28 de junho de 2018

91 Inédito: conheça todo o ódio, intolerância e perseguição da Igreja Católica aos judeus na história

(Papa João Paulo II beijando um belo e pacífico livro chamado Alcorão)


Nota: O artigo é extraído de um dos capítulos do meu livro sobre a Reforma, em fase final de construção. O "inédito" do título é porque eu desconheço qualquer outro estudo sobre o tema disponível na internet de forma tão completa como esse, então divulgue o quanto puder.

                                                                             ***

Perseguição e ódio aos judeus

Um outro tipo de perseguição à parte da Inquisição, mas também estimulada por ela, era o ódio aos judeus, que era muito mais intenso e comum na Cristandade católica medieval do que nos dias de hoje. Como diz Christopher Brooke, “na Idade Média se odiava aos judeus porque eram judeus, representação do povo que crucificou a Jesus Cristo”[1]. Um exemplo clássico desse ódio antissemita foram as Cruzadas, que, diferente do que se pensa, não vitimaram apenas muçulmanos. A chamada “Cruzada Popular”, que antecedeu a primeira cruzada oficial, é um exemplo claro do quão profunda era a hostilidade aos judeus entre as classes populares. Tornell escreve:

Aquelas hordas de fanáticos e foragidos começou sua atuação cometendo horrorosas pilhagens e matanças; antes de entrar na Alemanha, atacaram as ricas colônias de judeus estabelecidos nas cidades comerciais de Mosela e do Rin, saqueando-as e matando a milhares de judeus. Verdún, Tréveris, Maguncia, Espira e Worms foram o palco de tais horrores. Depois destas façanhas, continuaram sua marcha, percorrendo mais de 1.500 km através da Hungria e Bulgária, entre as fronteiras da Áustria e Constantinopla. As depredações cometidas por esses cruzados levantaram contra eles os húngaros e búlgaros, que, com sua inata ferocidade, deram conta da maior parte dos expedicionários. Só uma pequena parte da expedição pôde cruzar o Bósforo de Constantinopla, sendo o resto exterminado pelos turcos da Ásia Menor.[2]

O escritor e historiador católico François Michaud descreve o terror vivido pelos judeus frente aos cruzados encolerizados nas seguintes palavras:

Emicon e Volkmar deram o sinal e o exemplo. À sua voz uma multidão furiosa espalhou-se pelas cidades vizinhas do Reno e do Mosela; massacrou impiedosamente a todos os judeus que encontrou em sua passagem. No seu desespero, um grande número dessas vítimas preferia suicidar-se, antes que receber a morte das mãos dos inimigos. Muitos encerraram-se em suas casas e morriam no meio das chamas, que haviam mesmo ateado; alguns amarravam grandes pedras às vestes e precipitavam-se com seus haveres no Reno e no Mosela. As mães sufocavam seus filhos ao seio, dizendo que preferiam mandá-los ao seio de Abraão, do que vê-los entregues ao furor dos cristãos. As mulheres, os velhos, solicitavam a piedade para ajudá-los a morrer. Todos esses infelizes imploravam a morte, como os outros homens pediam a vida.[3]

Para os cruzados, era incoerente “fazer guerra aos muçulmanos, que tinham sob suas leis o túmulo de Jesus Cristo, enquanto se deixava em paz um povo que tinha crucificado seu Deus”[4]. Os judeus eram alvos de “horror e de ódio”[5], e até os cristãos que se encontravam com eles pelo caminho “temiam também ser suas vítimas”[6]. Heers diz que “os bandos de pobres, destituídos de recursos, cometem terríveis excessos ao longo de todo o percurso, pilham as aldeias, massacram os judeus nas cidades alemãs”[7]. Le Goff acrescenta que pogroms (ataque violento e maciço a judeus) eram realizados pelas massas em busca de bodes expiatórios das calamidades:

Ao mesmo tempo a condição dos judeus na Cristandade se agravava. pogroms foram realizados por volta do Ano Mil, depois no tempo das Cruzadas, perpetrados, sobretudo pelas massas em busca de bodes expiatórios das calamidades (guerras, fome, epidemia) e vítimas de seu fanatismo religioso.[8]

Os cronistas da Primeira Cruzada afirmam que os cruzados sob o comando de Pedro o Eremita “apoderavam-se das crianças, cortavam-nas em pedaços para cozinhá-las ou assá-las em espetos, passando a devorá-las”[9]. Ao mesmo tempo, mulheres judias se suicidavam para escapar dos estupros[10]. Morrisson declara que “foi a partir dessa época que a opinião do povo comum europeu começou a considerar os judeus como inimigos de Cristo e blasfemadores da cruz. As Cruzadas marcam o início da degradação da situação jurídica e prática dos judeus do Ocidente, que até essa época eram tolerados e relativamente integrados na população em geral”[11].

Lopez também observa:

Desencadeando o fanatismo religioso na Europa, as Cruzadas (1096-1270) também estimularam o fanatismo antijudaico. “Temos, sob os olhos, uma raça mais hostil a Deus que todas as outras” e “o inimigo está entre nós” foram as palavras de ordem que acarretaram massacres de judeus em Worms, Mainz, Colônia, Trèvez, Ratisbona e Bamberg, antes da Primeira Cruzada (1096), e em Spira, Mainz, Carentan e Sully antes da Segunda (1147).[12]

Mas engana-se quem pensa que os massacres contra judeus se limitaram apenas à cruzada popular. Lins escreve:

Renovavam-se estas cenas de horror em cada cruzada. Como todos precisavam de dinheiro para a santa expedição, lembravam-se de que os judeus, em geral depositários de grandes riquezas, haviam crucificado o Deus dos cristãos. Valeu-se da perseguição para aumentar os tesouros de que carecia, Ricardo Coração de Leão, que era extremamente dissipado em seus gastos, nada lhe bastando. Além de confiscar os bens dos judeus e cobrar, com extremo rigor, a dízima saladina, alienou os domínios da coroa, pondo em leilão todas as grandes dignidades do reino. Declarou mesmo que venderia Londres se lhe achasse comprador.[13]

O massacre mais terrível aconteceu justamente na conquista de Jerusalém, onde os cruzados “não pouparam nem as crianças, nem os voluntários, nem as pessoas da cidade”[14]. Um cronista católico que participou dessa cruzada, citado por Jacques Le Goff, relatou:

O templo inteiro brilhava com seu sangue. Por fim, depois de ter massacrado os pagãos, os nossos se apoderaram no templo de um grande número de mulheres e crianças e mataram ou deixaram com vida quem eles queriam (...) Na manhã seguinte os nossos escalaram o telhado do templo e atacaram os sarracenos, homens e mulheres, e tirando suas espadas os decapitaram. Alguns se jogaram do alto do templo.[15]

Quando o legado papal e Godofredo de Bulhão escreveram ao papa relatando os acontecimentos, disseram-lhe:

Se Vossa Majestade deseja saber o que se fez aos inimigos encontrados em Jerusalém, saiba que nos pórticos de Paloma e nos templos, os nossos cavalgaram entre o sangue imundo dos sarracenos, e que caminhávamos entre o sangue até os tornozelos.[16]

Conta o clérigo Raymond de Agiles que ali se viram «coisas maravilhosas». Entre essas “coisas maravilhosas” que ele viu, inclui o “grande número de sarracenos decapitados, outros atravessados com flechas ou obrigados a saltar das muralhas; alguns foram torturados durante vários dias e por último queimados vivos. Nas ruas, se viam montões de cabeças, de braços, de pés”[17]. Você deve pensar que os cruzados católicos pouparam os judeus em meio a toda essa chacina desumana e covarde, uma vez que seu alvo eram os muçulmanos. Errado de novo. Os cruzados se orgulhavam por poder esmagar não apenas os árabes, mas também os judeus, a despeito do fato de serem não-combatentes. Sobre isso, Lins escreve:

Enorme multidão de velhos, mulheres e crianças, que se abrigara no templo de Salomão, foi chacinada com os mais hediondos requintes, sendo flechados os que se haviam refugiado no teto, enquanto outros eram atirados ao chão, de cabeça para baixo, partindo-se contra as pedras. Quanto aos judeus, foram, sem piedade, reunidos e queimados vivos na sinagoga, da qual se fez imensa fogueira. Espalhando-se a notícia de haverem os sarracenos engolido os seus besantes de ouro, pôs-se a arraia miuda dos cruzados a abrir-lhes o ventre, revistando-lhes as entranhas muitas vezes ainda palpitantes. Sendo morosa a operação, sobretudo à vista do elevado número de mortos, resolveram queimar os cadáveres e procurar, nas cinzas, o ouro.[18]

Maalouf também descreve a forma com que os judeus foram covardemente assassinados:

Os louros cavaleiros começavam a invadir as ruas da cidade. A comunidade inteira, reproduzindo um gesto ancestral, reuniu-se na sinagoga principal para orar. Os francos então bloquearam todos os acessos. Depois, empilhando feixes de lenha em torno, atearam fogo. Os que tentavam sair eram mortos nos becos vizinhos, os outros, queimados vivos.[19]

Diante disso, não sem razão “a maioria dos judeus, após o massacre de seus correligionários em Jerusalém e Tiberíades, preferiu seguir os muçulmanos no exílio”[20]. O massacre de judeus em Jerusalém também ocorreu em grande parte devido às noções apocalípticas da época, que “associavam a conversão ou eliminação dos judeus com a libertação de Jerusalém como um prelúdio necessário para o fim do mundo”[21].

É importante que se ressalte que esses massacres não foram em nenhum momento alvos de reprimenda papal ou de repúdio por parte da Igreja da época. Nem as matanças da Cruzada Popular, nem as das cruzadas oficiais levaram à excomunhão, censura ou qualquer tipo de punição eclesiástica ou civil. Era como se os judeus devessem ser chacinados, por serem eles “inimigos de Cristo” assim como os muçulmanos, merecendo ambos o mesmo destino.

Sobre este aspecto, Phillips ressalta:

Em 1096, a indisciplinada multidão da cruzada popular cometeu terríveis atos de violência, incluindo o assassinato, contra as comunidades judias. De forma similar, cinquenta anos depois, a segunda cruzada provocou outro estouro de antissemitismo na mesma região. O argumento era, em termos muito simples, que se a cruzada tinha como objetivo erradicar aos não-crentes, se devia começar pela casa, eliminando a impureza dos territórios cristãos. Em 1146, Pedro o Venerável, abade de Cluny, escreveu: “Mas por que deveríamos perseguir aos inimigos da fé cristã em países longes e distantes quando não longe das nossas casas, entre nós, vivem esses blasfemos infames, muito piores do que qualquer sarraceno, a saber, os judeus?”[22].[23]

Assim, o surgimento da Igreja Católica Romana propriamente dita, com sua separação oficial da Igreja oriental em 1056, determinou o início da perseguição massiva aos judeus, em contraste com a relativa tolerância que tinham até então. Le Goff observa:

Os judeus, mais ou menos tolerados no Ocidente durante a alta Idade Média, passam a ser no século XII suas vítimas. Concretamente os impulsos de cruzada vão acompanhados em geral de pogroms impiedosos que provocam a indignação de alguns prelados e alguns príncipes, e, especialmente, dos imperadores que tentam colocar os judeus sob sua proteção. Em Maguncia, em 1096, segundo os Anais saxões, os cruzados “mataram novecentos judeus, sem perdoar nem as mulheres, nem às crianças... dava pena ver os imensos e numerosos montões de cadáveres que eram tirados da cidade em carretas”.[24]

Isso elimina a tese de que os judeus foram sempre terrivelmente discriminados e perseguidos em todas as partes e épocas e que a Igreja Romana apenas fez o mesmo, como tenta objetar o defensor da Inquisição, João Gonzaga. Na verdade, foi no Ocidente católico do século XII que essa perseguição começou a se tornar realmente implacável, e a tornar a vida do judeu comum cada vez mais difícil. E isso não ocorreu de forma aleatória e mágica, mas porque “geralmente havia um pregador para mobilizar o fanatismo popular”[25].

Devemos lembrar que a sociedade medieval não era como a de hoje, onde a Igreja Católica exerce pouca influência. Naqueles tempos, toda a hegemonia cultural cabia à Igreja, e o povo pensava e cria no que os padres os faziam pensar e crer. Dito em termos simples, os católicos odiavam mortalmente os judeus porque eram ensinados pela Igreja a odiar mortalmente os judeus.

A cada tragédia natural que sucedia, incluindo a Peste Negra, o clero tratava de encontrar nos judeus um bode expiatório e jogar neles toda a culpa, alimentando o preconceito das massas. E a mesma coisa se repetia vez após vez. Tal como Hitler foi eficiente na Alemanha em sua máquina propagandista nazista antissemita, a Igreja Romana foi perfeitamente eficaz em fazer dos judeus um motivo de ódio e escárnio, usando seu alto e baixo clero para demonizá-los frente à opinião popular, que, não à toa, passou a detestar os judeus.

Bethencourt afirma que “o judaísmo aparece como a principal heresia a combater (seguida do protestantismo e do islamismo)”[26]. Isso significa que, mesmo tendo outras “heresias” para se preocupar, eram os judeus a atenção primordial da Igreja, como se eles fossem uma “peste” superior a todas as outras. Foi assim que a Igreja criou o conceito de “limpeza de sangue”, segundo o qual os judeus tinham sangue infectado (a respeito do qual comentarei mais adiante), o mesmo conceito monstruosamente diabólico que foi ressuscitado por Hitler na Alemanha nazista. Se os que eram “apenas” hereges já mereciam a morte na fogueira, o que não dizer daqueles que, além de “hereges”, ainda tinham “sangue impuro”?

É por isso que o “crime” de Judaísmo era sempre enfatizado acima dos outros “crimes” de heresia nos autos-da-fé, concentrando e quase monopolizando as atenções em todos os sermões. Bethencourt sublinha:

Quando se lê a série impressionante de sermões de autos da fé impressos desde o início do século XVII em Portugal, é evidente a presença esmagadora e constante do Judaísmo. A grande maioria dos sermões organiza-se quase exclusivamente em torno desse assunto, repetindo os exemplos e as citações recolhidas no Antigo Testamento, mesmo quando existem outras heresias importantes nas listas de condenados.[27]

Novinsky também destaca que “o elemento central atingido pelo regime totalitário português foi o judeu, que, mascarado de cristão-novo durante quase três séculos, tornou-se alvo de um programa destrutivo e de um ódio sem precedentes na história. Os judeus foram o único povo para o qual foi criado um tribunal específico, com a finalidade de vigiar e punir qualquer prática e memória do Judaísmo”[28]. Ela comenta ainda que “a propaganda construída pelo clero católico criou mentiras que justificaram usar os judeus como bodes expiatórios; porém, os inquisidores não tinham a intenção de matá-los todos, nem de acabar com as heresias e os hereges – pois deles provinha principalmente sua maior fonte de renda, e o sustento da maior burocracia do país”[29].

Quando a Peste Negra assolou a Europa entre 1347 e 1350, abatendo um terço da população continental, o clero católico colocou nos judeus, é claro, a culpa pela catástrofe. Os judeus foram acusados de envenenar a água dos poços para contaminar os cristãos – mesmo sem nenhuma prova de que isso fosse verdade e a despeito do fato dos próprios judeus estarem morrendo com a peste –, e assim o clero romano conseguiu diabolizá-los de tal maneira que milhares deles foram pilhados e mortos em toda a Europa[30]. A conspiração foi engenhosa: segundo os católicos, os judeus tinham preparado venenos a partir de corações de cristãos, juntamente com aranhas, sapos, lagartos, carne humana e hóstias consagradas, e distribuído sua poção para ser depositada em fontes e riachos desde Tolosa até a Calábria. O boato se espalhou e como resultado os judeus foram queimados em massa, incluindo todos os dois mil que viviam em Estrasburgo[31].

Lindberg escreve:

Alguns interpretavam a peste como uma maquinação dos judeus. O medo estimulou o preconceito, com a consequência de que milhares de judeus foram assassinados por toda a Europa. A despeito do fato de que os judeus também contraíam a peste, as pessoas defendiam a ideia de que eles tinham envenenado os poços. O dominicano Henrique Von Herford deu uma breve descrição do acontecimento: “Neste ano [1349] os judeus, inclusive mulheres e crianças, foram destruídos de forma cruel e desumana na Alemanha e em muitos outros países”.[32]

Os judeus não apenas eram responsabilizados pela peste, mas eram eles próprios tratados como uma. Maria Carneiro observa:

Em diferentes momentos da Idade Média e Moderna, os judeus tiveram sua imagem identificada com a imagem da doença. Durante o século XIV, por exemplo, proliferaram por toda a Europa massacres de judeus que, como bodes expiatórios, eram identificados como culpados pela proliferação da peste bubônica, o mesmo acontecendo com os cristãos-novos da Península Ibérica durante o século XVI. Heresia, epidemia e judaísmo eram comumente empregados com o sentido de malignidade.[33]

A Peste Negra é somente um exemplo dentre tantos outros, lamentavelmente tão rotineiros. Um dos casos mais famosos ocorreu em 1505, quando “fanáticos católicos, culpando os judeus pelas más colheitas e por uma epidemia, promoveram uma chacina em Lisboa, matando mais de 3.000 pessoas, inclusive 600 na fogueira. D. Manuel suprimiu a desordem, executando 50 culpados, sem excetuar dois dominicanos que tinham insuflado a massa”[34]. Note que a multidão não chacinou os judeus sem antes ter sido insuflada pelos padres dominicanos, responsáveis por disseminar entre o povo as difamações vergonhosas e o discurso de ódio que levava um povo já fanático a cometer as piores atrocidades.

A demonização dos judeus por parte da Igreja era tanta que o próprio termo “judeu” passou a ser considerado uma ofensa. Alguém que fosse chamado de judeu poderia prestar queixa-crime contra o insultador, da mesma forma que qualquer pessoa que fosse difamada por outra nos dias de hoje[35]. Como se isso tudo não bastasse, a Igreja ainda fabricava casos para acentuar a imagem maligna que se tinha dos judeus e rebaixá-los ainda mais diante da opinião pública. Um deles ocorreu em 1475, quando os pregadores católicos culparam os judeus pela morte de uma criança, a fim de que todos fossem igualmente abominados e odiados:

Exemplar foi o caso de S. Simão. Em 1475, em Trento, o pregador Bernardino da Feltre, dito “o flagelo dos judeus” por já tê-los expulso de muitas cidades do norte da Itália, ladrou (expressão dele) contra os usuários locais anunciando que um acontecimento extraordinário sobreviria antes da Páscoa. Quando o menino Simone, de pouco mais de dois anos, desapareceu, sendo depois encontrado afogado, os judeus da cidade foram detidos, seus bens confiscados antes do estabelecimento da culpa, os homens torturados até “confessarem” depois de 17 dias de suplício, e executados. Apenas a judia Brunetta não cedeu às torturas, jurando até o fim inocência.[36]

Esse profundo ódio ao povo de Deus do Antigo Testamento levou os poetas católicos da época a escrever poesias inteiramente preconceituosas e com um tom que faria Hitler se revirar do túmulo, ecoando aquilo que mais tarde seria largamente disseminado pelos nazistas. Gautier de Coincy (1177-1236), por exemplo, escreveu:

Mais bestiais que as próprias bestas
São todos os judeus, não há dúvida.
Deve-se odiá-los e eu os odeio
E Deus os odeia, como eu faço.
E todo mundo deve odiá-los.[37]

Outro poeta católico da época, Konrad von Würzburg (1225-1287), escrevia:

Que a desgraça caia sobre os judeus
Covardes, surdos e malvados,
Que não se preocupem de livrar-se
Dos padecimentos do inferno.[38]

Já no século XVI, o poeta católico Pierre de Ronsard (1524-1585) escrevia as seguintes estrofes:

Não amo nada os judeus,
Eles puseram na cruz
Esse Cristo, esse Messias
Que nossos pecados apaga (...)
Filho de Vespasiano, grande Tito,
Faças destruindo sua cidade,
Destruir sua raça
Sem lhes dar tempo,
Nem momento nem espaço
De procurar em outra parte
Outros diversos lugares.[39]

Outro poeta fez circular pela cidade um panfleto onde descrevia os judeus indo para a fogueira, cuja reação da plateia era:

Agradecemos a Deus por ver em nossos dias o castigo dessa raça de cães infieis e heréticos. Elevemos nossas vozes em coro, para agradecer-lhe esse favor; e façamos pilhas de gravetos para que não falte madeira na hora do holocausto.[40]

Essa exaltação ao holocausto judeu que precedeu por séculos o de Hitler era fortemente apoiado pela Igreja, na pessoa de seus principais expoentes. Os dois maiores ícones católicos do século XIII, “Inocêncio III e S. Tomás de Aquino, culparam os judeus pela perda do Santo Sepulcro, condenaram-nos à servidão perpétua e declararam ser direito da Igreja dispor dos seus bens”[41]. Os judeus eram marginalizados[42] e tratados como a escória do mundo, com mais desprezo do que pelos próprios “hereges” protestantes ou pelo mundo árabe. Numa época em que a Igreja ditava as regras, os costumes e a cultura – incluindo quem deveria ser amado ou odiado – é natural que até as mentes consideradas mais brilhantes fossem contaminadas pelo antissemitismo clerical.

Os sermões antissemitas eram tão ofensivos que o rei Pedro IV de Aragão julgou necessário censurar os pregadores franciscanos e dominicanos de seu território “por proferirem sermões antijudaicos tão incendiários que levaram a assassinatos de judeus e à destruição de suas propriedades”[43]. O duque de Ferrara também proibiu tais sermões, mas mesmo assim Bernardino “continuou a pregar sua mensagem envenenada, e teve sucesso ao ocasionar a expulsão dos judeus de Perúgia, Bréscia e Gubbio, assim como ao inspirar tumultos contra judeus em Florença e em Forli, e o incêndio da sinagoga de Ravena”[44].

Richards diz que “onde quer que estivessem, os frades intrometiam-se na vida religiosa dos judeus, queimando livros, invadindo sinagogas e utilizando o medo para induzir os judeus à conversão”[45]. Diferente da versão narrada pela apologética católica, era o clero que inflamava as massas e alimentava o ódio, e não massacres surgindo do nada. Como Nazario escreve, “a doutrina transformou a acusação política numa assertiva hereditária, como se o não-reconhecimento da divindade de Cristo e a culpa de sua crucificação fossem maldições magicamente transmitidas pelo sangue”[46].

A acusação mais comum e generalizada contra qualquer judeu era a de “deicídio”, isto é, o crime de “matar Deus”, ainda que os que tivessem efetivamente crucificado a Cristo já tivessem morrido há mais de um milênio. Novinsky destaca que “muitos marranos perderam suas vidas não porque eles secretamente continuaram a sua vida religiosa judaica, ou expressavam uma fé sincrética, mas porque eles eram judeus, exatamente como milhares de judeus perderam suas vidas no século XX, não por razões religiosas, mas simplesmente porque eram judeus”[47].

Os papas também foram grandes responsáveis pelo aumento e disseminação do preconceito antissemita, especialmente Inocêncio III (1198-1216), que tinha um verdadeiro horror à proteção aos judeus dispensada pelos príncipes seculares. Numa carta violenta dirigida ao conde de Nevers, ele expressa:

Os judeus, como o fraticida Caim, estão condenados a vagar sobre a terra como fugitivos e vagabundos, e suas faces devem estar cobertas de vergonha. Eles não devem, em hipótese alguma, ser protegidos por príncipes cristãos, mas, ao contrário, condenados à servidão. É portanto desabonador para os príncipes cristãos receber judeus em suas cidades ou povoados e empregá-los como usurários, de modo a extorquirem dinheiro dos cristãos.[48]

Em 1442, o papa Eugênio IV declarou que “os judeus não podem viver entre os cristãos, mas, ao contrário, devem residir entre si mesmos, separados e segregados dos cristãos, no interior de certas distinções ou lugares, fora dos quais não poderiam, em nenhuma hipótese, ter a permissão de possuir casas”[49]. Isso foi aplicado consistentemente desde então, fomentando o segregacionismo que seria uma das principais marcas do nazissmo e do racismo moderno. O’Malley sublinha que “em 1555, o papa Paulo IV criou o gueto romano e começou a impor algumas das mais severas restrições à liberdade dos judeus em toda a Itália e a encorajar atrocidades judiciais contra eles no Estado papal”[50].

A bula, intitulada Cum nimis absurdum, é toda ela uma afronta aberta à dignidade dos judeus. O primeiro artigo é o que institui os guetos, o segundo ordena a destruição de sinagogas e a venda do terreno a cristãos, o terceiro institui chapéus e outros sinais visíveis que os judeus deveriam usar para serem distinguidos dos católicos, o quarto proíbe que tenham empregadas ou enfermeiras cristãs, o quinto exige a guarda do domingo, o sexto proíbe que judeus acusem cristãos em tribunais, o sétimo proíbe “jogar, comer ou confraternizar com os cristãos”[51], o oitavo proíbe seu uso de palavras que não sejam latinas ou italianas, o nono diz que “devem se limitar ao comércio de trapos, e não podem negociar grãos, cevada ou qualquer outra mercadoria essencial para o bem-estar humano”[52], o décimo proíbe que médicos judeus cuidem de cristãos, e assim por diante.

Como era de se esperar, a bula de Paulo IV sujeitou os judeus a diversas degradações morais, perdas econômicas severas e restrições à sua liberdade pessoal, só sendo revogada formalmente mais de três séculos depois, em 1882. Isso não impediu que seu sucessor Pio IV reforçasse o teor da bula e ordenasse a criação de novos guetos, e que o papa seguinte, Pio V, promulgasse a bula Romanus Pontifex, onde insiste nas leis discriminatórias e ordena que os príncipes imponham penas temporais aos judeus que resistirem.

Assim como os papas, os teólogos do mais alto escalão da Igreja também inflamaram o povo contra os judeus, retratando-os de forma semelhante à linguagem empregada pelos nazistas no século passado. Pedro o Venerável (1092-1156), abade de Cluny e tido como um “santo”, vociferou contra os judeus em seu Tractatus contra Judaeorum inveteratam duritiem (“Tratado contra a dureza judaica de longa data”), onde declara:

Eu não sei se um judeu pode ser um ser humano, pois ele não acede nem à razão humana, nem reconhece afirmações indiscutíveis que são divinas e pertencem à sua própria tradição.[53]

Essa mentalidade deploravelmente preconceituosa fomentada pela Igreja que questionava até se o judeu era um ser humano levou à criação de leis de cunho declaradamente racista, que tratava os judeus como uma raça sub-humana. Um dos exemplos mais marcantes é a proibição de cristãos terem relações sexuais com judeus, os quais eram igualados às bestas e a outros animais. Assim, o código de leis inglês do século XIII, Fleta, declarava:

Cristãos apóstatas, bruxos e outros desta mesma laia devem ser arrastados e queimados. Aqueles que coabitam com judeus e judias e aqueles que se dedicam à bestialidade e à sodomia devem ser queimados vivos.[54]

É de se espantar que o “crime” de coabitar com judeus fosse equiparado com a zoofilia, mas compreensível levando em conta uma sociedade medieval católica e preconceituosa na qual os judeus não eram tidos como muito mais que bestas em forma humana. É por isso que o rei João I de Aragão (1387-1395) decretou pena de morte para quem tivesse relações sexuais com judeus, o mesmo tipo de pena aplicado a quem fizesse sexo com animais[55]. Os cristãos não podiam se “contaminar” relacionando-se com judeus, e por essa razão até mesmo os prostíbulos os judeus eram proibidos de frequentar[56].

Essas medidas contra os judeus eram um reflexo do que se passava nos concílios ecumênicos que exerciam autoridade sobre todo o mundo católico, e que até hoje são tidos como infalíveis pelos católicos romanos. Algumas dessas medidas claramente xenofóbicas estão presentes no Concílio de Florença (1431-1445), que assim prescreve:

Além disso, renovamos os cânones sagrados, que ordenam os bispos diocesanos e os poderes seculares a proibir em todos os sentidos judeus e outros infiéis de ter cristãos, homens ou mulheres, em suas famílias prestando serviços, ou como enfermeiros de seus filhos, e os cristãos de entrar com eles em festas, casamentos, banquetes ou banhos, ou em muita conversa, ou em tomá-los como médicos ou agentes de casamentos ou mediadores nomeados oficialmente de outros contratos. A eles não devem ser dadas outras repartições públicas, ou admitidos a quaisquer graus acadêmicos. Eles estão proibidos de comprar livros eclesiásticos, cálices, cruzes e outros ornamentos de igrejas, sob pena da perda do objeto, ou a aceitá-los em penhor, sob pena de perda do dinheiro que emprestou. Eles estão obrigados, sob severas penas, de usar algum vestuário em que possam ser claramente distinguidos dos cristãos. A fim de evitar relações sexuais mútuas, eles devem habitar em áreas distantes, nas cidades e vilas que estão para além das residências dos cristãos e o mais distante possível de igrejas. Nos domingos e outras festas solenes que não se atrevam a abrir suas lojas ou trabalhar em público.[57]

Associando-os ao diabo, o Concílio de Béziers (1246) afirmou que era preferível a morte do que ser tratado por médicos judeus[58], “pois é melhor morrer do que dever sua vida a um judeu”[59]. E da mesma forma que o Concílio de Florença (1431-1445), o quarto Concílio de Latrão (1215) decretou que os judeus “deveriam usar uma identificação especial. Os cristãos ficaram proibidos de fazer qualquer tipo de negócio com eles. Com o tempo, isso levaria à criação dos guetos”[60]. Essa “identificação especial” consistia em “distintivos amarelos (tragicamente revivificados na era nazista) para serem facilmente identificados e, assim, socialmente separados”[61]. Paul Johnson também disserta:

Foi introduzida uma nova doutrina do pecado original, ainda mais não-cristã por não poder ser eliminado pelo batismo; os mantos cor de açafrão usados pelos condenados (a grande maioria dos quais era composta por judeus) tinham de ser pendurados nas igrejas como uma censura perene a seus descendentes – lei observada até o final do século XVIII.[62]

Diante do que vemos nestes concílios considerados infalíveis pela Igreja Romana, devemos perguntar honestamente: de onde vinha o incentivo ao preconceito e à discriminação aos judeus? A resposta é óbvia: da própria Igreja. O câncer vinha de cima, e contaminava as massas de uma maneira que dificilmente seria possível sem todo o envolvimento e apoio do aparato eclesiástico. Era a própria Igreja que criava o ambiente de intolerância que dava margem aos atos mais brutais e hostis contra a vida humana, especialmente a vida dos judeus.

Concílio após concílio, a Igreja impunha restrições aos direitos civis dos judeus que se igualavam em tudo às medidas tomadas pelo Partido Nazista quando esteve no poder. A tabela a seguir sumariza algumas dessas medidas:

Sínodo
Catolicismo
Nazismo


Sínodo de Elvira (306)

Proibição de casamentos e relações sexuais entre cristãos e judeus e proibição aos judeus de comerem junto com cristãos.
Em 15 de setembro de 1935:

O nazismo fez o mesmo, criando a lei de proteção ao sangue e honra dos alemães.


Sínodo de Clermont (535)


Exclusão dos judeus de todas as funções públicas.
7 de abril de 1933:

O nazismo fez o mesmo, criando a lei para a restauração do serviço público profissional.



Sínodo de Orleans (538)



Proibição aos judeus de terem empregados cristãos.
15 de setembro de 1935:

O nazismo fez o mesmo, com sua Lei para a Proteção do Sangue Alemão e Honra Alemã.




Sínodo de Orleans (538)




Proibição aos judeus de aparecerem nas ruas durante a Semana Santa.
03 de dezembro de 1938:

O nazismo fez o mesmo, com um decreto que autorizava as autoridades locais proibirem os judeus de aparecem nas ruas durante certos feriados.
XII Concilio de Toledo (681)
Destruição do Talmude e outros livros judaicos.
Os nazistas fizeram o mesmo em toda a Alemanha.

Sínodo de Trulanic (692)

Proibição aos cristãos de se tratarem com médicos judeus.
25 de julho de 1938:

Cria-se um decreto nazista estabelecendo o mesmo.




Sínodo de Narbonne (1050)




Proibição aos cristãos de conviverem com famílias judias.
28 de dezembro de 1938:

O nazismo faz o mesmo, criando a Diretiva de Goering, proibindo a concentração de judeus em casas residenciais arianas.
Sínodo de Szabolcs (1092)
Proibição de trabalhar aos domingos
Idem.



Terceiro Concilio de Latrão (1179)



Proíbe judeus de deporem contra cristãos em tribunais.
9 de setembro de 1942:

O nazismo faz o mesmo, com a Proposta de Chancelaria do Reich, impedindo os judeus de executarem ações civis na Justiça.




Terceiro Concílio de Latrão (1179)




Judeus são proibidos de receber herança de cristãos.
31 de Julho de 1938:

Novamente, o nazismo toma a mesma medida, criando um decreto que permite ao Ministério da Justiça substituir as vontades que ofendem o "bom senso das pessoas".

Quarto Concílio de Latrão (1215)
Estabelece o uso obrigatório de um símbolo a ser usado pelos judeus em sua vestimenta como marca de identificação.
1 de setembro de 1941:

O nazismo faz o mesmo.
Concilio de Oxford (1222)
Proibição de construir novas sinagogas.
Idem.



Sínodo de Viena (1267)
Proibição a cristãos de assistirem as cerimônias judias.

Proibição aos judeus de discutir doutrinas da religião cristã com cristãos do povo.
24 de outubro de 1941:

O nazismo faz o mesmo, proibindo os arianos de manterem quaisquer relações amistosas com os judeus.


Sínodo de Breslau (1267)


Se estabelece o confinamento de judeus em guetos obrigatórios.
21 de setembro de 1939:

Inicia-se a Ordem de Heydrich, definindo o aprisionamento de judeus em guetos.
Sínodo do Ofen (1279)
Proibição aos cristãos de venderem ou alugarem bens imobiliários a judeus.

Idem.

Sínodo de Lavour (1368)
Proibição de vender ou transferir aos judeus objetos pertencentes à Igreja.
Proibição de vender ou transferir aos judeus objetos pertencentes ao estado nazista.

Concílio de Basileia (1434)
Proibição a judeus de agirem como intermediários em transações comerciais, imobiliárias ou contratos de casamentos.


Idem.


Concílio de Basileia (1434)


Proibição de dar títulos acadêmicos a judeus.
25 de Abril de 1933:

O mesmo faz o nazismo, retirando os judeus de todas as escolas e universidades.
Fonte: HILBERG, Raul. A Destruição dos Judeus Europeus. São Paulo: Amarilys, 2016.

A Igreja Católica não perdia em nada para os nazistas do século XX, exceto pelo fato de que os nazistas possuíam métodos e tecnologia moderna para matar judeus em maior escala, o que não era vantajoso e nem mesmo possível para os católicos de séculos passados. Porém, o discurso por detrás dos assassinatos era o mesmo. A mesma técnica de demonização, o mesmo bode expiatório de todos os males, o mesmo pretexto do sangue impuro, o mesmo ódio para uma raça considerada sub-humana.

Lopez diz que “nem a pouca idade atenuava a brutalidade: em Wurzburg, foram executados dois meninos e duas meninas de 11 e 12 anos que tinham confessado, sob tortura, sua participação na sinagoga de Satanás” [63]. O autor resume alguns dos massacres aos judeus perpetrados por católicos na Idade Média – mas apenas alguns, porque uma lista completa esgotaria o escopo de páginas deste livro:

Ao longo da Idade Média, foram diversas as perseguições a judeus. Em Norwich, na Inglaterra, em 1144; em Blois, na França, com 38 queimados na fogueira, em 1171; em Bray-sur-Seine, também na França, em 1191; em Wurzburg, no Sacro-império, em 1147; em Munique, também no Sacro-Império, com vários judeus queimados numa sinagoga, em 1285; em Baden, ainda no Sacro-Império, com 330 judeus encarcerados numa casa e queimados, em 1331. Na fase da Peste Negra, que começou em 1337, muitos judeus foram chacinados em diversas cidades europeias, sob a acusação de conluio com Satanás – Colônia, Frankfurt, Colmar, Worms, Basileia, Narbonne, Carcassonne e Estrasburgo, onde os mortos chegaram a 2.000. No séc. XVI, nas regiões calvinistas e nos países anglo-saxões, adotou-se uma política de tolerância em relação aos judeus, os quais, inclusive, se tornaram um dos temas preferenciais da arte de Rembrandt. A tolerância calvinista era resultado da afinidade ideológica, já que eles valorizavam, de um modo muito especial, o Velho Testamento.[64]

Lins acrescenta:

Manifestou-se, demais, de maneira ruidosa, o entusiasmo dos ingleses por tremenda perseguição aos seus algozes, suicidando-se. Em York, mataram-se, por suas próprias mãos, nada menos que quinhentos. O chefe da família tomava de um punhal, e, depois de matar a esposa e os filhos, suicidava-se, afim de evitar os suplícios a que o povo, exacerbado, submetia os israelitas – conta o abade Fleury, o qual registra ainda haverem os cristãos queimado arquivos e papeis dos judeus para se livrarem de suas dívidas.[65]

Blainey destaca que “em menos de um século, os judeus perderam seu direito de casar-se com cristãos, a não ser que mudassem de religião, e perderam seu direito de servir o exército. Não podiam tentar converter outras pessoas à sua religião; em vários lugares, as multidões destruíam sinagogas”[66]. A difamação contra os judeus também se refletia na iconografia medieval, que os retratava como excremento. Assim, “a imagem do Judensau (‘porco judeu’) do século XIII, que retratava os judeus mamando nas tetas de uma porca, incluía adicionalmente, por volta do século XV, judeus postados no traseiro do animal comendo e bebendo excremento”[67]. Na Espanha, onde os judeus mais sofreram, eram chamados de “marranos”, que significava “porco”, em espanhol[68].

Richards também escreve:

Na Idade Média, o bode, símbolo de devassidão, era retratado como o animal favorito do diabo, e os judeus eram comumente representados montados sobre bodes. Assim como o diabo tinha um cheiro característico de enxofre, também os judeus, acreditava-se, emitiam um odor desagradável e característico (foetor judaicus), em oposição aos santos e homens santos que emitiam o “odor de santidade”. O foetor judaicus só podia ser removido através do batismo cristão.[69]

E o mais surpreendente ainda está por vir:

Pensava-se que todos os judeus eram adeptos do uso de venenos. O judeu como envenenador era uma figura familiar na literatura e nas lendas, culminando com o Barrabás de Christopher Marlowe em O judeu de Malta (c. 1592). A frequentemente reiterada legislação secular e eclesiástica que proibia os cristãos de comprar carne e outros alimentos dos judeus era motivada em parte pela suspeita de que pudessem estar envenenados, como afirmaram explicitamente os concílios de Viena e Breslau, em 1261, e os estatutos de Valladolid de 1412. Uma suspeita popular presumia que os judeus obrigavam suas crianças a urinar sobre a carne antes de vendê-la para cristãos. O medo do envenenamento era parte de um crescente e mais generalizado horror à poluição. Passou-se a pensar que tudo em que os judeus tocavam estava contaminado e, já no século XIV, este sentimento chegou a um ponto em que as cidades de Avinhão e Bolzano decretaram que os judeus deveriam comprar tudo aquilo que tocavam.[70]

Lindberg ressalta que “o poder de tais imagens visuais afetava a conduta. Os judeus eram massacrados aos milhares em pogroms e foram expulsos indiscriminadamente da Inglaterra (1290), da França (1306), da Espanha (1492) e de Portugal (1497)”[71]. Poucos anos antes da expulsão na Espanha os judeus eram executados em massa, com Bleye apontando que em apenas um único mês (Novembro de 1481) “os condenados a morrer na fogueira eram já 298, apenas em Sevilha”[72]. Considerando aquele ano inteiro, ele afirma que “foram queimadas vivas umas duas mil pessoas; outras tantas foram queimadas em estátua por ter morrido ou fugido, e dezessete mil sofreram penas mais ou menos graves”[73].

Richards complementa:

Dada a situação geral de alimentos estragados, de águas contaminadas e de higiene deficiente, situação essa exacerbada pela fome e pela escassez, não é de se estranhar que ocorressem ondas de histeria que atribuíssem as epidemias locais ao envenenamento das fontes de água. As acusações surgiram de pronto. Vinte e sete judeus foram executados por envenenamento das nascentes em Troppau, na Boêmia, em 1163. Acusações semelhantes foram feitas em Breslau em 1226 e em Viena em 1267. Houve um caso espetacular em 1321, quando os judeus foram acusados de cooperar com leprosos e muçulmanos numa conspiração para envenenar todos os poços da França. Isto aconteceu num contexto de fome prolongada e devastação causada pela “Cruzada dos Pastores”, cujos participantes tinham destruído 120 comunidades judaicas em seu avanço violento através da França. A “Conspiração dos Leprosos” levou o Parlamento de Paris a exigir dos judeus uma gigantesca multa de 150 livres, judeus esses que foram subsequentemente expulsos em massa pelo rei Carlos IV, mas não antes que 160 deles tivessem sido queimados em Chinon e 40 cometido suicídio na Champagne.[74]

Nem a situação dos judeus convertidos era mais confortante. Chamados de “porcos” na Espanha, eles eram “fiscalizados rigorosamente, com o objetivo de descobrir se não seguiam às ocultas sua antiga religião, praticando atos como vestir roupa lavada aos sábados, dar nomes judaicos aos filhos, comer carne na Quaresma, comer pão ázimo, etc”[75]. Além de serem retratados como excrementos e porcos, os judeus também eram alvos da tradição da colafização, que consistia em esbofetear um judeu, na Sexta-Feira Santa, diante da catedral[76]. Nem seus filhos eram poupados: os judeus tinham seus filhos ainda crianças arrancados à força da guarda dos pais e levados para casais católicos para serem educados na doutrina católica[77].

Melo alega que “os judeus tinham que professar a fé católica, muitas vezes, batizados à força, caso não quisessem morrer”[78]. Por incrível que pareça, essa prática perdurou por muito mais tempo depois da Idade Média e Moderna. Em finais do século XIX, o mundo ficou assombrado com a história de Edgardo Mortara, um menino judeu tirado à força de seus pais pelas autoridades dos Estados Pontíficios quando ainda tinha 6 anos, sendo adotado pelo papa Pio IX, que o enviou a uma escola católica para ser doutrinado como católico. A justificativa? Mortara teria sido batizado às pressas por uma empregada doméstica durante uma grave doença, o que automaticamente transformava a criança em católica e legitimava esse ato horrendo, uma vez que nos Estados Pontíficios (governados pelo próprio papa) era proibido que não-católicos criassem crianças católicas[79].

Seus pais lutaram, em vão, por sua libertação, durante nada a menos que doze anos. Suas tentativas foram sistematicamente frustradas devido à firme oposição de Pio IX, o que não impediu este papa de ser beatificado em 2000, fazendo dele um “santo”. O “caso Mortara” chocou a opinião pública de sua época; afinal, estamos falando de finais do século XIX, quando a sociedade já não era mais tão ferrenhamente católica como outrora. Mas na sociedade medieval isso não apenas era rotineiro como encorajado, devido aos judeus serem “porcos” e “excrementos” que crucificaram a Cristo mais de mil anos antes.

Mesmo quando raramente surgia um padre mais esclarecido e tolerante, como o brilhante padre Antônio Vieira, a reação da Igreja era de oposição e perseguição pelas estranhas e inaceitáveis tendências de tolerância. Foi por isso que o padre Vieira foi preso pela Inquisição em 1663, acusado de “simpatia pela sorte dos judeus convertidos”[80]. Se até o padre que defendia os judeus era perseguido, imagine o que eles não faziam com os próprios judeus. Não à toa Paul Johnson diz que o Egito – dominado pelos muçulmanos – era um local mais seguro para os judeus do que a Cristandade ocidental católica[81].


Expulsão (e morte) de judeus e mouros

Um dos casos mais famosos de demonização dos judeus ocorreu em 1492, quando os inquisidores falsificaram um “crime ritual” envolvendo um certo Santo Niño de la Guardia, “evento que causou tal comoção que, no dia 31 de março de 1492, os reis católicos decretaram a expulsão de todos os judeus dos reinos da Espanha ‘para que jamais retornassem’”[82]. Baigent e Leigh afirmam que esta foi a “fabricação mais crassa que qualquer outra perpretada em nosso século por Hitler ou Stalin”[83]. Um pretexto armado para que os judeus fossem culpados, execrados e expulsos de suas próprias casas.

Bleye escreve:

[Os judeus] eram algo estranho, que podia ser eliminado quando se quisesse. O povo cristão não estimava aos judeus; a lei se ocupava neles quase exclusivamente para fixar suas incapacidades civis, para marcar e aprofundar a separação entre eles e os cristãos. E chegou, enfim, a lei inevitável, a de sua expulsão, que não foi a Espanha o único Estado a decretar.[84]

Cantú diz que os judeus tentaram convencer os reis católicos a mudar de opinião oferecendo-lhes quantia em dinheiro, mas a Igreja os convenceu a seguir em frente com o intento maligno:

Os judeus procuraram desviar o golpe, oferecendo pagarem trinta mil ducados para as despesas da guerra e submeterem-se a todas as ordens, que quisessem impor-lhes. O rei e a rainha não estavam muito longe de cederem a estas propostas, quando o inquisidor-geral Torquemada se lhes apresentou com um crucifixo na mão, e lhes disse: “Judas vendeu Nosso Senhor por trinta moedas; quererão vossas altezas vende-lo agora novamente por trinta mil ducados?”. Decretou-se, portanto (1492), que os judeus receberiam o batismo, ou seriam obrigados a saírem do reino, no prazo de três meses, sob pena de morte e do confisco dos bens, tanto para eles como para os cristãos que lhes dessem asilo.[85]

Assim, em 31 de março de 1492, os reis católicos promulgam um édito “cujas cláusulas, rigorosas e claras, obrigavam a todos os judeus residentes nas terras dos reis a se batizarem ou saírem da Espanha em até quatro meses. A ordem se cumpriu com grande rigor”[86]. Diferente do que você pode estar propenso a pensar, o édito não continha exceções. “Sem distinção de sexo, idade e nem estado”[87], os judeus eram expulsos da Espanha e proibidos de voltar sob qualquer pretexto[88]. Os católicos que eventualmente quisessem demonstrar misericórdia e conceder abrigo aos judeus (como muitos alemães fizeram na época do nazismo) seriam punidos[89].

Como consequência deste édito maquiavélico instigado pela Igreja Romana e levado a cabo pelas autoridades católicas, cerca de 500 mil judeus escolheram se converter à força para não serem expulsos (os quais passaram a ser alvos constantes da Inquisição e executados aos montões), e outros 200 mil partiram[90]. E essa cifra ainda é a estimativa baixa, pois os escritores da época estimavam pelo menos o dobro disso. O bispo espanhol Diego de Simancas (m. 1583), por exemplo, disse que foram 400 mil[91], o erudito português Immanuel Aboab (1555-1628) estimou em 420 mil[92], o capelão do rei espanhol Pedro Fernández de Navarrete (1564-1632) alegou terem sido 600 mil[93], e o padre jesuíta e historiador Juan de Mariana (1536-1624) sustentou a cifra de 800 mil[94], o mesmo que diz Llorente[95].

Cantú diz que mais de 150 mil desses judeus expulsos da Espanha foram para a África, enquanto outros atravessaram os Pireneus para se dirigirem aos portos da Guiana e do Languedoc[96]. Ele acrescenta:

Os soberanos da Espanha insistiam para que o seu exemplo fosse imitado; os patrões das barcas, com quem os judeus ajustavam a sua passagem, tornavam-se cada vez mais exigentes: depois de lhes terem extorquido grossas somas, conservavam-nos presos nos seus navios, até que lhes pagavam enormes resgates; ou também roubavam-lhes suas mulheres e filhos para os batizarem.[97]

Os judeus que se dirigiram à vizinha Portugal sob a promessa de proteção de Dom João II (que exigiu o pagamento de oito escudos por cabeça)[98] não tiveram uma sorte melhor, pois seu sucessor, Dom Manuel, revogou a promessa de seu antecessor e também os obrigou a sair do país “com tudo o que possuíam, sob pena de ficarem escravos”[99]. Não satisfeito com isso, ele mandou arrancar os filhos pequenos de suas mães e ainda proibiu que embarcassem para a África, forçando-lhes a traçar um caminho mais longo que resultaria na morte de muitos deles, e na escravização daqueles que se recusaram a partir:

A fim de salvar essas almas do inferno, mandou-lhes tirar os filhos de menos de catorze anos, para os mandar educar na religião cristã. Imagine-se o desespero das mães! (...) Depois o rei impediu esses infelizes de embarcarem para a África, onde esperavam encontrar nos muçulmanos a tranquilidade que lhes recusavam os cristãos. (...) Um certo número dentre eles desembarcou na Itália, e alguns foram vistos morrerem de fome junto do molhe de Gênova, único canto da terra onde quiseram recebê-los. Os que deixaram terminar o prazo fixo para a partida foram feitos escravos.[100]

Mas engana-se quem pensa que os reis católicos com o incentivo da Igreja expulsaram os judeus da Espanha e de Portugal somente uma vez no final do século XV. Na verdade, foram várias expulsões e exílios forçados desde Fernando (1492) até Filipe IV (1665), cuja quantidade de judeus deportados é calculada em três milhões por Cantú[101], mesma cifra alegada pelo capelão do rei, Fernández de Navarrete[102]. Bleye diz que “não é de se estranhar que em Andaluzia ficassem mais de quatro mil casas vazias, abandonadas pelos judeus que escapavam com suas mulheres e seus filhos. Disseram à rainha que a emigração de gentes tão ativas fazia decair o comércio e diminuía as rendas reais. Mas as súplicas para que a evitasse não a fizeram mudar de propósito”[103].

Um fato que chama a atenção é que esse exemplo extremo de intolerância não foi seguido nem pelos muçulmanos, quando governavam a Espanha. Até a Reconquista, que se consumou em 1492, os territórios muçulmanos da Espanha permitiam a presença de cristãos, judeus e muçulmanos dividindo a mesma terra, sem criar nenhum aparato de perseguição sistemática análogo à Inquisição católica, e sem jamais ter expulsado os judeus de suas casas. Essa é a razão pela qual havia tantos judeus (provavelmente na faixa dos milhões) na época em que os reis católicos os expulsaram de Espanha e Portugal. Essa política de tolerância foi radicalmente subvertida quando os católicos reconquistaram a península, não demorando em expulsar os judeus do território e em estabelecer o Santo Ofício para vigiar, julgar e executar os judeus conversos.

Até mesmo os muçulmanos (chamados de “mouros” na Espanha católica), que toleraram a presença de súditos católicos quando estiveram no poder, foram expulsos dali por ocasião da Reconquista, como conta Bleye:

Os soberanos medievais espanhois eram reis de “homens das três religiões”: cristãos, muçulmanos e judeus. Dona Isabel e Dom Fernando começaram também a reinar sobre gentes dessas três religiões. Os muçulmanos, súditos de Aragão, se chamavam mouros (...) Mas obedecendo a um novo espírito de fervor cristão, despertado pela Reconquista, obrigaram a se batizarem todos os muçulmanos que viviam no recém conquistado reino de Granada e nos antigos domínios de Castilha e Leão (Sevilla, 14 de fevereiro de 1502). Os que não se batizaram, e tinham 14 anos ou mais, deviam sair da Espanha.[104]

Assim, a Espanha, outrora tolerante para com a diversidade de religiões, mudava radicalmente seus trilhos ao ser reconquistada pelos católicos, que só aceitavam a presença de uma religião: a deles. Judeus e mouros foram expulsos antes do final do século XV, e o protestantismo emergente nas décadas seguintes foi rapidamente liquidado através do extermínio sumário de protestantes[105]. Os mouros que não foram expulsos em 1496 e em 1502 foram definitivamente expulsos por Filipe III (1578-1621)[106]. Cantú revela detalhes do que aconteceu:

Filipe III, ou antes o duque de Lerme, decretou a expulsão dos mouros (1609). Dezesseis galeras de Gênova, dezessete de Nápoles e nove de Sicília vieram, com tropas italianas, para levar a bordo todos os mouros que existiam na Espanha. Tiveram ordem de só levarem o dinheiro e o ouro necessário à sua viagem. Puderam também levar o produto dos seus bens vendidos, porém em gêneros do país. Foi-lhes necessário deixarem os seus filhos de menos de quatro anos, as mulheres mouras casadas com cristãos.[107]

Só nessa última expulsão, foram 500 mil mouros que tiveram que deixar o país[108], na estimativa mais baixa[109]. A consequência imediata e visível da expulsão “foi que a Espanha perdeu uma porção considerável e laboriosa de sua população, já então escassa”[110]. Nem mesmo as grandes somas em dinheiro e propriedades do que foi roubado de judeus e mouros com as expulsões foi capaz de compensar isso, o que ajudou a empobrecer e apequenar uma nação que outrora rivilizava com a França pela soberania da Europa.

A circunstância da expulsão dos mouros foi ainda mais desumana que a dos judeus, pois tiveram apenas três dias para sumir do país, e não os três meses dados aos judeus. Como consequência, os mouros, em geral já pobres, tiveram que fugir às pressas para o desconhecido – sem avião, sem ônibus, sem carro ou ao menos uma bicicleta –, no que resultou na morte de ¾ deles pela fome e miséria[111], o que significa que aproximadamente 375 mil mouros pereceram em função do decreto imperial. Embora esteja longe de ser o único caso de genocídio perpetrado pelos católicos espanhois, era o único em que eles nem mesmo precisaram do uso da espada diretamente. E este número sequer inclui os judeus que pereceram da mesma forma.

Esse massacre silencioso e covarde de centenas de milhares de judeus e mouros (incluindo principalmente crianças pequenas, mulheres e idosos, que pereciam mais rápido devido à sua fragilidade) jamais foi alvo do repúdio papal na época dos acontecimentos. Muito pelo contrário: o papa Sisto IV expressamente autorizou a nomeação de inquisidores em 1º de novembro de 1478 “a fim de que se descobrissem e extirpassem a heresia em todos os seus reinos”[112], o inquisidor-geral Torquemada convenceu os reis a seguirem em frente com o plano quando estavam hesitantes[113], e o papa Alexandre VI (1492-1503), pouco depois do édito da expulsão dos judeus, fez questão de outorgar aos reis espanhois Fernando e Isabel o honroso título de “Reis católicos”, que jamais foi revogado[114].

Os reis católicos Fernando e Isabel não receberam este título à toa: eles eram tidos pela Cúria romana como um modelo de monarca católico ideal, porque a política dos reis católicos no campo religioso expressava exatamente as ambições da Santa Sé. Perseguições sistemáticas, execuções em massa e expulsões desumanas que resultavam na morte de centenas de milhares de civis inocentes faziam da Espanha a “nação mais devotamente católica e poderosa da Europa”[115], nas palavras dos historiadores católicos Price e Collins. O papa pôde ter excomungado Henrique VIII por causa de um divórcio, mas não fez nada contra os reis espanhois responsáveis pelo massacre sumário de centenas de milhares de vidas, além de enaltecê-los e premiá-los por essa conduta.

Lastimavelmente, a Espanha esteve longe de ser o único país católico a expulsar os judeus de seu território – atitude essa, diga-se de passagem, jamais exigida pelos países protestantes –, sendo Inglaterra (1290), França (1306, 1394, 1615) e Portugal (1496) exemplos de países católicos e leais ao papa que fizeram o mesmo[116]. As justificativas para o confisco (roubo) dos bens dos judeus e sua expulsão estavam sempre baseadas no “autoritarismo que explorou o ódio social, racial e religioso”[117], instigado pelo fanatismo católico e estimulado pelo papado. Nas palavras de um exilado espanhol, “nosso país é uma terra de orgulho e inveja e, pode-se acrescentar, barbárie; lá, não se pode produzir qualquer cultura sem se tornar suspeito de heresia, erro e judaísmo. Desse modo, impôs-se silêncio aos cultos”[118].


Limpeza de sangue

“Mathias Ayres é limpo de sangue, de geração sem raça, fama, ascendência ou a mais tênue nódoa de sangue infecto de judeu, mouro, negro ou índio”. Se você está pensando que essa assertiva foi feita por algum nazista no século passado, está bem enganado. Foi feita em 1743, pelo pai de Mathias, que intercedeu pelo seu filho junto à Inquisição garantindo-lhe provas de “limpeza de sangue”. Não bastasse serem alvos da Inquisição, dos concílios e de massacres sumários, os judeus nos países mais fortemente católicos como Espanha e Portugal também sofriam o mesmo tipo de discriminação racista que se tornou comum na Alemanha nazista e que resultou no extermínio de milhões deles.

O historiador espanhol Pedro Aguado Bleye diz que “essas perseguições e o estabelecimento da prova de ‘limpeza de sangue’, para impedir o acesso a cargos públicos e a entrada no clero dos que tivessem em sua ascendência maometanos ou judeus, tornou difícil a vida dos conversos, muitos dos quais emigraram da Espanha”[119]. Quando a Espanha expulsou os judeus que se recusaram a se converter, a Inquisição passou a direcionar sua atenção para aqueles “convertidos” à força, que se tornaram católicos para não serem expulsos. Era preciso vigiá-los com cuidado, para garantir que não estavam praticando seu velho Judaísmo em segredo.

Mas certificar-se de que eram bons católicos não era o suficiente, porque supostamente tinham sangue infecto devido ao fato de serem judeus ou de terem ascendência judaica, “infecção” essa que se transmitia adiante pelas gerações e os tornava inferiores aos demais católicos, indignos dos mesmos direitos civis ou de ocupar cargos no Estado ou na Igreja. Bethencourt alega que “os reconciliados dos ‘crimes’ de heresia, bem como os respectivos filhos e netos, são excluídos dos cargos públicos e das funções de médicos ou boticários pelas cédulas reais de 1501 e de 1528, que encarregam o ‘Santo Ofício’ de controlar a execução dessas disposições”[120].

Novinsky acrescenta:

A Inquisição portuguesa, assim como a espanhola, foi uma instituição racista. Era preciso encontrar o herege, e para isso se buscou a origem étnica dos portugueses até a sétima, oitava, nona geração. Judeus, mouros, índios, negros, mulatos, ciganos, eram excluídos por lei dos serviços públicos, da Igreja, das ordens religiosas, dos estudos superiores.[121]

O processo que decidia se o candidato a uma vaga como funcionário público, estudante na universidade ou clérigo tinha sangue puro ou impuro era longo e cansativo, para não dar margens à possibilidade de alguém com “sangue infecto” ocupar um lugar do qual só os católicos de “sangue puro” eram merecedores. A este respeito, Bethencourt escreve:

A investidura dos funcionários e familiares nas Inquisições hispânicas é precedida por um processo de habilitação que torna mais distintiva a pertença ao tribunal. O inquérito devia ser feito até a terceira geração, sendo necessário interrogar um mínimo de doze testemunhas entre as pessoas mais velhas e mais prestigiadas das cidades, vilas e aldeias onde tinham residido os antepassados do candidato ao posto (...) Certos processos de habilitação atingem centenas de fólios, justamente porque era necessário estabelecer “sem falhas” a pureza de sangue do candidato – o número de testemunhas interrogadas podia aumentar extraordinariamente nos casos mais complicados, o que sobrecarregava os custos do processo (...) A pureza de sangue era um elemento suplementar de distinção social que vinha se juntar ao sistema tradicional da linhagem e da nobreza de nascimento.[122]

Nazario também ressalta:

Desde a introdução dos Estatutos da Limpeza do Sangue, a perseguição aos cristãos-novos passou a dar-se sobre bases racistas. Por esses estatutos, os réus eram qualificados segundo a quantidade de sangue judaico que possuíam nas veias, presumindo-se a heresia proporcional a essa porcentagem. O cristão-velho de quatro costados ou de todos os costados era o cristão de “sangue puro”. O de dois costados já estava 50% “contaminado de heresia”, e assim por diante. Os Estatutos foram adotados pela Coroa, pela Igreja, pelas Ordens Militares e reconhecidos por todas as camadas sociais.[123]

Os “cristãos-velhos” eram aqueles católicos que não tinham ascendência judaica (eram católicos de “sangue puro”), enquanto os “cristãos-novos” eram aqueles católicos que descendiam de judeus convertidos, mas que continuavam com “sangue impuro” devido à sua ascendência judaica. A estes era proibida até mesmo a moradia em certos lugares, como a província de Guipúzcoa, que fez um estatuto proibindo morar ou casar-se nela os que vinham de famílias judias[124]. Nas Índias de Castela, a legislação proibia até que os descendentes de judeus viessem ao Novo Mundo ou mesmo que participassem dos tratos comerciais a ele relacionados[125].

Gorenstein acrescenta que “havia a necessidade de ser ‘limpo de sangue’ para sobreviver sem sobressaltos. Aqueles que tivessem qualquer parte de ‘sangue infecto’, de ‘sangue judeu’ estavam sujeitos a qualquer momento a serem presos e enviados a Lisboa para serem julgados pelo crime de heresia judaica”[126]. Essa realidade ainda mais sombria da Inquisição é tão incontestável e notória que até João Bernardino Gonzaga, o apologista católico defensor da Inquisição, é obrigado a confessar:

A “limpeza de sangue” passou a ser exigida para a obtenção de postos de relevo na administração pública, civil e militar, bem como no mundo universitário e no âmbito eclesiástico. Várias disposições da legislação civil assim dispunham, embora na prática nem sempre fossem obedecidas. A proibição apresentou-se também como pena acessória, transpessoal, decorrente das condenações impostas pelo Santo Ofício. Consoante seu Regimento de 1640, o filho e o neto de um condenado pela Inquisição ficavam impedidos de serem juiz, meirinho, notário, escrivão, procurador, feitor, almoxarife, médico, boticário, etc., etc.[127]

Carneiro assinala que “do século XV ao XIX, o discurso acusatório fez uso de vocábulos teológicos para justificar a exclusão social dos ‘infames pelo sangue’”[128]. Ou seja, a Igreja precisava de um pretexto teológico para justificar essa vergonhosa prática discriminatória e racista, o que explica as pregações preconceituosas e antissemitas dos padres, que inflamavam as multidões, criando e acumulando ódio aos judeus – o qual, lamentavelmente, continua em certo grau até os nossos dias.

Os múltiplos estatutos de pureza de sangue que bloquearam a promoção social dos cristãos-novos e os marginalizaram”[129] não foram abolidos senão em pleno ano de 1865, ou seja, há apenas um século e meio[130]. Até essa época os descendentes de judeus continuavam a ser perseguidos pela Inquisição, a qual “participou ativamente nos processos de exclusão de grupos sociais, contribuindo fortemente para a consolidação dos preconceitos de ‘limpeza de sangue’”[131]. Para isso a Inquisição contou com o apoio da própria Igreja, que “durante séculos interessou-se pela preservação do mito da pureza de sangue: a prática da exclusão pela infâmia lhe rendia gordos dividendos”[132]. Na península ibérica, “o sangue passou a ser a explicação para a superioridade de uns e a inferioridade de outros”[133].

Friedman sustenta que o antissemitismo moderno provém dos estatutos de pureza de sangue instituídos pela Inquisição, que “sustentavam que o sangue judeu degenerado era inacessível para o batismo e a graça... a condição de judeu, então, não era uma declaração de fé nem mesmo uma série da práticas étnicas, mas uma consideração biológica”[134]. Nazario também acredita que a Igreja Romana através de seu principal mecanismo de caça aos hereges “prefigurou a política biológica do nazismo”[135]. A própria terminologia nazista se aproximava da católica, pois ambos exigiam a “pureza de sangue” e a morte do judeu como uma medida de “higiene social”[136], com a diferença de que os nazistas matavam rápido em câmaras de gás, e a Igreja a fogo lento nos autos-da-fé.

Bethencourt considera “inegável que as Inquisições hispânicas desempenharam um papel decisivo na reprodução e ampliação das exclusões sociais sob o argumento da impureza de sangue”[137], enquanto Baigent e Leigh destacam que os católicos ibéricos “mergulharam num implacável programa de purificação que antecipava a política nacional-socialista do século 20 e a prática de ‘limpeza étnica’ aplicada nos Balcãs na década de 1990”[138]. Lewy vai além e diz que “os papas da Igreja Católica foram os primeiros a desenvolver o antissemitismo como uma ciência”[139]. Anita Novinsky, uma das maiores estudiosas da Inquisição, declara:

Em nenhuma época da história – antes do nazismo – foi elaborado um programa antissemita tão longo, tão minucioso, organizado e sistemático como em Portugal. Durante mais de dois séculos, os inquisidores mantiveram um verdadeiro “Gabinete de Investigação”, em busca de descendentes de judeus, e de geração em geração se repetiam os mesmos “slogans”, os mesmos estereótipos e as mesmas acusações. Muitos portugueses, por terem antepassados cristãos-novos, perderam os bens, a família, a vida.[140]

Até mesmo na questão da quantidade de sangue os nazistas precisaram apenas copiar os católicos, sem acrescentar nada de novo:

Analisando os processos inquisitoriais, verificamos que a qualidade do réu dependia da quantidade de sangue judaico que este possuía em suas veias. Daí as categorias dos infectados em quartos, oitavos e meios oitavos. Essa mesma qualificação foi reabilitada pelo nazismo, que, a partir das Leis de Nuremberg promulgadas em 15 de setembro de 1935, valeu-se de critérios semelhantes para qualificar os judeus como representantes de uma raça inferior. Apoiando-se em fundamentos pseudocientíficos, o 3º Reich institucionalizou as ideias de pureza racial na Lei para cidadãos do Reich e Lei para a defesa do sangue da honra.[141]

Carneiro também enfatiza outras similaridades entre os nazistas e a Inquisição quando diz:

Ainda que apoiados em fundamentos distintos (teológico e científico, respectivamente), tanto o discurso antissemita tradicional como o moderno eram radicais: tinham a capacidade de alterar a trajetória de vida de qualquer cidadão “suspeito de ter origens judaicas”. Assim foram rotulados os cristãos-novos portugueses e brasileiros nos tempos da Inquisição; da mesma forma, milhares de alemães tiveram suas vidas devassadas por médicos e juristas a serviço da Alemanha hitlerista em pleno século XX. Lembramos que, em 1935, a metáfora da doença atrelada à imagem do judeu como perigo foi novamente retomada pelos nazistas, que chegaram a preparar um boletim médico comparando o judeu ao bacilo de Koch.[142]

Como vemos, o nazismo não foi um mal que surgiu “do nada”, mas é antes de tudo o fruto de toda uma mentalidade antissemita que se desenvolveu por séculos, tendo no papado, na Inquisição e na pessoa dos reis católicos o seu pontapé inicial. As ideias de “pureza de sangue” e seus estatutos contra os judeus e seus descendentes serviram de inspiração a Hitler, que não tardou em implementá-los também em seu país. Toda a ideologia nazista era baseada na política de discriminação racial predominante na Idade Média e que já massacrava judeus muito antes de um führer chegar ao poder no século XX. Como um pavio fumegante de uma bomba prestes a estourar, era mera questão de tempo até que o antissemitismo eclesial tomasse a forma de antissemitismo de Estado e resultasse no extermínio de milhões de judeus, não apenas na Alemanha, mas ao redor de todo o mundo.

Cohen não está errado quando argumenta que “os mendicantes, inquisidores, missionários, polemistas, contendores, eruditos e pregadores se engajaram num esforço sistemático para solapar a liberdade religiosa e a segurança física dos judeus”[143]. Quando os nazistas ensinavam a odiar os judeus inventando calúnias e difamações eles não estavam fazendo mais do que a Igreja Romana, que durante séculos doutrinou seus fieis a odiarem os judeus desde a mais tenra idade e manteve viva a chama do antissemitismo que, lamentavelmente, continua acessa até hoje. Como corretamente constata Lopez, “a partir da religião católica nasceu um antijudaísmo explicitamente racista”[144].

• Compartilhe este artigo nas redes:


Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

- Siga-me no Facebook para estar por dentro das atualizações!


- Baixe e leia os meus livros clicando aqui.

- Acesse meu canal no YouTube clicando aqui.




[1] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 118.

[2] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 587-588.

[3] MICHAUD, Joseph François. História das Cruzadas – Volume Primeiro. 1ª ed. São Paulo: Editora das Américas, 1956, p. 131-132.

[4] ibid, p. 131.

[5] ibid, p. 132-133.

[6] ibid.

[7] HEERS, Jacques. História Medieval. 1ª ed. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1974, p. 163.

[8] LE GOFF, Jacques. A bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média. São Paulo: Brasiliense, 2004, p. 33.

[9] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 310.

[10] MALUCELLI, Laura; FO, Jacopo; TOMAT Sergio. O livro negro do cristianismo: dois mil anos de crimes em nome de Deus. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

[11] MORRISSON, Cécile. Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: L&PM Pocket, 2009.

[12] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 65.

[13] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 366.

[14] MAALOUF, Amin. As Cruzadas Vistas Pelos Árabes. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001, p. 58.

[15] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 128.

[16] ibid.

[17] DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 385-386.

[18] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 323-324.

[19] MAALOUF, Amin. As Cruzadas Vistas Pelos Árabes. 4ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001, p. 12.

[20] RUNCIMAN, Steven. História das Cruzadas, Volume II: O Reino de Jerusalém e o Oriente Franco, 1100-1187. 1ª ed. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2002, p. 16.

[21] BROOKE, Christopher. Europa en el centro de la Edad Media (962-1154). 1ª ed. Madrid: Aguilar, 1973, p. 372.

[22] Pedro o Venerável. Letters, vol. I, p. 327.

[23] PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzadas y El saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 124.

[24] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 172.

[25] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 51.

[26] BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 279.

[27] ibid, p. 342.

[28] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 10.

[29] ibid, p. 14.

[30] ibid, p. 47.

[31] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 109.

[32] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 44.

[33] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Sangue como Metáfora: Do anti-semitismo tradicional ao anti-semitismo moderno. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 374.

[34] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 124-125.

[35] MOTT, Luiz. Filhos de Abraão e de Sodoma: Cristãos-novos homossexuais nos tempos da Inquisição. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 200, p. 63.

[36] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 51.

[37] ibid, p. 39-40.

[38] ibid, p. 45.

[39] ibid, p. 51.

[40] POLIAKOV, León. História do anti-semitismo, vol. II. De Maomé aos marranos, p. 203.

[41] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 65.

[42] ibid, p. 71.

[43] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 102.

[44] ibid, p. 112.

[45] ibid, p. 102.

[46] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 38.

[47] NOVINSKY, Anita. Um resgate histórico: os cristãos-novos no Brasil – Trajetória Científica. São Paulo, 1992. Livre-docência – FFLCH-USP, p. 50.

[48] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 100-101.

[49] ibid, p. 114.

[50] O’MALLEY, John W. The First Jesuits. Cambridge, MA: Harvard University, 1993, p. 188.

[51] Papa Paulo IV. Cum nimis absurdum. Disponível em: <http://www.ccjr.us/dialogika-resources/primary-texts-from-the-history-of-the-relationship/274-paul-iv>. Acesso em: 28/06/2018.

[52] ibid.

[53] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 101.

[54] ibid, p. 112.

[55] ibid.

[56] ibid, p. 113.

[57] Concílio de Florença, 1431-1445.

[58] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 66.

[59] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 108.

[60] CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China. São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 92.

[61] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 434.

[62] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 36.

[63] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 54.

[64] ibid, p. 68-69.

[65] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 366.

[66] BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. 1ª ed. São Paulo: Fundamento Educacional, 2010, p. 107.

[67] MELLINKOFF, Ruth. Signs of Otherness in Northern European Art. Berkeley: University of California, 1993, v. 1, p. 108.

[68] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 72.

[69] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 108.

[70] ibid, p. 108-109.

[71] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 435.

[72] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 164-165.

[73] ibid, p. 165.

[74] RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 109.

[75] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 104.

[76] ibid, p. 65.

[77] MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011, p. 84.

[78] ibid.

[79] ROBERTO, de Mattei. Pius IX. Herefordshire. UK: Gracewing Publishing, 2004, p. 153–158.

[80] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 129.

[81] JOHNSON, Paul. La historia de los judíos. Barcelona: Zeta, 2010, p. 302.

[82] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 60.

[83] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 96.

[84] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 162.

[85] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 481.

[86] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 161.

[87] ibid, p. 162.

[88] ibid.

[89] ibid.

[90] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 104.

[91] SIMANCAS, Diego de. De catholicis institutionibus, p. 164. Citado em: BAROJA, Julio Caro. Los judíos en la España Moderna y Contemporánea I. 4ª ed. Madrid: Istmo, 2000, p. 200-201.

[92] ABOAB, Imanuel. Nomologia, p. 291. Citado em: BAROJA, Julio Caro. Los judíos en la España Moderna y Contemporánea I. 4ª ed. Madrid: Istmo, 2000, p. 201.

[93] NAVARRETE, Pedro Fernández de. Conservación de monarquias, p. 466. Citado em: BAROJA, Julio Caro. Los judíos en la España Moderna y Contemporánea I. 4ª ed. Madrid: Istmo, 2000, p. 202.

[94] MARIANA, Juan de. Historia de España, livro XXVI, p. 242. Citado em: BAROJA, Julio Caro. Los judíos en la España Moderna y Contemporánea I. 4ª ed. Madrid: Istmo, 2000, p. 202
.
[95] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 162.

[96] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 480.

[97] ibid, p. 482.

[98] ibid.

[99] ibid.

[100] ibid.

[101] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 165.

[102] NAVARRETE, Pedro Fernández de. Conservación de monarquias, p. 466. Citado em: BAROJA, Julio Caro. Los judíos en la España Moderna y Contemporánea I. 4ª ed. Madrid: Istmo, 2000, p. 202.

[103] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 165.

[104] ibid, p. 160.

[105] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 106.

[106] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 199.

[107] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 479-480.

[108] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 329.

[109] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 737.

[110] ibid.

[111] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 201.

[112] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 164.

[113] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 481.

[114] CURTIS, A. Kenneth. Os 100 acontecimentos mais importantes da história do Cristianismo: do incêndio de Roma ao crescimento da igreja na China. São Paulo: Editora Vida, 2003, p. 104.

[115] COLLINS, Michael; PRICE, Matthew A. História do Cristianismo: 2000 anos de fé. São Paulo: Edições Loyola, 2000, p. 140.

[116] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 70-71.

[117] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 250.

[118] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 370.

[119] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 161-162.

[120] BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 299.

[121] NOVINSKY, Anita. Inquisição: Prisioneiros do Brasil - Séculos XVI-XIX. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2002, p. 19.

[122] BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 137.

[123] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 108.

[124] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 165.

[125] MONTEIRO, Yara Nogueira. Economia e Fé: A perseguição inquisitorial aos cristãos-novos portugueses no vice-reino do Peru. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 68.

[126] GORENSTEIN, Lina. A Inquisição contra as mulheres: Rio de Janeiro, séculos XVII e XVIII. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 387.

[127] GONZAGA, João Bernardino Garcia. A Inquisição em seu mundo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 231.

[128] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Sangue como Metáfora: Do anti-semitismo tradicional ao anti-semitismo moderno. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 344.

[129] GORENSTEIN, Lina. A Inquisição contra as mulheres: Rio de Janeiro, séculos XVII e XVIII. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 392.

[130] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 371.

[131] BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 407.

[132] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Sangue como Metáfora: Do anti-semitismo tradicional ao anti-semitismo moderno. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 357.

[133] ibid, p. 353.

[134] FRIEDMAN, Jerome. Jewish Conversion, the Spanish Pure Blood Laws and Reformation: a revisionist view of racial and religious antisemitism. SCJ, v. 18, 1987, p. 16.

[135] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 109.

[136] ibid.

[137] BETHENCOURT, Francisco. História das Inquisições: Portugal, Espanha e Itália – Séculos XV-XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 299.

[138] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 81.
[139] LEWY, Guenter. The Catholic Church and Nazi Germany. New York: Mc Graw-Hill, 1964, p. 274.

[140] NOVINSKY, Anita Waingort. Gabinete de Investigação: uma “caça aos judeus” sem precedentes. São Paulo: Humanitas Editorial/Fapesp, 2007, p. 23.

[141] CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. O Sangue como Metáfora: Do anti-semitismo tradicional ao anti-semitismo moderno. In: Ensaios sobre a intolerância: inquisição, marranismo e anti-semitismo (ed. GORENSTEIN, Lina; CARNEIRO, Maria Luiza Tucci), 2ª ed. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, p. 350.

[142] ibid, p. 350-351.

[143] COHEN, Jeremy. The friars and the Jews: the evolution of medieval anti-Judaism. New York: Cornell University Press, 1982. Citado em: RICHARDS, Jeffrey. Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade Média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993, p. 111.

[144] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 72.


ATENÇÃO: Sua colaboração é importante! Por isso, se você curtiu o artigo, nos ajude divulgando aos seus amigos e compartilhando em suas redes sociais (basta clicar nos ícones abaixo), e sinta-se à vontade para deixar um comentário no post, que aqui respondo a todos :)

91 comentários:

  1. Interessante o fato do nazistas terem copiado todo o antissemitismo da legislação católica apesar do nazismo não ser um movimento religioso e o motivo destes perseguirem os judeus era racial,pois os consideravam uma raça inferior,assim como os ciganos e os eslavos,mas mesmo assim tiveram essa inspiração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lembrando que os católicos também tinham preconceitos raciais contra os judeus, por isso a "limpeza de sangue" (é o terceiro tópico do artigo), exigida mesmo para aqueles que eram bons católicos, mas que tinham ascendência judaica.

      Excluir
    2. Anônimo do Avalie29 de junho de 2018 20:53

      Avalie: https://youtu.be/kXvIdR6LHng

      Excluir
  2. "Olavo de Carvalho, O Jardim das Aflições, É Realizações, 2ª edição, página 212, nota 145 :

    Demasiado distante de Bizâncio para poder desfrutar da proteção imperial contra os bárbaros, demasiado sujeita à autoridade bizantina para poder recusar-lhe o pagamento de pesados impostos, a Igreja de Roma, por volta do século VIII, começa a sonhar com uma transferência do Império para o Ocidente."

    Avalie e comente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não entendi o que isso tem a ver. De todo modo, essa transferência jamais foi concretizada.

      Excluir
  3. Olavo de Carvalho, O Jardim das Aflições, É Realizações, 2ª edição, página 35, nota 14 :

    "A inquisição espanhola mandou executar, no total, não mais de 20 mil pessoas em quatro séculos, isto é, em média, quatro por ano;"

    Avalie e comente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, foram "só" 20 mil pessoas? Tá deboas então!

      Sobre o número em si (que foi bem mais que isso), comentei neste artigo recente:

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/06/entenda-tudo-sobre-inquisicao-e-caca.html

      Excluir
  4. Já viu esse lugar Banzoli? É aí em Curitiba. Comeria um hot dog desses sozinho?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que lugar?

      PS: eu não moro em Curitiba, e sim em São José dos Pinhais, que fica ao lado. Às vezes cito Curitiba apenas como um referencial por ser mais conhecida, mas eu não conheço muita coisa de Curitiba.

      Excluir
  5. Existem contextos que não precisam de comentários

    Jeremias 51:35 A violência que se me fez a mim e à minha carne venha sobre Babilônia, diga a moradora de Sião. O meu sangue caia sobre os moradores de Caldéia, diga Jerusalém.

    Jeremias 51:49 Babilônia há de cair pelos mortos de Israel, assim como por Babilônia cairão os mortos de toda a terra.

    Apocalipse 18:24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

    Magnífico o Artigo, Banzoli

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E ainda são tão caras de pau que inventaram que a Babilônia se refere não a eles, mas justamente (adivinhe)... aos judeus. Que "surpresa".

      Excluir
  6. Esse ódio aos judeus ainda pode ser visto em alguns católicos (Paulo Leitão, por exemplo), principalmente nos ditos tradicionalistas, alguns até são simpatizantes do nazismo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, é um resquício do que sobrou do ódio do passado, que como eu escrevo no artigo, ainda não foi totalmente superado. Se eu fosse colecionar cada discurso de ódio contra os judeus que vejo por aí, quase todos vindos desse pessoal, daria para postar uns trocentos artigos só de prints.

      Excluir
  7. Lucas voce é casado, ou namora?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já namorou, ou pretende de dedicar ao Reino de Deus (escolha extraordinária)?

      Excluir
    2. Já sim, pretendo voltar a namorar um dia mas não agora.

      Excluir
  8. https://youtu.be/-GGWKf2qhIg

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo isso daí é pra exigir que as pessoas da época tivessem o mesmo tipo de classificação de animais que as pessoas de hoje? Cara, isso é tão estúpido... para os hebreus ave era tudo o que voava, os morcegos voavam, então eram aves. A modernidade criou um novo modelo de classificação dos seres, não significa que é melhor ou pior, é apenas diferente. Exigir que os métodos sejam os mesmos e depois inferir que "a Bíblia errou" é simplesmente ridículo. Seria o mesmo que dizer que os livros escolares da minha época (e desde muito antes, até pouco tempo atrás) estavam errados por classificarem Plutão como um planeta, só porque recentemente uma convenção científica (e bem contestável, por sinal) convencionou "rebaixar" Plutão e não considerá-lo mais um planeta. Isso não quer dizer que os livros escolares da minha época estavam mentindo, eles estavam certos porque na época assim era considerado, eles não estavam dependentes da classificação que seria dada no futuro e sim da que então vigorava, tal como o caso do "morcego ave".

      Sobre a lebre e o coelho:

      https://defendendoafecrista.wordpress.com/2015/10/07/a-biblia-ensina-que-coelhos-e-lebres-sao-animais-ruminantes/

      Excluir
  9. https://seuhistory.com/noticias/conheca-grandes-contradicoes-da-biblia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. http://www.dc.golgota.org/

      http://dcgolgota.blogspot.com/

      https://www.facebook.com/descontradizendocontradicoes/

      Excluir
  10. Ivanhoe é um excelente romance e que retrata bem a realidade dos judeus na época do rei cruzado Ricardo Coração de Leão.

    ResponderExcluir
  11. Boa noite, Lucas. Qual sua opinião sobre os historiadores revisionistas?

    Deus lhe ilumine!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quase sempre um "historiador" revisionista não é um historiador de verdade (é formado em outras áreas, como o João Bernardino, o Felipe Aquino e etc), sendo apenas alguém mal-intencionado. Sua intenção é mudar a história estabelecida porque esta não lhe é conveniente, portanto precisa passar uma borracha e reescrevê-la à sua maneira. Quase sempre quem faz isso são fanáticos proselitistas (no caso da ICAR) com intenções bem evidentes e compreensíveis, ou neonazistas (no caso do holocausto). É o tipo de gente que já crê numa "verdade" prévia, então tenta mudar a história para se adequar a essa "verdade" (por isso a desonestidade).

      Excluir
    2. Eu digo isso pois, me parece, que algumas coisas são bem fundamentadas(Não tudo, claro). A Wikipedia, em inglês, tem uma página para esse movimento, que aparenta ser bom(Nota: a pagina em Português tem sua neutralidade questionada, porem a em Inglês não).

      Em Inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Historical_revisionism

      Português: https://pt.wikipedia.org/wiki/Revisionismo_hist%C3%B3rico

      Deus lhe ilumine!

      Excluir
    3. A maioria do que é chamado hoje de "revisionismo" não passa de charlatanice, pseudociência ou teorias de conspiração.

      Excluir
  12. Estou em um culto judaico-messianico,infelizmente n posso dar nd pois sou ainda adolescente e tenho que seguir meus pais,nosso rabino falou que só se deve louvar Yahue se for em hebraico,que essa é a língua original criada por ele para o seu louvor,o que vc acha disso ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se fosse assim, nem o Novo Testamento poderia ter sido escrito em outra língua (o grego). Ademais, se houvesse algum problema sério em se adorar a Deus em outro idioma, isso estaria explicitamente na Bíblia em algum lugar, pois implicaria que bilhões e bilhões de pessoas (basicamente 99% da população mundial de todas as eras) não poderia louvar ao Senhor pelo simples problema do idioma. Além disso, seria pura maldade de Deus que o hebraico não fosse um idioma único ou mundial, uma vez que já é difícil para muita gente aprender o próprio idioma nativo (i.e, ser alfabetizado), quanto mais o hebraico. Me soa até mais agressivo e inconsistente que a missa católica medieval, realizada sempre apenas em latim, idioma que nenhum leigo conhecia. Paulo ensinou justamente o contrário a isso:

      "Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida" (1 Coríntios 14:19)

      Ou seja, o culto deve ser feito no idioma que as pessoas entendem, uma língua compreensível a todos, então se em um determinado lugar se fala português, é em português que o culto deve ser feito, ou o culto será inútil para aqueles que estiverem ali sem entender nada do que está sendo dito.

      Excluir
  13. Lucas, como deve ser a postura dos protestantes/evangélicos para com os Judeus.

    Eu sou cristão protestante e eu pessoalmente falando gosto muito dos judeus (de TODOS OS JUDEUS, SEJA ELE ORTODOXO, SECULAR OU MESSIÂNICO), aliás nós cristãos devemos muito a eles, pois nós deram a bíblia e as Leis morais de Deus (embora a cerimonial tenha sido abolida, a Lei moral continua até os dias de hoje). Além dos evangélicos/protestantes o judaísmo vem crescendo no Brasil, Em 2000 o Brasil tinha apenas 90 mil judeus, mas em 2017 esse número cresceu para 120 mil. Apesar de gostar muito dos judeus, sinto pena por eles não reconhecerem Jesus Cristo como Messias, mas oremos por eles.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Lucas, como deve ser a postura dos protestantes/evangélicos para com os Judeus"

      De respeito, tolerância e amor, mas sem deixar de lhes pregar a verdade que é Cristo. Os judeus são os que estão mais próximos da verdade dentre as religiões não-cristãs, pois é a única que aceita todo o Antigo Testamento, e sabemos que há promessas de Deus para eles que se cumprirão no fim dos tempos, quando "todo o Israel será salvo" reconhecendo Jesus como o Messias.

      Excluir
  14. Avalie:

    https://www.facebook.com/thiago.velozo.79/videos/1756813961081676/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vou nem comentar, vai que é doença.

      Excluir
    2. Banzoli, você tem fogo no rego? Hehehe.

      Excluir
  15. Interessante ver como o mundo sempre esteve dominado pelo mal, os reinos pagãos da antiguidade, para o domínio da igreja católica na idade média (que estabeleceu seu domínio de sangue dizendo que era para não voltar aos tempos pagãos) e para o secularismo no mundo contemporâneo (que diz que o secularismo e ateísmo é o melhor caminho para não voltar a idade média), sendo todos ruins e que distorcem a Verdade para colocar a verdade do homem no lugar, seja uma estatua de barro, um papa, ou o nada.

    ResponderExcluir
  16. https://www.youtube.com/watch?v=30nO8J3b-U0

    ...Comente...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já tinha visto e comentado na época, é um bom vídeo sim.

      Excluir
    2. O Yago é impecável nas suas análises sobre o catolicismo. Assim com você.

      Excluir
  17. Qual a sua opinião sobre o livro de Enoque ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tem algumas incoerências mas também muita informação historicamente útil. Não é inspirada e nem escrita pelo Enoque da Bíblia, mas reflete o pensamento de boa parte dos judeus de um século antes de Cristo.

      Excluir
    2. Pra Vc,quem o escreveu ?

      Excluir
    3. Nós não sabemos, a nota textual da NVI diz que esse livro só apareceu pela primeira vez no primeiro século antes de Cristo, por algum autor anônimo que se passou por Enoque.

      Excluir
  18. Avalie (são duas fotos, nem quero ver o que ta escrito no site):

    http://www.catolicosnabiblia.com.br/imgpost/02-05-17_20-05-41-protestantismo-divisao-atras-de-divisao-por-que-isso-acontece.jpg

    http://www.catolicosnabiblia.com.br/imgpost/30-10-17_21-10-17-protestantismo-anos-de-erros-divisoes-e-contradicoes-biblicas.jpg

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sobre o primeiro, o verso em questão fala de um reino dividido CONTRA SI MESMO, o protestantismo não é dividido contra si mesmo, as diferentes denominações (que não são nem perto de 50 mil, mas ainda que fossem) no geral se dão muito bem, à exceção de uma ou outra seita neopentecostal midiática. Quem diz que os protestantes vivem em guerra entre si ou é desonesto ou não sabe nada do meio evangélico, nunca viu uma Marcha pra Jesus, nunca foi a um seminário teológico evangélico, nunca foi a eventos e palestras interdenominacionais, etc. Eu faço parte de vários grupos evangélicos de facebook onde os integrantes são das mais diversas denominações que você possa imaginar e todos se dão muito bem, não ficam se matando por causa de divergências teológicas secundárias, diferente dos católicos que se matam entre si para decidir quem é o "católico verdadeiro" (tradicionalistas, carismáticos, modernistas, veterocatólicos, sedevacantistas e etc):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/03/o-ufc-catolico.html

      Sobre o outro print, primeiro que os países de tradição protestante só se abriram ao secularismo depois da Segunda Guerra Mundial, ou seja, mais de quatro séculos após a Reforma, desde quando um efeito direto da Reforma demoraria mais de quatro séculos para começar a entrar em ação? Em compensação tem países católicos que já haviam se secularizado MUITO antes, como a França que era revolucionária desde o século XVIII, apenas para citar um exemplo. Hoje em dia se você olha para a Europa não vê vantagem NENHUMA nos países católicos sobre os protestantes; as igrejas católicas são ainda mais vazias e em menor número que as protestantes, que também são poucas, isso não tem nada a ver com um mérito pessoal do catolicismo ou com um demérito do protestantismo, só um picareta faz esse tipo de comparação para enganar leigos trouxas que são preguiçosos o suficiente para não fazer sequer uma pesquisada básica sobre os países católicos europeus:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2017/04/a-igreja-catolica-e-o-baluarte-do_28.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2016/06/destruindo-todas-as-calunias-catolicas.html

      Excluir
  19. A paz irmão Lucas, conheci uma manenina na igreja que congrego,agente tem conversado e tem tudo ido bem, só que uns do líder da igreja disse que eu e elavamos ter que entrar em propósito de oração por três meses o que você acha desse tipo de principio?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nada a ver isso, sem base bíblica nenhuma. Se vocês se conhecem bem e se gostam, não precisa esperar três meses até namorar, na verdade os líderes da igreja sequer deveriam se intrometer nisso já que vocês não estão em pecado.

      Excluir
  20. Fui seminarista católico por 7 anos. Graças a misericórdia de Deus hj não faço parte dessa seita herética. Sirvo a Deus na igreja Congregação Cristã e sinto alegria em servir ao Deus que a Bíblia ( verdadeira autoridade) nos ensina... não o catecismo romano. Gosto dos artigos e vídeos do Lucas e dos demais irmãos que estão conosco. Lucas e demais irmãos me adicionem no whats 43 991851671.

    ResponderExcluir
  21. Nasci nesse sistema ICAR e conheço os bastidores. É uma vergonha que nem mesmo a maior parte dos padres não pegam a Bíblia para ler nem uma vez por dia, além dos catoleigos tratarem os Papa mais do que Jesus Cristo. O papa falou é porque é certo! Ele é o sucessor de Pedro e o representante de Deus na terra. Rsrs

    ResponderExcluir
  22. Lucas porque a Europa está virando as costas para Deus?

    Lucas certa vez em uma pesquisa que fiz sobre a religião na Europa, segundo dados de 2015, a maioria da população europeia ainda é Cristã (73% dos europeus são cristãos), mas apenas um pequeno número considera a religião algo importante para suas vidas, os franceses são o povo mais religioso da Europa! Apenas 5%-10% dos franceses são religiosos, além disso a França é o país com mais ateus na Europa! 30% da população francesa é ateia! Bem maior que a média da Europa que é de 10%. Eu vi que o ateísmo anda crescendo no mundo todo! Principalmente nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento. Lucas porque os países desenvolvidos tendem a ser mais ateus? Porque a Europa está morta espiritualmente?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito simples: porque quem já tem tudo pensa que não precisa mais de Deus. A história inteira de Israel no NT é um exemplo perfeito disso. Quando estavam numa boa se esqueciam de Deus, então vinha uma praga ou guerra que os deixava em maus lençois e se voltavam para o Senhor, e assim sucessivamente em um ciclo que só terminou no cativeiro da Babilônia. Que muita gente só busca a Deus por interesse ou desespero isso não é novidade, os cristãos verdadeiros e regenerados nunca foram maioria em lugar nenhum, nem penso que haja mais cristãos genuínos no Brasil do que na Europa, a diferença é que lá quem vai à igreja é porque ama a Deus mesmo e não tem outra motivação além disso, enquanto aqui muita gente vai à igreja por n outras razões.

      Excluir
    2. É possível reverter esse cenário? O secularismo e o ateísmo vem crescendo por culpa dos próprios cristãos? Que ao invés de pregar o evangelho ficam quietos na deles?

      Excluir
    3. *Mais irreligioso
      Desculpe o erro foi o meu teclado.

      Excluir
    4. "É possível reverter esse cenário? O secularismo e o ateísmo vem crescendo por culpa dos próprios cristãos? Que ao invés de pregar o evangelho ficam quietos na deles?"

      É possível se surgir mais e novos John Wesley, Spurgeon, Paul Washer, John Piper e etc, que despertem o povo e o tragam a um novo e verdadeiro avivamento espiritual, aliado a teólogos e filósofos cristãos que saibam refutar consistentemente o neo-ateísmo por meios racionais como fazem William Lane Craig, Dinesh D'Souza, Alister McGrath, John Lennox e etc. Ou seja, é preciso todo um trabalho de conscientização tanto em relação ao aspecto espiritual como no racional, além do mais importante que é as igrejas darem o exemplo moral e serem admiradas pelo povo em vez de alvos de escândalo e deboche. Mas eu sinceramente não creio que isso vá acontecer, a Bíblia descreve o fim dos tempos de uma forma bem sombria na qual a incredulidade tomaria conta do mundo e o dominaria de tal forma que seriam poucos os que esperariam a volta de Cristo. Eu creio que já estamos neste processo, e que as próximas gerações verão isso se concretizar de uma forma mais plena. Não é a minha vontade e nem o meu desejo, mas é o cenário que a Escritura nos aponta.

      Excluir
  23. Como a Argentina saiu da Copa ontem, acho que sei qual vai ver o próximo artigo do Blog do Lucas... E tem a ver com Ressurreição de Cristo. hihihi.xD

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amigo do Banzolão1 de julho de 2018 17:23

      Pois é, Banzolão. Promessa é dívida kkk.

      Excluir
    2. Amanhã eu vou postar uma série de vídeos do Alon sobre preterismo e outros vídeos edificantes, então posto esse sobre a ressurreição de Jesus, ou então comento aqui mesmo na caixa de comentários se não ficar algo muito longo.

      Excluir
  24. Banban, já viu essa notícia?

    https://veja.abril.com.br/brasil/cansados-da-solidao-padres-catolicos-migram-para-igreja-anglicana/amp/?__twitter_impression=true

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ué, mas não tava havendo uma onda gigantesca de conversões em massa de anglicanos ao catolicismo (segundo os apologistas católicos é claro)? o.O

      Excluir
  25. Amigo do Banzolão1 de julho de 2018 17:27

    Banzolão, se o pato perder a pata, ele fica manco ou viúvo? kkk.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nunca parei para pensar nisso. Deve ser um paradoxo.

      Excluir
    2. Amigo do Banzolão2 de julho de 2018 22:40

      Na verdade essa é uma pergunta ambígua. É preciso primeiramente se especificar o tipo de pata que se estar falando: se é a fêmea do pato, ou se é o pé do pato.

      Excluir
  26. Para onde Enoque e Elias teriam ido?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Há quem alegue que eles foram apenas transportados para outro lugar da terra e eu confesso a possibilidade dessa teoria, há um texto dos herois da fé que parece indicar que Enoque morreu como todos os outros, mas que na minha opinião é apenas uma generalização do autor, sem incluir as exceções. Sobre este texto e este assunto eu desenvolvi este artigo há tempos atrás, onde mostro por que creio ser mais plausível a crença de que eles foram arrebatados corporalmente direto para a presença de Deus como seremos na volta de Jesus:

      http://ocristianismoemfoco.blogspot.com/2015/09/enoque-morreu.html

      Excluir
  27. Lucas, será que você poderia escrever um livro refutando a IURD, suas heresias e mostrando todos os crimes cometidos por ela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poder até posso, mas acho que seria muito desperdício de tempo e energia concentrar meus esforços refutando uma instituição (leia-se empresa) que qualquer pessoa minimamente instruída consegue ver o quão errada é, mesmo entre os evangélicos e pentecostais. Ninguém está na IURD por ter estudado e chegado à conclusão de que aquela igreja é a que mais se aproxima teologicamente da verdade; pelo contrário, eles estão lá justamente por não estudarem, então um livro seria inútil neste sentido, serviria apenas para convencer os que já estão convencidos e não precisam descobrir o óbvio (quem é da IURD jamais leria um livro teológico, muito menos um que refute eles mesmos). Na minha opinião igrejas do naipe da IURD não precisam ser refutadas para deixar de existir, basta apenas que o país se desenvolva e vire um dia um país de primeiro mundo com pessoas mais instruídas que naturalmente vai cair por si só (por essa razão a IURD não consegue fazer sucesso na Europa, mas faz entre países pobres latinoamericanos).

      Excluir
  28. Banzoli pegando um gancho na pergunta da Ana Antunes sobre Enoque e Elias eu já vi pastores dizendo que eles serão as duas testemunhas durante os últimos dias, você considera essa possibilidade?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A possibilidade em si pode até existir, mas eu não penso assim, nem vejo sentido em Enoque passar pela morte sendo que a Bíblia diz que Deus o arrebatou justamente para que ele não visse a morte. No meu entendimento a oliveira e o candelabro do texto se refere a Israel e a Igreja. Eu comento o Apocalipse capítulo a capítulo no artigo abaixo (incluindo essa parte):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/06/um-resumo-completo-do-apocalipse.html

      Excluir
    2. Tem que tomar muito cuidado com essa teoria de que Enoque/Elias ou Elias/Moisés serão as duas testemunhas. Quem vai fazer guerra contra dois homens apenas?

      “E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra e as vencerá e matará”, Ap 11:7.

      Excluir
    3. Bem colocado. Torna essa tese ainda mais improvável, para não dizer impossível mesmo.

      Excluir
  29. Lucas você é vegetariano? Você come carne? Sinceramente falando eu sou carnívoro como qualquer tipo de carne exceto carne de porco e fígado. Aliás pessoalmente falando eu não gosto de carne de porco não por questões religiosas, mas por questões pessoais mesmo, pessoalmente falando acho que a carne de porco tem muita gordura.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu penso igual você, não como carne de porco por não gostar, mas adoro carne, e francamente não saberia viver sem. Eu detesto legumes e verduras, se fosse deixar de comer carne também seria assinar meu atestado de óbito de uma vez.

      Excluir
  30. https://www.youtube.com/watch?v=_9MhhwzfW7o

    ...Comente...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Vídeo excelente, perfeito. Ele basicamente fez um compilado de todos os meus artigos sobre os apócrifos, por isso tinha que ficar bom mesmo hehe

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/10/lutero-retirou-sete-livros-da-biblia.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/10/a-lenda-do-canon-alexandrino.html

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2013/06/os-judeus-e-o-canon-veterotestamentario.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2014/02/o-canon-biblico-dos-judeus.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2013/06/heresias-lendas-mitos-e-absurdos-nos.html

      Excluir
    2. "Citar o livro de Enoque não é prova de que este livro era canônico, a não ser que Judas tivesse citado como "Escritura", o que ele NÃO fez. Eu também cito em meus artigos livros não-canônicos o tempo todo, e nem por isso os considero inspirados! Paulo citava até poetas pagãos, seja para fortalecer um ponto, ou para refutá-los. Isso não prova coisa alguma. Os cristãos dividiam os livros em três partes: os canônicos, os eclesiásticos e os apócrifos. Os canônicos são os que temos hoje, e os apócrifos são o lixo de livros descaradamente fraudulentos. Mas entre estas duas categorias havia os eclesiásticos, que tinham coisas úteis para edificação espiritual do leitor, mas mesmo assim não eram considerados canônicos, e por isso não podiam fundamentar doutrina. O livro de Enoque, assim como vários outros, eram considerados "eclesiásticos", ou seja, livros que tinham sua utilidade e que pregavam a verdade pelo menos até certo ponto, enquanto as falsificações gnósticas eram "apócrifos" propriamente dito. Só esta última categoria que era realmente desprezada." (Lucas Banzoli- comment localizado na caixa de comentários do artigo abaixo)

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/10/a-lenda-do-canon-alexandrino.html

      Para complementar este comentário... se eu não me engano no livro de Josué também há uma menção de um livro chamado "Jasher" ou "Livro do Justo" que era lido pelos judeus naquele tempo. Mesmo assim, não era considerado como canônico.

      "12 No dia em que o Senhor deu a vitória aos israelitas na luta contra os amorreus, Josué falou com ele. E, na presença dos israelitas, disse:

      “Sol, fique parado sobre Gibeão!
      Lua, pare sobre o vale de Aijalom!”
      13 O sol ficou parado,
      e a lua também parou,
      até que o povo se vingou dos seus inimigos.

      Estas palavras estão escritas no LIVRO DO JUSTO.

      O sol ficou parado no meio do céu e atrasou a sua descida por quase um dia inteiro." (Josué 10: 12-13).

      https://www.biblegateway.com/passage/?search=Josu%C3%A9+10&version=NTLH

      "12 Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor deu os amorreus nas mãos dos filhos de Israel, e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeom, e tu, lua, no vale de Ajalom.
      13 E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Isto não está escrito no livro de Jasher? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro." (Josué 10:12,13)

      https://www.bibliaonline.com.br/acf/js/10/12,13

      Há também uma outra menção no AT sobre um outro livro não considerado canônico. Só lembro que está no AT, mas não sei dizer em qual livro do AT está.

      Excluir
    3. Esse livro de Jasher é bem interessante, bem bacana de se ler, eu o li há anos atrás em uma versão que tem na internet (link abaixo). Embora não se tenha certeza se essa versão se trata da mesma que era lida na época de Josué e citada no AT, pelo menos é bem antiga e pode lançar alguma luz sobre o pensamento dos hebreus e como eles entendiam certos eventos que a Bíblia narrava sem muitos detalhes, mas que são detalhados neste livro.

      https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxtaWRvcnBlfGd4Ojc5NTAxNmVjOGJiNjUxYzI

      Excluir
    4. Obrigado por disponibilizar esse material. :D

      Excluir
    5. "Aprecie com moderação ;p"

      Entendo.

      Já que é de origem desconhecida, pois não podemos comprovar de que se trata do mesmo livro citado em Josué.

      Excluir
  31. Concordas com Marx, que o início do capitalismo foi rodeado de injustiças? Segundo ele, antes do capitalismo houve o que ele chamava de acumulação primitiva de capital. Isto é, os burgueses se apropriaram da terra e expulsaram os camponeses. Isso aconteceu mesmo na Inglaterra?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nunca ouvi isso. O que houve de fato é que os camponeses decidiram migrar para as cidades procurando subir na vida, pois era uma das poucas chances de crescer na escala social da época. Não houve nenhuma expulsão em massa de camponeses nem ninguém forçado a trabalhar nas indústrias contra a sua vontade. Embora seja verdade que naquele primeiro momento os trabalhadores tinham cargas de trabalho desumanas e que ganhavam bem menos do que o merecido, o que poucos sabem é que a estimativa de vida entre as pessoas da cidade neste período era maior do que entre as do campo. Isso nunca havia acontecido antes, sempre a estimativa do campo era maior que nas cidades em qualquer lugar da Europa, a coisa mudou a partir da Revolução Industrial na Inglaterra. Ou seja, mesmo com todas aquelas descrições que temos dessa fase inicial da revolução, ainda assim a vida do homem da indústria era melhor que a do homem do campo. O problema é que as pessoas sem conhecimento histórico tem uma visão deturpada do passado, elas pensam que a vida no campo era tão boa e "fácil" como é hoje no século XXI, quando naquela época as condições eram precárias e qualquer peste ou falta de chuva era o suficiente para matar populações inteiras. As pessoas viviam de subsistência, ou seja, tinham apenas o necessário para sobreviver, por isso estavam sempre vivendo no limite entre a vida e a morte e por isso a estimativa de vida da época era tão miseravelmente baixa comparada à atual, foi o capitalismo que nos deu a vida que temos hoje.

      Excluir
  32. Olá, Lucas!Conversando esses dias com um católico, o mesmo me disse que as indulgências não era algo oficial da igreja católica e que eram atos de corrupção de alguns membros. Isso procede? Pode me disponibilizar as fontes que mostram o contrário? Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não procede, escrevi sobre isso aqui:

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/01/a-venda-de-indulgencias-ate-epoca-de.html

      Abs!

      Excluir
  33. Olá Lucas, você chegou a ver essas Heresias que Padre Paulo Ricardo disse ?
    https://www.facebook.com/Eklesiaoficial/videos/1054401168069808/

    postaram no youtube também
    https://www.youtube.com/watch?v=dl4F95KPp_I

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já sim, ele apenas repete as teorias de conspiração dos neo-ateus sobre os evangelhos apócrifos, apenas para tentar validar seu argumento em torno do cânon bíblico, como se devêssemos isso à ICAR que nem existia ainda. Sobre isso eu lhe recomendo estes artigos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/06/os-catolicos-romanos-deram-biblia-aos.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2017/11/a-mais-nova-moda-da-apologeticacatolica.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2017/09/a-igreja-catolica-esta-acima-da-biblia.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2017/04/a-biblia-foi-escrita-por-catolicos-e.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2016/03/o-canon-do-novo-testamento-invalida.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/09/nao-existia-escritura-na-epoca-de.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/02/a-biblia-e-filha-da-igreja.html

      Excluir
  34. Eita, Banzolão apelou nas referências dessa vez hahaha

    ResponderExcluir

Deixe o seu comentário. Sua participação é importante e será publicada após passar pela moderação. Todos os tipos de comentários ou perguntas educadas sobre qualquer assunto são bem-vindas e serão respondidas cordialmente, mas comentários desrespeitosos não serão publicados. Confrontamentos e discussões são aceitos, desde que saia do anonimato.