ou o mês do evento, mas não o dia específico da semana. Isto parece ser o resultado de uma leitura não-natural do texto. O que suaviza as diferenças no relato é a interpretação real de duas ocorrências, a previsão de dois eventos. Se esta visão futurista para a maior parte de Mateus 24 está correta, então o preterismo está incorreto. Por quê? Por causa de um ponto importantíssimo, que coloca o preterismo em evidente contradição: logo depois das previsões catastróficas, que segundos eles, todas, ocorreram antes de 70 d.C, Jesus separou ovelhas e bodes, e os enviou cada um ao seu destino eterno respectivo (25:31-32)


19) Carta aos Efésios

E as contradições do preterismo não param. Os argumentos contra a tese preterista que podemos encontrar nos relatos as sete igrejas da Ásia são imbatíveis. Observe você os detalhes sobre a Igreja de Éfeso. Esta Igreja não foi fundada por Paulo até a última parte do reinado de Claudius. Ele lhes escreve a partir de Roma – 62 d.C. Em vez de repreendê-los por qualquer falta de amor, ele elogia o seu amor e fé. Assim, se Paulo escreve a Igreja em Éfeso lá pelos idos de 62, somos obrigados a localizar a advertência de João aos efésios, acusando-os de ter abandonado o primeiro amor, praticamente na mesma ocasião do elogio de Paulo – essa seria a conclusão se tomamos por base a cronologia preterista quando afirma que o exílio de João ocorreu no inicio da década de 60 d.C.

Paulo testemunha aos efésios o seguinte: “...noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor...” (5:8). Não faz sentido a mesma igreja ter recebido num espaço tão curto de tempo uma palavra tão negativa do apóstolo João em  Ap 2:4: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”. Uma igreja que havia abandonado seu primeiro amor não poderia jamais ter sido elogiada por Paulo sobre o amor que ela nutria por todos os santos, como também por sua fé, motivos estes que fazem com que o apóstolo dê graças incessantes a Deus pelo exemplo desses cristãos.

“Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações“ (Efésios 1:15-16)

Os absurdos propostos pelo preterismo são gritantes quando examinamos a condição da Igreja de Éfeso descrita pelo apóstolo dos gentios, que insiste em demonstrar nas suas linhas que Deus “vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2:1-2).

Senhores preteristas, Paulo declara que a igreja de Éfeso tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3.18). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “largura, e a altura e a profundidade do amor de Deus… que excede todo o entendimento” (Ef 3:18-19). Portanto, João jamais poderia ter escrito, na mesma ocasião da escrita de Paulo, que a luz que havia ali estava para ser apagada.

O contraste é tão grande que até os mais desavisados e ignorantes percebem. Uma congregação que no tempo presente da escrita do apóstolo Paulo foi reconhecida como luz no Senhor, transbordante de amor para com os santos, sendo firme na fé e vivificada, não pode ser acusada de ter abandonado seu primeiro amor por outro apóstolo, praticamente na mesma época. Como poderiam ter abandonado este amor em tão pouco tempo, se houve mesmo algum tempo? Ora, a verdade é que esse afastamento do primeiro amor se deu num tempo anterior tão distante que Jesus pede a Igreja que se lembre de onde havia caído.

Apocalipse 2:5:

“… pratica as primeiras obras…”.

Essa advertência associada ao inicio do versículo, de que deveriam lembrar-se de onde caíram, como e quando caíram, deixa explícito que essa queda ocorreu num passado bem distante. Esse tempo distante se calculamos tendo por base as datas do preterismo, que coloca João em Patmos por volta de 62 d.C, obriga-nos a voltar, pelo menos, em 40 d.C para localizar a queda da igreja. Isso é impossível, pois nessa época não havia igreja em Éfeso.

Assim, surge o questionamento: o que seria mais coerente concluir se tentamos cobrir esse espaço de tempo enorme exigido pelo contexto explicito, revelado na exortação de Jesus que a queda da igreja se deu num tempo anterior muito distante? A advertência só faz sentido se localizamos a escrita para anos depois de 70 d.C. Em outras palavras, se os registros foram feitos quase no final do primeiro século, e se voltamos no tempo para acompanhar a igreja no rastro de sua queda, podemos achar uma congregação que perdeu seu primeiro amor no inicio da década de 80 d.C, pelo menos.

Quando Paulo escreveu para essa igreja não encontrou nada a criticar. Entretanto, se João escreveu a Éfeso na mesma época, então dentro de um curto espaço de tempo a igreja tinha deixado seu primeiro amor e estava em perigo de ter sua luz apagada. Isso é uma tremenda contradição; não é possível admitir que uma Igreja elogiada por ser “… Luz no Senhor…“ pode, ao mesmo tempo, ser ameaçada de ter seu candeeiro removido.

Em suas admoestações a Timóteo e na sua carta aos Efésios não há nenhum indício de o mesmo problema estar em destaque na palavra do Senhor a Éfeso em Apocalipse 2:1-7 – perder seu primeiro amor. As mensagens de Paulo avisam do engano chegando e a necessidade de manter-se firme contra as astutas ciladas do diabo e na doutrina entregue pelo apóstolo. Apocalipse 2:1-7 repreende os efésios pela frieza diante do Senhor como resultado da ortodoxia doutrinal sem amor. É difícil acreditar que as duas situações podem ter ocorrido na mesma ocasião, como deve ser o caso de acreditar que Apocalipse foi escrito antes de 70 d.C. É muito mais fácil crer que João escreveu Apocalipse quase uma geração mais tarde.


20) Na Judeia ou no mundo todo?

O preterista garante que Apocalipse é um manual sobre a guerra dos romanos contra os judeus em 70 d.C. Tudo que pode ser aplicado profeticamente tem que encaixar, ou em Roma ou em Jerusalém.

Apocalipse diz:

“E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles“ (Ap 9:16)

De onde emergiu um exercito tão numeroso na época da invasão de Jerusalém? Duzentos milhões de cavaleiros romanos(?) para lutar contra Jerusalém enquanto a população do mundo todo não alcançava a cifra de cento e oitenta milhões de habitantes só mesmo na cabeça de um preterista!

Há ainda mais um problema enorme para ser lançado no caminho da escola preterista: Por que coisas deveriam acontecer no mundo se a guerra foi somente entre judeus e romanos?

“E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações... Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo…” (Lc 21:25-26)

Não se sabe por que, mas antes da destruição de Jerusalém haveria “…na terra angústia das nações…”. O preterista se encolhe todo num canto porque não tem como responder: por que nações ficariam angustiadas se a guerra era entre Jerusalém e Roma apenas? Como eles poderiam responder por que homens desmaiaram de terror pelas coisas que sobrevieram ao mundo antes de 70 d.C se a guerra foi localizada na Judeia?

Será que todas as tribos da terra tiveram uma razão para se lamentar no período compreendido entre 66 e 70 d.C diante dos sinais nos céus?

Esse é o prejuízo para quem é preterista!

Alguém declarou: “Basta provar que o livro de Apocalipse foi escrito depois da destruição de Jerusalém que o preterismo desmorona”. A importância da data do livro de Apocalipse é especialmente crucial para a teoria dos preteristas. Eles jamais abandonaram a tese de que João foi exilado em Patmos no inicio da década de 60 d.C, e que ali, antes da destruição de Jerusalém, ele recebeu e registrou as visões do Apocalipse.

Como disse na primeira parte, a escola preterista, insistente e confusa, argumenta que o livro de Apocalipse é um manual da guerra entre Jerusalém e Roma, e que em sua maior parte – as profecias – apontam para fatos ocorridos antes e durante a destruição da cidade pelas tropas do general Tito em 70 d.C. Para ser mais exato, devemos entender o preterismo como um sistema de interpretação profética que compreende praticamente todas as profecias bíblicas cumpridas. A segunda vinda de Cristo e todos os eventos presentes, a ressurreição dos santos e etc, são todos entendidos como passados. Cristo veio, o reino veio, e a ressurreição ocorreu, tudo de uma maneira espiritual. A maioria das profecias, alegam, tiveram cumprimento simbólico.

Em geral, se as profecias detalhadas daqueles dias – ou dos últimos dias(?) – são simbólicas, para qual realidade elas apontam? A João foi mostrado sobre as “coisas que devem em breve acontecer“, mas  que coisas foram estas? Se é simbólico, então nada acontece. Como entender esse tipo de contradição? Se elas apontaram para nada que pudesse ser visto ou observado, então por que envolver tudo em profecias, e por que com tantos detalhes? Toda a revelação é despojada de seu significado e relevância, se nós nunca tomarmos uma profecia apontando para eventos reais e observáveis. No entanto, para o preterismo isso não importa.

Por essas e outras que o preterismo está abarrotado de contradições... e elas são muitas...


21) É Simbólico ou Literal?

O preterismo interpreta a maior parte das palavras de Jesus em Mateus 24 e referencias similares de forma profundamente literal e local. Porém, a partir de certo ponto as coisas começam a ser interpretadas simbolicamente e espiritualmente. A tribulação é literal, ocorreu em Jerusalém, já alguns elementos da natureza, como o movimento no sol, lua e estrelas que caem do céu são simbólicos, dizem eles. Também fazem da volta de Jesus descrita em Mateus 24:30-31 algo simbólico, mas com os  efeitos de vinda definitiva, ou seja, aquela descrita em várias partes do Novo Testamento é a vinda em 70 d.C. Para muitos deles Jesus já voltou!

Jesus não disse que o seu retorno seria espiritual. Além disso, o verso 31 de Mateus 24 diz que na sua vinda ele enviará os seus anjos e estes reunirão os seus escolhidos: “E ele enviará os seus anjos, com grande clamor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus“. Isso não ocorreu antes da destruição de Jerusalém. Nem podia, pois não faz sentido anjos saírem pelos quatro cantos da terra recolhendo os salvos enquanto Jerusalém era destruída pelo exército do general Tito.

Os preteristas possivelmente lamentam que esses versículos – descrevendo a vinda do Senhor – está antes da constituição deles estampada em Mateus 24:34, que diz: “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”. Sendo obrigados a dar satisfações de que “todas essas coisas” antes do verso 34 – a vinda do Senhor também – ocorreram (naquela geração), então eles transformaram essa vinda de Jesus em vinda simbólica. Ninguém viu (Atos 1:11).

Esse é um exemplo desastroso para os preteristas dentro de seu capítulo favorito, mas existem dezenas deles em outros contextos das Escrituras. Por exemplo, Hebreus 9:27 diz que “Ele (Jesus) veio uma vez e virá segunda vez aos que o aguardam para a Salvação”. O texto é universal – não fala de judeus rebeldes, vítimas da assolação que veio sobre Jerusalém, mas fala daqueles que “aguardam a salvação”. Esse contexto não encaixa de forma alguma na Jerusalém de 70 d.C. Se ele veio uma vez e virá a segunda vez como registrado em Hebreus, significa que ele não veio em 70 d.C nem se pudesse ser interpretado de forma simbólica. Além disso, não são três vindas, mas duas apenas.

Outro detalhe que devemos observar: por que alguns discípulos pregaram o Evangelho depois de 70 d.C se Jesus já havia voltado alguns anos antes? Se os apóstolos sabiam disso por que Tomé foi martirizado anunciando o Evangelho na Índia depois de 70 d.C? Por que Filipe foi para o leste da Turquia pregar o Evangelho depois de 70 d.C, e ali foi executado se Jesus já havia voltado?

Um caso a se pensar, preteristas…


22) Falsos Cristos e falsos profetas

“Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos” (Mateus 24:5)

Os preteristas assumem que esses falsos profetas foram os que proliferaram a igreja antes da destruição de Jerusalém. No entanto, naquela época (até 70 d.C) Cristo ainda estava por ser anunciado ao mundo. Como viriam falsos Cristos em seu nome se seu nome nem houvera sido ainda conhecido e anunciado? Era o inicio das boas novas!

Observem que deveria haver tempo de Cristo ser anunciado e após isso se levantarem muitos falsos mestres e, o impossível: enganariam a muitos!

É muita coisa para acontecer num tempo muito curto!


23) O diabo está preso

Alguns preteristas chegaram ao absurdo de afirmar que o diabo já foi preso quando Jesus triunfou na cruz, motivo pelo qual já experimentamos a época milenar, garantem eles. Dizem que o anjo que o prendeu foi o próprio Cristo –  Ap 20:1. Mas, se o diabo tivesse mesmo sido aprisionado quando Jesus foi crucificado, de que maneira teria conseguido “encher o coração de Ananias para que este mentisse ao Espírito Santo” (At 5:3)? Por que Paulo afirmou que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos” conforme atesta em 2ª Coríntios 4:4 se ele estava preso? E por que, ainda, disse que “não ignorava os ardis de Satanás” (2Co 2:11)?

O diabo está solto, preteristas, e anda ao derredor buscando alguém para devorar – 1Pe 5:8.


24) Em uma hora

A profecia em Apocalipse indica uma queda imediata do poder reinante (Ap 18:10). Se o poder que estava em declínio foi Jerusalém, então a descrição simplesmente não corresponde com a história da queda da cidade. A queda não ocorreu em uma hora, mas as guerras judaicas foram longas, arrastando-se ao longo de anos. O próprio Jesus fala de sinais, ele alerta e profetiza quase uma geração antes. Além disso, a sentença sobre a “vinda” de Cristo em Apocalipse, que é dito ser “como um ladrão” (Ap 16:15), não pode ser usada como uma analogia com relação à queda de Jerusalém porque a queda de Jerusalém não foi como um ladrão!

Foi cheia de avisos!!!

Vários sinais foram preditos!!!

A “vinda” em juízo, então, não pode ser acerca da queda de Jerusalém. João fala de Roma, que é a única alternativa razoável para se traduzir “em uma hora”, por “pega de surpresa”, “de repente”, deixando subtendido um julgamento inesperado. Basta lembrar o julgamento relâmpago que veio sobre Babilônia no governo de Belsazar.


25) Carta para uma igreja que não existe!

Quem pensaria escrever uma carta para um marciano? Um louco! Quem se atreveria a escrever uma carta para a mãe que já faleceu? Outro louco! E quem acredita que um apóstolo poderia ter escrito uma carta para uma igreja que não existia? Os preteristas!

Esmirna aparece em um livro da Bíblia: foi a cidade onde ficava uma das sete igrejas mencionadas em Apocalipse.

Apocalipse 2:8-10
8 E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu:
9 Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás.
10 Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.

Quem esteve por um tempo como bispo dessa Igreja já antes do fim do primeiro século foi Policarpo, discípulo do apóstolo João. Isso mesmo, falo do João que escreveu o Apocalipse. Policarpo esclarece que a sua igreja nem sequer existia nos dias do apóstolo Paulo. É interessante notar que Esmirna nunca é mencionada no livro de Atos ou em qualquer outra epístola do Novo Testamento.

Ele escreve aos Filipenses:

“Mas eu nem vi nem ouvi nada semelhante entre vocês, no meio daqueles com quem Paulo trabalhou, e que estão louvados no início de sua epístola. Com efeito, ele se gloria de vocês diante de todas as Igrejas que sozinhas conheciam o Senhor; mas nós [de Esmirna] não o conhecíamos” (Policarpo – Epístola aos Filipenses, XI)

Isso é muitíssimo comprometedor para o preterismo: “… nós, de Esmirna, não conhecíamos o apóstolo Paulo”.

Vejam bem o que Policarpo está afirmando: a Igreja de Esmirna não conheceu Paulo! Agora, o que torna pior a sentença é o que alguns estudiosos das Escrituras afirmam que os de Esmirna não conheciam o Senhor através de Paulo. Preste atenção nas palavras de Policarpo outra vez: “…Com efeito, ele [Paulo] se gloria de vocês diante de todas as igrejas que sozinhas conheciam o Senhor; mas nós [de Esmirna] não o conhecíamos”. Se esse for o caso, então a situação preterista piora de forma assustadora. No entanto, para ser complacente com o preterismo eu vou trabalhar apenas com a tese de que eles não conheciam Paulo.

“Nós não o conhecíamos”, é o que diz Policarpo aos filipenses sobre a pessoa de Paulo. Parece que ninguém em Esmirna conheceu Paulo. Nem os mais velhos, que supostamente poderiam ser os primeiros membros da igreja antes de Policarpo se houvesse existido uma. Portanto, dizer “nós não o conhecíamos“, ou mesmo “nós não tivemos oportunidade de conhecer Paulo”, significa dizer: “Nossa igreja não existia nos tempos de Paulo“.

Somente pelo fato de Policarpo dizer que a Igreja de Esmirna não conheceu o apóstolo dos gentios, já demonstra que ela – mesmo que existisse antes de Policarpo – não foi instituída no tempo de Paulo. Observe outro trecho da carta aos filipenses redigida por Policarpo. Aqui ele faz menção aos de Filipos, àqueles que ainda estavam vivos na época desta epístola:

“Pois nem eu, nem ninguém como eu, pode chegar a sabedoria do abençoado e glorificado Paulo. Ele, estando entre vocês, comunicou com exatidão e força a palavra da verdade na presença daqueles que estão vivos ainda” (Cap III)

Percebam que havia pessoas da igreja dos filipenses que ainda estavam vivas! Esse pequeno detalhe é por demais precioso, pois revela um tempo relativamente longo – faz referência às pessoas que viviam no momento da carta de Policarpo e que pertenciam ao passado de Paulo. Isso exige um longo período de tempo até Policarpo e um longo tempo de volta: de Policarpo até Paulo. Os crentes de Esmirna não conheceram Paulo – e muito menos Policarpo o conheceu.

Ele não podia, pois tinha pouco mais de um ano quando Jerusalém foi destruída – ele nem era nascido quando Paulo foi martirizado. E, considerando que ele foi martirizado em fins de 67 d.C, deve significar que não havia ali congregação nenhuma nessa época – se houvesse uma igreja em Esmirna na década de 60 d.C, quem deveria ter lhes dirigido uma carta era Paulo e não João, pois Esmirna ficava a apenas 30 milhas de Éfeso, cidade onde Paulo ministrou por quase três anos. E há um detalhe por demais curioso quando ele escreve aos efésios:

“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1:1). Por que Paulo não fez menção aos de Esmirna, igreja que ficava tão perto? Observe que ele cita os laodicenses quando escreve aos colossenses: “Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa” (Cl 4:15). Veja também o verso 16: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também”.

Além de não saudar a Igreja de Esmirna através dos efésios, não lhes escreveu nenhuma carta, nem antes e nem depois de sua prisão em Roma. O que salta diante dos olhos é que a Igreja de Policarpo não existia em 62 d.C. Isso pode ser a legítima expressão da verdade amigo leitor. Note que quando o apóstolo Paulo esteve preso em Roma, ele faz menção – na mesma carta – de algumas igrejas que foram fundadas na Ásia nos dando inclusive os nomes das cidades próximas a Esmirna: Colossos, Hierapolis e Laodiceia (Cl 4:13). Aqui também não há menção de Esmirna. Veja a passagem:

“Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e pelos que estão em Hierápolis” (Cl 4:13)       


A carta é aos colossenses e cita duas outras cidades próximas de Esmirna, Hierápolis e Laodiceia, sem falar Colossos, mas não cita Esmirna, que ficava apenas trinta milhas de Éfeso.

O que temos aqui é uma fortíssima evidência para nosso argumento, que somada às pistas deixadas por Policarpo podemos concluir com certeza que não havia sequer uma igreja na cidade de Esmirna quando os preteristas garantem que João os escreveu (62-63 d.C). Isso deve significar que o livro de Apocalipse foi escrito depois da destruição de Jerusalém.


26) João em  Éfeso, quando?

“De Éfeso para Patmos” é o legado deixado pela tradição sobre o exílio de João. E os preteristas aproveitaram a situação para desenvolver vários argumentos com base nessa pequena afirmação para proteger suas heresias. Porém, vamos ver se há alguma verdade nisso...

O preterismo garante que João escreveu o Apocalipse de Patmos entre 63 e 65 d.C. Se esta data está correta, João deve ter chegado à Ásia, pelo menos entre 60-62, se não antes, e ainda ter tido tempo suficiente para ganhar o respeito dos cristãos nas diferentes igrejas em toda a província e tornar-se uma força dominante ao ponto de precisar do exílio para acabar com sua influencia. Esta reconstrução da cronologia cria alguns obstáculos sérios para a datação preterista do livro de Apocalipse.

Em primeiro lugar, isso significaria que os ministérios de João e Paulo para as igrejas da Ásia foram sobrepostos. Isso sugere que João e Paulo ministraram juntos em algumas igrejas da Ásia antes de Paulo ser enviado preso para Roma. O problema é que João ficou escondido nas sombras. Ele ficou tanto nas sombras que nem foi mencionado como companheiro de Paulo e muito menos como ministrante nas igrejas enquanto Paulo estava em Roma.

Segundo, a cronologia preterista reúne João e Timóteo em Éfeso enquanto Paulo esteve preso em Roma escrevendo uma carta para esta igreja, que ele ainda ministrava. Ou seja, se João chegou a Éfeso tão cedo quanto 60-62 d.C – nos termos da cronologia preterista – ele teria estado lá quando Paulo escreveu efésios, mas Paulo não faz menção de João nessa epístola também.

Terceiro, segundo os preteristas, João precisa estar em Patmos até 63 d.C para escrever o livro de Apocalipse. Isso levanta algumas dificuldades para os intérpretes preteristas. Por que Paulo deixa Timóteo encarregado da Igreja em Éfeso e não fez qualquer referência à presença e expulsão recente – o exílio – de João e sua influência sobre a igreja?

Mas não para aqui os problemas. Temos outra pista que nos leva a questionar a presença de João em Éfeso até a chegada de Paulo. É público e notório que o apóstolo João foi morar em Éfeso levando com ele sua “mãe” Maria – pelo menos é o que prega o catolicismo. Porém, curioso é notar o que aconteceu em Éfeso com a chegada de Paulo em 52 d.C – pelo menos 18 anos após a visita que João e Pedro fizeram aos crentes de Samaria, ocasião em que o Espírito Santo foi derramado através deles (Atos 8). Veja a situação que Paulo encontra em Éfeso. O registro está em Atos 19:

1 E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos,

2 Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

3 Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João.

4 Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo.

5  E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus.

6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.

7 E estes eram, ao todo, uns doze homens.

Doze discípulos apenas foram os que Paulo encontrou em Éfeso em 53 d.C, 20 anos após o pentecostes. Estes, muito provavelmente, foram convertidos pelo ministério de Apolo que conhecia apenas o batismo de João. Veja Atos 18:24-25: “E chegou a Éfeso um certo judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloqüente e poderoso nas Escrituras. Este era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente o batismo de João”.

Porém, o mais interessante são as informações que Lucas nos deixa sobre Paulo e Apolo. Ele faz questão de registrar que “enquanto Apolo estava em Corinto… Paulo chegou a Éfeso” (At 19:1). Isso é curioso, e nos faz questionar por que não há informações semelhantes sobre João, para onde foi, onde estava, quando voltou e foi outra vez, principalmente com relação a Éfeso. Não se sabe por que não há menção de um importante ícone da Igreja, coluna com Tiago e Pedro – totalmente sem informação alguma sobre seu ministério na cidade de Éfeso.

Um motim é iniciado e nós acabamos descobrindo quem são os companheiros de Paulo em Éfeso: Gaio e Aristarco (At 19:29), e mais alguns são mencionados nesse episódio, “dos principais da Ásia, que eram seus amigos, lhe rogaram que não se apresentasse no teatro” (v. 31) para não apanhar também. Onde está João?

E mais interessante ainda é que Paulo encontra discípulos em Éfeso que nunca tinham ouvido falar do Espírito Santo! Como pode ser isso possível se João, em Samaria, pelo menos 18 anos antes, impôs as mãos sobre alguns novos convertidos ali e eles foram batizados no Espírito Santo? E agora me aparecem alguns crentes em Éfeso que nunca ouviram falar no Espírito Santo. Não havia conhecimento do Espírito Santo e nem haviam convertidos pelo ministério de João. Aliás, não havia ninguém que soubesse nem do Senhor Jesus quanto mais do Espírito Santo. A questão é saber onde estavam os que tinham já “ouvido falar” do Espírito Santo antes da chegada de Apolo e Paulo.

Mas não é apenas isso; quando Paulo estava para se despedir da Igreja em Éfeso ele manda chamar os anciãos para lhes dar uma palavra antes de partir (At 20:17-38). Onde estava João que não foi citado no contexto? Outro detalhe na carta aos efésios de Apocalipse é que João fala de falsos apóstolos – quem eram eles se Paulo não os menciona? Por quê? Não seria porque Paulo escreve aos efésios em 62 d.C e João quase no fim do primeiro século?

E não adianta dizer, digníssima apologética preterista, que tudo isso são conceitos e opiniões oriundos de lógica humana, não são. São desenhos – é necessário desenhar para que vocês entendam. Além de desenhar tem também que explicar o desenho. E garanto que ainda tem muita coisa para desenhar para essa geração facebook – uma geração que precisa de alguém para comprar o remédio, precisa de alguém para ler a bula e ainda dar o medicamento na boca.

Parece que João nunca esteve em Éfeso até a visita de Paulo. Ninguém havia pregado ali como Paulo. Um sinal disso foi a reação de Demétrius protestando pelo fato de que a religião dele poderia desaparecer. Paulo ficou dois anos e três meses pregando o evangelho em Éfeso (19:8,10). Aqui está a fonte de ansiedade para Demétrius. Ele vê seus lucros e os de seus colegas rapidamente desaparecendo por causa do sucesso na pregação do evangelho de Paulo. Em pouco tempo ninguém vai querer mais réplicas do glamoroso templo de Artemis. Onde estava João? Quando João pregou ali antes de Paulo se essa idolatria corria solta quando Paulo chegou?

Os católicos tiveram o mesmo problema com Pedro em Roma: Paulo chega lá em 61 ou 62 d.C e descobre que muitos judeus ali nada sabiam acerca “dessa seita”. É verdade senhoras e senhores, os judeus ministrados por Pedro(?) em Roma chamaram a Igreja de seita (At 28:22). Roma sem Pedro e Éfeso sem João! Se João foi a Éfeso isso pode ter ocorrido após a morte de Paulo, nada mais!

Parece que a datação proposta pelos preteristas para o livro de Apocalipse não dá conta de sua sobreposição necessária entre os ministérios de João e Paulo em Éfeso, mas a data de 95 d.C facilmente explica por que Paulo nunca menciona João em Éfeso ou em 1ª e 2ª Timóteo.

“De Éfeso direto para Patmos”, diz a tradição, somente a tradição.


27) A Igreja de Laodiceia

A Igreja de Laodiceia é a única das sete igrejas, com a possível exceção de Sardes, que não têm absolutamente nada para elogiar. No entanto, em sua carta aos Colossenses, escrita em 62 d.C, Paulo indicou que a igreja era um grupo ativo (Cl 4:13). Ele mencionou a igreja em Laodiceia três vezes em sua epístola de Colossos (2:2; 4:13,16) e o que fez foi elogiá-los como um grupo de cristãos em comunhão com o Senhor. Se a carta escrita à mesma igreja por João em Apocalipse pode ser localizada na mesma época (os preteristas afirmam que sim), então fica impossível conciliar a apostasia descrita ali com a ordem e comunhão registradas por Paulo. A condição da igreja era tão grave que o Senhor ameaçou vomitá-los para fora de sua boca (Ap 3:16).

Mais uma vez, seria necessário um longo período de tempo para que esta condição repugnante pudesse se desenvolver. Tão repugnante que o Senhor chama a igreja de “miserável, pobre, cego e nú”. A forte repulsa do Senhor, no estado da igreja de Laodiceia, certamente torna-se mais inteligível após um intervalo considerável de tempo para a apostasia.

Laodiceia também é descrita em Apocalipse como florescente economicamente. Jesus cita a igreja dessa forma: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. No entanto, a cidade sofreu uma devastação catastrófica no terremoto que a sacudiu em 61 d.C. Tácito, o historiador romano, descreve:

“No mesmo ano, Laodiceia, uma das famosas cidades asiáticas, foi colocada em ruínas por um terremoto, mas se recuperou com recursos próprios, sem a ajuda de nós mesmos” (Annais, 14:27). 

Quando Apocalipse foi escrito, os esforços de reconstrução em Laodiceia estavam completos, pois a igreja de Laodiceia é descrita como rica e abastada, de nada tendo falta. Essa não pode ser a descrição de uma igreja que vivia entre ruínas. Isso nos fornece informação para estabelecermos uma data posterior a 70 d.C para a escrita do Apocalipse.

O preterismo alega que as riquezas mencionadas em Apocalipse 3:17 são espirituais, não riquezas materiais. Porém, no seguinte contexto em 3:18, Jesus faz alusão a indústria de Laodiceia que contribuiu para a sua riqueza material: ouro (Laodiceia era um centro bancário), colírio (Laodiceia comercializou e lucrou muito por fabricar  uma pomada usada para tratar doenças oftálmicas) e roupa branca (Laodiceia era um centro de produção de vestuário). Essas alusões locais às fontes de riqueza material em Laodiceia indicam que a referência à riqueza da igreja era principalmente por sua riqueza material, que por sua vez criou um senso de auto-suficiência e complacência espiritual. A afluência material e a atitude auto-suficiente correspondente da cultura tinham se infiltrado na igreja.

A evidência arqueológica em Laodiceia aponta para uma reconstrução em quase vinte e cinco anos. A extensão dos danos causados em Laodiceia com o terremoto de 61 d.C e o período de tempo que levou para reconstruir a cidade são provas convincentes de que a datação da escrita do livro de Apocalipse só pode ser estabelecida para depois da destruição de Jerusalém.

A maioria das principais ruínas que sobrevivem hoje em Laodiceia são dos edifícios construídos durante o tempo do terremoto. O grande edifício público destruído no terremoto foi reconstruído em detrimento dos cidadãos e não foi terminado até cerca de 90 d.C. A data de conclusão do estádio pode ser precisamente datada para a última parte de 79 d.C, e a inscrição em vários outros edifícios são datados do mesmo período. A grande porta tripla (Syrian Gate) e as torres não foram concluídas até 88-90 d.C.

Desde que a reconstrução de Laodiceia após o terremoto ocupou pouco mais de duas décadas, é altamente problemático reclamar para Igreja o status de  rica, de nada tendo falta dois anos após o terremoto (63-64 d.C), como quer o preterismo. Durante esses anos, a cidade estava nas fases iniciais de um programa de reconstrução que iria durar entre 15-25 anos. Se o Apocalipse foi escrito em 95 d.C a descrição de Laodiceia em Apocalipse 3:14-22 caberia  muito bem. Por este tempo a cidade foi totalmente reconstruída com recursos próprios, aproveitando a prosperidade e prestígio e aquecendo-se no orgulho das suas grandes realizações – e a igreja foi junto.

Fonte: The End Times Controversy, 148-49 – Harvest House Publishers, 2003.


28) O testemunho de Irineu

À medida que as discussões sobre a datação do livro de Apocalipse vão se avolumando, é muito natural que alguns preciosos argumentos de defesa sejam esquecidos. Argumentos importantes, que insistentemente são considerados como refutados pelo preterismo e, muitas vezes, deixados de lado como fracos e obsoletos, ainda podem ser considerados valiosíssimos, pelo fato, dizendo honestamente, de jamais terem sido refutados. Um desses antigos, legítimos e irrefutáveis testemunhos sobre a datação do livro de Apocalipse, ainda fala bem alto.

O livro de Apocalipse foi o único livro do Novo Testamento que foi datado de forma relativamente precisa por um dos primeiros Pais da Igreja. Irineu de Lugdunun (Lyon), por volta de 180, afirmava que João teria tido suas visões “não muito tempo atrás, mas quase na nossa geração, pelo fim do reinado de Domiciano” (Irineu em Adversus Haereses – 5.30.3). A citação de Irineu nos remete para 95-96 d.C.

Não parece haver nenhuma confusão por parte de Irineu. Ele não expressa qualquer dúvida quanto ao tempo da visão apocalíptica, nem quanto ao nome do imperador, especialmente quando percebemos que nenhum Pai da Igreja nos tempos antigos questionou tais afirmações por centenas de anos. Além disso, Irineu veio de Esmirna e fez parte do ministério de Policarpo, que, por sua vez, foi ensinado pelo apóstolo João. Isso não é pouca coisa: Irineu foi discípulo de alguém que foi discípulo do autor de Apocalipse!

A afirmação de Irineu sobre o tempo da escrita do Apocalipse é por demais legítima. Irineu é uma testemunha valiosa, ele sabia o que ele estava falando. O evento que ele fez referência havia ocorrido apenas cerca de 80 anos antes. Oitenta anos atrás, no nosso tempo, seria o ano de 1936. Uma visão comparativa de tempo nos levaria de volta para vários eventos. Vou citar apenas três:

1 – As Olimpíadas de Berlim na Alemanha, uma das Olimpíadas mais      marcantes de todos os tempos.

2 – Em 17 de Julho de 1936 é iniciada a Guerra Civil em Espanha.

3 – E para não deixar de fora o Brasil, lembramos que o comediante Renato Aragão nasceu em 13 de janeiro de 1935, um ano antes de nossa data aqui. E ele ainda vive com os seus 81 anos.

O que estou tentando mostrar a você amigo leitor é o seguinte: Irineu registrou fatos ocorridos oitenta anos antes! Isso também deve significar que ele escreveu numa época em que muitas pessoas dos tempos de João possivelmente ainda podiam ser encontradas vivas. Irineu não cometeu nenhum engano quando localizou o tempo das visões de João.

Uma série de escritores antigos também confirmam a data posterior (96 d.C) para o livro de Apocalipse. Nem todos eles lançaram mão apenas de Irineu, uma vez que havia, obviamente, outras fontes antigas. Houve Hipólito de Roma (170-235 d.C), Jerônimo (340-420 d.C), seu amigo Orosius, e Eusébio (260-340 d.C), que teve inúmeras histórias e fontes à sua disposição, incluindo os escritos do antigo historiador da igreja Vitorino (c. 303 d.C), Sulpício Severo e muitos outros.

Todos eles atestaram a data posterior. Nós não temos nenhuma razão para acreditar que esses escritores antigos propositadamente nos deram uma data incorreta; eles apenas documentavam a história e, obviamente não tentavam refutar nada e nem ninguém. Só tiveram seus escritos postos em dúvida 1600 anos após, quando veio a existir o preterismo.


29) Reis de Roma

O livro de Apocalipse fala da Grande Cidade que dominava sobre os reis da terra nos tempos da Igreja primitiva. Segundo a escola preterista essa cidade era nada mais nada menos que Jerusalém, que eles denominam de Grande Babilônia, julgada e destruída por Deus em 70 d.C, o que eles entendem que está registrado em Apocalipse 18. Porém, como poderíamos associar Jerusalém a Babilônia? Qual seria a Grande Babilônia na época de Ninrode? Com certeza não era Jerusalém. E nos tempos de Nabucodonosor? Só podia mesmo ser Babilônia, evidente, e não Jerusalém, Nínive, Tiro ou qualquer outra cidade.

O rei Nabucodonosor responde e diz que era a própria Babilônia:

“Falou o rei, dizendo: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?” (Daniel 4:30)

Então, qual seria a Grande Babilônia nos tempos de Roma? Nos tempos de Roma só podia ter sido Roma e não Jerusalém. Roma foi denominada de Babilônia por causa de sua perseguição aos cristãos, sua pecaminosidade perversa e sua idolatria. Além disso, somente uma cidade nos tempos de João era conhecida como a “cidade das sete colinas”.

Veja a semelhança neste contexto de Apocalipse, que esclarece que a Grande Cidade ficava sobre sete montes, que são também sete reis:

“Aqui o sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada. E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo” (Apocalipse 17:9-10)

O último versículo do capítulo 17 termina dizendo: “A mulher que viste é a Grande Cidade que reina sobre os reis da terra”.

Observem agora a contradição extraordinária envolvendo os preteristas, que insistem na tese de que a cidade é Jerusalém: a lista dos reis apresentados pela teologia preterista mostra reis romanos – a Grande Cidade está assentada sobre esses sete reis – seu poder vem deles. Não pode ser Jerusalém – OS REIS SÃO DE ROMA! Esses imperadores reinaram antes da escrita do Apocalipse até um tempo posterior ao livro.

Eis a lista apresentada pelos próprios preteristas:

• Otávio Augusto
• Tibério
• Calígula
• Cláudio
• Nero
• Galba
• Otão
• Vitélio
• Vespasiano
• Tito
• Domiciano

Para que o argumento preterista pudesse ser ajustado ao Apocalipse três reis precisaram ser eliminados, pois a profecia central do texto fala em sete reis, apesar de ter um oitavo em outro contexto, mas que mesmo assim é dos sete. A cronologia desses reis não importa nesse momento, pois o que está sendo apresentado aqui é o argumento de defesa preterista que se protege atrás de reis romanos, mas ao mesmo tempo diz que a [mulher] cidade é Jerusalém.

Leia os versículos novamente, mas agora unidos em um só:

“Aqui está a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher   está assentada. E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo… A mulher que viste é a Grande Cidade que reina sobre os reis da terra”, Apoc 17:9,10-17.

Há algo aqui incrível! Veja: “…As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada. E são também sete reis… A mulher que viste é a Grande Cidade que reina sobre os reis da terra”.

Agora observe como fica a posição do verso acima na interpretação preterista: 

“…As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher (Jerusalém) está assentada. E são também sete reis (Romanos) (…) A mulher que viste é a Grande Cidade (de Jerusalém) que reina sobre os reis da terra”.

Segundo os preteristas os reis são romanos, mas a mulher é Jerusalém.  Ou seja, sai Roma, o império reinante por excelência, e entra Jerusalém como a Grande Cidade que REINAVA sobre os reis da terra quando Apocalipse foi escrito. Os preteristas precisam de muita inteligência e torcer demasiadamente pela insanidade dos leitores.

Observem o início do versículo nove: “Aqui está a mente que tem sabedoria”. João nos dá agora o «sentido espiritual», em símbolos enigmáticos. Preferiu não dizer abertamente: «Essa é Roma». Não queria ofender as autoridades romanas, que poderiam intensificar a perseguição; e, por essa razão, falou em código. João explica claramente qual o meio ambiente geográfico de Roma, a «cidade das sete colinas». Isso, naturalmente, é prova absoluta, se precisássemos de qualquer prova, de que a «Babilônia» do quinto versículo é, na realidade, um nome em código para «Roma». Neste capítulo, a «mulher» é identificada com Roma, e, portanto, é uma cidade. Mas logo em seguida isso se amplia para abarcar os «sete reis» ou imperadores romanos; pelo que, indiretamente, está em foco o império romano inteiro. A natureza do simbolismo agora permite que João identifique as cabeças da besta com a capital do império.

Os intérpretes que negam a identificação com «Roma», neste ponto, supõem que não há qualquer alusão «local», e que estão em foco, simbolicamente, os princípios de grandiosidade e de ambição mundanas. Esses intérpretes salientam que outras cidades existem edificadas sobre sete colinas, como Constantinopla, Bruxelas e Jerusalém. Mas tudo isso deve ser rejeitado por qualquer estudioso sério, não merecendo nossa atenção. O Apocalipse foi escrito a fim de consolar e fortalecer aos mártires em potencial, que até mesmo então sofriam sob o império romano em particular, por causa do imperador romano, Domiciano. Portanto, somente Roma pode estar em foco. Temos aqui uma alusão geográfica literal. Portanto, não há aqui referência às «ordens políticas do mundo», como se seu assentar-se sobre «sete montes» indicasse apenas um domínio «total». Nada tão nebuloso poderia estar em foco, em um livro que atacava, especificamente, a cidade e o império de Roma (cf. Russel Normam Champlim, Comentário de Apocalipse, p. 600).

A alusão aqui na escrita é Roma, tão somente Roma. Não estou avançando para o tempo do fim, mas dando atenção ao momento registrado por João. Os apologistas católicos preteristas e afiliados parecem não ter percebido que estão apresentando os reis da Grande Cidade.

Outra vez: se a escola preterista deseja interpretar esses reis de Apocalipse como sendo reis romanos, então devem arcar com as consequências, pois eles são reis que comandam a Grande Cidade: SÃO REIS DE ROMA, a cidade que reinava sobre os reis de toda a terra quando João escreveu o livro de Apocalipse. Roma, a cidade das sete colinas. As moedas dos tempos de Vespasiano pintavam Roma como uma mulher assentada sobre sete colinas:


Esta moeda faz parte da coleção do museu britânico, cunhada em 71 d.C, durante o reinado de Vespasiano (69-79 d.C), que declarava-se como pontífice máximo (título que depois foi adotado pelo papa). Ela descreve a cidade de Roma como uma deusa sentada em sete montes.


30) A Cidade REINA

A cidade REINA sobre os reis da terra na ocasião da escrita do Apocalipse. Não sei como os preteristas poderiam sair ilesos diante de Apocalipse 17:18. O anjo diz a João: “E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”. Jerusalém não foi por qualquer meio um poder reinante na ocasião em que foi escrito o livro de Apocalipse. Jerusalém era uma subsidiária de Roma, e Roma a controlava.

Foi pela graça do estado romano que Jerusalém ainda durou tanto tempo, permitindo que os Herodes funcionassem como reis sobre a terra dos judeus. Roma foi a cidade reinante, basta ver a extensão do poder romano dentro da Judeia lendo Lucas 2:1, que diz: “E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse”.

Observe algumas outras traduções e veja como o problema preterista torna-se extremamente delicado.

João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada:

“Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se”

Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

“Naquele tempo o imperador Augusto mandou uma ordem para todos os povos do Império. Todas as pessoas deviam se registrar a fim de ser feita uma contagem da população”

João Ferreira de Almeida Atualizada:

“Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado”

Nova Versão Internacional:

“Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano”

O censo foi feito em terra judaica, mas que era território romano. A NVI deixa claro o sentido real da situação: Roma reinava e não Jerusalém. Deveria bastar para os preteristas a declaração dos líderes da nação judaica na ocasião do julgamento de Jesus quando Ele estava em pé diante deles sob custódia de Pilatos – Jerusalém gritou: “Não temos outro rei senão César!”. Se o rei é César, a cidade que reina tem que ser Roma.

Não há como escapar: se o livro foi escrito imediatamente antes da destruição de Jerusalém, evidente que a cidade não reinava sobre os reis da terra, pois como vimos, ela estava subjugada e aprisionada por Roma. E se o livro foi escrito depois da destruição de Jerusalém, então a situação piora bastante, pois não tinha jeito dela reinar sobre os reis da terra de forma alguma.

Repetindo para não deixar dúvidas: Não faz sentido dizer que Jerusalém tinha “domínio sobre os reis da terra”, quando a cidade estava sob ocupação romana durante os últimos cem anos e estava prestes a ser destruída por Roma.

João, por algum motivo, não identificou abertamente Roma porque isso teria convidado mais perseguições dos romanos. Ele codificou a cidade com a palavra Babilônia, que a Igreja primitiva compreendeu ser Roma, a grande cidade do seu tempo. Assim, toda vez que o nome Babilônia é mencionado no Apocalipse, é seguido por “a grande”. Veja outra vez onde João identificou a “grande cidade” – que nos seus dias era Roma:

“E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” (Apocalipse 17:18)

De acordo com Apocalipse 17, a grande Babilônia é vista reinando sobre reis e assentada sobre muitas águas, que significa povos, línguas e nações, deixando explícito que seu governo era sobre o mundo quase todo. Todos estes argumentos representam boas razões para concluir que João fez referência a Roma, pois não sabemos de nenhuma outra cidade que exerceu tanto poder sobre os povos antes de Cristo, na época de Cristo e por volta do primeiro século até sua queda séculos depois.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 d.C, pudesse ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu imperador, o rei da terra habitada.

Portanto, a cidade que reinava sobre os reis da terra, chamada de Sodoma e Egito, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma. Jerusalém tornou-se território romano – as mais altas autoridades religiosas de Jerusalém, e todos os judeus em Jerusalém, como citei anteriormente, chegaram a admitir que César fosse o seu rei (João 19:15). Roma governava com mão de ferro sobre os judeus, por isso Jerusalém desaparece da profecia, dando lugar a Roma que fez da cidade santa uma de suas províncias:

“Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus… Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano… A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores… Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituírem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais” (Judeia, província romana).

Mais detalhes no meu artigo: “Onde nosso Senhor foi crucificado”


31) A Geração da volta de Jesus

Qualquer interpretação de que “esta geração” é a geração dos discípulos implica dizer que os próprios discípulos poderiam prever o tempo para qualquer momento num futuro próximo, podendo usar os eventos de Mateus 24:4-28 para calcular e esperar o retorno de Jesus dentro de uma geração – quarenta anos – que permitiria um período para se preparar o que parece ser contrário a todo o propósito e ênfase do discurso do Senhor.

Em outras palavras, os discípulos são informados de que os desastres e perseguições de 24:4-14 não são sinais do fim (24:6). Além disso, como poderia o preterista explicar a contradição embutida nesse contexto se a grande tribulação é seguida imediatamente pela volta de Jesus (24:29)?

Como poderia o Senhor, por um lado afirmar que sua própria geração contemporânea veria o cumprimento de toda a sua profecia e, por outro lado, apenas dois versos depois afirmar que nenhum homem, nem ele mesmo, poderiam saber o tempo de Sua volta que deveria ocorrer imediatamente LOGO APÓS as tribulações citadas em todo o contexto, desde o verso quatro, que para o preterista aconteceu no ano 70 d.C?

Ou seja: por que ele não disse que sua vinda ocorreria em 40 anos? Preteristas, por gentileza, vejam o que realmente está acontecendo aqui: se o Senhor disse sobre a vinda dele que “do dia e hora ninguém sabe”, como poderiam vocês afirmarem que essa vinda predita foi a vinda do Senhor em julgamento sobre a Jerusalém de 70 d.C?

Vejam novamente o que Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”.

Portanto, se Jesus dissesse que sua vinda se daria imediatamente após a derrubada de Jerusalém, estaria dizendo com isto que tal evento também ocorreria naquela geração, contradizendo o que ele próprio disse sobre não saber o dia nem a hora em que se daria o dia de Sua volta. Insisto no questionamento, senhores preteristas: como ele poderia dizer que o dia e a hora ninguém sabe e dizer ao mesmo tempo que viria logo depois da tribulação daqueles dias, que para vossa escola de ensino é a tribulação de 70 d.C?

“E, logo depois da tribulação daqueles dias… aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra [de Jerusalém] se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:29-30)

Vou me sentar para aguardar a resposta...


32) Jesus veio e João ficou?

O preterista interpreta Mateus 24:30 dessa maneira: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra [de Jerusalém] se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”.

O verso seguinte diz:

“E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”

João foi inegavelmente o último apóstolo a morrer, mas ele, acompanhado de muitas outras pessoas deveria ter sido “arrebatado juntamente com eles nas nuvens para encontrar o Senhor nos ares” (1ª Tessalonicenses 4:17). Porém, se todas essas coisas tiveram cumprimento em 70 d.C, significa que Jesus veio e João ficou. Pobre João…


33) Nero, o anticristo dos preteristas

Segundo a teologia preterista a grande tribulação já ocorreu em 70 d.C. Se assim foi, então a besta, que é o anticristo, e o falso profeta passaram por este mundo e já foram lançados no lago de fogo e enxofre. Isso mesmo, e não estou brincando não, está escrito bem aqui:

Apocalipse 19:20 – E a besta foi presa, e com ela o falso profeta… Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.

Os dois foram lançados vivos no lago de fogo logo após a queda de Jerusalém, que segundo os preteristas ocorreu um capítulo antes. Os preteristas acreditam que o livro do Apocalipse é um relato profético sobre as coisas que já foram cumpridas, e buscam por toda parte, em registros históricos do primeiro século (principalmente em Josefo), e em tudo que podem na tentativa de encontrar detalhes que possam provar o cumprimento das profecias contidas neste livro.

Já disseram por aí que o anticristo, também conhecido como “a besta”, era na verdade o imperador romano Nero. No entanto, o imperador romano Nero não foi o anticristo como muitos preteristas alegam. Não vou expor as fontes por falta de tempo e espaço, mas se alguém quiser mesmo comprovar não será difícil reunir aqui uma centena delas.

Vamos ver se o anticristo foi mesmo o imperador Nero; poderiam estas passagens sobre o anticristo, a besta, o iníquo (2 Tess. 2:9), ser uma referência, não para um governante dos últimos dias proféticos, mas uma referência ao imperador romano Nero?

2ª Tessalonicenses 2:8 diz:

“E então o iníquo [que é um dos títulos atribuídos ao anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda” (NVI)

Jesus vai matar Nero na sua vinda! Jesus já veio? Como a Bíblia diz, o iníquo, o anticristo, será destruído por Cristo. Quando isso vai acontecer? Observe o versículo novamente:

“E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda”

A Bíblia ensina que esse iníquo, o anticristo, será levado a termo pelo próprio Senhor em sua “vinda”. Bem, este versículo apresenta alguns problemas sérios para os preteristas.

Como assim?

Isso não ocorreu com Nero!

Para quem está familiarizado com a história do primeiro século, sabe que Nero se suicidou aos 31 anos de idade, cortando sua própria garganta (Fonte: Uma adaga em sua garganta, Suetônio – c. 69 – c. 140, A Vida dos Doze Césares).

Longe de ser consumido pelo sopro de Cristo na sua vinda, Nero tirou a própria vida.

Isso não é tudo.....

Nero cometeu suicídio dois anos antes da destruição de Jerusalém!

Os preteristas (os parciais incluídos) acreditam que a profecia de Jesus sobre sua vinda em Mateus 24 foi cumprida em 70 d.C, espiritualmente. Mas Nero comete suicídio em junho de 68 d.C, dois anos antes do ano 70 d.C, ano em que Jesus veio(?). A verdade é que o suicídio de Nero, dois anos antes da destruição de Jerusalém, está longe de ser um cumprimento do que 2ª Tessalonicenses 2:8 diz que vai acontecer com o anticristo.

Existem alguns outros problemas insuperáveis quando se trata do ensino aberrante de que Nero era o anticristo.

Daniel 9:27 diz que o príncipe que há de vir, uma referência do Antigo Testamento para o futuro líder mundial, faria um pacto de sete anos relativos a Israel. Nero nunca fez nenhuma aliança desse tipo; segundo muitos interpretes das Escrituras, II Tessalonicenses 2:4 diz que esse futuro líder mundial vai ter “seu assento no templo de Deus, apresentando-se como sendo Deus”. Isso nunca aconteceu. Nero jamais esteve em Jerusalém!

2ª Tessalonicenses 2:3-4:

“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”

Paulo está afirmando aqui que esse homem do pecado tem que se levantar antes da vinda do Senhor, o que fica impossível concluir como sendo um personagem que viveu vinte séculos atrás e que não foi destruído pelo próprio Cristo, pois a profecia diz que esse indivíduo será “destruído com o resplendor da Sua vinda” (2Ts 2:8). Ainda não ocorreu – Jesus não veio!


34) “Bendito o que vem em nome do Senhor“

“Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mateus 23:39)

Se os preteristas concordam que essa vinda de Jesus ocorreu na destruição de Jerusalém, então se preparem para provar com evidências concretas a profecia citada acima. Que revirem a história, a Bíblia, documentos extra-bíblicos; que busquem onde achar melhor. Certamente os judeus não clamaram dessa forma enquanto Tito e seu exército estavam destruindo seu templo e a cidade, e levando suas mulheres e filhos para a escravidão!

Como Jesus, o apóstolo Paulo também previu um dia em que toda a nação de Israel se arrependerá:

Romanos 11:26 – “E assim será salvo todo o Israel, como está escrito: De Sião, o Libertador virá, e desviará de Israel a impiedade“

Assim fez o profeta Zacarias:

Zacarias 12:10 – “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”

Jesus, Paulo e Zacarias, portanto, não devem ter tido 70 d.C em mente, mas sim um dia em que Jesus será finalmente reconhecido como o Messias pelos judeus. E esse dia será o dia da sua vinda: “Bendito aquele que VEM em nome do Senhor”, o que ainda não ocorreu.


35) “Sereis odiados de todas as nações”

O preterista declara que há uma indicação no contexto do discurso do monte das Oliveiras demonstrando claramente que Jesus estava se referindo à geração dos apóstolos quando declarou: “Em verdade vos digo que essa geração não passará sem que todas essas coisas aconteçam” (Mt 24:34). O preterista também considera que em Marcos 13:13, nas palavras “e sereis odiados de todos os homens por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”,  uma referência aos apóstolos. Ou seja, esta geração, portanto, deve incluir os apóstolos e os contemporâneos dos apóstolos, mais ninguém.

Porém, não devemos também esquecer que o discurso de Mateus 24 foi provavelmente falado em particular para apenas quatro discípulos. Veja Marcos 13:3: “E, estando ele assentado sobre o monte das Oliveiras, diante do templo, Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe em particular…”. Para quem foi o discurso, apenas para eles? Observe o que Jesus falou para os quatro: “Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome” (Mateus 24: 9).

Se o preterista estiver certo, esses quatro homens suportariam o grande infortúnio de serem odiados por todas as nações!

Mesmo se Jesus respondeu a esta pergunta privada para que todos os doze de seus discípulos pudessem ouvi-la, a ideia ainda é extremamente difícil de imaginar. Em 70 d.C, o evangelho ainda não havia se espalhado por todas as nações, incluindo as nações indianas das Américas e as nações orientais; como então todas as nações poderiam ter odiado os discípulos? Esta conclusão dificilmente crível, que decorre da afirmação do preterista, deixa claro que pela palavra “vos” Jesus tinha todos os Seus seguidores ao longo da história em mente, não apenas os doze discípulos ou a geração do seu tempo.


36) Roma ou Jerusalém?

O preterismo acusa Jerusalém de ser a Grande Meretriz que aparece em Apocalipse 17. Consequentemente, Jerusalém passa a ser o alvo do julgamento de Deus. Porém, será mesmo isso verdade? Faça sua própria análise, caro leitor...

Característica
Roma
Jerusalém
Sentada sobre muitas águas (17:1)
Seu poder vinha dos povos dominados
Não tinha poder e nem estava assentada
Com quem se prostituíram os reis da terra (17:2)
Dominava os reis de muitos países; descrição da Babilônia antiga (Jeremias 51:7)
Relativamente insignificante; alguma vez foi descrita como a fonte do pecado das nações?

Vinho de sua devassidão (17:2)
Conhecida por sua imoralidade e excessos
Cidade rebelde, mas não conhecida por impureza exagerada (1Pe 4:3-4 – referência aos gentios)
Montada na besta do poder romano (17:3; cf. 13:1-8)
Roma e sua economia dependiam do poder romano
Foi dominada pelos romanos
Vestida de púrpura, escarlate, ouro, pedras preciosas, etc (17:4; 18:16)
Luxo, nobreza, sedução; os soldados da Babilônia antiga se vestiam de escarlata (Naum 2:3)


Jerusalém antiga foi descrita assim (Jeremias 4:30)



Cálice de abominações e imundices (17:5)
A Babilônia foi o cálice que causou as nações enlouquecerem (Jeremias 51:7)
Jerusalém não é Babilônia. A acusação original foi feita apontando para Babilônia
Embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas (17:6; 18:20,24)
Perseguia os cristãos, especialmente nos reinados de Nero, Domiciano, etc.
Perseguia os santos e profetas (Lucas 11:48-51)

Sete montes (17:9)
Cidade de sete montes
Cidade de sete montes
Sete reis – 5 -1 – 1 – 1
Se começar com Augusto, aplica-se a Domiciano e se começar com Júlio, aplica-se a Tito
???????
A mulher é a grande cidade que domina sobre os reis da terra (17:18)
Roma dominava os reis da terra na época de João
Jerusalém dominava quem?


Destruição interna (17:16-17)
História do declínio de Roma (cf. Daniel 2:42-43)
Destruída pelos romanos

37) “Admira-me que tão depressa…”

Um recurso preterista para tentar explicar uma rápida apostasia para CINCO daquelas igrejas descritas em Apocalipse é usar Gálatas 1:6, que diz: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho”. A deficiência da Igreja da Galácia não pode ser comparada à apostasia apresentada pelas igrejas do Apocalipse. Os gálatas estavam voltando aos rudimentos da lei (Gl 4:6). 

A linguagem de Paulo aos gálatas é bem mais branda e familiar; ele lembra Abraão e sua fé, fala de Sara, faz menção da Jerusalém celestial como mãe, passa por Jesus atestando que ele foi “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4); diz aos Gálatas que “Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (v.5) lembrando-lhes que eles “eram  filhos e herdeiros de Deus por Cristo” (v.7). Ele diz ainda que eles conheciam a Deus (v.8), e chama a deficiência da igreja de rudimentos fracos e pobres. Eles “guardavam dias, e meses, e tempos, e anos” (v.10). O tom de Paulo é completamente diferente do tom de Jesus através da pena de João. Por outro lado, Paulo esta perplexo com a “queda” deles, que aconteceu num tempo muito curto:

“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6)

Atente para a expressão ME ADMIRA que tão depressa – isso indica uma anormalidade.

Uma igreja apenas se desvia para outro evangelho e o apóstolo está admirado com a rapidez dessa “apostasia”. E cinco igrejas? Todas as sete igrejas, exceto Esmirna e Filadélfia, haviam se degenerado consideravelmente e isso não ocorreu “tão depressa”. A natureza cumulativa do erro aponta fortemente na direção de um intervalo de tempo consideravelmente longo. Essa é mais uma evidência de que o livro de Apocalipse foi escrito depois da destruição de Jerusalém!


38) A Igreja de Tiatira

É importante lembrar o contato de Paulo com pessoas dessa cidade anunciando-lhes o evangelho e batizando toda família, como vemos em Atos 16:14-15. Isso ocorreu perto do ano 58 – estava se formando ali uma igreja, provavelmente um pequeno grupo que reunia-se numa casa de família. No entanto, se atentamos para a cronologia preterista, devemos acreditar que alguns poucos anos depois (62-63) João escreve uma carta para essa igreja que, inexplicavelmente, já mostrava sinais de corrupção:

“Tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras” (Apocalipse 2:20-23)

Jezabel não havia apenas subido a um lugar de influência em Tiatira, mas também já havia sido dado a ela tempo de se arrepender. Ou seja, Jezabel entrou na igreja, foi aceita, enganou muitos, foi descoberta, lhe deram tempo para que se arrependesse, mas ela não se arrependeu. Temos que pegar tudo isso e encolher colocando dentro de, no máximo, quatro anos. Não seria possível um desvio dessa magnitude numa igreja recém fundada.

Como foi visto em outro tópico, entendemos que, se seguimos a datação preterista para o aprisionamento do apóstolo João, devemos concluir que as cartas redigidas por ele às sete igrejas foram escritas entre 62 e 64, o que deixa um espaço curtíssimo demais para a sequência negativa que encaixa a condição de uma igreja que foi fundada quase no ano 60 de nossa era. Em outras palavras, temos apenas pouquíssimos anos de vida da igreja para que nela se manifestassem pontos negativos pervertidos ao extremo.

A falsa profetiza Jezabel conseguiu infiltrar-se na congregação, ser aceita, tolerada e levar todos ao engano:

“Tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria…”

Obviamente isso não aconteceu da noite para o dia. Se a igreja foi fundada perto de 60 d.C, e João escreveu-lhes e enviou esta pequena carta até 63 d.C, devemos concluir que Jezabel trabalhou rapidíssimo. Mas isso não é tudo, pois dentro desse tempo estreito ao extremo, devemos também encaixar o tempo que foi dado a ela para que se arrependesse:

“… E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição…”

Mais impossível seria explicar que dentro desse curto espaço ainda ocorreu o tempo de espera para que ela respondesse a advertência, o que fez de forma negativa, não se arrependendo:

“… e não se arrependeu…”

Isso nos leva a concluir que toda essa ação maléfica dentro da igreja levou um tempo consideravelmente longo para ocorrer, do seu início até o alerta que o Senhor Jesus envia através da carta de João. Portanto, temos aqui mais uma referência nas cartas as sete igrejas como prova contra a tese de que Apocalipse tenha sido escrito antes de 70 d.C. Se Apocalipse não foi escrito antes da destruição de Jerusalém, todo o argumento católico preterista vira farelo.


39) Os que vieram da grande tribulação

Se for reunir aqui as afirmações dos preteristas sobre quando ocorreu a grande tribulação eu poderia me ocupar durante horas. Eles simplesmente ensinam que a grande tribulação teve lugar na destruição de Jerusalém em 70 d.C. Veja o que afirma um destes apologistas:


Há mártires em Apocalipse 7:14. Se Apocalipse é um livro que trata da guerra entre judeus e romanos, como afirma o preterismo, então esses mártires foram  assassinados pelo exército romano na invasão da cidade. Mas não podemos parar aqui, pois mais cristãos são vistos sendo perseguidos em Apocalipse 12:17 e 13:7, os quais “o dragão e a besta fazem guerra” (12-17), que são “aqueles que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo”, os quais – os preteristas são obrigados a admitir – são vitimas do exército romano em 70 d.C.

Ao lermos o contexto imediato de Apocalipse 7:13-14, vemos que os tais santos são os “mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (6:9-11). E com um detalhe assombroso. Veja de onde muitos deles vêm: “Estes são os que vieram da grande tribulação” (Ap 7:14). Eles não podem ser vitimas do exército romano, pois a história registra que os cristãos fugiram de Jerusalém muitos anos antes de sua destruição, e que o castigo impetrado foi contra os judeus rebeldes. A igreja primitiva de Jerusalém fez seu êxodo para a cidade de Pella como registrado por Eusébio em sua História Eclesiástica 3.5.3:

“E não apenas eles. Também o povo da igreja de Jerusalém, por seguir um oráculo enviado por revelação aos notáveis do lugar, receberam a ordem de mudar de cidade antes da guerra e habitar certa cidade da Peréia chamada Pella. Tendo os que creram em Cristo emigraram até lá desde  Jerusalém, a partir deste momento, como se todos os homens santos tivessem abandonado por  completo a própria metrópole real dos judeus e toda a região da Judeia, a justiça divina alcançou os judeus pelas iniqüidades que cometeram contra Cristo e seus apóstolos, e apagou dentre os homens toda aquela geração de ímpios“

Não podemos ignorar também que a Bíblia registra um êxodo anterior – parcial – para fora de Jerusalém pela igreja por causa da perseguição impetrada contra os cristãos: “E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judeia e de Samaria, exceto os apóstolos” (At 8:1). Logo, estes mártires descritos como vindos da grande tribulação não podem ser oriundos da Igreja primitiva. A grande tribulação não diz respeito à destruição de Jerusalém.


40) O grande dia da ira do Cordeiro

Falo sério, não pense que estou blefando: os preteristas garantem que o grande dia da ira do cordeiro já ocorreu na grande tribulação que se abateu sobre Jerusalém em 70 d.C. Por esse motivo eu gostaria de terminar essa seção com algo que já foi apresentado anteriormente. É de muita relevância, pois demonstra como o preterismo é extremamente contraditório. Falo de Apocalipse 6:15-17. E, para ser honesto contigo amigo leitor, nem posso imaginar como os preteristas interpretam a passagem aplicando-a em qualquer evento que tenha ocorrido antes da destruição de Jerusalém. Observe que o contexto necessita ter uma interpretação literal:

“E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir”

Onde, no primeiro século durante o cerco de Jerusalém se vê “reis da terra”, “grandes homens, homens ricos, chefes militares e todo escravo e todo livre”, se escondendo nas cavernas e nas rochas das montanhas, gritando: “Esconde-nos da ira do Cordeiro” (Ap 6:16)?

A ira do exército romano não é a ira do Cordeiro, nem foi visto em uma escala descrita nas profecias do tempo do fim. O “dia do Senhor” é inaugurado com sinais catastróficos em todo o mundo. Isso não aconteceu no primeiro século.

As contradições do preterismo ainda não terminaram. Elas são muitas...

Por: Alon Franco.


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59 comentários:

  1. Lucas, o que dizer desse vídeo. Pelo menos dessa vez o sujeito foi civilizado:


    https://youtu.be/Zty11jmh-no

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    Respostas
    1. Só de olhar pra cara desse sujeito me dá nojo, não dá pra continuar assistindo tanta escrotidão. TODOS os argumentos católicos sobre o cânon que já vi na minha vida já foram completamente demolidos nestes vários artigos que já publiquei sobre o tema:

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/03/respostas-rapidas-mitos-catolicos.html

      http://apologiacrista.com/dialogo-entre-evangelico-e-catolico-sobre-o-canon

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/06/os-judeus-e-o-canon-veterotestamentario.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/o-canon-biblico-dos-judeus.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/06/heresias-lendas-mitos-e-absurdos-nos.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/02/o-demonio-do-amor.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/os-livros-apocrifos-admitem-que-sao.html

      http://apologiacrista.com/refutando-o-catolicismo

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/lutero-retirou-sete-livros-da-biblia.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/a-lenda-do-canon-alexandrino.html

      Se você acha que existe um argumento específico, que você considera pertinente, e que não discuti nos artigos acima, sinta-se livre para resumir isso.

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    2. Anônimo, coloque o título do video junto com o link!

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    3. Civilizado nada...nos primeiros minutos do vídeo ele da língua em sinal de deboche...esse gordo é muito patético, tenta desmerecer qq um que não seja católico como se ele fosse o santao. Conde LoPeppa de Vilanueva!

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    4. Até hoje me pergunto se é masoquismo ou ignorância assistir - ou melhor, perder tempo - com esses vídeos. :(

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    5. Avalie: https://youtu.be/MRKL3tgWp-g

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    6. Avalie: https://youtu.be/dhNudpl0HWA

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    7. Eu acho que você poderia respondê-lo. Ele não é uma pessoa burra. Ele tem uma certa leitura; porém, o problema dele está na forma como
      se comporta. É isso que eu acho.

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    8. Respeito sua opinião, mas discordo completamente. Ele é burro sim. Burro e desonesto. Consegue ser mais burro do que esses blogueiros católicos toscos por aí (Fernando Nascimento, Rafael, Macabeus e etc). Já admitiu que não lê nem os livros que usa de enfeite de cenário atrás dele e que os tem "somente para consulta". O fato de ter um número relativamente expressivo de seguidores que dão moral a ele e o consideram "intelectual" só é um reflexo do quão atrasado, ignorante e estúpido este país ainda é. Em qualquer país minimamente sério um cidadão desses não teria nenhum holofote, mas aqui somos mestres em dar ibope pra gente sem cultura, formação ou educação, e pra basicamente qualquer charlatão que falsifica um conhecimento que não tem. Tudo o que diz são repetições tacanhas de sofismas católicos inventados muito antes dele, e clichês antiprotestantes com o acréscimo de palavrões. É totalmente nulo de conteúdo sério e nunca cita fontes para nada que diz. Não é à toa que o sujeito não tem nenhuma formação nem em história e nem em teologia, nota-se que é inteiramente incapaz de redigir um texto acadêmico ou de ser levado a sério academicamente. É apenas um remanescente de um fanatismo grosseiro de um passado distante, mas recorrente em pleno século XXI, que não merece resposta e nem atenção.

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    9. Entendo a sua posição, Lucas. Sobre a formação acadêmica dele, parece que ele é formado em direito (não exerce a profissão) e possuí especialização em história.

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    10. Dizem que ele ficou em último lugar (literalmente) em um concurso que prestou, se não me engano foi o Elisson ou o Thiago Dutra que postaram sobre isso (com provas) há um tempo atrás. Na única vez que ele fez um vídeo falando sobre o que fez nesses 40 anos disse que era "caminhoneiro", o que eu acho estranho, já que caminhoneiro nenhum tem tempo pra postar videozinho no youtube todo dia (e no mesmo lugar). Todo mundo sabe que ele é bancado pela vovó e pela mamãe, o que não seria algo ruim se ele não tivesse mais de 40 anos.

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  2. EXCELENTE ARTIGO ! MINHA ORAÇÃO E VONTADE É QUE NA PRÓXIMA DÉCADA DEUS LEVANTE MAIS UMAS 50 PESSOAS COMO VCS PARA A DEFESA DO REINO DE DEUS! LUCAS VOCÊ TEM ALGO SOBRE AS FÁBULAS JUDAICAS NAS PREGAÇÕES E CULTURA EVANGÉLICAS ?

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    1. Não tenho artigo ainda sobre isso, mas agradeço a sugestão!

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  3. Alguns argumentos que usam para dizer que 1964 não foi ditadura:

    1) "Que ditadura é essa que começa sem violência?"

    2) "Tinha todo um sistema complexo de eleição para presidente, ao contrário de Pinochet e ditaduras comunistas. As eleições eram indiretas, mas isto não é nescessariamente ruim. No Reino Unido a eleição de primeiro ministro é pelo parlamento e não pelo povo"

    3) "Tinha oposição, que ditadura tem oposição?"

    4) "Aqueles guerrilheiros queriam impor uma ditadura comunista, e não restaurar a democracia. Portanto mereceram ser presos, mortos e torturados"

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    1. 1) "Que ditadura é essa que começa sem violência?"

      Eu não definiria tanque de guerra nas ruas como algo muito pacífico.

      2) "Tinha todo um sistema complexo de eleição para presidente, ao contrário de Pinochet e ditaduras comunistas. As eleições eram indiretas, mas isto não é nescessariamente ruim. No Reino Unido a eleição de primeiro ministro é pelo parlamento e não pelo povo"

      Na Venezuela de Maduro também existem eleições, e nem por isso o regime deles é democrático. O fato de um militar substituir outro militar na sucessão presidencial não era coincidência e muito menos porque o povo os colocou ali, mas porque os militares controlavam as diretrizes políticas da nação.

      3) "Tinha oposição, que ditadura tem oposição?"

      Esse argumento é muito sem-vergonha, os militares fecharam o Congresso diversas vezes para que o mesmo não aprovasse pautas divergentes das deles ou recusasse a aprovação de alguma medida ditatorial imposta unilateralmente; além disso, fecharam e proibiram inúmeros partidos já existentes, permitindo apenas um de "oposição", que na verdade era uma oposição controlada (MDB). Sem falar que o próprio sistema eleitoral da época era mais complexo do que hoje e feito na intenção de dificultar ao máximo a eleição de alguém que não fosse do partido dos militares.

      4) "Aqueles guerrilheiros queriam impor uma ditadura comunista, e não restaurar a democracia. Portanto mereceram ser presos, mortos e torturados"

      O problema é que havia censura para muito além de "guerrilheiros comunistas". E como sempre digo, se os militares estavam contra o comunismo, não havia NENHUMA chance real de um "golpe comunista" em 1964, pois em nenhum lugar do mundo uma ditadura comunista se estabeleceu sem o apoio dos militares. Já está mais do que provado que esse discurso de que o golpe militar foi "para impedir outro golpe" é nada a mais que uma fantasia.

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    2. Outros que eu também ouvi:

      5) "Bipartidarismo não é nescessariamente ruim"

      6) "Foi uma exigência dos povo"

      7) "Deu grandes avanços econômicos ao país, na época tinha segurança e todo mundo podia comprar arma a vontade"

      8) "Comunismo tem que ser proibido mesmo, assim como o nazismo é"

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    3. Avalie: https://youtu.be/dhNudpl0HWA

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    4. 5) "Bipartidarismo não é nescessariamente ruim"

      Quando dentro dos dois partidos existem segmentos que expressam todos os pontos de vista políticos, não é ruim. Mas quando se fecha os outros partidos na base da força e não se admite oposição verdadeira, mas somente um partido de oposição controlada, é bastante ruim sim.

      6) "Foi uma exigência dos povo"

      Foi uma exigência do povo que os militares ficassem mais de vinte anos no poder?

      7) "Deu grandes avanços econômicos ao país, na época tinha segurança e todo mundo podia comprar arma a vontade"

      Esse avanço econômico durou pouco tempo (o chamado "milagre econômico"), depois disso tudo o que os militares deixaram foi uma inflação galopante, juros flutuantes e uma dívida externa monstruosa. Sim, foram realizadas importantes obras de infraestrutura também, afinal de contas seria impossível ficarem mais de vinte anos lá e não fazerem nada.

      8) "Comunismo tem que ser proibido mesmo, assim como o nazismo é"

      Mesmo que eu concordasse com essa afirmação (o que eu discordo, pra mim o comunismo tem que ser derrotado na base dos argumentos e conscientizando a população, e não agindo como os militares fizeram, o que só acaba aumentando o número de comunistas mediante o vitimismo e a militância), isso ainda não mudaria as coisas, já que a censura ia muito além de quem era realmente comunista. Havia perseguição a comunistas, mas perseguições também a qualquer um que discordasse do regime em voz alta e era automaticamente atrelado ao comunismo e então censurado, torturado ou coisa pior. Essa neurose de ver comunismo em todo lugar era na verdade um meio para se calar qualquer tipo de oposição mediante o rótulo de "comunista", da mesma forma que os esquerdistas fazem com os direitistas de hoje, chamando todos os que discordam deles de "fascistas", indiscriminadamente.

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    5. Primeiro foram os monarquelhos, agora as viúvas da ditadura, Banzoli você é bastante inteligente, espero que você fique a cada ano mais sábio e passe a sua sabedoria adiante. Deus te abençoe e te dê muita inteligência e sabedoria nesta vida. Abraços

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    6. Complicado mesmo, hoje em dia tem doido pra tudo, qualquer coisa vira modinha e ganha adeptos entre o povo sem estudo, que está disposto a defendê-las com unhas e dentes, como se fossem "salvar o Brasil" de sei lá o que. Não conheço nenhum país que seja tão facilmente levado para qualquer novidade defendida no youtube e facebook, tem coisas que é só no Brasil mesmo...

      Abs!

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    7. Verdade, e o povo ainda fica falando mal dos políticos e ficam protestando contra a corrupção, de que adianta protestar contra a corrupção e a esquerda sendo que foram eles que votaram neles. Enfim espero que algum dia o povo abra a mente e começe a votar direito, não precisamos de monarquia, nem de ditadura militar e nem de socialismo, é só votar direito e fiscalizar o político que votou, uma solução tão simples.

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    8. Exato, os países desenvolvidos de primeiro mundo que existem não se tornaram desenvolvidos desse jeito aderindo a pautas extremistas e radicais, revolucionárias ou ditatoriais. Apenas mantiveram um capitalismo sem muita intromissão do governo e o resto andou por si só. A política deveria servir apenas para não atrapalhar, e não para ficar criando soluções mágicas e malucas que só vão retardar o processo (e "retardar" o povo também...).

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  4. https://youtu.be/TYfoNq3YHfY


    É possível que ainda existam os gigantes nos dias de hoje?

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    1. Gigantes existem, mas não exatamente por causa desse vídeo. O cara estava ao lado de uma criança ao que parece, por isso parece tão alto, mas se estivesse ao lado de uma pessoa adulta não iria parecer mais do que um homem grande comum (meu irmão por exemplo tem 2 metros e não é um "gigante", até onde eu sei). Veja essa matéria abaixo que mostra provas reais de gigantes reais:

      http://arqbib.atspace.com/gigante.html

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    2. Lucas só por curiosidade, qual é a sua altura? Eu tenho 18 anos e tenho 1,83. Por favor não leve a mal

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  5. Nova religião catolicismo+ marxismo politeísmo africanismo
    https://www.youtube.com/watch?v=2-PJqzuBA_g

    Apocalipse 12; Eu vi uma mulher, mulher que vinha da roça das periferias das cidades...Nao escravize terra a mata e arvores! amem axe awere aleluia

    Caminhada dos Mártires
    https://www.youtube.com/watch?v=5DNjmg3nYnQ

    Coisa nojenta esta gente completamente louca

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  6. Lucas é verdade que a ICAR mandou destruir a bíblia?Por que lendo os escritos patrísticos percebi que que não é bem assim devido que nos primeiros séculos os livros foram preservados pelos monges nos monastérios e o que a ICAR condenou foram os livros copiados a mão de forma adulterada como foram os albigenses,valdenses,a bíblia alemã de Lutero que colocou uma palavra que não estar no original a palavra SOMENTE PELA FÉ?Os católicos afirmam que na idade média não existia livros em massa para serem distribuídos a população pelo simples fato de não existir a invenção da imprensa que só ocorreu no século XV e os cristãos refletiam nas imagens o evangelho de Cristo e da doutrina apostólica devido ao seu analfabetismo medieval...isso corresponde a realidade antiga Lucas?

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    1. 1) Mostre-me aqui a "adulteração" da Bíblia valdense, me fazendo o favor.

      2) A tradução de Lutero não era uma tradução ipsis litteris, mas de acordo com o sentido do texto, em que "somente a fé" expressa muito bem, já que o texto fala que somos justificados pela fé E NÃO por obras. Se é um e não o outro, então é somente aquele. Isso é tão simples quanto somar dois com dois, só papista burro polemiza com isso. Tanto é que já havia dezenas de Bíblias antes de Lutero traduzindo do mesmo jeito, com o "somente" na passagem (e Bíblias católicas, diga-se de passagem).

      3) Seu argumento em relação à imprensa é completamente inútil e irrelevante porque a ICAR continuou proibindo a Bíblia em vernáculo para as mãos dos leigos mesmo depois da criação da imprensa.

      4) O analfabetismo medieval era culpa da própria Igreja que fazia questão que o povo ficasse na ignorância porque assim era muito mais fácil controlar o gado. É por isso que depois da Reforma os países protestantes foram de longe os primeiros a superarem o analfabetismo.

      "Os protestantes acreditavam que o maior número possível de pessoas, homens ou mulheres, deviam ler a Bíblia, e isso levou à abertura de mais escolas que ensinassem a ler e a escrever. O índice de alfabetização das mulheres começou a crescer progressivamente. A Prússia, uma base luterana, tornou a educação obrigatória para meninos e meninas em 1717. Na cidade holandesa de Amsterdã, em 1780, uma extraordinária proporção de 64% das noivas assinaram a certidão quando se casaram, enquanto as outras desajeitadamente marcaram uma cruz no lugar onde deveria estar a assinatura, em sinal de consentimento. Na Inglaterra, cerca de 1% das mulheres sabia ler no ano 1500, mas esse número havia aumentado para 40% em 1750. Somente mais tarde os países católicos acabaram seguindo essa tendência revolucionária" (BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. 1ª ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2010, p. 189)

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    2. Pergunta bastante capciosa. Quando se diz "mandou destruir a bíblia" passa-se o entendimento de que mandou destruir todas as bíblias. Isso não é verdade. Eles mandaram destruir as bíblias que não estavam em sua posse, porque poderia ocorrer de alguém ler e perceber que estão pregando coisas diversas da Bíblia. O movimento protestante se deu exatamente por isso.

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    3. Outra parte capciosa da pergunta dele é a que ele diz que leu isso nos "escritos patrísticos", sendo que não há nada na patrística que diga as coisas que ele abordou aí, na verdade elas são de um período bem posterior à patrística. Na verdade ele leu em um site católico porco qualquer e em vez de admitir isso preferiu dizer que ele próprio "leu na patrística"...

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  7. Lucas, se a graça vem de Deus, como entender Genesis 6:8, Noé tinha graça em si?
    Abs!

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    1. "A Noé, porém, o Senhor mostrou benevolência" (Gênesis 6:8)

      Noé não tinha graça em si, Deus que mostrou benevolência (ou graça, como outras traduções vertem) a ele.

      Abs!

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  8. Lucas, é verdade que a igreja luterana venera santos?

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    1. Não:

      http://www.luteranos.com.br/textos/maria-e-os-santos

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  9. Roland de Vaux é confiável?

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    1. Sim, na verdade ela é um dos autores com mais autoridade em seu campo, quando fiz minha monografia era uma exigência usá-lo.

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  10. Lucas estou pensando em comprar livro sobre historia igreja
    Qual você recomenda?

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    1. Você se refere à história da Igreja a partir da Reforma, ou uma geral desde o primeiro século?

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    2. Geral deste começo, andei pesquisando encontrei estes

      https://vidanova.com.br/385-box-historia-ilustrada-cristianismo.html

      https://store.leitorgospel.com.br/historia-da-igreja.html?gclid=CjwKCAiAoNTUBRBUEiwAWje2lqkVNnFZi0ryEM7seWsxlYHXGeDcZiGNCfldL__LZkYuP3eZfGe7yBoC43oQAvD_BwE

      https://casadabibliaonline.com/livro-a-historia-da-igreja-vol-i-3980/p
      Estes livros são bons?

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    3. O primeiro é bem reputado, os outros dois eu não conheço. Eu lhe recomendo o "História da Igreja Cristã", em dois volumes, de Williston Walker, o "O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã", de Earle Edwin Cairns, o "História do Cristianismo em Esboço", de Zaqueu Moreira de Oliveira, o "História da Igreja Cristã", de Robert Hastings Nichols, e o "História da igreja e evangelismo brasileiro", de Saulo de Melo.

      PS: o do Oliveira e o do Nichols são livros que apresentam tudo de forma clara e resumida, e fácil de se entender, eu diria que são os melhores para iniciantes.

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  11. "E a haste da sua lança era como o eixo do tecelão, e a ponta da sua lança de seiscentos siclos de ferro, e diante dele ia o escudeiro." (1 Samuel 17:7)

    Lucas nessa passagem diz que a haste da lança de Golias era como eixo de tecelão. O que era o eixo de tecelão?

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    1. Para ser sincero eu não faço a menor ideia de como era um eixo de tecelão da época, foge totalmente da minha esfera de conhecimento. Pelo contexto torna-se claro que o propósito era acentuar o fato de que Golias não apenas era maior que os outros guerreiros, mas também muito melhor equipado e protegido que os demais. O resto são detalhes.

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    2. Eu estive olhando na versão NVI, e a mesma diz o seguinte:

      "A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. Seu escudeiro ia à frente dele" (1 Samuel 17:7)

      Como a ponta da lança pesava sete quilos e duzentos gramas, então a sua haste devia ser muito grande e grossa, pois, caso contrário, a lança, quando jogada, não iria muito longe, pois seria desproporcional. Então esse eixo de tecelão provavelmente era algo extremamente grande e grosso. Uma lança normal, cuja ponta não chega nem a 1kg, tem uma haste de 1,50 metros ou 2 metros, imagine o tamanho da haste de uma lança cuja ponta tem sete quilos e duzentos gramas. Devia ser enorme.

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    3. Verdade, mas pelo enorme tamanho dele não seria difícil aguentar uma lança tão grande e pesada assim.

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  12. Lucas, me explica uma coisa, o devorador descrito em Malaquias 3:11 é um demônio que atua na saúde e nas finanças dos nãos dizimistas? Sua explicaçâo esegética. Obrigado!

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    1. Na verdade o "devorador" do texto era o gafanhoto, que destruía os frutos do campo (naquela época a economia era fundamentalmente agrária). Por isso a NVI traduz por "pragas que devorem as suas colheitas". Claro que isso era uma aplicação naquele contexto para os judeus da antiga aliança, não significa que hoje em dia um cristão que viva no campo e não dizime vá ser atacado por gafanhotos em sua colheita. Você pode ver explicações exegéticas sobre isso aqui:

      http://biblehub.com/malachi/3-11.htm

      E sobre o verso 10:

      http://biblehub.com/malachi/3-10.htm

      Abs.

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  13. Lucas podemos considerar os ortodoxos como irmãos?

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    1. http://www.lucasbanzoli.com/2018/01/a-venda-de-indulgencias-ate-epoca-de.html?showComment=1517627537238#c7135671135043610841

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  14. Oi Lucão,li o ponto 5,entendi,Ap 1:7 se enquadraria tbm em um tipo,correto?.
    Marcelo Dornelas.

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  15. Olá Lucas Banzoli!!!!
    Navegando pela internet, deparei-me com seus escritos. Que bom!!!! Vou ler, compreender e aprender.
    E conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará. João 8.32
    Grande abraço!
    Fábio

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    1. Obrigado Fábio, espero que goste dos artigos. Deus lhe abençoe!

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  16. Boa noite. Obrigado pelo artigo, eu tinha me deparado com um site preterista e depois procurei algo que rebatesse o assunto e parei aqui... muito esclarecedor. Depois fiquei vagando no Youtube, tipo, falando em Apocalipse e em tempos difíceis, tem como vc dizer o que acha desse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=2Ixu92IRi18 , obrigado.

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    1. Olá, eu já tinha visto esse vídeo há um tempo atrás e é bem interessante mesmo, eu infelizmente não posso declarar se é verdade o que ele diz ou não porque não domino o idioma hebraico, mas de todo modo para explicar o mal que há no mundo não é necessário isso, há muitas boas explicações cristãs (dadas por gente como William Lane Craig e Alvin Plantinga) que me parecem satisfatórias (embora nós jamais vamos compreender todos os detalhes, por nossas limitações intrínsecas.

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    2. Olá, eu já tinha visto esse vídeo há um tempo atrás e é bem interessante mesmo, eu infelizmente não posso declarar se é verdade o que ele diz ou não porque não domino o idioma hebraico, mas de todo modo para explicar o mal que há no mundo não é necessário isso, há muitas boas explicações cristãs (dadas por gente como William Lane Craig e Alvin Plantinga) que me parecem satisfatórias (embora nós jamais vamos compreender todos os detalhes, por nossas limitações intrínsecas).

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