“Por que você fala tanto de
catolicismo?”, é a pergunta que já recebi algumas dezenas de vezes. Quando o
questionamento vem de um católico, eles geralmente substituem “falar” por “atacar”, se vitimizam, me demonizam e me pintam como um malvadão
que odeia a Santa Igreja enquanto eles são bons samaritanos que nunca criticaram
o protestantismo e que amam as nossas igrejas (ou melhor, nossas “40 mil
seitas”, como eles dizem).
Para começar minha resposta, me
permita iniciar com uma anedota. O ano era 2009, eu havia acabado de ingressar
nesse novo mundo da apologética, tinha como grande desejo defender a fé, e na
minha cabeça existia apenas um “inimigo”: os ateus. A lógica era simples: os
ateus é que não acreditam na Bíblia nem em Deus, então defender a fé significava
fazer apologética contra o ateísmo. Comecei debatendo em uma série de
comunidades de debates entre cristãos e ateus no Orkut, e por uns meses me
mantive debatendo apenas contra ateus.
Mas como todo mundo se lembra, o
Orkut era muito grande, e minha curiosidade juvenil me levou a ingressar em
centenas de comunidades: desde comunidades de debates com adventistas e
espíritas até comunidades de debates com satanistas e, é claro, católicos.
Basicamente eu havia “zerado” as comunidades de debates que eu podia fazer
parte, e embora fosse ativo em poucas delas, era um observador atento. E uma
coisa comecei a perceber que me deixou atônito na época, dada a minha inocência
e ingenuidade: os católicos atacavam muito mais a nossa fé do que os ateus
ou qualquer outro grupo anticristão.
Na verdade, se juntasse todos os
ataques desses outros grupos, não chegava a competir com os ataques que eu via
sendo disparados contra a gente nas comunidades católicas. Isso não apenas em
quantidade, mas também em baixeza: os católicos eram disparados os que mais
desciam o mais baixo possível, no mais sujo esgoto moral, para nos atacar com
os insultos mais torpes, com comportamentos tão degenerados que nenhum ateu
chegava perto. Eles se aproveitavam do fato de que sabiam que não
responderíamos na mesma moeda (por sermos cristãos, diferente deles). Lembro-me
de alguns bons debates que tive na época com ateus respeitosos, mas de apenas
um católico com quem era possível debater sem ser xingado a todo momento (o lendário
Evaldo, que tinha a foto do papa Bento XVI de perfil).
Os evangélicos eram
rotineiramente escarnecidos, chamados de “evanjegues”, “protestontos”, “rebelados”, "crentaiada", “filhos da serpente”. Debatedoras evangélicas eram chamadas de “vagabundas”, e
até uma ex minha (que ninguém sabia que namorava comigo, mas também debatia
nesses fóruns) teve suas fotos pessoais expostas acompanhadas do palavreado
mais baixo que você possa imaginar. O chefe dessa gangue se chamava de conde e
dizia coisas como “eu vou mijar no caixão da porca da tua mãe”. A Inquisição
não apenas era defendida, mas também pediam o seu retorno “para acabar com essa
raça maldita” (a nossa).
Há não muito tempo postei este vídeo com
quase 1h de prints dessa época, fora centenas de outros que tenho guardados no
meu computador até hoje e outros que já postei na minha série dos “zumbis
tridentinos”. Já recebi dúzias de ameaças de morte por zé cruzadinhas que
defendem não a Igreja Católica de hoje, mas a medieval – incluindo alguns que
diziam que eu acordaria com um saco de formigas na cabeça e outros que diziam
que eu levaria uma bala na testa. Curiosamente, em tempos mais recentes um
apologista católico muito conhecido, apoiado por muitos outros católicos e
recomendado por gente como o Ariel, expressou seu desejo de que uma bala
acertasse a minha testa, e recebeu apoio em massa do seu público.
Isso é apenas um panorama muito,
mas muito resumido desses 17 anos de apologética. Não vou fingir que nunca vi
ataques por parte de protestantes, mas nunca vi um único que chegasse ao ponto
de ameaçar de morte. Nunca vi um único defendendo uma “Inquisição protestante”
e dizendo que ela tinha que voltar para caçar católicos. Nunca vi alguém
defendendo que católicos não poderiam ter direito de culto. Nunca vi
protestante querendo fazer cruzada contra católicos. Nunca vi nem mesmo alguém
usar palavrões do nível que o tal conde usava e usa cotidianamente.
Mesmo assim, na cabeça do
apologista católico de internet, são os protestantes os malvadões que vivem
“atacando a Igreja Católica”, como se eles não falassem mal de ninguém nem
fizessem mal a ninguém. Em todos esses anos, nunca vi um segmento mais
vitimista do que eles, e nisso incluo até mesmo a extrema-esquerda woke. É
literalmente o “acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é”.
Todo o discurso da apologética
católica ser resume a um show de vitimismo teatral somado a uma dose
inacreditável de conspiracionismo, como se o mundo todo (judeus, maçons,
iluministas, ateus, esquerdistas, muçulmanos e, é claro, protestantes)
estivessem envolvidos numa mega conspiração para atacar a honra da santa e
imaculada Igreja Católica, que nunca fez mal a ninguém nem jamais deu motivos
para ser tão “atacada”. De tanto repetir a mesma narrativa uns dos outros eles
vivem num universo alternativo, onde realmente acreditam que eles são as
vítimas e todos os outros são os vilões.
O resultado é que eles não
suportam saber da existência de um canal de apologética protestante que refuta
o catolicismo. Isso é intolerável, e nem seria permitido se eles ainda tivessem
o poder que, graças ao bom Deus, já perderam há tempos. Eles podem ter perdido
o poder político, mas não perderam o espírito inquisitorial, que permanece mais
vivo do que nunca toda vez que eles veem qualquer página protestante rebatendo
qualquer doutrina católica – ao mesmo tempo em que não veem problema nenhum
quando uma página católica faz o mesmo contra os protestantes.
E é aqui que a coisa fica mais
interessante, pois é extremamente fácil refutar o vitimismo católico
simplesmente comparando com os dados objetivos da realidade. Ninguém nunca deve
ter feito isso antes porque dá um certo trabalho, mas eu me submeti a isso
apenas para comprovar a tese que eu sempre sustentei, e que é a coisa mais
óbvia do mundo pra qualquer um que alguma vez já tenha tido contato com esse
estranho mundo da apologética: os militantes católicos não só são muito mais radicais,
como também são incomparavelmente mais numerosos que os nossos.
Para demonstrar isso, fiz uma
tabela só com os canais de apologética católica antiprotestante no YouTube. Note
que eu não incluí todos os canais de apologética católica, pois eles têm muito
mais do que isso, mas somente aqueles que tem uma quantidade relevante de
conteúdo antiprotestante. A maioria dos canais a seguir eu já conhecia pelo
menos de nome, e outros encontrei facilmente com uma busca rápida na internet.
Certamente existem muitos outros do tipo, mas como isso não é uma monografia, os
seguintes exemplos já bastam:
Sim: de todos os canais que eu
conheço e que procurei pesquisando no YouTube, são apenas 14 os focados em refutar
o catolicismo (contra 54 do lado católico). É realmente uma guerra de Davi
contra Golias, como no discurso vitimista da apologética católica, com a
diferença de que eles dizem ser Davi, quando são o Golias. Não apenas eles têm
muito mais canais do que os nossos, como os canais deles são infinitamente
maiores. Somados, os canais de apologética católica têm mais de 7 milhões de
inscritos, e os de apologética protestante têm pouco mais de 200 mil.
Isso significa míseros 3%
na comparação com os canais católicos, que também têm uma quantidade
incomparavelmente maior de visualizações, engajamento e de atividade. Dos
poucos canais de apologética protestante que existem no YouTube, basicamente só
três são realmente ativos, mesmo que por “atividade” leia-se um vídeo por
semana sobre algum tema católico: o meu, o do Areópago e o do Bruno Lima. Sendo
que até esses dias esses outros dois canais literalmente nem existiam (o do
Bruno Lima foi criado ano passado e o Areópago criou o dele há apenas nove
meses), e eu só passei a falar de catolicismo no meu de dois anos pra cá.
Há outros canais com bons vídeos
refutando o catolicismo, mas com um percentual muito baixo de vídeos com essa
temática (como o do Yago Martins, do Caio Modesto e do Pr. Mocellin, que não
incluí na lista pela mesma razão que não incluí Guilherme Freire, Brasil
Paralelo, Olavo e Pietra do lado católico). Moisés e Juan são quase totalmente
focados no insta, assim como o Pr. Elizeu, que foi o maior ganho que a
apologética protestante teve nos últimos anos, mas cujo canal no YouTube não
tem quase nada de conteúdo sobre catolicismo e por isso não está na lista (ele
é bem mais engajado no insta, onde posta muito conteúdo anticatolicismo e de
qualidade). É verdade que no Instagram a desproporção deve ser menos brutal pro
nosso lado do que no YouTube, mesmo assim continuaria grande (até porque também
há muitas páginas de apologética antiprotestante no insta que não estão no
YouTube).
Basicamente, quando um católico
diz que “os protestantes estão atacando o catolicismo”, eles pegam como
exemplos falas de pastores que criticam o catolicismo uma vez na vida e outra
na morte, como Augustus Nicodemus, Silas Malafaia e Rodrigo Silva. Mas até
mesmo as figuras mais “ecumênicas” do catolicismo (como o frei Gilson e o padre
Reginaldo Manzotti) têm falas antiprotestantes, e nem por isso a gente diz que
eles “odeiam o protestantismo” ou os taxamos de “antiprotestantes”. O vitimismo
é todo do lado deles.
A apologética anticatólica é tão
esvaziada de nomes que por muito tempo quem representava o protestantismo nos
debates era gente que literalmente nunca tinha escrito sequer um tuíte sobre
catolicismo. Foi assim que o padre de Osasco se aproveitou para fazer sua fama,
crescendo pra cima de pastores que não faziam ideia do que estavam fazendo ali.
Tente encontrar uma só publicação do Tassos refutando qualquer coisa do
catolicismo até o debate dele com o doutor de Osasco, ou veja o quanto que o
Victor Fontana critica o catolicismo no canal dele. Não preciso comentar nada.
Foi exatamente nesse período que
se viu a maior “onda de conversões” ao catolicismo na internet, mesmo que seja
um fenômeno meramente digital que não representa nem perto de 1% da sociedade
como um todo (razão por que os últimos censos mostram que o catolicismo
continua despencando em queda livre). As pessoas mais leigas viam um padre
batendo num protestante que nem apologista era e que mal conhecia a doutrina
católica, e na falta de qualquer canal de apologética protestante no YouTube
que o refutasse (pois ainda não existia nenhum) o bocó caía no conto do vigário
(literalmente).
Felizmente, as coisas estão
mudando. Neste ano estamos vendo os canais de debates convidando finalmente
apologistas para debater com católicos e estes sendo consequentemente
derrotados de lavada, que é o que naturalmente acontece quando alguém conhece
as artimanhas deles (mesmo quando é um debate 1x2, como no caso do Areópago
contra Friske e Conde). Já perdi as contas de quantos comentários já recebi de
gente dizendo que estava a ponto de se converter ao catolicismo quando conheceu
o meu canal e viu o buraco em que estava se metendo, e vejo os mesmos
comentários nos canais parceiros.
Apenas para citar um exemplo,
recebi esse email ontem mesmo:
Há mais ou menos um ano atrás
estava passando por algumas tribulações quanto à minha religião, em certo
momento fiquei tendencioso a me tornar católico (já estava meio que aceitando
essa ideia). Depois de muita oração, pedindo a Deus que me ajudasse a entender
o que estava acontecendo e se essa Igreja Católica Romana era a
"verdadeira" mesmo, acredite se quiser, no dia do meu aniversário
(04/04) fui presenteado com o seu debate contra os católicos no RedCast.
Até então eu achava que não
era possível debater contra católicos, eles sempre passam essa imagem de
sabedoria e de terem a história à favor deles, eu tinha um certo medo de ir
atrás dessa verdade então eu nunca pesquisava sobre o assunto (tal medo e mentira
que eu acredito ter sido soprada ao longo dos anos por Satanás na minha cabeça,
posso estar errado, mas acredito que foi isso), até que o algoritmo me trouxe
seu debate de alguma forma, não sei como, pois eu não acompanho o canal do RedCast
e até aquele dia eu nem sequer pesquisava sobre o assunto de religião.
Para finalizar a história,
depois da semana que eu vi seu debate tomei a decisão de compilar todos os
artigos que você, Bruno Lima e os apologistas católicos haviam feito,
utilizando a IA mais imparcial e potente a época (Claude Opus 4.6), para eu
verificar os dois lados da moeda e me certificar de que eu não estava sendo
tendencioso (já que eu venho de berço evangélico). Para minha surpresa vocês
dominaram todos, não só os brasileiros como Dave Armstrong que é idolatrado
(cegamente) lá fora nos EUA (...)
Mesmo assim, tenha em mente que
os nossos canais continuam pequenos como uma formiga na comparação com o
alcance dos canais deles, e que uma quantidade significativa de almas deve
continuar se perdendo todos os dias por não conhecer o contraponto ou pela
preguiça de pesquisar mais a fundo (vou me conter para não fazer nenhuma piada
de “duas semanas” aqui). Mesmo com a ascensão recente desses excelentes canais
de apologética protestante e com um engajamento um pouco maior de canais
grandes que não eram nem são focados em catolicismo, a disputa ainda é de Davi
contra Golias – com a diferença de que o Davi aqui tem 3% do tamanho do Golias,
bem diferente da história que conhecemos.
Como não podem negar essa realidade,
eles dizem que não “atacam” o protestantismo, só “defendem” a Igreja Católica –
como se chamar Calvino de ditador da pior teocracia da história, dizer que
Lutero foi genocida e suicida, inventar a existência de uma “Inquisição
protestante”, mentir dizendo que os protestantes mataram mais bruxas do que os
católicos e atribuir absolutamente todos os males da humanidade na conta da
Reforma (incluindo abortismo, homossexualismo, ateísmo, materialismo, liberalismo,
comunismo e capitalismo) fosse apenas “defender a Igreja”, mas um protestante
que diga que “todos pecaram” está “atacando” a Igreja deles.
E mesmo se isso fosse verdade,
chega a lacrimejar os olhos de emoção essa luta heroica que uma enormidade de
canais católicos travam contra meia dúzia de canais protestantes que não chegam
nem a 4% do tamanho deles. Deveriam fazer um filme apoteótico narrando essa
história de tanta bravura e heroísmo.
Basta assistir a qualquer debate
entre católicos e protestantes pelo chat ao vivo ou pela caixa de comentários
que basicamente só tem comentários católicos sempre, independentemente do
debate e do quanto o debatedor católico apanhou, justamente porque a
disparidade numérica entre ambos é brutal (e a grande culpa disso é dos
apologistas protestantes da apologética tradicional, focados em bater apenas em
“seitas” e a discutir questões internas menores, como já abordei neste
artigo).
A verdade é que até eles sabem
que esse discurso de “todos contra eles” é a mais pura balela, mas eles
precisam manter o discurso para insuflar o ódio do bando de zumbis tridentinos
que depois aparecem nos ameaçando de morte e xingando de tudo o que é nome. Da
boca pra fora, eles dizem que todos os atacam, mas muito curiosamente eles
nunca “se defendem” dos “ataques” de ninguém, só dos protestantes. Enquanto o
meu canal tem até o momento 230 vídeos refutando o catolicismo, se somar todos
esses 54 canais de apologética católica não dá 10% disso. A preocupação
deles é uma só: os protestantes.
Não é à toa que a apologética
contra o ateísmo é e sempre foi carregada nas costas pelos evangélicos, não só
aqui no Brasil mas no mundo todo. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando
pensamos em apologética contra o ateísmo pensamos em William Lane Craig, Alvin
Plantinga, John Lennox, Alister McGrath, Frank Turek, Norman Geisler, Ravi
Zacharias, Gary Habermas, Ben Witherington, William Dembski, Paul Copan, Daniel
Wallace e Lee Strobel. O que todos eles têm em comum, além de serem os
principais representantes do Cristianismo contra o ateísmo? Todos são
protestantes.
O único católico que eu me
recordo de estar na linha de frente engajado contra o ateísmo nos debates é o
Dinesh D’Souza, que merece uma menção honrosa. Isso não significa que os
católicos não tenham muitos apologistas do lado deles: eles têm uma infinidade,
mas estão todos preocupados em atacar (digo, em “se defender”) o
protestantismo. Enquanto você vê uma infinidade de apologistas protestantes
debatendo com ateus, você vê uma infinidade de apologistas católicos debatendo
contra o James White, que está praticamente sozinho na apologética contra o
catolicismo (ao mesmo tempo em que ele também se engaja na militância
contra o ateísmo, enquanto parasitas como Dave Armstrong passam literalmente o
dia todo vivendo só de atacar o protestantismo e nada mais).
Ou seja, enquanto os evangélicos
estão mais preocupados em defender a fé cristã contra os ateus, os
católicos estão mais preocupados em defender o catolicismo romano contra
os protestantes, pois pra eles é até melhor que os evangélicos cedam espaço aos
ateus. Aqui no Brasil não é diferente: quase todos os canais de apologética
contra o ateísmo são protestantes (isso inclui os canais do Jadison, do Galvão,
do Fugita, do Apologeta, do Yaakov, do Prof. Celio, do Luiz Eduardo, do Paulo
Victor Siqueira, do Claudemir, do Rodrigo Silva, do Lutzer, do Otangelo, do
Rangel, do Leonardo Oliveira, do Eberlin, do saudoso Adauto Lourenço e o meu
próprio).
Mais uma vez, há apenas um
católico que eu me lembre e que merece uma menção honrosa: Emerson Oliveira, do
Logos Apologética. Isso significa que há pelo menos 54 canais católicos
engajados na militância contra o protestantismo, mas apenas um engajado
na militância contra o ateísmo (enquanto a quantidade de canais protestantes
contra o ateísmo é bem maior do que contra o catolicismo). Mais uma vez, chama
a atenção que eles se digam os perseguidos por tudo e por todos, mas os únicos
realmente preocupados em defender a fé cristã sejamos nós.
A ironia é tanta que certo
ex-protestante da lista só fazia vídeos contra o ateísmo na época em que ainda
era protestante, mas foi só se tornar católico que direcionou todos os seus
esforços imediatamente a combater o protestantismo e até se esqueceu que o
ateísmo existe. Depois, na maior cara de pau, disse que era um “anticatólico
que odiava a Igreja” quando era protestante, quando eu literalmente sequer sabia
que ele era protestante de tanto que ele escondia isso a sete chaves, sem
nunca ter falado um pio contra o catolicismo.
Mas isso resume todo o ponto:
evangélicos estão mais preocupados em defender o Cristianismo, e católicos em
atacar quem faz isso. Depois simplesmente repetem discursos prontos feito
papagaios sem personalidade (“evangélicos odeiam o catolicismo”), mesmo quando
isso contradiz o histórico de vida deles mesmos e eles sabem que estão
sendo desonestos.
No papel, dizem eles, “todos
estão contra a Santa Igreja e nós apenas nos defendemos desses ataques”. Na
prática, eles não estão nem aí com todos os outros, os únicos a quem eles
respondem somos nós e essa resposta está longe de ser uma apologética (defesa
da fé), mas é recheada de ataques, calúnias, insultos, ameaças, zombarias e
desonestidade sem fim.
Também no papel, dizem eles, os
evangélicos “vivem atacando a Santa Igreja”. Na prática, esses evangélicos
malvadões que “atacam” a Santa Igreja (leia-se: que ousam refutar as mentiras e
embustes históricos deles) mal preenchem uma mão (do Lula), enquanto eles têm
um verdadeiro batalhão para nos atacar dia e noite com um alcance e ímpeto
infinitamente maiores. Ironicamente, a maioria desses que dizem que nós somos
“obcecados com a Igreja Católica” e que “vivemos para atacar a Santa Igreja”
são os mesmos que vivem por aí espumando pelos dentes e vomitando ódio contra a
gente 24h por dia, parasitando em todos os canais católicos ou protestantes com
suas práticas habituais de vandalismo digital.
A verdade é que eles não toleram
o contraponto, porque o modelo de Igreja e de Estado que eles defendem é aquele
em que o “herege” tem direito ao “contraponto” enquanto é torturado numa
masmorra por um inquisidor ou queimado num auto da fé. É por isso que eles se
irritam tanto com um simples apologista que faz dois vídeos semanais (às vezes
nem isso) refutando algum católico, mesmo eles tendo uma legião de apologistas
que postam com muito mais frequência contra o protestantismo ou fazem lives
diárias de 6h de duração xingando e ameaçando a tudo e a todos.
Mas nem sempre o questionamento
do título do artigo vem de católicos. Às vezes, quem pergunta isso são
protestantes que queriam que eu falasse apenas sobre ateísmo, sobre outras
“seitas” ou sobre as mesmas discussões de sempre que todo mundo discute por aí
(pré vs pós, arminianismo vs calvinismo, etc). Já recebi comentários de gente
dizendo coisas como “o catolicismo está morto, vamos refutar o Islã”, ou “o
verdadeiro perigo são os adventistas”. Nem sempre isso implica que a pessoa em
questão ignore o fato do catolicismo ser herético (embora muitas vezes o
questionamento parta de quem julga os católicos irmãos e o catolicismo
cristão), mas sempre implica que o catolicismo não deveria ser priorizado em
detrimento de outros assuntos.
Mas embora o catolicismo esteja
caindo, o maior erro que alguém pode cometer é subestimar o inimigo. Católicos
ainda são a esmagadora maioria da população, com mais do dobro de evangélicos (com
56% dos brasileiros). Eles não apenas são numericamente muito superiores, mas têm
muito mais recursos financeiros, muito mais influencers políticos ditos
“intelectuais” e muito mais institutos que lhes garantem uma hegemonia
cultural.
Não existe nenhuma versão
protestante que sequer chegue perto de um “Brasil Paralelo”. Não existe nenhum
apologista protestante que sequer chegue perto do alcance de um padre Paulo
Ricardo. Não existe nenhum “guru” protestante que sequer chegue perto da
influência que Olavo teve. E tudo isso significa status, influência, conversões.
Até mesmo a estética é explorada por eles a fim de conseguir conversões, e num
país de QI tão baixo, não são poucos os que se seduzem por ela.
Uma das principais lições que o estrategista
chinês Sun Tzu ensinou em “A Arte da Guerra”, há 2500 anos, é que quanto mais o
adversário pensar que você é fraco, melhor pra você. Só ele tem a ganhar quando
você o subestima. O catolicismo ainda é a maior religião, a mais perigosa e a
que mais nos ataca, e ignorar isso – como a imensa maioria dos ditos
“apologistas” de nosso meio tem feito – é assinar um atestado de morte. Enquanto
os papistas dizem que nós vivemos para atacá-los, a verdade é exatamente a oposta:
não há nada que esteja sendo mais vergonhosamente negligenciado em nosso meio
do que a apologética contra o catolicismo, como se os católicos nem existissem
mais.
Apenas a título de exemplo,
enquanto existe um punhado de apologistas contra o catolicismo, há uma
imensidão de apologistas contra o adventismo, incluindo todos os mais famosos
cujos nomes creio que nem precisam ser citados (spoiler: um deles é um papa do
protestantismo). Não vou entrar aqui no mérito se os adventistas são seita ou
não, mas mesmo se fossem seita, e mesmo se fossem uma seita tão herética quanto
a católica (como sustenta o papa do protestantismo), ainda assim os números não
mentem: são 56,7% de católicos frente a 0,8% de adventistas. Só uma besta
quadrada acha que eles deveriam ser priorizados.
O problema é que a apologética
protestante está cheia de bestas quadradas que ignoraram o catolicismo por
décadas fazendo a fama em cima de adventistas, TJs, mórmons,
calvinistas/arminianos e pré ou pós, e agora estão vendo o resultado do seu
trabalho: uma desproporcionalidade gritante entre apologistas católicos antiprotestantes
e apologistas protestantes anticatólicos, com os católicos controlando todas as
esferas e conseguindo até aquilo que era inimaginável há pouquíssimo tempo
(converter gente do protestantismo pra seita deles, incluindo pastores e filhos
de pastores).
Eu concordo que existem coisas
piores que o catolicismo. O Islamismo é pior que o catolicismo, mas eles são
menos de 0,1% dos brasileiros. Não existe ninguém se convertendo ao Islã no
Brasil, e se eu fizesse apologética contra o Islamismo estaria falando às
moscas (caso bem diferente do que seria se eu fosse francês ou inglês). Mesmo
na Europa, o Islã não cresce por converter pessoas, mas por uma taxa de
natalidade imensuravelmente maior que a média europeia, e dificilmente os meus
artigos evitariam que os muçulmanos tivessem mais filhos.
Eu também concordo que o ateísmo
é pior que o catolicismo, e não à toa tenho produzido muito conteúdo sobre isso
também. Mas eles ainda são cerca de 1% a 3% da população (não se engane: embora
o último censo tenha registrado 9% de “sem religião”, a maioria é crente
desigrejado ou gente que não gosta da palavra “religião”, mas que acredita em
Deus e até frequentam igreja). Entre mórmons e católicos eu tenho sérias
dúvidas, mas eles chegam no máximo a 0,7% (com estimativas que vão desde 0,1%).
Focar neles e ignorar a imensa massa católica que ainda tem a hegemonia
cultural e governa o nosso país é loucura.
Recentemente foi inaugurada no
Ceará a maior estátua de Nossa Senhora do mundo, com 54 metros de altura (quase
o dobro do Cristo Redentor). O detalhe: ela foi inteiramente paga com dinheiro
público (singelos R$ 3,2 milhões pagos com os nossos impostos, inclusive de
quem não é católico). Imagine o alarde que seria se o Estado tivesse bancado
uma estátua gigantesca e caríssima de Maomé, Ellen White ou Joseph Smith com
dinheiro público – o papa do protestantismo perderia os poucos cabelos que lhe
restaram. Mas eles estão tão acostumados com a hegemonia e a influência
católica que nem dão atenção quando é uma estátua católica da deusa católica.
E essa displicência assustadora com
o monstro que está bem diante dos nossos olhos é exatamente o que os nossos adversários
querem. Quanto mais focarmos em seitas minoritárias e em discussões internas,
mais eles riem à toa.
Eu não estou dizendo que devemos
ignorar completamente as seitas minoritárias e falar só de catolicismo.
Estou dizendo que elas não deveriam ser a prioridade, e a razão é tão
óbvia e tão escancarada que só de eu precisar escrever um artigo inteiro
explicando o porquê já mostra o quanto muitos estão numa completa desconexão
com a realidade.
A verdade é que os evangélicos
cresceram tanto nas últimas décadas que se acomodaram, e agora estão mais
preocupados em não perder fiéis do que em conquistar novos. E como os que mais
arrebanham fiéis são essas tais seitas minoritárias (mesmo que todas elas
somadas não cheguem a 2%), elas passaram a ser o foco das atenções. E esse
relaxo tem custado fiéis até mesmo para a seita majoritária da qual ninguém
fala, que se engajou numa “Contrarreforma” enquanto a maioria dos apologistas
protestantes sequer se deu conta disso (porque estão em Nárnia combatendo os minotauros
TJ e a feiticeira adventista).
Mais uma vez: não se trata de
não combater os erros onde quer que eles estejam; trata-se de ter em mente um
senso de proporções e priorizar a maior ameaça. Concentrar todos os esforços em
refutar “seitas minoritárias” e pontos secundários dentro do próprio
protestantismo é como se preocupar em matar a barata no quarto enquanto
bandidos armados invadem a sua casa. A única razão por que tem gente que acha isso
sensato é porque este é precisamente o modus operandi da grande maioria
dos ditos apologistas protestantes, e a maioria simplesmente assume que isso é
o certo independentemente de fazer sentido ou não, porque estão acostumados
apenas a repetir padrões e não a pensar por conta própria.
Alguns chegam até a passar pano
para as heresias da “seita majoritária” de tão obcecados que são em refutar as “seitas
majoritárias”, considerando os católicos irmãos ou criando cursos de
apologética onde refutam tudo, menos o catolicismo. Isso porque é muito mais
fácil bater numa minoria insignificante que não representa nenhuma ameaça real.
Quando eles começam a falar sobre catolicismo, se assustam com a quantidade
avassaladora de comentários católicos dos mais odiosos e virulentos, com as
ameaças e perseguições, e preferem voltar à zona de conforto (i.e, falar das mesmas
coisas de sempre).
Lembremos que estamos falando de
uma religião que não só é predominante em nosso país desde sempre, mas que por
muito tempo proibiu o nosso culto, destruiu nossas igrejas e assassinou nossos
irmãos em praça pública (após submetê-los à tortura e a numerosas humilhações).
E o mais importante: só não continua fazendo hoje o mesmo que fazia na época
porque perdeu o poder político e o controle que tinha sobre o Estado, não
porque todo mundo tenha se tornado bonzinho, paz e amor (basta ver quantos
deles fazem abertamente apologia da Inquisição sem que ninguém se levante
contra isso).
Enquanto a apologia do
holocausto é crime (como deveria ser) e todos se horrorizam com isso, militantes
católicos fazem apologia da Inquisição em plena luz do dia, em canais com
milhões de espectadores, às vezes até clamando a volta dela, e ninguém se escandaliza
nem faz nada a respeito. Enquanto quase todos se horrorizam com o espiritismo
(e com razão) por consultar os mortos, os católicos fazem rigorosamente a mesma
coisa, apenas chamando por um nome diferente (invocação de mortos), com a
diferença de serem muito mais manifestadamente idólatras, e poucos se
escandalizam com isso.
Isso acontece justamente porque
a consciência de muitos está cauterizada. E aqui não me refiro à consciência
dos católicos, mas de protestantes ou supostos protestantes que veem tudo isso
acontecendo debaixo do nariz deles e ainda têm coragem de chamá-los de “irmãos”
(e de se levantar contra quem os refuta). Como vivemos num país católico, essas
práticas estão tão enraizadas e impregnadas na consciência popular que tendemos
a encará-las com naturalidade, mesmo quando são verdadeiras aberrações. E
quando alguma outra seita diz qualquer coisa igualmente errada, mas muito menos
aberrante, a reação é desproporcionalmente mais forte, não porque a heresia
seja mais grave, mas porque ninguém está acostumado com ela.
Não é preciso mencionar nomes,
mas teve um que debateu com o padre de Osasco que só faltava pedir perdão de
joelhos a cada vez que ousava fazer uma crítica ao catolicismo – e isso num debate
sobre o tema –, mas para a sorte dele isso raramente era preciso, já que
não criticava nada. E isso enquanto o padre atacava o protestantismo sem dó nem
piedade, inteiramente desprovido de qualquer freio na língua ou receio do que as
pessoas do outro lado da tela pensariam dele (especialmente os da religião que
ele estava atacando). Gabriel Ennes chama esse tipo de gente de “teólogo gente
boa”, mas eu preferiria chamar de teólogo acovardado mesmo.
Em meio a todo esse cenário caótico,
uma coisa precisa ser dita: cada vez mais gente tem se conscientizado de tudo
isso que eu explanei aqui, e muitos teólogos e apologistas que antes nunca nem
abriam a boca para falar de catolicismo agora estão saindo da caverna, dando a
cara a tapa e se expondo para debater e refutar essa gente. Seria um indício de
que tempos melhores virão? Só Deus sabe. De todo modo, continuarei aqui como
sempre estive, gostem ou não, queiram ou não. Por Cristo e por Seu Reino.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
Por Cristo e por Seu Reino,
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