20 de junho de 2018

85 Entenda tudo sobre a Inquisição e a caça aos “hereges”


Nota: Este artigo é extraído de um dos capítulos do meu livro sobre a Reforma (ainda em construção). Para ler mais sobre Inquisição, consulte os artigos deste índice. Boa leitura!

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As primeiras fogueiras católicas para os “hereges” se ascenderam em 1022, em Orléans[1]. Em 1179, durante o terceiro Concílio de Latrão, o papa Alexandre III decretou que “quem perseguisse os hereges do Languedoc teria os pecados perdoados por dois anos e que a salvação eterna seria a recompensa dos que morressem na luta”[2]. O próximo Concílio de Latrão, de 1215, foi além e decretou que

governadores seculares não deveriam tolerar os hereges em seus domínios. Os governantes que se recusassem desarraigar os hereges deveriam eles mesmos ser lançados fora, ou pelos seus súditos ou por cruzadas vindas de fora. Cruzadas contra hereges trazem os mesmos privilégios sacramentais e indulgências obtidos nas cruzadas contra os turcos em Jerusalém.[3]

Isso veio a se concretizar alguns anos mais tarde, por ocasião da fatídica carnificina que se denominou de “Cruzada Albigense”. O papa Inocêncio III havia acabado de conquistar a grande cidade grega de Constantinopla (1204), arrancando-a dos cristãos ortodoxos em meio a um enorme saque repleto de assassinatos e inúmeros estupros coletivos, onde nem as freiras eram poupadas[4]. Ele escreve várias cartas nas quais manifesta sua alegria pela grande conquista e se regozija com ela, como relatado detalhadamente em meu livro sobre as Cruzadas[5]. Mas enquanto os cruzados destruíam Constantinopla no outro lado do mundo, havia cristãos não-católicos no “quintal” do papa, ao sul da França. Tais eram os cátaros ou albigenses, como também eram conhecidos.

O papa ficou escandalizado. Como pode haver em seu próprio território pessoas que ousam manifestar pensamento diferente e não se dobrar diante dele? Não pensou duas vezes: logo comunicou o conde responsável pela região, Raimundo VI, de Tolosa, ordenando-lhe que “limpasse seu território”, o que significava em linguagem papal que exterminasse todos os “inimigos da Igreja”, estes que não aceitavam se submeter a Roma e que decidem viver uma vida de pobreza com suas próprias regras doutrinárias. Como Franco diz, “a Igreja não poderia aceitar a existência de um grupo que contestava seu poder, sua riqueza e até mesmo sua condição de instituição cristã”[6].

O que o papa definitivamente não esperava era que o conde de Tolosa, então considerado um católico leal, se recusasse a seguir suas ordens insanas de exterminar todo o seu próprio povo. O conde era um católico, mas não um genocida. Ele defendeu seu povo por não ver motivos satisfatórios que justificassem uma chacina. Em Albi, onde os albigenses ganhavam cada vez mais espaço, eles viviam em harmonia com os católicos, e os sacerdotes de ambas as religiões se respeitavam mutuamente. Uma estranha e incomum tolerância para a mentalidade da época, regida pela mão de ferro da Igreja papal.

Ao ver que o conde de Tolosa se recusava a matar seu próprio povo, o papa se irrita ainda mais. O excomunga, o que naquela época significava que o povo estava livre de se submeter a ele como magistrado. O conde parece voltar atrás, pede tempo, mas não leva nada a efeito. O papa, furioso, decide convocar as cruzadas. Não mais uma cruzada para o outro lado do mundo combater os muçulmanos, mas uma cruzada dentro da própria Europa, em seu próprio território. O objetivo era “limpar a área da mancha herética”.

Depois da Quarta Cruzada e o Saque de Constantinopla (1204), o papa se acostumou a matar cristãos e parece que pegou gosto pela coisa. Neste caso em particular, “a proximidade era tentadora: nem havia a necessidade de atravessar os mares, oferecendo-se o paraíso a quem, na terra, pilhasse os ricos campos e as opulentas cidades do Languedoc”[7]. Assim, o papa escreve em carta aos senhores do reino da França:

Despojai os hereges das suas terras. A fé desapareceu, a paz morreu, a peste herética e a cólera guerreira cobraram novo alento. Prometo-vos a remissão dos vossos pecados se puserdes limite a tão grandes perigos. Ponde todo o vosso empenho em destruir a heresia por todos os meios que Deus vos inspirará. Com mais firmeza ainda que com os sarracenos, pois são mais perigosos, combatei os hereges com mão dura.

Agora convocaremos contra vós chefes e prelados que, ai de mim, se reunirão contra esta terra... e farão com que muita gente pereça pela espada, arruinarão vossas torres, derrubarão e destruirão vossas muralhas, e vos reduzirão a todos à servidão... a força da vara prevalecerá onde a doçura e as bênçãos não conseguirão realizar nada.[8]

A mesma promessa de indulgência plenária feita aos que combatiam na Terra Santa é prometida também aos que matassem um não-católico: o perdão de todos os pecados. É irônico que um papa megalomaníaco prometa o perdão dos pecados através de mais pecados cometidos, especialmente através do assassinato. Uma Igreja que já não reflete mais nada do evangelho original transforma a piedade em pecado, e o assassinato em indulgência. Inocêncio mostra que valia qualquer coisa para consolidar e aumentar o seu poder: desde investidas contra os muçulmanos na Terra Santa, até saquear e conquistar Constantinopla dos cristãos ortodoxos e exterminar os cátaros na França. O inimigo pouco importava. Ele podia ser qualquer um que não se submetesse a Roma.

A convocação da cruzada é, como sempre, atendida com grande apoio popular, e o papa consegue prontamente reunir um exército de vinte mil cavaleiros armados e de mais de duzentos mil vilões e camponeses, sem considerar o clero e os burgueses[9]. Parece covardia, para quem pretende atacar uma cidade pequena a fim de aniquilar alguns milhares de “hereges”. O papa não se interessa por este pequeno detalhe; para ele, quanto maior o exército convocado, mais certa seria a vitória e maior seria o massacre desejado. Assim, o exército cruzado chega a Béziers (1209), onde pratica uma das maiores chacinas que o mundo da época já tinha visto.

O conde Raimundo VI, até então “protetor” dos cátaros, muda rápido de ideia ao ver tão imensurável número de cruzados chegando. De última hora, muda de lado e se entrega ao exército cruzado. Ele “se apressou em pedir perdão, ao apresentar-se com o peito nu à igreja de Saint-Gilles e ajoelhado, açoitado, arrependido, e se comprometeu em capitanear ele mesmo a guerra santa”[10]. A cidade abre as suas portas, em sinal de rendição. Se eles tivessem aprendido a lição do cerco de Maara, onde os cruzados assassinaram 20 mil habitantes entre mulheres e crianças após terem prometido um salvo-conduto, não teriam confiado. Para variar, os cruzados não respeitaram o salvo-conduto, pois não estavam ali para negociar. Imediatamente se lançam para cima de uma cidade indefesa e já rendida, exterminando a tudo e a todos que viam pela frente. Foi uma carnificina.

Entrementes, o que mais marcou para a história foi o fato de que o exército cruzado, tão apressado e desesperado em saquear a cidade e fazer o maior número possível de vítimas, não esperou sequer para distinguir e poupar os católicos da região. Quando perguntaram a Arnaud Amaury como distinguir os hereges dos católicos leais e devotos, o legado papal respondeu com uma das mais infames declarações de toda a história da Igreja: “Matai todos eles. Deus reconhecerá os Seus”[11]. Até os padres da região, que se opunham à “limpeza” do território, eram mortos em suas igrejas. Arnaud Amaury escreveria ao papa, em tom triunfante, que “não se poupara idade, sexo ou status”[12]. Era tudo o que o papa queria.

Só numa igreja em que mulheres, crianças e velhos haviam se refugiado, sete mil deles foram assassinados[13]. Tornell diz que “se perpetuaram matanças coletivas sem distinção de crenças religiosas”[14]. E este era só o começo, pois no resto da cidade os cruzados continuam com os saques e aprofundam a carnificina com um incêndio em toda a região, começando pela catedral. No total, Plínio Bastos calcula em 60 mil o número de mortos[15], embora o legado pontifico só admitisse 15 mil[16].

Mais isso não foi tudo. Após o massacre de Béziers, outros confrontos ocorreram onde as forças papais esmagaram os heréticos, como em Muret, em 1218, que deixou poucos sobreviventes[17]. Na campanha de 1229, “mais de cinco mil vítimas foram queimadas, e inúmeras outras submetidas a prisão, exílio ou outros castigos”[18]. Os últimos cátaros, refugiados no castelo de Montsegur, foram massacrados no ano de 1244, sendo condenados à fogueira nada a menos que duzentos deles de uma só vez[19].

Não era à toa que Inocêncio III usava a tríplice coroa, que significava o domínio sobre a cidade (Roma), sobre a Itália e sobre o mundo[20]. Para ele, era a obrigação do mundo todo estar sujeito ao seu domínio, como o “vigário” ou substituto de Cristo (que por contraste, disse que seu Reino não era deste mundo – João 18:36). Definitivamente, o Reino de Cristo não era o mesmo do papa. Inocêncio sustentava que todos os reinos da terra lhe pertenciam, em virtude de direito divino. Um papa com tão poucas pretensões só poderia ter de apelar ao fogo e ferro a fim de manter a unidade da doutrina, no que Ivan Lins chama de “aberração injustificável”[21].

Estudar a Cruzada Albigense e sua mentalidade de “submissão total ao papa ou morte” é de fundamental importância para compreender o funcionamento do Santo Ofício, instaurado no mesmo período. Em 1229, o Concílio de Tolosa, o mesmo que proibiu a leitura da Bíblia e mandou caçar até a morte os que se atrevessem a ler, “encarregou aos bispos a instrução dos processos e o ditado das sentenças que tinha que aplicar, e que podia acabar com uma admoestação, com a confiscação dos bens ou com a morte na fogueira”[22].

Jacques Le Goff escreve ainda:

O cânon 3 do Concílio de Latrão de 1215, que obrigava aos fieis denunciar os suspeitos, marca uma etapa, em realidade o apoio que Frederico II concede ao papa para terminar com a heresia, depois de sua coroação em 1220. Inaugura a colaboração da Igreja e os poderes públicos (o “braço secular”), que será essencial para o funcionamento da Inquisição; Gregório IX, em 1231, codifica o procedimento inquisitorial e, em 1252, Inocêncio IV o resume e o agrava na bula Ad extirpanda, que instaura a tortura.[23]

O que ocorre é a institucionalização da mentalidade preconceituosa e intolerante que já havia desde a época das Cruzadas, mentalidade na qual o papa atua como um rei supremo e soberano sobre o poder espiritual e temporal, e qualquer ato que não se alinhe a seus ideais é visto como um crime que deve ser combatido de todas as formas, e a todo custo. As fileiras de soldados cruzados convocados para o genocídio foram substituídas pelo Tribunal do Santo Ofício, não menos violento, e ainda mais eficaz.

Eu não me deterei aqui amplamente sobre o tema porque já é o foco do meu outro livro “A Lenda Branca da Inquisição”, mas alguns fatos devem ser destacados. Um deles é que “as populações das aldeias e cidades seriam responsabilizadas caso não cooperassem”[24], o que ocorreu no caso da Cruzada Albigense, mas que também ocorria em todos os “autos-da-fé”, a cerimônia na qual as autoridades públicas queimavam os “hereges” a mando da Igreja e por ordem dela, sob as mesmas ameaças a que estavam submetidos os magistrados do Languedoc[25].

O Quarto Concílio de Latrão (1215), por exemplo, exige:

Hereges convictos devem ser entregues a seus superiores seculares ou a seus agentes para o devido castigo. Se forem clérigos, primeiramente devem ser destituídos. Os bens dos leigos serão confiscados; os dos clérigos serão aplicados nas igrejas das quais recebiam seus subsídios (...) Se um senhor temporal negligencia em cumprir o pedido da Igreja de purificar sua terra da contaminação da heresia, será excomungado pelo metropolitano e pelos outros bispos da província. Se deixa de se emendar dentro de um ano, o fato deve ser comunicado ao sumo pontífice que declarará seus vassalos livres do juramento de fidelidade e oferecerá suas terras aos católicos. Esses exterminarão os hereges, serão donos da terra sem discussão, e a preservarão na verdadeira fé (...) Os católicos que tomarem a cruz e se devotarem ao extermínio de hereges gozarão da mesma indulgência e privilégio dos que se dirigem à terra santa.[26]

Assim sendo, o genocídio era expressamente autorizado e exigido quando se tratava de “terras de hereges”, os quais não apenas perdiam suas posses, mas também a vida. E isso não foi dito por um clérigo qualquer ou em um lugar qualquer, mas em pleno concílio ecumênico tido como infalível até hoje pelos católicos romanos. E da mesma forma que um concílio infalível ordenou em 1215 o extermínio de “hereges”, um papa infalível em 1252 promulgou uma bula na qual reitera que “as populações das aldeias e cidades seriam responsabilizadas caso não cooperassem”[27] com a Inquisição. Trata-se, é claro, do icônico Inocêncio IV (1243-1254).

Décadas antes, em 1194, um outro papa chamado Celestino III havia mandado um delegado convocar a assembleia de prelados e nobres em Mérida, assistindo pessoalmente o rei Afonso II de Aragão, que ditou o seguinte decreto:

Ordenamos a todo valdense que, em vista de que estão excomungados da Santa Igreja, são inimigos declarados deste reino e têm que o abandonar, igualmente em todos os estados de nossos domínios. Em virtude desta ordem, qualquer que, desde hoje, se permita receber em sua casa aos malfadados valdenses, assistir a seus perniciosos discursos ou lhes proporcionar alimentos, atrairá por isto a indignação do Deus Todo-Poderoso e a nossa; seus bens serão confiscados sem apelação e será castigado como culpada do delito de lesa majestade; ademais qualquer nobre ou plebeu que encontre dentro de nossos estados a um destes miseráveis saiba que se os ultraja, os maltrata ou os persegue, não fará com isto nada que não nos seja agradável.[28]

Da Igreja pacifista dos primeiros séculos, já não sobrava nada. A loucura chegou a tal ponto que um arcebispo de Mogúncia chamado Christiern foi deposto em 1251, “devido às suas tendências pacíficas, visto achar que o ofício das armas não se coadunava com suas atribuições espirituais”[29]. O último sermão de São Domingos (1170-1221), direcionado aos “hereges” que procurava converter, é um exemplo clássico dessa mudança radical de mentalidade:

Por muitos anos eu vos tenho exortado em vão, com bondade, pregando, orando e chorando. Mas de acordo com o provérbio de minha terra – onde nada consegue a bênção, pancadas podem dar resultado – vamos agora levantar contra vós príncipes e prelados, que, ai de vós, armarão nações e reinos contra esta terra... e assim farão os golpes e a violência o que não puderam fazer as bênçãos nem a doçura.[30]

Engana-se quem pensa que a Inquisição perseguia apenas os “hereges” mais radicais e subversivos. Ela caçava qualquer um que discordasse de algum ensino católico no mais mínimo que fosse. Os chamados “franciscanos espirituais” (sucessores de Francisco de Assis que decidiram manter os votos de pobreza, quando os demais já haviam se desviado da ênfase original) foram perseguidos e mortos por “heresia”, e essa heresia consistia “primeiramente na desobediência à bula Quorundam de João XXII, que os tinha proibido de vestir pequenos capuzes e togas pelos quais se distinguissem dos conventuais”[31].

No auto-da-fé de 10 de julho de 1608, em Lima, a Inquisição queimou até a morte um sujeito que se atreveu a pesquisar se Adão tinha ou não tinha umbigo[32], tarefa essa que cabia apenas aos sacerdotes. Quem ousasse dizer que Cristo e os apóstolos eram pobres também era condenado[33]. Luis Godines, de Córdoba, foi processado em 1562 por dizer que “o dízimo pode ir para o inferno, pois foi criado pelo diabo”[34]. O fanatismo era tanto que o bispo francês Pedro Chatelain foi acusado por ter supostamente questionado a existência do purgatório quando disse:

Pedro Chatelain, bispo de Macon, disse na oração fúnebre de Francisco I estar persuadido de que, depois de uma vida tão santa, a alma do rei, saindo do corpo, foi transportada ao Paraíso, sem passar pelo purgatório. O que hoje passaria por uma vil lisonja, pareceu uma heresia à Sarbona, como se esse prelado não acreditasse no purgatório; e sobre isso se formou uma acusação, que dirigiu à corte.[35]

Esforçada em perseguir pelos motivos mais nobres, a Inquisição processou, em 1794, uma mulher chamada Mariana Alcocer. Seu crime? Dizer que tinha uma oração para tornar-se invisível[36]! A Inquisição não podia tolerar tamanho ato de bruxaria, e tratou logo de denunciar a mulher. Mas o caso mais divertido ocorreu em 1810, quando a Inquisição “manteve encerrado por seis meses, num calabouço, um negro que ganhava o pão passeando pelas ruas de Lima cães, gatos, ratos, marmotas, macacos e outros animais que ensinara a dançar e fazer outras peripécias. Isso só podia ser arte do diabo!”[37].

O cânon 13 do Concílio de Tolosa (1229) dizia ainda que aqueles católicos que não se confessassem ao padre pelo menos três vezes ao ano seriam considerados hereges[38], e, como tais, passíveis de perseguição pela Inquisição. O cânon 10 de um Concílio de Tolosa mais antigo (1084) excomungava os monges que permitissem que suas barbas e cabelos crescessem mais do que o “aceitável”[39], e a mexicana Antonia Machado foi condenada em 1604 pelo inaceitável crime de usar roupas de seda com uma franja dourada[40].

Há muitíssimos outros registros bizarros do tipo (muitos deles citados em meu livro sobre a Inquisição), que tornaria extremamente exaustivo enumerá-los todos. O fato é que a Inquisição estava longe de querer apenas a “ordem social” contra “extremistas revolucionários”, mas consistia em violar integralmente a liberdade de consciência nos mais ínfimos detalhes, a fim de manter a aparência de uniformidade garantida pela espada e pelo fogo. Se era assim que a Inquisição tratava os próprios católicos pelas coisas mais banais, imagine o que não fazia com quem discordava de seus dogmas principais. Os hussitas sofreram na pele as consequências disso, quando o papa Martinho V emitiu uma carta ao rei da Polônia ordenando o extermínio:

Saiba que os interesses do Santo Governo, e daqueles de sua coroa, consideram o seu dever exterminar os hussitas. Lembre-se de que essas pessoas ímpias se atrevem a proclamar princípios de igualdade; eles afirmam que todos os cristãos são irmãos... que Cristo veio a terra para abolir a escravidão; eles chamam as pessoas à liberdade, isto é à aniquilação de reis e bispos. Enquanto ainda há tempo, pois, levante suas forças contra a Boêmia; queime, massacre, faça desertos por toda parte, porque nada poderia ser mais agradável a Deus, ou mais útil para a causa dos reis, do que o extermínio dos hussitas.[41]

O mesmo papa promulgou uma bula em 1420, onde proclama a cruzada “para a destruição dos wiclefitas, hussitas e todos os outros hereges da Boêmia”[42]. O historiador H. G. Wells conta que “atraídos por esse convite, os soldados aventureiros desempregados e toda a canalha desclassificada da Europa convergiram sobre esse valente país”[43]. Esse enorme exército era constituído por 90 mil soldados de infantaria com outros 40 mil de cavalaria – número semelhante e até maior que o de muitas das cruzadas contra os árabes. Wells discorre:

Atacando a Boêmia pelo oeste, deram cerco primeiro à cidade de Tachow, mas não conseguindo tomar esta cidade grandemente fortificada, devastaram a vila de Most. Tanto aí quanto nas regiões circunvizinhas, cometeram as mais horríveis atrocidades contra uma população na sua maioria absolutamente inocente de qualquer teologia.[44]

Os hussitas da Boêmia foram massacrados, assim como foram os lolardos, seguidores de Wycliffe na Inglaterra. Todos os chefes religiosos do movimento foram queimados ou enforcados, entre eles William Sawtrey, reitor de Norfolk queimado em março de 1401, Juan Badbie, menestral de Woscester queimado por negar a transubstanciação, Lord Cobhan, editor das obras de Wycliffe e o mais renomado lolardo, encerrado na Torre de Londres e depois enforcado e queimado a fogo lento[45]. Essas perseguições sistemáticas terminaram por precipitar o fim do movimento iniciado por Wycliffe, que ressurgiria séculos depois com Tyndale e a Reforma inglesa.

Na época da Dieta de Augsburgo (1530), o papa Clemente VII (1523-1534) discordava da própria ideia da Dieta, pois asseverava firmemente que “as grandes assembleias servem apenas para introduzir opiniões populares, mas não é por meio de decretos de concílios, e sim a fio da espada que devemos pôr fim às controvérsias”[46]. Poucos anos depois ocuparia o trono romano um novo papa chamado Júlio III (1550-1555), sobre quem Latourette escreve:

Ele fortaleceu a Inquisição, teve o índice de livros proibidos revisado, foi implacável com aqueles que eram suspeitos de heresia, e teve em Morone, um dos mais eminentes cardeais, um reformador zeloso, colocado na prisão e julgado perante a Inquisição. Todavia, ele foi culpado de usar o seu elevado ofício para conceder favores a membros de sua família. Ele era intensamente impopular com a população romana e na sua morte eles causaram desordem, mutilaram sua estátua, libertaram os prisioneiros da Inquisição, e destruíram seus registros.[47]

Pio V (1566-1572), um dos papas mais aclamados e tido como célebre até hoje pelos católicos tradicionalistas, “incitava aqueles que combatiam os huguenotes, e mandava-lhes da Itália tropas e dinheiro... animado do desejo de ver a Inglaterra domada, ele tinha não somente prometido aos vencedores repartir com eles todos os bens da Igreja, mas também ir em pessoa dirigir a guerra”[48]. Ele congratulou o duque de Alba pelo famoso morticínio de seu Tribunal de Sangue na Holanda e enviou tropas a Carlos IX para massacrar os huguenotes na França, “ordenando ao respectivo comandante para não fazer prisioneiros, passando a fio da espada os que lhe caírem nas mãos”[49].

Até os seguidores de Erasmo de Roterdã, que nem protestantes eram, foram perseguidos e caçados implacavelmente. Bleye diz que “dos erasmistas conhecidos, muitos poucos se livraram de perseguições ou denúncias”[50]. A intolerância era tão gritante que em um desses raros momentos em que um clérigo católico aconselhava tolerância e bons modos, era rebatido de modo selvagem e frenético pelos demais. Já vimos alguns exemplos no capítulo 2, apo abordarmos a histórica Dieta de Augsburgo, e o historiador católico Paul Johnson registra também:

Em 1588, na Assembleia dos Estados, em Blois, o bispo de Le Mans tentou sustentar que “os hereges devem ser amados e chamados de volta por meio de orientação e bons exemplos”, mas a Assembleia “urrou de indignação”; “ficaram tão furiosos que começaram a fazer barulho com os pés e as mãos e não permitiram que ele dissesse uma palavra”.[51]

Até os católicos mais admirados nos dias de hoje pela sua pretensa sabedoria e piedade eram tão intolerantes na questão religiosa quanto os demais. Na Inglaterra pré-reforma, por exemplo, Thomas More (1478-1535) era um “paladino intransigente da ortodoxia católica”[52], para quem “a morte do herege na fogueira era de somenos importância, porque ele já estava destinado ao fogo eterno”[53]. Em dois anos e meio como chanceler, ele “lutou contra a disponibilidade da Escritura e trabalhou para erradicar a heresia, isto é, os hereges”[54].

Com a Contrarreforma e o espírito jesuíta, a situação se agravou ainda mais. Conspirações, sedições e perseguições ocorriam por toda a parte, onde os reis católicos eram instigados a reprimir as liberdades individuais de seus súditos protestantes, forçando exílios, prisões e mortes. Já discorremos amplamente sobre a atuação dos jesuítas em outros países, mas Johnson registra o que eles fizeram na Áustria:

Em Graz, a população era quase inteiramente protestante e as escolas protestantes floresciam nas cidades do sul e do norte da Alemanha. Então, em 1573, o arquiduque Carlos, da Áustria, fundou uma escola jesuíta. A liberdade religiosa foi concedida pela Dieta de Bruck, em 1578; três anos depois, porém, o duque expulsou os pastores evangélicos e proibiu os cidadãos de Graz de frequentar a escola protestante da cidade. O velho duque morreu em 1590, e o protestantismo voltou a florescer durante a menoridade de seu filho. Ao atingir a maioridade, entretanto, o duque de formação jesuítica anunciou: “Prefiro governar um país arruinado que um país condenado”, e pôs-se a extirpar o protestantismo à força. Em 1598, expulsou todos os pastores e mestres-escolas protestantes e no ano seguinte fechou as igrejas não-católicas. O processo seria concluído uma geração depois, em 1628, quando oitocentas das principais famílias protestantes foram obrigadas a deixar o país. As mesmas forças encontravam-se em ação na Bavária e, de modo mais espetacular, na liberal Polônia. Ali, Estêvão Bartory, eleito rei em 1574 com uma plataforma de tolerância, tinha permitido a entrada dos jesuítas, como parte de sua política de proteção aos dois lados da contenda. Havia 360 na Polônia, em 1587, época da eleição de seu sucessor, Sigismundo III, católico veemente. A partir de então, somente católicos eram indicados para cargos importantes e os nobres católicos foram estimulados a expulsar os protestantes de suas propriedades; os tribunais determinaram que os protestantes não poderiam utilizar as igrejas paroquiais e foram levados para as prefeituras; então, em 1607, os nobres protestantes foram provocados à revolta e sua supressão marcou o fim da Reforma.[55]

O Concílio de Trento (1545-1563), expressão máxima do espírito intransigente da Contrarreforma, “se pronunciou pelo autoritarismo e contra o liberalismo intelectual, da mesma forma que a Companhia de Jesus e o Santo Ofício”[56]. Assim, a Igreja Romana, “colocando-se na defensiva e pouco prevenida, julgou preferível reforçar os dogmas desvanecidos e tornar a intolerância a principal virtude do século”[57]. Johnson diz que os católicos moderados eram odiados pelos jesuítas e as demais forças da Contrarreforma, “ainda mais que aos protestantes militantes”[58].

Felizmente para o mundo e lastimavelmente para a Espanha, este foi o único país em que a imposição do despotismo temporal e espiritual do papa se impôs em sua plenitude, “para a desgraça dessa nação”[59]. Lindsay afirma que ela “extinguiu toda a liberdade civil e religiosa”[60], e Pirenne acrescenta que “em quantos países se associou o autoritarismo dos reis espanhois e o da Contrarreforma – como foram Espanha, Itália e Bélgica – se extinguia aquele tipo de cultura universal que acabava de iluminar a liberdade do humanismo e que deu sua luz radiante ao esplendor renascentista”[61]. Os espanhois não poupavam os protestantes nem no Novo Mundo, onde os primeiros habitantes protestantes a pisar na Flórida “foram massacrados pelos espanhois católicos de Santo Agostinho”[62].

Wells resumiu bem a mentalidade dos papas desses períodos quando escreveu:

Já não queriam ver o Reino de Deus estabelecido no coração dos homens – tinham esquecido isto; queriam, sim, era ver o poder da Igreja, que era o seu próprio poder, dominando os homens. Estavam prontos a transigir e negociar mesmo com ódios, os medos e as cobiças dos corações humanos, contanto que conquistassem tal poder. Não podiam tolerar a discussão. Eram intolerantes a respeito de inquéritos, problemas ou discordâncias, não porque estivessem seguros de sua fé, mas exatamente porque não estavam.[63]

Quantas vítimas fez a Inquisição na Espanha? Juan António Llorente, último secretário e primeiro historiador importante do tribunal, dá números precisos: 31.912 queimados vivos, 17.659 em efígie e 291.450 condenados a penas diversas[64]. Devemos lembrar que esses mais de 17 mil queimados em efígie não eram bonequinhos queimados por diversão, mas se refere àquelas pessoas que morreram nos cárceres do Santo Ofício antes do comparecimento ao auto-da-fé, onde seriam queimadas vivas. Como a Inquisição não podia admitir nem isso, fazia questão de queimar o indivíduo simbolizado no boneco, e muitas vezes chegaram a desenterrar os ossos das vítimas para queimá-los, como fizeram com Wycliffe. Ou seja, a Inquisição não poupava nem os mortos.

Até o apologista católico João Gonzaga, tão acostumado a mentir para defender a Inquisição, admite neste caso:

Cabe observar ainda que o fato de já haver falecido não poupava um herege à merecida punição. Se se suspeitava que alguém, já morto, fora herege, abria-se o processo inquisitorial, onde ele podia ser condenado às sanções cabíveis, inclusive à pena máxima. Desenterrado então o cadáver, ou o que deste restasse, realizava-se macabro cortejo pelas ruas, até o patíbulo, onde era procedida à incineração.[65]

O inquisidor Luís de Geram, que escreveu a história do tribunal do Santo Ofício na Espanha em finais do século XVI (1589), “assevera que mais de cem mil hereges foram entregues às chamas”[66]. Apenas durante os 18 anos do inquisidor-geral Tomás de Torquemada (1481-1498), dez mil pessoas foram executadas[67], isso sem mencionar 6.500 em efígie, e mais 90 mil com os bens confiscados ou em prisão perpétua[68]. E sob Carlos V, a Inquisição “mandou queimar, afogar e sepultar vivas cinquenta mil pessoas até o ano 1560”[69].

Vale ressaltar que estes dados se referem apenas a períodos de terror da Inquisição espanhola, desconsiderando a Inquisição medieval e todas as inquisições nos outros países. Isso porque a perseguição sistemática, a caça e queima de “hereges” já eram práticas da Igreja bem comuns desde muito antes da Inquisição chegar à Espanha. Por exemplo, ainda em 1212 o bispo Henrique de Strasburgo lançou à fogueira 80 “hereges” em um único dia, em sua maioria valdenses[70]. Se você acha isso assustador, o inquisidor “Roberto, o dominicano”, era um conhecido sádico que também em um único dia no ano de 1239 queimou 180 “hereges” até a morte, incluindo um bispo católico cujo crime havia sido dar “muita liberdade aos hereges”[71]. Este era o retrato da Igreja desde muito antes da Inquisição espanhola, que apenas piorou as coisas e a elevou a outros patamares.

Quando a duquesa Renata de Ferrara foi acusada de heresia, os inquisidores ordenaram chacinar dois mil valdenses da Calábria, e como o duque de Saboia se recusava a cumprir as ordens, o próprio papa Pio IV lhe dirigiu uma reprimenda[72]. Foram tantos os massacres que hoje é impossível oferecer um número preciso de vítimas. Melo afirma que “a Inquisição, nos seus moldes desumanos e cruentos, matou muita gente, sendo impossível calcular o número de pessoas trucidadas, queimadas vivas ou trancafiadas em masmorras frias e sombrias para morrerem à míngua“[73]. Ele estima as mortes em 350 mil, o mesmo que Rudolph Rummel em sua reconhecida obra Death by Government[74].

Há, porém, quem pense que este número é ainda pequeno se comparado ao número real de vítimas. Duduch, por exemplo, estima em 690 mil[75]. A razão pela qual hoje não é possível saber ao certo quantos foram mortos pela Inquisição (já desconsiderando os assassinatos fora dela, embora também legitimados pela Igreja papal) não é apenas por causa do longo tempo desde que isso ocorreu – em um mundo cheio de revisionistas que chegam até a negar o Holocausto, ocorrido há menos de um século –, mas principalmente porque muitos documentos se perderam, ou foram destruídos, ou simplesmente escondidos.

Não é de hoje que os papistas dão a desculpa de que o Vaticano “abriu os arquivos secretos da Inquisição” há alguns anos e que “desmascarou a lenda negra” da mesma. Isso é o mesmo que acreditar em um bandido que se recusou por décadas a abrir sua casa para os policiais revistarem, e que depois de todo esse tempo os policiais que entram não encontram tanta coisa que o incrimine, porque o bandido escolheu a dedo o que seria “achado” e o que não seria. O caso da Inquisição é muito parecido, com a diferença de que não se trata de décadas, mas de séculos de diferença, onde o Vaticano foi o último interessado a abrir as portas para qualquer pesquisa. Se realmente o Vaticano não tinha nada a esconder, por que demorou literalmente oito séculos desde o início da Inquisição para abrir os arquivos?

O Santo Ofício já não mata mais ninguém desde o início do século XIX, e mesmo assim demorou mais quase dois séculos para abrir as portas aos estudos dos historiadores. É mais fácil ter fé para acreditar na idoneidade do Lula no caso triplex e no sítio de Atibaia do que na idoneidade de uma instituição que demora séculos até fazer o mínimo que deveria ter feito há muito tempo – tempo o suficiente para pensarmos que eles realmente tinham algo a esconder e que continuam escondendo muito bem.

Mas nós não precisamos focar apenas em especulações óbvias, porque efetivamente houve muito material que se perdeu ou que foi destruído a despeito de qualquer má-intenção da Igreja de Roma. Napoleão confiscou milhares de documentos, outros milhares foram saqueados, e outros milhares de processos ainda não foram lidos. Sobre este último aspecto, Oliveira observa:

Os processos inquisitoriais devidamente instaurados, registrados e arquivados, só nos Arquivos da Torre do Tombo – pois existem inúmeros outros espalhados pelas diversas bibliotecas de Lisboa, Évora e Coimbra, além dos de Goa e do Brasil – rondam os 40.000, com poucas dezenas estudados.[76]

Houve também documentos intencionalmente destruídos. Quando o odiado Caraffa (papa Paulo IV) morreu em 1559, “era tão detestado pelos romanos que eles atacaram as instalações do Santo Ofício, demoliram os prédios, saquearam e queimaram todos os documentos”[77]. Outros foram roubados, como os documentos de Barcelona e Valência, saqueados em 1820 pelo povo que invadiu as instalações da Inquisição e roubou seus arquivos[78].

O inquisidor Nicolau Eymerich (1320-1399) escreveu em seu Manual que o tribunal precisava do sangue de mil indivíduos por ano (quase três por dia) para se sustentar[79], embora este número seja muito maior do que o que restou registrado até nós, o que comprova o desaparecimento de documentos. Este fato é tão notório que até o apologista da Inquisição João Gonzaga escreve que “os documentos dessa época de misérias desapareceram em grande parte e não mais é possível hoje levantar estatísticas”[80].

Mesmo assim, revisionistas tendenciosos e negacionistas da Inquisição insistem nos números “baixos” (entre seis e oito mil para a Inquisição espanhola, de acordo com os apologistas católicos), ignorando por ingenuidade ou desonestidade o fato de que estes documentos não representam o número total de vítimas do Santo Ofício, mas apenas o que sobrou até nós. Por comparação, embora Eusébio (263-339) tenha dito que Orígenes (184-253) escreveu mais de 800 tratados, apenas uma dúzia deles sobreviveu até os dias de hoje. O restante nós simplesmente não sabemos o conteúdo, porque o conteúdo foi perdido em algum momento na história, da mesma forma que muitos arquivos da Inquisição.

É por isso que a crítica séria ao lidar com o total de vítimas não recorre aos documentos que restaram, mas aos registros daqueles que viveram na época e escreveram com muito mais conhecimento de causa e com a ciência de muitos documentos que hoje não existem, mas que existiam em seus dias. Isso também explica por que o inquisidor Luís de Geram, em finais do século XVI, afirma que a Inquisição espanhola havia matado cem mil homens, enquanto Llorente, secretário da Inquisição no século XIX, afirma a metade disso (incluindo os queimados em efígie). Presumivelmente muitos documentos se perderam neste intervalo de mais de duzentos anos entre um e outro, o que explica a discrepância de números, que em termos absolutos seria um montante bem maior do que o registrado por ambos.

Outro erro dos revisionistas é considerar apenas o número de vítimas fatais (ou seja, de mortos) quando problematiza a Inquisição, em vez de avaliar a quantidade de vítimas que foram prejudicadas em qualquer sentido. Não seria errado dizer que a Inquisição fez milhões de vítimas, quando se tem em conta que perder seus bens, ser castigado com centenas de açoites, ser condenado à tortura, à escravidão ou à prisão perpétua já é ser vítima da Inquisição, independentemente se foi queimado depois ou não. Não é apenas a quantidade de mortes que deve ser considerada, mas todo o sofrimento humano causado, o que aumenta significativamente o grau de terror e monstruosidade que a Inquisição representou.

A despeito da oposição de certos negacionistas que insistem que a Igreja Católica nunca mandou torturar ninguém, a tortura esteve presente na Inquisição desde os seus primórdios. Ainda em 1262, o papa Inocêncio IV emitia a famosa bula Ad Extirpanda, cujo cânon 26 dizia:

Além disto, que a Autoridade ou Dirigente seja obrigado a forçar todos os hereges, os que tiver capturado, a confessar seus erros expressamente, como verdadeiramente ladrões e homicidas de almas, e surrupiadores dos sacramentos de Deus e da fé cristã, e a acusar outros hereges, os que conhecem, e os crentes e os receptadores, e os defensores deles, assim como são forçados os surrupiadores e os ladrões das coisas temporais, a acusar seus cúmplices e a confessar os malefícios que fizeram, até o limite da diminuição de membro e perigo de morte.[81]

O historiador católico Richard P. McBrien, que escreveu a história dos papas publicada pela editora Loyola, confirma que “Inocêncio IV foi o primeiro papa a aprovar o uso de tortura na inquisição para extrair confissões de heresia, seguindo o princípio de que ‘o fim justifica os meios’”[82]. Baker escreve:

Os delatores se conseguiam prometendo-lhes uma parte dos bens dos condenados. A tortura era o método principal de conseguir a evidência. Ninguém estava seguro. A simples acusação de heresia por qualquer um, fosse por ódio pessoal, inveja, ou por outro motivo, era suficiente para botar a andar as máquinas de tortura, sob as dores das quais quase qualquer um confessava qualquer coisa. O cinismo e a amargura se infiltraram em todas as partes do continente.[83]

A tortura era tão horrenda que o reconhecido historiador católico Paul Johnson alega que “segundo os registros, incluíam-se mulheres entre setenta e noventa anos e uma menina de treze”[84]. O próprio inquisidor Eymerich escreveu em seu Manual que a tortura era permitida até mesmo para crianças e idosos, os quais apanhavam com chicotadas: “É o caso de se perguntar, em contrapartida, se se podem torturar as crianças e os velhos por causa da sua fragilidade. Pode-se torturá-los, mas com uma certa moderação; devem apanhar com pauladas ou, então, com  chicotadas[85].

Lopez diz que “a tortura só foi formalmente banida a partir da vigência dos princípios dos Direitos do Homem. O que, aliás, não impediu que, em pleno ano de 1864, o papa Pio IX defendesse a violência como instrumento válido contra os inimigos do catolicismo”[86]. Não bastasse isso, muitas vezes até os não-condenados acabavam cumprindo pena nos cárceres da Inquisição apenas para esperar julgamento. E isso não por algumas semanas ou dias, mas durante anos:

Uma vez preso um acusado, não havia prazo para começar o seu processo – o dominicano Gabriel Escobar esteve encarcerado de 1607 a 1622 e morreu na prisão, antes de ter sido julgado, a mesma situação do padre José Bunon de Vertis, preso de 1649 a 1656. Em ambos os casos, ocorreu, na prática, uma sentença de prisão perpétua, sem julgamento.[87]

Um caso famoso que será melhor abordado no segundo volume desta obra é o de Giordano Bruno, que ficou três anos nos cárceres da Inquisição romana até ser finalmente julgado[88]. Tenha em conta que não se tratava de indivíduos condenados em “primeira instância” que estavam presos aguardando um novo julgamento, mas sim de pessoas que nem julgadas foram. Você podia ser acusado de “heresia” por qualquer boato sem nenhum fundamento, que obrigatoriamente teria que prestar contas à Inquisição e talvez aguardar por anos um simples julgamento, mesmo para inocentá-lo. E se inocentado, não havia qualquer tipo de recompensa ou retorno pelo tempo que passou preso injustamente.

Lopez destaca que esse modus operandi da Inquisição era proposital, pois “destinava-se a quebrar a resistência física e psicológica do acusado, antes mesmo da instrução do processo”[89]. Se você pensa que a coisa não pode piorar, está enganado. Não bastasse punir qualquer pessoa suspeita de heresia antes mesmo de qualquer processo, a prisão na qual essas pessoas (e os condenados, é claro) ficavam era do pior tipo possível, pior até mesmo que os cárceres do “braço secular”, a despeito do propagandismo católico recente que tenta dizer o contrário. E quem relata isso não sou eu, mas o famoso padre jesuíta Antônio Vieira (1608-1697), que descreveu as celas da Inquisição na qual ele mesmo passou nestes termos sombrios:

A cada prisioneiro se lhes dá seu cântaro de água para oito dias (se se acaba antes, têm paciência) e outro mais para a urina, e um para as necessidades que também aos oito dias se despejam e (...) são tantos os bichos que andam os cárceres cheios e os fedores tão excessivos que é benefício de Deus sair dali homem vivo.[90]

Essa é a razão pela qual tanta gente morria nos cárceres da Inquisição e era “queimada em efígie”, às vezes quase superando o número de mortos em pessoa nos autos-da-fé. Durant discorre que “as piores tragédias da Inquisição jaziam ocultas nos calabouços. De fato, eram ali piores do que as que vinham à luz na tortura do cavalete”[91]. Ele acrescenta:

Às vezes os prisioneiros do inquisidor João Galand eram isolados em celas completamente escuras durante longos períodos. Alguns ficavam de tal forma amarrados, que tinham de ficar sentados sobre as suas próprias fezes e somente podiam deitar-se sobre uma laje fria. Outros sofriam tais torturas no cavalete, que perdiam o uso dos braços e pernas, outros chegavam a morrer.[92]

Está pensando que isso era tudo? Errou de novo. Não bastasse as torturas e a prisão muitas vezes perpétua à qual eram submetidos os condenados pelo Santo Ofício e às vezes até os não-condenados aguardando eternamente um julgamento que nunca vinha, havia também o castigo dos açoites, que era muito comum. “A flagelação variava de 100 a 200 chicotadas e não respeitava a idade: em 1607, em Valência, um velho de 86 anos e uma menina de 18 receberam 100 chicotadas”[93].

Ricardo Palma, autor da maior pesquisa já realizada nos arquivos da Inquisição de Lima, no Peru, detalha diversas vezes em seu livro este tipo de castigo sendo infligido às vítimas da Inquisição. Um desses muitos relatos é o do alfaiate Pedro Bermejo, que castigado no auto-da-fé de 13 de abril de 1578:

Pedro Bermejo, alfaiate, afirmava que a caridade era menor do que a fé, e que São Paulo podia ter errado porque foi homem. Como castigo por essas afirmações, e em lugar de lhe ser dito: “Alfaiate, volta à tua agulha e aos teus pontos”, foi condenado a duzentos açoites, abjuração de vehementi e a ter a cidade por cárcere durante seus anos, como castigo de ser impenitente relapso.[94]

Por ter se divorciado e se casado outra vez, Maria Atanásia sofreu 200 açoites pela Inquisição, além de ser desterrada de Lima por cinco anos[95]. Em 1563, Gregorio Ardid, de Múrcia, foi condenado à escravidão nas galés por seis anos e a mais 100 chibatadas por quebrar o sigilo da Inquisição, e pelo mesmo crime Cristóbal de Arnedo recebeu 200 açoites e foi enviado às galés por oito anos[96]. No auto-da-fé de 13 de abril de 1578, o frei Gaspar de la Huerta foi condenado aos mesmos 200 açoites por ter feito missa sem ser sacerdote. Como se não bastasse, foi enviado às galés a remo e sem soldo, para sofrer por mais cinco anos[97].

Pela suspeita de feitiçaria, Antônia Osório foi castigada com 200 açoites no auto-da-fé de 23 de dezembro de 1736. A Inquisição, ainda insatisfeita com esta pena, decidiu que ela deveria ser humilhada em público, fazendo-a percorrer a cidade em lombo-de-burro, despida da cintura para cima, enquanto suportava os duzentos açoites[98]. Outra mulher, Ana Maria Pérez, que se dizia profetiza, foi castigada com 200 açoites e outros cinco anos de prisão[99]. José Nicolás Michel, um bruxo tão poderoso que “transformava em negras as pessoas brancas”, padeceu 200 açoites em via pública e ainda passou mais seis anos na prisão[100]. Palma analisa estes casos e comenta que “graças à Inquisição, não se encontra hoje uma bruxa nem para dor de dentes na capital do Peru, tão fecunda em feitiçarias há um século e meio”[101].

Palma explica que os penitenciados saíam pelas ruas, em estado de humilhação, para receber, no mínimo, meia centena de chicotadas[102], embora a maioria levasse 100 ou 200. Em 1587, o cirurgião Damián Acen Dobber foi castigado pela Inquisição com nada a menos que 400 açoites por supostamente ter feito uma oração muçulmana, embora nem isso fosse comprovado[103]. É preciso ser um demônio para castigar um ser humano com 400 açoites. Os terroristas do ISIS passam longe de tamanha crueldade. Mas nem com isso os inquisidores sedentos de sangue estavam satisfeitos. A respeito do herege que não abjurasse, Eymerich diz que “será surrado até a morte como um herege impenitente”[104]. Ou seja, o indivíduo levava indefinidas chicotadas atrás de chicotadas, até que, depois de tanta brutalidade, perdesse os sentidos e morresse. Era essa a moral “cristã” da Igreja Católica.

Graças à Inquisição, o protestantismo foi subitamente eliminado da Espanha, que em breve se tornaria uma das nações mais atrasadas de toda a Europa. Lopez diz que “o protestantismo fora erradicado completamente graças à eliminação física de todos os seus seguidores. Não foi um extermínio a conta-gotas, foi um massacre sumário”[105]. Mas não pense que a Igreja se contentava com uma execução comum. Nana-nina-não. Em vez de simplesmente cortar a cabeça de uma forma rápida com um carrasco, como fez Isabel com Maria Stuart, os católicos faziam questão de prolongar o sofrimento do “herege” ao máximo tempo e da forma mais dolorosa possível. Isso compreende desde a fogueira em si, até o chamado “fogo lento”, a fim de prolongar o sofrimento das vítimas.

A execução tinha que ser através da fogueira (como fazia Nero), porque a morte na fogueira era considerada o pior tipo de morte concebível, e, portanto, bem apropriada para o “pior dos pecados”, o crime de heresia, conhecido como lesa-magestade divina. Por isso a Igreja não matava da forma rápida e relativamente indolor com a qual o poder civil matava seus condenados, mas exigia o tipo de morte que tipificava melhor o “tormento eterno” do inferno e o quão terrível seria. Sobre isso, Nazario comenta:

Segundo a lógica dos inquisidores, se o crime de lesa-majestade era punido com a morte, a heresia, que seria um ‘crime de lesa-majestade divina’, deveria ser igualmente punida com a morte e, posto que a morte na fogueira era a mais terrível das mortes, seria justo que “o mais cruel dos delitos” fosse castigado com fogo, que “purificava” o ambiente contaminado pelo miasma da heresia.[106]

Por essa razão os condenados eram geralmente queimados a “fogo lento”[107], prolongando o sofrimento da vítima o máximo possível, a qual às vezes passava horas nas chamas. Para efeito de comparação, nem os terroristas do Estado Islâmico pensaram nisso, pois costumam matar suas vítimas de uma vez, ao invés de pensar no máximo prolongamento do sofrimento até mesmo quando vão matá-las, como fazia a Igreja papal.

Assis comenta que “em Lisboa, os autos da fé eram realizados à beira do Tejo, onde o vento fazia com que as chamas demorassem horas para matar os condenados, alongando a agonia das vítimas e o sofrimento e humilhação da família. Alguns relatos se referem ao insuportável odor de carne humana queimada que tomava conta do ambiente”[108]. Você talvez esteja pensando no horror que deveria ser uma cena dessas, mas para os fanáticos católicos da época era um passatempo tão divertido quanto os romanos com o Coliseu.

Por isso os autos-da-fé eram cerimônias públicas e não privadas, onde as famílias católicas eram convidadas a presenciar os “hereges” queimando até a morte, como se fosse um esporte ou um espetáculo qualquer. Assis ressalta que os autos-da-fé eram “espetáculos preparados para mostrar o vigor e o alcance da Inquisição e de sua doutrinação pelo medo”[109], nos quais “a procissão inquisitorial percorria as principais ruas da cidade, convidando a todos para a cerimônia, enquanto os réus eram ofendidos e apedrejados”[110].

É claro que isso nem sempre acontecia de boa vontade. A população era intimidada a participar das cerimônias, sob a ameaça de incorrerem no mesmo suplício:

O temor que inspirava a Inquisição era tão grande que aos autos de fé assistiam, como uma festa, desde os reis (quando eram efetuados na Corte) até as últimas personalidades oficiais e da nobreza, incorrendo em suspeita qualquer personagem indicado que não comparecesse ao ato.[111]

Os católicos mais fanáticos adoravam os autos-da-fé. O rei espanhol Filipe II, um dos personagens mais recorrentes deste livro, assistia pessoalmente aos autos-da-fé realizados em seu país e dizia que traria a lenha para queimar o próprio filho se fosse culpado de heresia[112]. O detestável papa Paulo IV, cujas palavras de ordem era que “nenhum homem deve rebaixar-se com demonstrações de tolerância para com qualquer tipo de herege, muito menos um calvinista”[113], dizia o mesmo que Filipe, embora atingindo seu pai: “Mesmo que meu próprio pai fosse herege, eu recolheria lenha para queimá-lo”[114].

A obsessão de Paulo IV pelo extermínio dos “hereges” era tamanha que ele chegou ao ponto de montar câmaras de interrogatório em sua própria casa[115], sendo ele próprio um antigo inquisidor-mor na Espanha, que reabilitou o tribunal com “a maior severidade, acreditando mais no terror do que na persuasão”[116].

A Espanha, onde a Inquisição mais prevaleceu e exerceu influência, ficou “conservada na Idade Média, com sua negação absoluta de toda liberdade de consciência”[117]. Pirenne diz que “a contribuição da Espanha foi infinitamente menor porque a evolução do pensamento no século XVIII descansou essencialmente na liberdade, e na Espanha a Inquisição continuou impedindo toda livre expressão do pensamento”[118]. Lindsay ressalta que “onde quer que a sua presença se fez sentir por muito tempo, toda a liberdade civil e religiosa foi sufocada”[119], e Wells destaca que “a Igreja se entregou à tarefa de minar e enfraquecer com o fogo e a tortura a consciência humana”[120].

Com os novos ventos de tolerância trazidos pelo protestantismo antes de tudo, a Inquisição foi perdendo cada vez mais seu espaço, e no século XVIII já deixava de queimar homens para “se aplicar à tarefa de apreender e queimar livros que invadiam o país com essas palavras temíveis – razão, tolerância e liberdade”[121]. Não obstante, quando a Inquisição foi dissolvida por Napoleão, em fevereiro de 1813, o Vaticano protestou, embora nada mais pudesse fazer para impedir[122].

Ninguém definiu melhor o espírito da Inquisição em contraste com a mensagem do evangelho do que H. G. Wells, quando disse:

Essa negra e impiedosa intolerância constituía um mau espírito difícil de combinar com o projeto de um governo de Deus sobre a terra. Era tudo que se podia imaginar de mais contrário ao espírito de Jesus de Nazaré. Nunca se ouviu dizer que ele esbofeteasse as faces ou torturasse os pulsos dos discípulos recalcitrantes ou surdos. Mas os papas, durante os seus séculos de domínio, estavam sempre a se encolerizar e enfurecer ante a mais leve crítica ou reflexão sobre a suficiência intelectual da Igreja.[123]

Will Durant também é preciso quando escreve:

Dando-se o desconto devido ao historiador e permitido a um cristão, cumpre-nos colocar a Inquisição, juntamente com as guerras e perseguições de nossos tempos, no rol das manchas mais negras de que há registro na história e em que mostra uma ferocidade que se desconhece em qualquer animal selvagem.[124]

Não discorrerei mais amplamente sobre a Inquisição neste espaço porque já dediquei um livro inteiro sobre o assunto, A Lenda Branca da Inquisição, e não seria sábio repetir todo o conteúdo do livro aqui. Por hora, cabe apenas resumir algumas das fraudes mais descaradas e repetidas à exaustão pela desonesta apologética católica, que geralmente não mede esforços quando precisa mentir para salvar a reputação da instituição à qual servem:

• Eles dizem que uma confissão feita sob tortura não era aceita. É verdade. Eles só se esquecem de dizer que, se a pessoa negasse a declaração feita anteriormente sob tortura, ela voltava a ser torturada novamente até confirmar “livremente”...[125]

• Eles dizem que as pessoas só podiam ser torturadas “uma vez”. É verdade. O que eles não contam é que, para os inquisidores, essa “única” tortura podia ser repetida várias vezes, que eles contavam não como uma “segunda” tortura, mas como uma continuação da primeira...[126]

• Eles dizem que as pessoas só podiam ser torturadas por uma hora (ufa, que alívio!). É verdade. O que eles não dizem é que, dependendo daquilo que os inquisidores chamavam de “novos indícios”, a tortura podia ser recomeçada, e assim ter mais uma hora de tortura, e assim por diante, às vezes durando dias...[127]

• Eles dizem que os inquisidores não podiam tirar sangue das pessoas durante a tortura. É verdade. A parte que eles não contam é que isso era proposital, porque se a pessoa morresse na tortura ela não podia ser queimada mais tarde, e o “herege” merecia sofrer a pior das mortes, pois cometeu o “pior dos crimes”. É por isso que o Estado matava as pessoas que cometiam crimes civis pela forca ou decapitação, formas mais rápidas e menos dolorosas de morrer, enquanto a Inquisição matava queimando, geralmente à fogo lento, para deixar a vítima agonizando terrivelmente por um longo tempo entre as chamas no pior tipo de morte concebível na época, porque era um “crime contra Deus”, que tinha que ser punido com muito mais rigor do que os “crimes contra os homens”[128]. Além disso, existiam muitas formas de se torturar alguém causando muito sofrimento sem derramar sangue, «até o limite da diminuição de membro e perigo de morte».

• Eles dizem que a Igreja não matava ninguém, que quem matava era o Estado (o “braço secular”). É verdade. O que eles nunca vão dizer é que quem mandava o Estado matar era a Igreja, porque ela queria “lavar as mãos” igual Pilatos, deixando que o Estado cumprisse a ordem de execução que foi dada pelo tribunal do Santo Ofício – ou seja, que fizesse o "trabalho sujo”. E se um magistrado ousasse não matar, era ameaçado com fogo e ferro, com excomunhão e interdito, e se continuasse se recusando, uma cruzada poderia ser realizada contra ele, como ocorreu com os condes de Tolosa na Cruzada Albigense[129].

• Eles dizem que a Inquisição concedia um advogado ao réu. É verdade. O que eles se esquecem de contar é que isso só passou a acontecer em um segundo momento (não havia o “advogado” no início), e, mesmo assim, a função desse “advogado” era apenas de convencer a qualquer custo o réu a confessar sua “heresia”, e nunca a efetivamente defendê-lo[130]. Eu definitivamente abriria mão de um advogado desses!

• Eles dizem que a Inquisição “aboliu a tortura”. É verdade. O que eles não dizem é que só fizeram isso em 1821, apenas treze anos antes da Inquisição acabar, numa época em que a Igreja Romana já tinha perdido quase toda sua força política e quase ninguém morria mais, e depois de torturar as pessoas durante séculos incansável e implacavelmente, sem ninguém ter pensado na brilhante ideia de acabar com as torturas...

Eles insistem no revisionismo porque só assim podem salvar a pele da "Santa Igreja", pela mesma razão que os neonazistas negam, justificam ou minimizam o holocausto. Refutar todas as mentiras e distorções em prol da Inquisição inventadas por tais revisionistas da mesma laia dos negacionistas do holocausto é uma tarefa árdua e cansativa, elaborada amplamente em meu outro livro e resumida em um artigo do blog[131], para quem tiver interesse em se aprofundar no assunto.

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Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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[1] GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval – Volume I. 1ª ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1983, p. 122-123.

[2] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 33.

[3] OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998, p. 105.

[4] PHILLIPS, Jonathan. La cuarta cruzada y el saco de Constantinopla. 1ª Ed. Barcelona: CRÍTICA, S. L., 2005, p. 335.

[6] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 65.

[7] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 395.

[8] Apud BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 35.

[9] FALBEL, Nachman. Heresias Medievais. São Paulo: Editora Perspectiva, 1977, p. 50.

[10] DUCHÉ, Jean. Historia de la Humanidad II – El Fuego de Dios. 1ª ed. Madrid: Ediciones Guadarrama, 1964, p. 522.

[11] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 29.

[12] Apud Sumption. The Albigensian Crusade, p. 93.

[13] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 236-237.

[14] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 593.

[15] BASTOS, Plínio. História do Mundo - Da pré-história aos nossos dias. 3ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Império, 1983, p. 96.

[16] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 395.

[17] FRANCO, Hilário. As Cruzadas. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981, p. 65.

[18] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 58.

[19] VARA, Julián Donado; ARSUAGA, Ana Echevarría. La Edad Media: Siglos V-XII. 1ª ed. Madrid: Editorial universitaria Ramón Areces, 2010, p. 266.

[20] BROM, Juan. Esbozo de historia universal. 21ª ed. México: Grijalbo, 2004, p. 101.

[21] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 393.

[22] VARA, Julián Donado; ARSUAGA, Ana Echevarría. La Edad Media: Siglos V-XII. 1ª ed. Madrid: Editorial universitaria Ramón Areces, 2010, p. 266.

[23] LE GOFF, Jacques. La Baja Edad Media. 1ª ed. Madrid: Siglo XXI, 1971, p. 238.

[24] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 36.

[25] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 92.

[26] Quarto Concílio de Latrão, Cânon 3. Citado em: BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo: Aste, 1967, p. 180-181.

[27] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 36.

[28] MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011, p. 98.

[29] LINS, Ivan. A Idade Média – A Cavalaria e as Cruzadas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pan-Americana, 1944, p. 254.

[30] WELLS, H. G. História Universal – Volume 4º. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 146.

[31] DEANESLY, Margaret. A História da Igreja Medieval: de 590 a 1500. São Paulo: Ed. Custom, 2004, p. 274.

[32] PALMA, Ricardo. Anais da Inquisição de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Giordano, 1992, p. 124.

[33] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 113.

[34] GREEN, Toby. Inquisição: O Reinado do Medo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda, 2007.

[35] CANTÚ, Cesare. História Universal – Vigésimo Segundo Volume. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 64.

[36] PALMA, Ricardo. Anais da Inquisição de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Giordano, 1992, p. 134.

[37] ibid, p. 35.

[39] ibid.

[40] GREEN, Toby. Inquisição: O Reinado do Medo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda, 2007.

[41] THOMPSON, R. W. The Papacy and the Civil Power. New York: 1876, p. 553.

[42] WELLS, H. G. História Universal – Volume 4º. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 233.

[43] ibid.

[44] ibid, p. 233-234.

[45] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo I. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 650.

[46] D’AUBIGNÉ, Merle J. H. História da Reforma do décimo-sexto século: Vol. V. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1962, p. 124.

[47] LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma história do Cristianismo: volume II: 1500 a.D. a 1975 a.D. São Paulo: Hagnos, 2006, p. 1168.

[48] CANTÚ, Cesare. História Universal – Vigésimo Segundo Volume. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 204-205.

[49] DICKENS, A. G. A Contra-Reforma. Lisboa: Editorial Verbo, 1972, p. 142.

[50] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 972.

[51] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 384.

[52] BRIGDON, Susan. London and the Reformation. Oxford: Clarendon, 1992, p. 179.

[53] HAIGH, Christopher. The English Reformations: religion, politics and society under the Tudors. Oxford: Clarendon, 1993, p. 67.

[54] LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 378-379.

[55] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 365.

[56] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 64.

[57] CARVALHO, Delgado de. História Geral – Vol. 3: Idade Moderna. Rio de Janeiro: Distribuidora Record, 1974, p. 129.

[58] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 388.

[59] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 116.

[60] ibid.

[61] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen III, Desde el Renascimiento hasta la formación de los grandes estados continentales de Europa. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1953, p. 254.

[62] NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960, p. 259.

[63] WELLS, H. G. História Universal – Volume 4º. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 139.

[64] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 102.

[65] GONZAGA, João Bernardino Garcia. A inquisição em seu mundo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 141.

[66] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 473.

[67] CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008, p. 319.

[68] CANTÚ, Cesare. História Universal – Volume Décimo Sexto. São Paulo: Editora das Américas, 1954, p. 473.

[69] ibid, p. 12-13.

[70] DURANT, Will. História da Civilização: 4ª Parte – A idade da fé – Tomo 3º. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955, p. 330.

[71] ibid, p. 325.

[72] DICKENS, A. G. A Contra-Reforma. Lisboa: Editorial Verbo, 1972, p. 126.

[73] MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011, p. 84.

[74] RUMMEL, Rudolph J. Death by Government: Genocide and Mass Murder Since 1900. New Brunswick, NJ: Transaction (in press), 1994, p. 70.

[75] DUDUCH, João. História da Igreja. São Paulo: Novas edições líderes evangélicos, 1974, p. 97.

[76] OLIVEIRA, Rui A. Costa. Resquicios históricos da presença da Reforma no espaço lusófono, durante o século XVI. Portugal: Revista Lusófona de Ciência das Religiões, n. 9/10, 2006, p. 8.

[77] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 148.

[78] ibid, p. 99-100.

[79] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 49.

[80] GONZAGA, João Bernardino Garcia. A inquisição em seu mundo. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 1993, p. 137.

[81] Bula Ad Extirpanda, Cânon 26.

[82] Richard P. McBrien. Os Papas – Os Pontífices de São Pedro a João Paulo II. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2004, p. 441.

[83] BAKER, Robert A. Compendio de la historia cristiana. El Paso: Casa Bautista de Publicaciones, 1974, p. 134.

[84] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 371. Johnson fazia menção aos casos de tortura do tribunal de Toledo, entre 1575 e 1610.

[85] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 156.

[86] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 39.

[87] ibid, p. 96.

[88] ibid, p. 81.

[89] ibid.

[90] SOUZA, Laura de Mello E. O diabo e a terra de Santa Cruz: Feitiçaria e religiosidade popular no Brasil colonial. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 327.

[91] DURANT, Will. História da Civilização: 4ª Parte – A idade da fé – Tomo 3º. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955, p. 329.

[92] ibid, p. 328.

[93] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 101.

[94] ibid.

[95] ibid, p. 80.

[96] GREEN, Toby. Inquisição: O Reinado do Medo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda, 2007.

[97] ibid.

[98] PALMA, Ricardo. Anais da Inquisição de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Giordano, 1992, p. 66.

[99] ibid, p. 76.

[100] ibid, p. 79-80.

[101] ibid.

[102] PALMA, Ricardo. Anais da Inquisição de Lima. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Giordano, 1992, p. 140-141.

[103] GREEN, Toby. Inquisição: O Reinado do Medo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva Ltda, 2007.

[104] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 56.

[105] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 106.

[106] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 48.

[107] BLEYE, Pedro Aguado. Manual de Historia de España, Tomo II: Reyes católicos – Casa de Austria (1474 – 1700). 7ª ed. Madrid: ESPASA-CALPE, S. A., 1954, p. 169.

[108] ASSIS, Angelo Adriano Faria de. Intolerância em nome da Fé. São Paulo: 2006, p. 22.

[109] ibid.

[110] ibid.

[111] TORNELL, Ricardo Vera. Historia de la Civilización – Tomo II. 1ª ed. Barcelona: Editorial Ramón Sopena, 1958, p. 48.

[112] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 107.

[113] JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 359.

[114] ibid.

[115] SPITZ, Lewis W. The Renaissance and Reformation Moviments. Chicago: Rand McNally, 1971, p. 477.

[116] CARVALHO, Delgado de. História Geral – Vol. 3: Idade Moderna. Rio de Janeiro: Distribuidora Record, 1974, p. 131.

[117] ONCKEN, Guillermo. Historia Universal – Tomo XXI. Barcelona: Montaner y Simón editores, 1934, p. 323.

[118] PIRENNE, Jacques. Historia Universal: las grandes corrientes de la historia – Volumen IV, El siglo XVIII liberal y capitalista. Barcelona: Ediciones Leo, S. A., 1954, p. 344.

[119] LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912, p. 118.

[120] WELLS, H. G. História Universal – Volume 4º. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 146.

[121] LOPEZ, Luiz Roberto. História da Inquisição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993, p. 118.

[122] ibid.

[123] WELLS, H. G. História Universal – Volume 4º. 5ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 141.

[124] DURANT, Will. História da Civilização: 4ª Parte – A idade da fé – Tomo 3º. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1955, p. 331.

[125] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 157.

[126] BAIGENT, Michael; LEIGH, Richard. A Inquisição. Rio de Janeiro: Imago Ed., 2001, p. 89.

[127] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 157.

[128] NAZARIO, Luiz. Autos-de-fé como espetáculos de massa. São Paulo: Associação Editorial Humanitas: Fapesp, 2005, p. 48.

[129] EYMERICH, Nicolau; PEÑA, Francisco. Manual dos Inquisidores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1993, p. 92.

[130] Pyrard de Laval. Viagem de Francisco Pyrard de Laval contendo a notícia de sua navegação às Índias Orientais. Ed. Joaquim Helidoro da Cunha Rivara. Porto: Livraria Civilização, 1944, v. 2, p. 73.



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85 comentários:

  1. Um Estudante de Teologia20 de junho de 2018 18:10

    oi Lucas.
    Eu gostaria de saber o que é o pecado que conduz à morte de 1João 5:16-17

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    1. Olá, eu entendo que o "pecado que leva à morte" é a mesma coisa que o "pecado sem perdão", que se refere à blasfêmia contra o Espírito Santo, a respeito da qual eu comentei brevemente aqui:

      https://apologiacrista.com/o-que-e-a-blasfemia-contra-o-espirito-santo

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  2. Lucas..
    Não é pecado chamar Jesus Cristo ou o Pai de 'Senhor', pois tal palavra significa 'baal'

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    1. Não é "Senhor" que significa "Baal", é "Baal" que significa "Senhor". É bastante comum que deuses e altos magistrados fossem conhecidos assim, até os imperadores romanos eram chamados de "Senhor" (kurios), assim como os donos de escravos, falsos deuses e etc. Isso porque o termo "Senhor" pode ser apropriado falsamente por qualquer um que se julgue acima dos demais, isso não significa que não devamos chamar Deus de Senhor, porque a Bíblia toda o chama assim, sendo Ele o único e verdadeiro Senhor acima de todos. Agora, se a alegação aqui se sustenta na falácia de que "se Baal significa Senhor então não podemos chamar Deus de Senhor", então nem os escritores bíblicos neotestamentários poderiam ter chamado Deus de "Theos" (palavra usada em todo o NT para se referir a Deus), uma vez que Theos era um nome de um deus do paganismo grego. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra, não é porque chamamos Deus de "Senhor" que estamos adorando Baal, nem pelo fato do NT chamar Deus pelo seu termo grego "theos" significa que estavam adorando um deus pagão. Quem alega esse tipo de coisa não é nem teólogo, mas conspiracionista de fundo de quintal que só quer ganhar audiência e $$$ através de sensacionalismo barato. E não vou nem citar nomes.

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  3. Bom artigo Lucas, ainda melhor quando da ênfase na inquisição.

    Mudando de assunto, vc poderia fazer uma análise desses artigos desse comunista que tenta conciliar cristianismo com comunismo?

    Link do primeiro artigo: http://aespadademiguel.com/conspiracao/comunismo-socialismo-perseguiu-igreja-verdadeira-cristianismo/


    Link do segundo artigo: http://aespadademiguel.com/armagedom/bestas-apocalipticas/besta-apocaliptica-e-guerra-contra-o-comunismo-e-socialismo-esquerda/



    Graça e paz.

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    1. Olá, eu abordei essa questão nestes artigos:

      http://ateismorefutado.blogspot.com/2015/04/socialismo-e-cristianismo-sao.html

      http://ateismorefutado.blogspot.com/2015/04/o-humanismo-secular-ateu-nao-mata-entao.html

      Abs!

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    2. Pode lhe ser interessante também os seguintes artigos:

      https://medium.com/@Brigada/quando-o-fraudador-diz-marxismo-comunismo-e-cristianismo-bebem-da-mesma-fonte-parte-1-2260b73c6338

      https://medium.com/@Brigada/quando-o-fraudador-diz-marxismo-comunismo-e-cristianismo-bebem-da-mesma-fonte-parte-2-9fda927920b9

      https://medium.com/@Brigada/quando-esquerdistas-resolvem-falar-de-cristo-uma-em-cada-duas-palavras-é-fraude-dfdd915a9630

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  4. História da Igreja - Everett Ferguson (há dois volumes):

    https://www.editoracentralgospel.com/historia-da-igreja/p

    Reforma Protestante - Gilmar Vieira Chaves:

    https://www.editoracentralgospel.com/reforma-protestante/p

    Você já leu esses três livros? Ademais, poderia me indicar (sem inclui os que já estão no fim deste artigo) mais livros sobre a história da Igreja, do protestantismo e da Reforma protestante?
    Já que tenho grande interesse em me aprofundar nesses tópicos.

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    1. Não li esses livros, notei que são bem recentes, publicados no ano passado. Eu não tenho dinheiro para comprar esses livros novos, todos os que eu li são das bibliotecas das universidades que estudei ou que consigo achar em pdf. Os melhores que já li (e que me lembro agora de citar) foram esses:

      LINDSAY, T. M. A Reforma. Lisboa: Typ. a vapor de Eduardo Ros, 1912.

      LINDBERG, Carter. Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001.

      Outras que são bem úteis, embora em menor grau que estes dois, são:

      WALKER, Williston. História da Igreja Cristã: Volume II. São Paulo: Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, 1967.

      CAIRNS, Earle Edwin. O Cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. 3ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2008.

      PIJOAN, J. Historia del Mundo – Tomo Cuatro. Barcelona: Salvat Editores, 1933.

      OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. História do Cristianismo em Esboço. Recife: STBNB Edições, 1998.

      NICHOLS, Robert Hastings. História da Igreja Cristã. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1960.

      SAUSSURE, A de. Lutero: o grande reformador que revolucionou seu tempo e mudou a história da igreja. São Paulo: Editora Vida, 2004.

      MELO, Saulo de. História da igreja e evangelismo brasileiro. Maringá: Orvalho, 2011.

      MOUSNIER, Roland. História Geral das Civilizações: Os Séculos XVI e XVII – Tomo IV, 1º Volume. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1960.

      Uma lista mais completa e abrangente você pode conferir nas referências dos meus artigos sobre Cruzadas, Inquisição e Reforma.

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  5. tudo isso que a inquisição espanhola matou? mas e aquelas fontes super confiáveis que fala que a inquisição espanhola matava "apenas" três pessoas por ano, menos que acidentes de bicicletas para a época.

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    1. Eu explico isso no próprio artigo, essa coisa de se basear apenas nos documentos remanescentes para calcular o número de mortos é mania de historiador amador ou revisionista, nenhum estudioso sério avalia as coisas assim, não apenas em relação à Inquisição mas também sobre qualquer guerra ou perseguição em qualquer lugar. Isso porque o que sobreviveu até nós em nossos dias é apenas uma pequena minoria de um todo muito maior, como mostro no artigo. Sem falar que nem os próprios revisionistas concordam entre si em relação ao número de mortos, já vi apologista católico dizendo que foram 30 e poucos, e outros falando em 8 mil, até hoje nunca vi dois católicos concordando com uma mesma cifra, talvez porque eles não saibam escolher quem mente menos entre eles.

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  6. Quero fazer um leve desabafo...Vamos pelo começo. Sobre esse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3_2DEdHfB-4 (eu queria que você assistisse esse vídeo pra vc entender o que eu vou dizer...pode assistir só são as imagens do evento, não tem nenhuma cena de beijo flagrada, cena de sexo, ou qualquer coisa do tipo).
    Então, vamos lá. Eu sou uma cristã séria (não dessas que fica indo pra igreja ou pra missa dizendo "A" e fazendo "B" na vida real), leio a Bíblia e se Deus falar NÃO, é NÃO e ponto. Porém, não sei se isso só tá acontecendo comigo ou se acontece com você também, mas eu convivo com MUITAS pessoas que ficam postando coisas de Deus na internet, dizendo mil palavras bonitas, mas na hora de fazer a vontade de Deus são as primeiras pessoas a darem pra trás...Sinceramente, se uma pessoa acredita em Deus e na Bíblia porque não vai querer seguir ela? Que nem esse lance de idolatria na igreja católica. A bíblia é clara que NÃO É PRA ADORAR IMAGENS DE ESCULTURA INDEPENDENTE DE QUALQUER RELIGIÃO, mas as pessoas fazem ao contrário e começam a idolatrar essas esculturas (que Deus abomina expressamente) e depois ficam dizendo que amam a Deus...vai entender...(?)
    Então, sobre a parada gay, ultimamente, tenho convivido com várias pessoas que se dizem cristãs, mas que, na prática, apoiam homossexualismo. Inclusive no meu ambiente de trabalho se você falar que não apoia, ou até mesmo dizer a frase "eu respeito, mas não concordo" você é visto como um "sem noção" e preconceituoso. Sério, teve uma vez que eu fiquei com tanto medo de dizer que não concordava com isso na frente de uma amiga, que acabei pecando e dizendo "ah eu não acho nada demais", quando na verdade eu acho um pecado essa conduta, mas enfim, já pedi perdão a Deus por esse erro e tento não ficar falando desse assunto com outras pessoas, principalmente com cristãos mais ou menos. Sobre esse assunto, antigamente não era assim. As pessoas não aplaudiam isso e tinham noção de que uma sociedade aberta que promove o homossexualismo em massa tende a decair. Mas essa parte as pessoas não querem enxergar, nem mesmo os "cristãos" que vão pra igreja (católicos ou evangélicos)...
    Sinceramente, eu me sinto um "peixe fora d'água" e as vezes fico sem entender porque a maioria das pessoas ao meu redor não enxergam que a conduta homossexual não agrada a Deus. Quando Deus diz que acha essa conduta abominável, ou mesmo quando o apóstolo Paulo diz que essas pessoas vivem de inflamando de paixão (vivendo em torpeza), eu fico me questionando: porque as pessoas ao meu redor não sentem o mesmo que Deus e o apóstolo Paulo sentiam ao abordar esse assunto? Por exemplo, a maioria da sociedade abomina e sente nojo da conduta de uma pessoa adulta que tenta se relacionar sexualmente com uma criança. Mas porque a maioria das pessoas vêm a conduta homossexual como algo "normal", "amor", e não sentem nenhum incômodo sobre essa conduta? Será que Deus cega essas pessoas que apoiam essas condutas? Os cristãos verdadeiros são a minoria da minoria MESMO, é essa a minha conclusão. E agora eu to acompanhando na internet, várias atrizes da globo que antes eram hetero estão se tornando homossexuais pra promover essa agenda e fazendo divulgação nas redes sociais...As vezes fico chocada vendo certas coisas...
    Sobre o vídeo, queria que você me falasse se isso chega a ser nível Sodoma e Gomorra ou se o nível dessa cidade relatado na Bíblia era pior do que essa parada gay...Esse ano foram em torno de 3 milhões de pessoas nesse evento que aconteceu em SP.

    OBS - Antes que apareça alguém dizendo que eu sou homofóbica (não duvido nada), eu quero deixar BEM CLARO, que eu respeito a escolha de cada pessoa seja hetero ou homossexual. Porém, tenho o mesmo posicionamento adotado na Bíblia de considerar o beijo ou a relação sexual de 2 pessoas do mesmo sexo como sendo algo torpe (dito pelo apóstolo Paulo) e errado.

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    1. Eu não acho que de uma forma geral o cenário seja tão caótico assim como você descreve, certamente você tem razões para pensar assim por causa do convívio pessoal do meio em que está inserida, mas de uma forma geral o que eu vejo é o contrário, a sociedade não encara o ativismo homossexual com bons olhos, embora seja "politicamente correto" se dizer a favor. Vou citar alguns dados rápidos aqui. A Parada Gay, que você citou, levou 2 milhões e 500 mil pessoas às ruas em 2006 (dados da polícia militar, porque os oferecidos pelos próprios organizadores são sempre mentirosos, distorcidos e amplificados de propósito para passar um efeito maior). Em comparação, na última Parada que se tem os números oficiais da PM, dez anos depois (em 2016), o número caiu para apenas 190 mil, após um mísero 20 mil na edição anterior. Ou seja, a Parada Gay representa hoje muito menos do que já representou um dia, não obstante a população brasileira em geral esteja aumentando.

      Além disso, mais da metade da população é contra a adoção de crianças por casais homossexuais:

      http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2010/06/1223486-metade-dos-brasileiros-e-contra-a-adocao-de-criancas-por-homossexuais.shtml

      E mais da metade também é contra a união civil homossexual:

      http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/pesquisa-revela-que-55-dos-brasileiros-sao-contra-uniao-gay/n1597104761368.html

      https://brasil.elpais.com/brasil/2014/09/04/politica/1409867965_896347.html

      O número real pode ser ainda bem maior, visto que esses dados são oferecidos por um senso de um jornal de esquerda e pró-homossexualismo. Eu me lembro que há alguns anos o CQC fez uma enquete sobre o conceito de família, e 82% foi a favor da definição tradicional como sendo apenas o homem e a mulher:

      https://www.youtube.com/watch?v=qFMNUO0Wgms

      Observe a cara de desânimo dos apresentadores, porque eles fizeram a enquete justamente pensando que o lado pró-LGBT ganharia, mas tragicamente o resultado não correspondeu ao esquerdismo deles. Hoje em dia grande parte dos nomes mais repudiados pela sociedade são justamente desses ativistas homossexuais, veja a taxa de reprovação de gente como Jean Wyllys por exemplo, o próprio Pabllo Vittar tem muita rejeição popular.

      Pode ser que nada disso corresponda ao seu cotidiano particular, mas considerando um cenário mais amplo, eu não vejo toda essa aceitação à agenda homossexual no Brasil como você descreve, embora seja totalmente verdadeiro que a maior parte dos ditos "cristãos" do país são apenas cristãos nominais e nada a mais. O que eu mais vejo na sociedade atual é uma posição ponderada de aceitação ao homossexual no sentido de que cada um é livre para fazer o que quiser com o próprio corpo (mesmo que seja para pecar) e que não deve ser alvo de ataques da sociedade (perseguição, violência, etc), mas não um apoio às pautas do movimento gay (casamento homossexual, "Kit gay" nas escolas, ideologia de gênero, etc). Pelo menos é essa a leitura que eu faço, e que parece estar mais amparada pelos dados de pesquisas.

      Abs!

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  7. Lucas, vc conhece alguns grupos de debates entre protestantes vs católicos romanos. Caso sim, poderia passar os links? Agradeço desde já!

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    1. Eu não acompanho nenhum já faz muito tempo, então sinceramente não saberia dizer. Há muitos grupos de debates de facebook, mas que eu me lembre eram quase todos uma baixaria total, porque os apologistas católicos na incapacidade intelectual de conseguir rebater qualquer argumento dos evangélicos sempre rebaixam o debate para o nível da baixaria, dos palavrões, da zombaria e das intimidações, porque eles sabem que os evangélicos em geral tem um nível moral mais elevado (ou seja, que levam a Bíblia a sério na prática) e que não se rebaixam ao nível deles, preferindo antes sair de um debate desse nível. Fazem isso desde sempre que eu me conheça por gente, tem um nível pior que o dos ateus, uma boca mais podre que nunca vi, e usam isso como tática de pressão para intimidar o debatedor evangélico e deixá-lo acuado e nervoso, desviando totalmente do argumento. Basicamente, tentam compensar a falta de argumentos e a completa incapacidade intelectual com xingamentos e ofensas sem fim, disparadas uma atrás da outra, igual eu mostro nos prints da minha série dos "zumbis tridentinos".

      Por isso o único grupo de facebook que eu acompanho atualmente é o "Apologética Protestante - Círculo Intelectual", porque é o único que mantém um nível ético não permitindo a presença de gente imoral, o que preserva um nível intelectual e sadio de discussões. Mas se você quiser, pode colocar na caixa de pesquisas do facebook "debates católicos vs evangélicos" (ou algo assim) que vai achar milhares de comunidades com exemplos perfeitos do que eu disse (isso se por um milagre a coisa não mudou de uns tempos pra cá, o que eu duvido muito).

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    2. "Há muitos grupos de debates ..., mas ... quase todos uma baixaria total..."
      Concordo com você Lucas. O debate, em tese, é a exposição de ideias. Mas a maioria desses debates é uma exposição de baixaria, palavrão, mau educação e intolerância. Além disso, o nível intelectual é baixo e a temática é a mesma ladainha de sempre: devoção/"ódio" à Maria, ICAR é/não é a igreja certa, etc.


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    3. Pois é, é triste. Assistir a um debate sério e decente como esse abaixo do Keith Thompson (que eu legendei e postei no meu canal) vale por dez mil dessas discussões de facebook.

      https://www.youtube.com/watch?v=W4kaoflnuD0

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  8. Onde você conseguiu esse MANUAL DOS INQUISIDORES? Tem em PDF?

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    1. Em pdf eu não achei, eu peguei o livro emprestado da biblioteca da UFPR e tirei xerox, porque é de longe a melhor fonte primária sobre Inquisição que eu conheço. Na internet tem pra comprar online, por exemplo aqui:

      https://www.estantevirtual.com.br/livros/nicolau-eymerich/manual-dos-inquisidores/1050420945

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    2. Lucas, a ICAR assume o Manual dos Inquisidores ou passa a conta pra outro?

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    3. Tenho essa versão em espanhol, não sei se está completa

      http://historiayverdad.org/Manual-de-Inquisidores-1821.pdf

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    4. "Lucas, a ICAR assume o Manual dos Inquisidores ou passa a conta pra outro?"

      Não entendi, o que você quer dizer por "assume"? O Manual foi escrito por um inquisidor da época sobre os procedimentos da Inquisição, e foi reimpresso diversas vezes por ordens da Igreja, a qual já pediu "perdão" pela Inquisição na pessoa de João Paulo II e não pratica mais essas atrocidades, o que não exime sua culpa pelas monstruosidades hoje defendidas pelos apologistas católicos.

      "Tenho essa versão em espanhol, não sei se está completa"

      Acho que é a versão que eu disponibilizei há tempos atrás em um dos meus artigos, ela está longe de ser completa mas tem muitas das partes mais importantes, foi o máximo que eu encontrei disponibilizado, para ler completo parece que é só comprando o livro mesmo.

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    5. "Não entendi o que você quer dizer por "assume"".
      E porque a resposta católica que eu vi era que a Inquisição era algo "terceirizado", sem responsabilidade direta.

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    6. Quem disse isso só pode ser um grande mentiroso, embora em se tratando de apologistas católicos é apenas redundância.

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  9. Olá Lucas Banzoli! Como vai? Creio que já pediram para você analisar um artigo que alega que refutou a ressurreição(embora o autor afirma que haverá varias correções e atualizações). Mas já adiantando aqui, quando eu vejo um cara que da glória a Dawkins fico com um certo desconfio. Me parece ser um diácono neo-ateu, embora seja só minha impressão. Sobre o texto, é esse aqui: https://m.facebook.com/notes/edson-kunde/refuta%C3%A7%C3%A3o-aos-23-argumentos-a-favor-da-veracidade-hist%C3%B3rica-da-ressurrei%C3%A7%C3%A3o-de-j/10204661768678261/

    Deus lhe ilumine!

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    1. É o mesmo artigo que me passaram ontem :)

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    2. Pretende responder ele? Sim ou claro? :v

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    3. Só se a Argentina for eliminada da Copa.

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  10. Ha...! Agora que lembrei de um artigo interessante do Não Cientista sobre o assunto da ressurreição! Está em inglês, mas temos o recurso do Google Tradutor!

    http://notascientist.d512.com/lessons/christianity-science-history-2/week7-the-resurrection/

    Deus lhes ilumine!

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  11. Luca, pode se afirmar que todos são filhos Deus ou somente os crentes batizados?

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    1. Todos os salvos são considerados filhos de Deus, isso não inclui apenas os batizados.

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  12. Muitos católicos argumentam que os números muito atos de vítimas da inquisição apresentados por Juan Antônio Llorente já não São dignos de muita credibilidade, pelo fato dos estudiosos modernos da inquisição apresentarem números bem modestos. Henry Kamen, por exemplo, apresenta estatísticas bem baixas do número de mortos da inquisição espanhola. Segundo Kamen, o número de mortos em toda a história do tribunal da inquisição espanhola gira por volta de umas três mil vítimas, isso com base na documentação disponível.

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    1. Engraçado que os próprios apologistas católicos refutam esse número. Por exemplo, o site do Astronauta Católico (cuja desonestidade e parcialidade em favor da Igreja e em defesa da Inquisição está acima de qualquer dúvida) disse que elaborou o "maior estudo de todos" sobre as mortes na Inquisição espanhola e chegou à conclusão de que morreram entre 6 e 8 mil pessoas, ou seja, pelo menos o dobro ou quase o triplo do que é alegado em relação a Kamen:

      http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/idade-media/inquisicao/862-o-numero-de-pessoas-mortas-da-inquisicao-espanhola-inedito

      E isso ainda se refere apenas às mortes in persona (ele reconhece que mais gente foi morta na prisão e queimada em efígie, mas não as contabiliza, assim como não contabiliza nenhuma outra inquisição além da espanhola). E como eu mostro no artigo, esse número é muito inferior ao total real de vítimas da Inquisição, porque considera apenas os casos documentados cujos documentos permanecem até nós nos dias de hoje, e sabemos que a grande maioria desses documentos se perdeu ao longo dos séculos ou foi simplesmente destruído, como mostra a história. É por isso que os inquisidores ou secretários da Inquisição que escreveram na época dos acontecimentos falam em dezenas ou centenas de milhares de mortos, porque eles tinham em mãos toda uma farta documentação que não possuímos mais hoje.

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  13. Amigo do Banzolão21 de junho de 2018 17:07

    Banzolão, o que o açúcar disse para o café?

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    1. Amigo do Banzolão21 de junho de 2018 23:40

      Ele falou: "eu me derreto por você" kkk.

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    2. https://banner2.kisspng.com/20180331/dqw/kisspng-jean-luc-picard-facepalm-rage-comic-internet-meme-electronic-arts-5abfe0ec5729c1.704762751522524396357.jpg

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    3. Amigo do Banzolão22 de junho de 2018 00:03

      "https://banner2.kisspng.com/20180331/dqw/kisspng-jean-luc-picard-facepalm-rage-comic-internet-meme-electronic-arts-5abfe0ec5729c1.704762751522524396357.jpg"

      kkkkk

      Confesso que essa não foi tão boa. Vou me esforçar pra trazer uma melhor da próxima vez :)

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  14. Muito ansioso para seu livro sobre a Reforma!
    Agora saindo um pouco do assunto, eu gostaria de compartilhar que estava conversando com um amigo e ele me contou o texto que o fez chorar muito e sentir a Deus pela primeira vez, foi o Salmo 139, eu não sei como ainda não conhecia esse texto,realmente não sei como,ele é bonito demais,acho que é porque nunca explorei muito esse lado de salmos, provérbios e textos do tipo na Bíblia. Por estar muito apaixonado pelo texto gostaria de saber se você Lucas, ou qualquer outra pessoa que estiver lendo isso, também tem um salmo, versículo, provérbio ou texto preferido da Bíblia, um que também seja assim bem bonito, compartilhem aqui por favor.

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    1. Eu confesso que não sou muito fã de Salmos e Provérbios, minha praia é mais o NT mesmo, mas do AT o meu livro preferido é Neemias, e também gosto de Gênesis, Êxodo, os livros dos Reis/Crônicas, Daniel, Ester e Jó. Na verdade o que me fez ter vontade de ler a Bíblia e gostar pela primeira vez foi ler a história dos reis de Judá e Israel em Reis e Crônicas, eu adorava essa parte, é muito legal de se ler quando ainda não conhece nada da história (pelo menos pra alguém que ama história como eu). Em relação a um versículo favorito, eu citaria este:

      "Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação" (Habacuque 3:17-18)

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    2. Lucas, um trecho do AT que eu particularmente acho tocante é "...Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;

      Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti."
      Rute 1.16,17

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  15. Já assistiu os episódios de "Castlevania"? Série disponível pela Netflix.

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  16. Lucas, tenho algumas perguntas:

    1) Porque certas teses do pessoal da direita n são aceitas na academia? Eu particularmente adoraria ver as obras de Roger Scruton e Russel Kirk.

    2) Qual a sua opinião sobre o documentário "A lenda negra da inquisição"?

    3) Quando vai sair o seu livro "A lenda Branca da inquisição"

    4) Quando vai sair o seu livro da reforma?

    5) O que vc acha do "Brasil Paralelo"?

    6) Qual a sua opinião sobre o livro "Guia politicamente incorreto do Islã e das cruzadas"?

    7) Lucas, é verdade que certos católicos afirmam que vc "arrega" quando vai debater com eles?

    8) É verdade que após a reforma a Alemanha sofreu um retrocesso?


    Graça e Paz

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    1. 1) Porque certas teses do pessoal da direita n são aceitas na academia? Eu particularmente adoraria ver as obras de Roger Scruton e Russel Kirk

      Isso depende, se você fala do Brasil é natural por estarmos em um país de cultura esquerdista, mas em países desenvolvidos como EUA e Inglaterra o liberalismo é bem aceito.

      2) Qual a sua opinião sobre o documentário "A lenda negra da inquisição"?

      Se você se refere ao da BBC, é bem revisionista e tendencioso, com muitas omissões e falsidades. Uma vez eu comecei a anotar as distorções que eles contavam mas tive que parar porque com menos de 15 minutos já estava virando quase um livro.

      3) Quando vai sair o seu livro "A lenda Branca da inquisição"

      Espero que antes da volta de Jesus.

      4) Quando vai sair o seu livro da reforma?

      Até o final do mês que vem, no máximo o início do outro.

      5) O que vc acha do "Brasil Paralelo"?

      Um festival de desinformação.

      6) Qual a sua opinião sobre o livro "Guia politicamente incorreto do Islã e das cruzadas"?

      Idem.

      7) Lucas, é verdade que certos católicos afirmam que vc "arrega" quando vai debater com eles?

      Arreguei quando e pra quem? Os únicos que já me chamaram pra um debate em hangout foi o Tourinho sobre imortalidade da alma e o Gilberto sobre molinismo, em ambos eu aceitei, embora no segundo caso ele tenha cancelado o debate, que por isso não ocorreu. Se se refere a discussões de internet, todos os artigos principais feitos por apologistas católicos para me difamar já foram refutados cada qual na sua época e estão até hoje sem contra-argumentação nenhuma, embora os debatedores católicos malandros insistam em citar esses artigos por ignorância (sem saber que já foram refutados) ou desonestidade mesmo (por saberem da refutação mas dissimularem assim mesmo). Naturalmente eu não tenho tempo para ficar rebatendo cada pirralho que escreve alguma coisa contra mim em qualquer canto da internet, a maioria só quer atenção e crescer em cima dos outros, em casos assim eu sequer dou ibope, mas os mais "importantes" (apologistas católicos mais citados e conhecidos) já foram todos refutados.

      8) É verdade que após a reforma a Alemanha sofreu um retrocesso?

      Retrocesso em que sentido? Se estiver falando do aspecto econômico, a Alemanha sofreu um abalo enorme com a Guerra dos 30 Anos suscitada pelos fanáticos católicos que dizimaram um terço da Alemanha para tentar esmagar o protestantismo à força, sem falar na imensurável destruição causada, o que fez o país ficar para trás economicamente sim nesta época, mas logo se recuperou e não demorou muito para ficar à frente dos países católicos, os mais atrasados do continente.

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    2. Vlw Banzolão por responder minhas perguntas :D

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    3. Amigo do Banzolão22 de junho de 2018 11:51

      "Vlw Banzolão por responder minhas perguntas"

      Lustosão, o cara é o melhor. Outros blogueiros por aí não respondem ninguém. São um bando de mal-educados.

      Banzolão, no dia que eu conhecer você pessoalmente, eu vou pagar um almoço pra você no melhor restaurante de Curitiba kkk.

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    4. Amigo do Banzolão22 de junho de 2018 14:00

      "Eu vou cobrar, viu"

      Pode cobrar. E pago durante um mês, se você se converter ao IMORTALISMO :)

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    5. Mais fácil eu me converter à tarica esotérica do Astrolavo.

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    6. Amigo do Banzolão23 de junho de 2018 13:56

      A parte do Astrolavo eu entendi: você se refere ao Olavo de Carvalho. Já essa tarica esotérica, eu não sei que negócio é esse kkk.

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    7. Ele fazia parte de uma tarica esotérica no passado (na época em que ele era muçulmano, astrólogo e etc).

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    8. Amigo do Banzolão23 de junho de 2018 23:01

      Pago almoço pra você durante seis meses, se você se converter ao CALVINISMO FATALISTA.

      Hahaha

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    9. Quer dizer que para cada doutrina que eu discordo eu ganho mais 6 meses de food grátis? Eu vou começar a barganhar até ganhar almoço grátis pro resto da vida então ;p

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    10. Amigo do Banzolão24 de junho de 2018 11:40

      "Eu vou começar a barganhar até ganhar almoço grátis pro resto da vida então"

      Hahaha.

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  17. Lucas video com entrevista filha Olavo (Heloisa Carvalho)

    Ela fala Olavo foi tariqa esoterica islâmica e mesma época ela casou mulçumano ( tinha 16 e mostra certidão de casamento)
    Fala que Olavo mas outros filhos era mulçumano
    Mostra uma foto família Olavo comendo placenta

    https://www.youtube.com/watch?v=SjMi8u5bDKo

    Desconhecia fato Olavo foi excomungado pela igreja católica pior parece existe culto personalidade pelo olavetes

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    1. Bom, todos esses fatos já eram bem conhecidos, a diferença é que agora vemos isso da boca de uma filha.

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    2. Pensava que era mentira Fake news, pior Olavo e guru do Bolsonaro e infelizmente pelos candidatos Bolsonaro parece ser melhor opção

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    3. Eu não penso que o Bolsonaro seja tão burro a ponto de seguir instruções cegas do vampirão da Virgínia, ainda mais depois de assumir a presidência, mas sim, isso é um ponto que conta contra ele. É uma das (várias) razões pelas quais eu preferiria um Flávio Rocha ou Amoedo, pela configuração atual, embora saibamos que eles não tem a menor chance e que seremos obrigados a votar em Bolsonaro mesmo no segundo turno.

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  18. Amigo do Banzolão22 de junho de 2018 12:17

    Banzolão, vou testar seus conhecimentos bíblicos. Uma pergunta:

    'Quais os livros da Bíblia que não faz menção da palavra "Deus"'

    Obs! não vale colar :)

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    1. Não é cola, mas que eu me lembre, era só Ester, ou Ester e Cantares, algo assim.

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    2. Amigo do Banzolão22 de junho de 2018 13:57

      Ester e Cantares :)

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    3. Dá pra considerar que acertei, então :)

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    4. Amigo do Banzolão23 de junho de 2018 13:52

      "Dá pra considerar que acertei, então"

      Nada disso. Você não escolheu uma das duas opções: ou Ester, ou Ester e Cantares. É com dor no coração que eu ti dou nota zero :(

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  19. Os comentários são melhores que o artigo kkk

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  20. Convém participar de festas de São João?

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    1. Embora eu não considere pecado em si mesmo (desde que não se faça com uma consciência pagã, é claro), não é algo que convém, pela mesma razão dos "alimentos sacrificados aos ídolos" de que Paulo fala em 1ª Coríntios 10 (mais especificamente dos versos 16 ao 33). Os versos 28 a 31 são os mais claros a este respeito:

      “Mas se alguém lhe disser: ‘Isto foi oferecido em sacrifício’, não coma, tanto por causa da pessoa que o comentou, como da consciência, isto é, da consciência do outro e não da sua própria. Pois, por que minha liberdade deve ser julgada pela consciência dos outros? Se participo da refeição com ação de graças, por que sou condenado por algo pelo qual dou graças a Deus? Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1ª Coríntios 10:28-31)

      Ou seja, embora em si mesmo não seja pecado, não é algo que convém a um cristão, por causa da consciência dos outros.

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  21. Olá eu tenho uma dúvida. Minha dúvida é referente a vestimentas que uma cristã deve usar. Eu já fui em algumas igrejas em que as pregadoras falavam de forma um tanto quanto exagerada sobre esse assunto. Uma vez uma delas disse que foi com uma camisa largona de manga e calça legging pra academia porque achava pecado as meninas irem de top e short malhar. Sinceramente, eu achei exagerado e um tanto quanto cafona e antiquado esse pensamento dela e induz as mulheres a se vestirem de forma feia e desleixada (ela mesmo deveria ta parecendo aquelas idosas com essas roupas, pq eu frequento academia e só a terceira idade vai com camisa da manga folgada e legging malhar kkkkkk). Então falei isso só pra introduzir e ir direto à pergunta: É pecado uma mulher usar essa roupa pra ir pra igreja?

    https://www.google.com.br/search?q=blusa+transparente+e+sutia+preto&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjB7NC0vujbAhWFfpAKHQXgBXwQ_AUICigB&biw=1242&bih=602#imgrc=-f2TI32kMnwkBM:

    Tipo eu acho bonito esse look, mas fico meio assim na dúvida de usar porque é transparente. Embora a blusa seja transparente, esse top ou sutiã que ela tá usando vários homens vêm na academia, na praia / clube, e não é considerado pecado pelos homens cristãos (com exceção das igrejas mais rígidas com vestimenta como Assembleia de Deus e as Pentecostais).
    Dai tipo eu fiquei meio na dúvida se esse look da Giovanna Ewbank estaria indecente pra ir pra igreja. Mesmo que esteja indecente para você, qual sua opinião de usar esse look, por exemplo, pra ir em um jantar com amigos ou outro evento (que não envolva igreja)?
    Outra pergunta, você acha que existem roupas que sejam pecado usar dentro da igreja, mas que usadas fora da igreja não seriam pecado (tipo top, short jeans curto, etc)?

    Olha pra terminar, já vi muitos homens criticando as mulheres pela vestimenta que elas usam na igreja (principalmente aquele pastor Paulo Júnior - inclusive eu considero ele um tanto quanto "machista-controlador" das mulheres = ele disse uma vez que a mulher não pode usar blusa de alça porque mostra o ombro, o que eu achei também um exagero; fala outras coisas como "a mulher não pode pregar", "a mulher só tem que trabalhar se for baixo o salário da família", etc), mas na prática as vezes isso é difícil de controlar porque a gente coloca uma roupa achando que está decente, quando, as vezes, não está aos olhos dos homens e isso é um tanto difícil de administrar (eu sei que tem mulheres que colocam roupas de prostituta mesmo, e fazem de propósito, mas tem outras mulheres que as vezes pecam sem saber, e acho que os homens - principalmente esses da linha do pastor Paulo Júnior - precisam ser mais compreensivos nesse assunto. Na minha opinião, se eu fosse homem, e uma mulher tivesse usando uma roupa um tanto quanto indecente aos meus olhos de homem ficto rsrs não iria ficar julgando a roupa da mulher de cara, mas ia sei lá olhar pra outro canto e sentar longe dessa pessoa, por exemplo). Acho que na maioria das igrejas os pregadores ensinam que a culpa é só das mulheres, mas não ensinam os homens a fugirem desses desejos, espero que um dia isso mude.

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    1. Olá, infelizmente grande parte do que você disse é a mais pura verdade, as igrejas estão cheias de legalismos e isso independe de denominação, embora haja algumas mais notoriamente rígidas do que outras. O Paulo Junior por exemplo é um excelente pregador reformado, mas é muito tradicional no que diz respeito a usos e costumes e tem essas concepções um tanto quanto antiquadas como essas aí que você descreveu, e que eu também discordo plenamente. Em relação às roupas para se usar na igreja (ou fora dela), eu acho que tudo depende da questão da sensualidade, há roupas que realmente suscitam mais desejo nos homens e outras que menos, embora eu concorde que seja errado jogar toda a responsabilidade em cima das mulheres vendo-as apenas como um "objeto de tentação" (como se os homens não tivessem nenhuma culpa no cartório) e a partir daí querer uma discrição exagerada, foi assim que os muçulmanos passaram a exigir a burca há décadas atrás, para não mostrar nada mesmo que pudesse servir como a mais mínima tentação para os homens. Então eu penso que devemos dosar neste aspecto; de um lado as mulheres não devem vestir roupas sensuais que provoque tentação nos homens (e em outras mulheres também, dependendo da mulher...), e por outro lado os homens não devem exagerar no padrão do que é considerado "aceitável" numa mulher, tentar serem mais flexíveis e entender que muitas das vezes o problema está neles mesmos. É como diz o velho ditado: “A maldade está nos olhos de quem vê” (embora seja responsabilidade da mulher não alimentar essa “maldade” ainda mais).

      Tendo dito toda essa introdução e indo especificamente em relação aos questionamentos em si, eu acho que na igreja a roupa padrão deveria ser a que vestimos no dia-a-dia quando andamos na rua, ou seja, não formal mas também não tão informal. Claro que existem igrejas que exigem mais formalidade e nessas igrejas devemos respeitar o costume e ir formal ou então mudar de igreja, mas pra mim não há sentido em se proibir roupas que se costuma usar normalmente em lugares comuns desde que não haja sensualidade (por exemplo, os shorts, calça jeans, “ombro aparecendo” e etc). De fato existe sim roupas que são apropriadas para fora da igreja mas não dentro dela, porque na verdade o mundo é assim, você não se veste em casa da mesma forma que se veste na escola, não se veste na escola da mesma forma que se veste em algumas empresas, e não se veste na empresa da mesma forma que se veste em um show, para citar alguns exemplos. Mas a transparência da foto que você me passou eu não acho adequada porque isso é muito sensual para os homens (tipo, bem mais que a roupa normal) e muitos vão pensar que o uso é proposital para chamar a atenção. É como se estivesse só de sutiã dentro da igreja, porque com a luz fica muito visível.

      Em um ambiente como praia, por exemplo, eu não vejo problema em usar biquíni e maiô (já vi gente recriminar o uso aqui), ou a calça legging na academia, mas não são roupas que as mulheres costumam usar no dia-a-dia em outros ambientes, então não são apropriadas para um culto. Tudo depende do ambiente em que está inserido, dependendo do ambiente algo é considerado normal e fora dali anormal. Por exemplo, se uma moça estiver de biquíni na praia todo mundo vai achar normal, mas se entrar de biquíni na igreja (ou mesmo na rua, bem longe de uma praia), geral vai achar um escândalo (mesmo se for um biquíni conservador) e pensar que a mulher em questão é uma “p...” que só quer chamar a atenção dos homens (independentemente de ser a intenção real ou não). Então a coisa tem mais a ver com o ambiente do que com a roupa em si, e cabe a nós não vestir o que causará escândalo em um determinado ambiente social.

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    2. Vale ressaltar que a mente do homem é diferente da mente da mulher, ou seja, muita coisa que a mulher pode achar normal para o homem é sensual e vice-versa, por isso seria importante perguntar ao marido ou namorado usando-o como parâmetro para saber se uma roupa está sensualizando ou não, nos casos em que tem dúvida (da mesma forma que os homens devem consultar sua parceira a fim de não desagradá-la, e tentar ser flexível e tolerante o quanto possível).

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  22. Lucas você poderia fazer um artigo defendendo Lutero, pai do protestantismo, pai dos evangélicos, das seguintes frases dele mesmo: "portanto quem puder que atinja, estrangule e esfaqueia, em segredo ou frente ao público..(..) .. sermão contra as hordas salteadoras e assassina dos camponeses. Com o respaldo "teológico" de Lutero morreram 100 mil camponeses. ( Martinho luLute, samtliche, v 24, witteWitte, 1525, pag 287-294) . Ou então " trata-se de uma lei muito justa a de que as feiticeiras sejam mortas..(..) sermas de 06 de maio de 1526. Sobre crianças deficientes mentais: ( ...) "Se eu fosse príncipe ou soberano, lançaria essa criança as águas.... " Defenda sobre as frases dirigigas aos judeus: " Primeiramente, deve-se por fogo em suas sinagogas e escolas, e aquilo que não queimar deve ser soterrado..(...).. em sétimo, que sejam dados aos judeus a às judias, jovens e fortes, açoite, machado, pás, rocas e fusos, .....(..)...encontrem a melhor solução para que vós é nós todos possamos livrar-nos do fardo intolerável e diabólico constituído pelos judeus...(...) e a( Martinho Lutero, sermão sobre os judeus e suas mentiras 1543. Os nazistas eram fãs de Lutero ( Martin Sasse, martin luLuth und dos juden - Weg MIT ihmen.)

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    1. Só pela primeira frase já dá pra perceber o quão mal-intencionado está, porque eu nunca vi qualquer evangélico dizendo que Lutero é o nosso "pai". Isso é coisa de fanático católico que quer difamar os evangélicos com base em supostos maus comportamentos ou palavras de Lutero, conquanto todo evangélico do planeta tem Deus por Pai e segue somente a Bíblia, não a homens, por mais importante que tenham sido (sendo Lutero um deles, mas nem mesmo o primeiro). Eu sei que você nunca dissimulou aqui se passando por evangélico e sempre admitiu ser católico, mas poderia pelo menos usar uma terminologia mais apropriada e correta em um site protestante.

      Sobre as frases em si, não sou eu que tenho que provar nada, é você que tem que provar a autenticidade das fontes. Só uma delas eu pude identificar como verdadeira a priori, e eu já tinha passado há tempos atrás o meu artigo-resposta sobre isso a você mesmo, que pelo jeito não deve ter lido, mas tudo bem, aqui passo de novo:

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/02/o-protestantismo-e-o-culpado-pela.html

      http://www.lucasbanzoli.com/2018/02/lutero-foi-um-genocida-que-matou.html

      Sobre as outras citações, eu não vou comentar nada sobre elas até que me cite as fontes certas, porque isso que você trouxe simplesmente não é considerado "fonte". Uma fonte traz em seu corpo o autor, o título da obra, o lugar em que foi escrita, a editora e o ano, e você não tem nada disso. Esse "Martin Sasse, martin luLuth und dos juden - Weg MIT ihmen" do final não apenas não é uma fonte como ainda você não deve sequer saber o que significa. E o texto você copiou tão claramente de blogs católicos da internet que eu nem precisei ir no Google conferir isso, só de bater o olho já percebi, até os comentários são iguais. E eu posso garantir: não é de gente que sabe alemão não, então você vai ter certo trabalho até checar as fontes e me trazer alguma de fato.

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    2. Não quis ser desrespeitoso, entenda como pai no sentido histórico, como aquele que iniciou. É incoerente criticar o catolicismo com base no comportamento do seu clero, nem sempre santo, e quanto a Lutero dizer: eu não tenho nada com isso! Ou então dizer que estou mal intencionado. Qual a diferença entre o comportamento do Papa x e Lutero? Lutero escreveu sobre os judeus e suas mentiras 1543, no qual pedia expressamente o incêndio nas sinagogas, do Talmude, pediu pena de morte aos rabinos que ensinassem, entre outras barbaridades. O escrito foi usado na campanha nazista, isso é um fato histórico conhecido dos alemães. Não copie nada de blogs, nada, não é meu perfil, prefiro livros! Nenhuma palavra! Na hora de colocar a fonte eu acabei citando as do livro que li, e não o proprio livro. O autor é Peter Blank, nascido na Alemanha, sacerdote católico, doutor em teologia. Padre em Munique Alemanha. O livro tem o título Lutero e seu tempo: uma visão geral/Peter Blank; traduçao Tássia Kleine - São Paulo: Quadrante, 2018. Evidentemente as citações das frases de Lutero são retiradas da Edicão de Weimar, publicada entre 1883 a 2009. Os 120 volumes que a compõem são divididos em quatro séries. Não vejo sentido histórico em vocês protestantes não fazerem a defesa enfática de Lutero se a forma subjetiva ou o subjetivismo se deve a Lutero e as suas influências nominalista, entre outras. Ou seja, se você hoje gosta de fazer formulações sobre a Sua verdade, achando-se no direito de estabelecer a sua verdade, e desprezar a verdade do ponto de vista da Igreja Católica, você deve isso especialmente a Lutero, que criou a visão direito de cada um ser teólogo de si próprio.

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    3. Ainda em relação as fontes, embora seja descendente de um alemão nada sei da língua, mais as frases de Lutero em relação a morte de feiticeiras:" trata-se de uma lei muito justa a de que as feiticeiras sejam mortas, afinal elas provocam muitos danos...(..) portanto devem ser mortas... sermão de 06 de maio de 1526, encontra-se em tratados e outros escritos ( shiriftem/werke) volume 16, pagina 516. Sobre a frase de Lutero em relação as crianças com deficiência mental: " (...)..se eu fosse principe ou soberano, lançaria essa criança as águas, ao rio moldava, ousando praticar o homicídio! Está em conversas à mesa ( tischredem) volume 5, página 7. Há outra sugestão à morte de criança deficiente às folhas 9 do mesmo volume. Ha ainda um bom episodio em relação a aprovação por Lutero em relação ao casamento duplo ou bigamia de Felipe de Hesse, que após descoberto, Lutero solicitou a todos os envolvidos que inventassem "uma boa mentira". Wilhelm bruggeboes, II, página 24, citado em Lutero e seu tempo, Peter Blank.

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    4. Vamos lá:

      1) Lutero não é o "pai" da fé evangélica, numerosos reformadores existiram antes dele (ex: Huss, Valdo e Wycliffe), a diferença dele para os demais é que esse a Igreja Romana não conseguiu matar.

      2) Há sim uma diferença ESTRATOSFÉRICA entre o comportamento do papa e Lutero, porque para os protestantes Lutero foi apenas um homem falível e pecador que foi usado por Deus como muitos outros para ajudar a restaurar a Igreja, enquanto para os católicos o papa é muito mais do que apenas um homem importante, ele é também considerado infalível, o vigário de Cristo, o representante de Deus na terra, o sucessor do "chefe" dos apóstolos, o homem a quem todos devem se submeter para conseguir a salvação, de acordo com as encíclicas e catecismos católicos. É simplesmente ridículo colocar um e outro no mesmo nível, essa coisa de pensar que a fé protestante é afetada por supostos maus comportamentos de Lutero é fruto de uma mentalidade católica que pensa que Lutero é um "papa" do protestantismo, pois pensam que se eles tem um papa, então os protestantes também tem que ter, quando a mentalidade protestante é completamente diferente e não contempla qualquer "chefe" a não ser Cristo. Ou seja, os únicos que fazem de Lutero um papa são os próprios católicos.

      3) Todos conhecem o escrito de Lutero sobre os judeus e nós realmente repudiamos tudo o que ele escreveu ali, mas você se esquece de que Lutero era fruto do seu meio, numa época em que o clero católico ensinava os fieis a odiar os judeus. De onde você pensa que veio o preconceito de Lutero contra os judeus? Não veio do protestantismo, veio do catolicismo, da formação que ele teve. Mesmo tendo escrito essas barbaridades não há qualquer registro de um judeu morto por um protestante por ser judeu, mas em contrapartida há milhares e milhares de casos registrados de pogroms contra os judeus (massacres sumários), discriminações explícitas em concílios oficiais, leis de "pureza de sangue" que diziam que os judeus tinham sangue infecto e que foram ressuscitadas pelos nazistas, além da criação de um aparelho que era usado em sua esmagadora maioria para caçar e condenar os judeus à morte (i.e, a Inquisição), tudo isso pelos católicos. Diante de tudo isso, qualquer coisa que Lutero tenha dito e feito é fichinha, e cabe ressaltar que os demais reformadores e os protestantes em geral romperam totalmente com a concepção antissemita da Igreja Romana, e só por isso os judeus são hoje tolerados na maior parte do mundo. A despeito do antissemitismo de Lutero, foi a Reforma que rompeu com séculos de antissemitismo explícito, que estigmatizava os judeus como porcos, excrementos e pestes.

      4) Você diz que Lutero "achava-se no direito de estabelecer a sua verdade", mas isso era justamente o que os papas sempre fizeram e continuam fazendo até hoje, impondo o seu subjetivismo particular como sendo algo "objetivo" aos leigos.

      5) "Conversas à Mesa" não é uma fonte primária, não é um escrito de Lutero mas sim de pessoas que supostamente ouviram discursos de Lutero, não tem peso como fonte primária. Quando falamos de fonte primária não estamos nos referindo a alguém que escreveu sobre outra pessoa, mas sim àquilo que A PRÓPRIA PESSOA ESCREVEU de próprio punho, sendo que 99% do que eu vejo de ataques católicos a Lutero vem de fontes secundárias ou até pior do que isso, que não podem ser levadas a sério quando se trata de uma acusação desse nível (seriam invalidadas em qualquer tribunal moderno, por exemplo).

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    5. Depois dessa, acho melhor ficar calado meu caro JCosta.

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  23. Você acha que a imortalidade da alma tem uma parcela de culpa nisso tudo?

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    1. Ela é a força motriz de todos os falsos dogmas em relação aos mortos, que conduz os homens à idolatria e para longe de Deus (ex: oração aos mortos e pelos mortos, invocação de espíritos, "intercessão dos santos", purgatório, reencarnação e etc), e em relação à Inquisição não fica muito atrás.

      O discurso mais popular da Igreja e de seus pregadores e inquisidores era o de que a Inquisição era "necessária" para se evitar que um "herege" levasse outras pessoas ao inferno eterno, o que supostamente exigia esse tipo de medida autoritária, além do que a queima na fogueira era proposital para servir de antítipo com as chamas do inferno (que eles consideravam literais). Para eles o que faziam ali não era nada, porque depois que o sujeito morresse nas chamas do auto-da-fé a sua alma iria sair do corpo como um fantasminha e ir direto ao inferno para continuar queimando, só que com muito mais intensidade e para todo o sempre. Então sim, a doutrina do inferno eterno serviu de inspiração para a Igreja Romana e sua Inquisição, não à toa essa foi a época de maior e mais vívida representação do inferno e seus tormentos na arte e nos púlpitos (coisa que pouco se vê nos dias de hoje). Talvez seja exagero bater o martelo e dizer que sem essa crença a Inquisição nunca teria existido, mas a Igreja Ortodoxa oriental, que nunca creu no inferno dos romanistas, também nunca teve Inquisição, embora não faltassem "hereges" por lá.

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  24. Li um artigo sobre Inquisição em O catequista, do jeito que eles colocaram a questão dava a entender que os "hereges" iam ser mortos de quALquer jeito pelo governo secular e que a Igreja por misericórdia os julgava em um tribunal proprio. São cegos guiando cegos.Parábens pelo artigo.

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    1. Obrigado! Infelizmente eles não medem esforços quando o objetivo é mentir para salvar a pele da "Santa Igreja", mas não há nada que não seja facilmente refutável com fontes históricas.

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