O caso mais fascinante é, como
já abordamos aqui, o do Patriarcado Ortodoxo Grego de Antioquia, porque também
tem Pedro como fundador, mas não está em comunhão com Roma. Assim, Roma diz ter
Pedro apenas, e os ortodoxos dizem ter Pedro e mais seis do lado deles. Se o
argumento da sucessão apostólica pesasse mais para algum lado, certamente não
seria para o dos romanos.
Ainda temos os casos de igrejas que
não pertencem nem à comunhão ortodoxa nem à romana, mas que também têm sucessão
apostólica. Tal é o caso da Igreja da Armênia (Não-Calcedoniana), fundada por Judas
Tadeu, da Igreja Assíria e da Igreja da Índia, fundadas por Tomé, da Igreja da
Etiópia, fundada por Filipe, entre outras. O fato é que, se o argumento da
sucessão apostólica prova alguma coisa, é que ele não prova coisa alguma.
Católicos dizem “veja, a minha
igreja tem sucessão apostólica!” como se isso significasse alguma coisa, quando
trocentas outras igrejas podem dizer o mesmo, e nem por isso elas são
verdadeiras. É mais um argumento tosco do tipo “engana bobo”, porque alguém que
não tenha familiaridade nenhuma com a história da Igreja pode ficar deslumbrado
pensando que Roma é a única igreja com a tal “sucessão apostólica” e por isso
ela é a verdadeira (o mesmo tipo de gente que acha que só a igreja dele existia
por um milênio e meio até surgir Lutero).
Se muitas igrejas têm sucessão
apostólica mas ensinam coisas diferentes, se excomungaram mutuamente e não
estão em comunhão umas com as outras (nunca é demais lembrar que Bonifácio VIII
e Gregório VII condenaram os ortodoxos ao inferno, junto com qualquer um que
não se submetesse ao papa), é evidente que a sucessão apostólica não garante
a preservação da doutrina. Isso é ainda mais notório quando vamos à Bíblia
e notamos que os apóstolos se preocupavam sempre com a preservação da doutrina,
mas nunca com a “sucessão apostólica”.
Tome como exemplo o texto em que
Paulo se despede dos bispos de Éfeso, sabendo que “nunca
mais voltariam a vê-lo” (At 20:38), e lhes diz:
“Cuidem
de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os designou
como bispos, para pastorearem a igreja de Deus. Sei que, depois da minha
partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. Dentre
vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair
discípulos para si. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que, noite e dia, durante
três anos, jamais cessei de advertir com lágrimas cada um de vocês” (Atos
20:28-31)
Paulo se dirigia aos bispos que
ele mesmo instituiu em Éfeso, sabia que nunca mais os veria outra vez, tem a
oportunidade de um último discurso, e o que ele diz? Que podem ficar
tranquilos, porque se a sucessão apostólica deles é legítima não tem por que se
preocupar? Que se tiverem alguma dúvida é só voltarem aos olhos ao Sagrado
Magistério romano que é o farol que aponta a verdade ao mundo? Que se alguma
apostasia acontecer vai ser só dos que vierem de fora, de gente infiltrada sem
sucessão, ou de um monge alemão um milênio e meio depois?
Pelo contrário: ele diz que «dentre
vocês mesmos» se levantariam lobos para devorar o rebanho. Se nem os próprios
bispos que Paulo instituiu em primeira mão estavam imunes à apostasia, imagine
os bispos de milênios mais tarde que sucederem aqueles!
Outro texto-chave é o que Pedro,
escrevendo já no final da vida e sabendo que seu martírio estava próximo,
escreve:
“Penso
que convém, enquanto eu estiver neste corpo, despertar a memória de vocês,
porque sei que deixarei este corpo em breve, como o nosso Senhor Jesus Cristo
já me revelou. Eu me empenharei para que, também depois da minha partida, vocês
sejam sempre capazes de lembrar-se destas coisas”
(2ª Pedro 1:13-15)
Pedro sabia que sua morte estava
próxima, mas em vez de dizer para o seu rebanho confiar em seus sucessores (os
bispos romanos) porque confiando no magistério é impossível errar na fé, ele faz
questão de escrever para eles, porque sabia que escrevendo os cristãos
se lembrariam daquelas coisas (i.e, da mensagem do evangelho). É curioso que em
toda a carta não vemos um único apelo à autoridade do magistério romano, o que
é bastante significativo dado que ele seria ninguém menos que um papa que muito
em breve daria lugar a outro.
Qualquer um que simplesmente
leia as páginas do Novo Testamento nota facilmente que a preocupação dos
apóstolos nunca foi com a sucessão apostólica, mas com a doutrina apostólica.
Veja com que duras palavras Paulo se dirige aos coríntios:
“Pois
a dedicação que tenho por vocês provém de Deus. Eu os prometi a um único
marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura. O que receio
e quero evitar é que, como Eva foi enganada pela astúcia da serpente, assim a
mente de vocês seja corrompida e se desvie da sincera e pura devoção que vocês
têm por Cristo. Pois, se alguém tem pregado a vocês um Jesus que não é aquele
que pregamos, ou se recebem um espírito diferente do que receberam, ou um
evangelho diferente do que aceitaram, vocês o toleram com facilidade” (2ª
Coríntios 11:2-4)
Todo o temor de Paulo era que
seus filhos na fé se desviassem da devoção pura e simples devida somente a
Cristo. Em momento nenhum de qualquer uma de suas cartas ele se preocupa se um
sucessor é “legítimo”, muito menos diz que se quisessem saber a doutrina
verdadeira era só seguir os bispos com sucessão apostólica. A verdadeira
sucessão apostólica à luz do Novo Testamento não é a de um bispo tomando o
lugar de um apóstolo, mas da doutrina apostólica que se preserva
integralmente. Eles sempre se preocupam com a mensagem, não com o
mensageiro.
Nenhum texto deixa isso mais
claro do que esse que vem da boca do próprio Cristo:
“’Mestre’,
disse João, ‘vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos
impedi-lo, porque ele não era um dos nossos’. ‘Não o impeçam’, disse Jesus.
‘Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em
seguida, pois quem não é contra nós está a nosso favor’”
(Marcos 9:38-40)
Note que essas pessoas que
expulsavam demônios em nome de Jesus não eram dos doze, razão por que João queria
impedir que continuassem agindo em nome de Cristo (como se os doze fossem os
únicos que pudessem falar em nome dele). De acordo com a doutrina católica,
esse caso era muito mais grave que o dos protestantes, pois os protestantes não
têm “sucessão apostólica”, mas esses outros também não tinham e ainda eram repreendidos
pelos apóstolos! No entanto, a resposta de Jesus foi brutal: em vez de
repreender essas pessoas, ele repreendeu João por tentar proibi-las!
De acordo com a bula de
Bonifácio VIII, tais pessoas estariam fora da “barca de Pedro” e portanto não
teriam chances de salvação, uma vez que claramente não se submetiam ao
pontífice romano (na verdade, eles provavelmente nem sabiam bem quem Pedro
era). Mas Jesus mostra que ele não estava preocupado com quem prega, mas
com o que prega. Se a pregação é correta, grupos fora dos doze, que não
foram diretamente enviados por Jesus nem ordenados pelos apóstolos, tinham o
mesmo direito de pregar quanto os discípulos, e estavam cumprindo o mesmo
propósito pelo Reino.
Isso não significa que os
apóstolos não tenham ordenado outras pessoas (presbíteros ou bispos) para
cuidar do rebanho quando eles morressem (e também enquanto ainda viviam),
significa apenas que essa sucessão por si só não garantia a preservação da
doutrina, e portanto tentar identificar a “verdadeira igreja” a partir dela é o
mais puro sofisma. Na verdade, os tais “sucessores” dos apóstolos nem mesmo
tinham a mesma autoridade dos próprios apóstolos, o que torna o argumento
católico ainda mais fraco.
Paulo disse que Deus “estabeleceu em primeiro lugar os apóstolos” (1Co
12:28), mas não existem mais apóstolos hoje.
Até os tais “sucessores” reconheciam que não tinham a mesma autoridade
apostólica dos doze e de Paulo, como diz expressamente Inácio de Antioquia (que
sucedeu Pedro após Evódio em Antioquia): “Não vos
dou ordens como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos, eu um condenado”.
Inácio reconhece que tinha menos autoridade do que Pedro e Paulo justamente porque
eles eram apóstolos e ele não.
O mesmo observamos em toda a
literatura patrística. Mesmo que boa parte dos Pais da Igreja fossem sucessores
de algum apóstolo, nenhum deles se considerou de igual autoridade que os
apóstolos, como se hierarquicamente fosse como um. Agostinho, que é o Pai mais
famoso e renomado de todos, escreveu:
“Esta
classe de escritos [dos Pais] deve ser considerado de menor autoridade,
distinguindo-se da Escritura canônica. Pois tais escritos não são lidos por
nós como um testemunho do qual seria ilegal manifestar qualquer opinião
diferente, pois pode ser que as opiniões deles sejam diferentes daqueles que a
verdade exige a nossa concordância” (Carta 93:10)
“Mas
quem pode deixar de estar ciente de que a Sagrada Escritura canônica, tanto do
Antigo como do Novo Testamento, está confinada dentro de seus próprios limites,
e que ela está tão absolutamente em uma posição superior a todas as cartas
posteriores dos bispos, e que sobre ela não podemos ter nenhum tipo de
dúvida ou disputa se o que está nela contida é certo e verdadeiro, mas todas as
cartas de bispos que foram escritas ou que estão sendo escritas são
susceptíveis de serem refutadas, se há alguma coisa nelas contidas que se
desvia da verdade” (Do Batismo, Contra os Donatistas, Livro II, 3)
Ele explicitamente citou
Cipriano, Ambrósio e a ele próprio como exemplos que incorrem nessa categoria, ou
seja, de escritos que não têm a mesma autoridade que a Sagrada Escritura:
“Você
está encantado com a autoridade desse bispo e ilustre mártir Cipriano, que nós
realmente respeitamos, como eu disse, mas como bastante distinto da autoridade
da Escritura canônica” (Carta 93:10)
“Por
mais respeitado que Ambrósio seja, e por mais santo que sabemos que ele é, ele
não pode ser comparado com a autoridade da Escritura canônica”
(Da graça de
Cristo e do pecado original, Livro I, 47)
“Pois
os raciocínios de qualquer homens que seja, mesmo que seja católico e de alta
reputação, não é para ser tratado por nós da mesma forma que a Escritura
canônica é tratada. Estamos em liberdade, sem fazer qualquer ofensa ao respeito
que estes homens merecem, para condenar e rejeitar qualquer coisa em seus
escritos, se por acaso vemos que eles têm tido opiniões divergentes daquela que
os outros ou nós mesmos temos, com a ajuda divina, descoberto ser a verdade. Eu
lido assim com os escritos de outros, e eu gostaria que meus inteligentes
leitores lidassem assim com os meus” (Carta 148:4)
Mas por que os escritos dos Pais
da Igreja não tinham a mesma autoridade que a Escritura? A resposta é simples: porque
aquilo que foi escrito por um apóstolo tem mais autoridade que aquilo que foi
escrito pelos seus “sucessores”, como Agostinho também destaca:
“Nos
inúmeros livros que foram escritos ultimamente podemos às vezes encontrar a
mesma verdade como está na Escritura, mas não é a mesma autoridade. A Escritura
tem uma sacralidade peculiar a si mesma. Em outros livros, o leitor pode formar
sua própria opinião, e, talvez, de não concordar com o escritor, por ter uma
opinião diferente da dele, e pode pronunciar em favor do que ele escreve, ou
contra o que ele não lhe agrada. Mas, em consequência da peculiaridade
distintiva das Sagradas Escrituras, somos obrigados a receber como
verdadeira qualquer coisa que tenha sido dita por um profeta, ou apóstolo, ou
evangelista” (Contra Fausto, Livro XI, 5)
Em suma, apesar dos bispos serem
considerados “sucessores” dos apóstolos no sentido de que após a morte dos
apóstolos foram eles que assumiram a liderança das igrejas, está claro que eles
não tinham a mesma autoridade dos apóstolos. O único caso de sucessão
apostólica que preservou a autoridade apostólica foi o de Matias no lugar de
Judas, e mesmo assim só pra cumprir a profecia do Salmo 109:8 (cf. At 1:20-22).
Tanto é que após a morte de Tiago (o filho de Zebedeu), em Atos 12:1, ninguém
mais é escolhido para substitui-lo com a mesma autoridade apostólica (como aconteceu
com Judas).
Portanto, os bispos que
“substituíram” os apóstolos não eram infalíveis, não eram inerrantes nem estavam
imunes à apostasia (como é evidente em Atos 20:30). Se nenhuma igreja está à
salvo da apostasia por ter um bispo com “sucessão apostólica”, o próprio
argumento da sucessão apostólica contra o protestantismo se mostra completamente
inútil. Caberia ao católico provar que para uma igreja ser “verdadeira” ela precisa
ter sucessão apostólica (como se o fato de um bispo suceder um apóstolo que
viveu trocentos anos antes dele garantisse integridade doutrinária de uma forma
mágica), mas isso eles mesmos sabem que não tem como provar com a Bíblia.
Cientes disso, o que eles vão
argumentar é que Irineu apelou à sucessão apostólica contra os gnósticos, o que
não deixa de ser um argumento bastante cínico, já que se existe algum Pai que
eles frequentemente rejeitam é Irineu. Irineu foi um conhecido milenarista (o
milenarismo é considerado uma heresia pela Igreja Católica atual) que chegou a
dizer que Jesus repreendeu Maria por sua «pressa inoportuna» e que “não tinha nenhuma noção da impecabilidade de Maria”
de acordo com Philip Schaf, ninguém menos que o maior erudito patrístico de
todos os tempos.
Por ocasião da controvérsia da
páscoa, Eusébio de Cesareia (265-339) diz que Vitor, então bispo de Roma, foi
repreendido pelos outros bispos «com bastante energia», e
acrescenta que “entre eles estava Irineu”. Irineu
também denuncia que os gnósticos “praticam magia, usam
imagens, encantamentos, invocações e todos os outros tipos de arte
estranha”,
e acrescenta que “eles honram estas imagens,
precisamente como os pagãos”.
Pra arrematar, ele afirma que a Igreja “não realiza
qualquer coisa por meio de invocação de anjos... mas dirige suas orações ao
Senhor”.
Muitos outros exemplos poderiam
ser dados, mas está claro que Irineu está longe de ser um bom católico romano
(na verdade, ele seria considerado um herege se defendesse hoje as mesmas
coisas que defendia em vida, e dependendo da época seria até queimado). Mas
quando é conveniente, como quando este mesmo Pai diz que os gnósticos não
tinham sucessão apostólica mas os cristãos sim (e cita a sucessão em Roma como
um exemplo), suas palavras automaticamente ganham o status de uma lei canônica
e ai do protestante que discordar!
Irineu poderia estar errado
sobre todo o resto, mas se ele diz algo que favoreça os católicos, suas
palavras têm peso de Escritura canônica e servem para fundamentar o argumento
da sucessão apostólica na falta de textos bíblicos que o façam (seria cômico se
não fosse trágico!). Não obstante, é preciso observamos alguns pontos. Em
primeiro lugar, Irineu não diz que a falta de sucessão apostólica era por si só
a razão que fazia com que os gnósticos estivessem errados. Ele cita uma miríade
de argumentos em todos os cinco enormes volumes de sua obra magna contra os
gnósticos, recorrendo sempre às Escrituras como a autoridade suprema e
mostrando como os gnósticos pervertiam as Escrituras para os seus próprios
fins.
Entre outras coisas, ele denuncia
que os gnósticos “leem coisas que não foram
escritas, e procuram acrescentar às suas palavras outras dignas de fé”.
Em outro momento, ele escreve a respeito deles:
“Quando,
porém, são refutados pelas Escrituras, eles se voltam contra essas mesmas
Escrituras, como se não fossem corretas nem tivessem autoridade, e afirmam que
são ambíguas e que a verdade não pode ser extraída delas por aqueles que
ignoram a tradição. Pois alegam que a verdade não foi transmitida por meio de
documentos escritos, mas oralmente”
(Contra as Heresias, Livro III, 2:1)
Ou seja, o principal erro dos
gnósticos era ir além das Escrituras para encontrar fundamento aos seus
ensinos, recorrendo a uma suposta tradição oral sem nenhum rastro, do mesmo
tipo que os papistas alegam hoje (até a forma de argumentar é a mesma; falaremos
mais sobre isso no capítulo sobre a Sola Scriptura). Então, para reforçar que
os gnósticos não tinham qualquer conexão histórica com os apóstolos, e que portanto
não podem ter ouvido as tais tradições orais secretas que “preservaram” deles,
ele cita a sucessão apostólica que os cristãos tinham e eles não.
O ponto todo era: se os
gnósticos não tinham qualquer conexão histórica com os apóstolos, como podem
ter ouvido os tais “mistérios” que teriam sido revelados a eles e passados
adiante de boca em boca? Impossível. Note que o objetivo de Irineu não era refutar
a Sola Scriptura ou dizer que se uma igreja não tem sucessão apostólica ela é
falsa (como alguns apologistas católicos que nunca leram a obra afirmam). Era
exatamente o contrário: refutar uma tradição oral extrabíblica ao mostrar que
ela não tem rastro histórico que a conecte aos apóstolos.
Vale lembrar que Irineu viveu no
segundo século, quando a Igreja ainda era incipiente e nenhum cisma
significativo havia ocorrido ainda, o que dava mais credibilidade à sucessão
apostólica, já que poucas gerações haviam transcorrido para que a doutrina do
evangelho fosse corrompida tão radicalmente (como alegavam os gnósticos). O
próprio Irineu era discípulo de Policarpo, que por sua vez era discípulo de
João. Esse argumento perderia todo o peso se fosse usado hoje, após mais de
duzentas sucessões em vinte séculos, e com dúzias de igrejas diferentes com
sucessões diferentes pregando doutrinas diferentes (e se excomungando
mutuamente).
Vimos no tópico anterior que existem
hoje igrejas com sucessão apostólica que negam muitos dos principais dogmas
católicos, incluindo aqueles que o católico é obrigado a concordar sob a ameaça
de anátema e excomunhão (como a imaculada conceição de Maria, a supremacia e a
infalibilidade papal, o purgatório e etc), e outras que aderem até à Sola Fide
e à Sola Scriptura, além de negar os dogmas marianos.
Se Irineu vivesse nos dias de
hoje, de que forma ele poderia usar o argumento da sucessão apostólica para
identificar a “verdadeira igreja”, visto que cada igreja apostólica ensina
coisas diferentes (e diferentes a ponto de romperem a comunhão umas com as
outras e se condenarem ao inferno)? É evidente que tal apelo seria completamente
anacrônico nos dias de hoje, embora fizesse algum sentido nos tempos de Irineu.
Curiosamente, na mesma época em
que Irineu viveu, Tertuliano, um Pai da Igreja tão famoso quanto, escrevia:
“A
este teste, portanto, serão submetidos pelas igrejas que, embora não derivem
a sua fundação de apóstolos ou homens apostólicos (sendo de data muito
posterior, pois, na realidade, são fundadas diariamente), uma vez
que concordam na mesma fé, são consideradas como não menos apostólicas,
porque são semelhantes em doutrina” (Da Prescrição dos Heréticos, 32)
Tertuliano fala de igrejas sem
sucessão apostólica, que não foram fundadas por apóstolos nem derivam deles,
mas foram fundadas em «data muito posterior» e que «são fundadas diariamente».
Qualquer católico ouvindo isso sem saber o autor poderia pensar que Tertuliano falava
das igrejas protestantes, que por não terem sucessão são “falsas” e ponto
final. Mas não é o que Tertuliano diz. Ele diz que essas igrejas não são
menos apostólicas por não terem sucessão apostólica, já que preservam a
mesma fé. O que mais importava para ele não era a sucessão em si, mas a
preservação da doutrina.
Se Tertuliano soubesse que
milhares de anos depois uma igreja com sucessão apostólica corromperia a
essência do Cristianismo com doutrinas estranhas acrescentadas séculos mais
tarde, e que uma outra igreja sem sucessão apostólica acreditaria basicamente na
doutrina apostólica do primeiro século, de que lado você acha que ele ficaria? Do
que está errado só porque tem sucessão? Embora a resposta pareça óbvia, nós nem
precisamos especular nada, porque ele próprio respondeu isso em vida.
Ele disse que Práxeas (um herege
modalista) havia “realizado dois negócios do diabo
em Roma: expulsou a profecia e introduziu a heresia”,
e satirizou o bispo de Roma chamando-o de “Pontífice Máximo” e “bispo dos
bispos” por ter decretado algo sobre a penitência que ele discordava totalmente. Tertuliano
não aceitou a “autoridade” do papa mesmo com a sucessão apostólica, mas aceitou
o movimento montanista, ao qual aderiu no final da vida mesmo sabendo que não
tinham sucessão apostólica.
E embora muitos demonizem o
montanismo baseado em espantalhos e caricaturas (como a de que Montano dizia
ser o Espírito Santo, o que é completamente falso), o montanismo em sua
essência era um movimento que enfatizava mais os dons espirituais, apesar de
alguns exageros (naturais de qualquer movimento carismático). O fato é que Tertuliano
nunca foi excomungado da Igreja ou considerado um herege em seu próprio tempo. Mesmo
após sua morte, muitos Pais da Igreja continuaram citando Tertuliano como uma
autoridade.
Outra acusação comum é que os
nossos pastores são inválidos por não terem sido consagrados por alguém com
sucessão apostólica, como se a sucessão apostólica fosse uma condição indispensável
para a ordenação. Entretanto, é curioso notar que no capítulo que Paulo dedica
só pra tratar das qualificações necessárias ao episcopado (1ª Timóteo 3) ele
não mencione nem uma única vez como requisito “ter sido ordenado por um bispo
com sucessão apostólica”. Ele chega até a mencionar que o bispo deveria ser “marido de uma só mulher” (v. 2) e “governar bem a sua casa, tendo os filhos em sujeição” (v.
4), acabando com o celibato obrigatório, mas não fala nada sobre “sucessão
apostólica”.
A própria história da Igreja,
desde os primórdios, está cheia de casos de bispos legítimos que não foram
ordenados por outros bispos. O documento patrístico mais antigo que temos é a
Didaquê (datada entre 60 e 90 d.C, quando alguns apóstolos ainda viviam), que
diz:
“Escolhei
(elegei), portanto, para vós bispos e diáconos dignos do Senhor, homens
mansos, desapegados do dinheiro, verazes e provados, porque eles também exercem
para vós o ministério dos profetas e mestres” (Didaquê, 15:1)
Observe que quem escolhia os
bispos não eram outros bispos, mas as próprias comunidades. Era a
comunidade que tinha a autoridade de discernir quem entre eles tinha as
qualificações necessárias ao episcopado, e então elegiam os mais aprovados. Que
essa prática continuou comum nos séculos seguintes é evidente pela “Tradição
Apostólica” de Hipólito de Roma (escrita por volta de 215 d.C), onde ele prescreve:
“Seja ordenado bispo aquele que tiver sido
escolhido por todo o povo”.
Cipriano (210-258) alude ao mesmo fato quando escreve:
“Vemos
que vem da autoridade divina a regra de escolher o bispo na presença do povo, à
vista de todos, para que todos julguem se é digno ou indigno... o povo tem o
poder principal de escolher bispos dignos e recusar os indignos”
(Epístola
67:3-5)
Um exemplo irônico é o da
própria Sé romana. Eusébio (265-339) em sua História Eclesiástica nos informa
que “estando todos os irmãos reunidos na igreja
para a eleição do futuro bispo... subitamente uma pomba voou do alto e pousou
sobre a cabeça de Fabiano. Então, todo o povo, como movido por um só Espírito
Santo, aclamou com todo o ardor e uma só alma que ele era digno, e
imediatamente o colocaram na cátedra episcopal”.
Note que não foi um bispo que ordenou
Fabiano, nem um colégio de cardeais devidamente ordenados com “sucessão
apostólica”, como nos dias de hoje. Foi o próprio povo que por ver uma
pomba pousar sobre ele achou que isso era um sinal divino e o consagrou bispo
de Roma (mesmo sem nem mesmo ter um cargo eclesiástico até então). Foi só a
partir do século IV, com a cristianização do Império Romano e a consequente interferência
de imperadores, reis e elites locais na eleição de bispos que essa antiga
prática foi abolida, para dar lugar ao modelo atual.
Ademais, no Novo Testamento e
nos escritos cristãos primitivos, a ministração do batismo e da Ceia do Senhor
não era prorrogativa exclusiva de bispos inseridos em uma linha de ordenação
episcopal. Filipe batizou o etíope (At 8:26-39) sem ser bispo ou presbítero, e
a Didaquê registra profetas itinerantes celebrando a eucaristia,
que na teologia católica é uma atribuição exclusiva dos sacerdotes.
Há tantos outros problemas com o
argumento da sucessão apostólica que poderíamos facilmente escrever um livro
todo só sobre isso. Alguns deles tratarei no capítulo sobre o papado (especialmente
sobre Pedro nunca ter sido bispo de Roma, o que corta o argumento da sucessão
pela raiz). Outros abordei em outros livros, como no dos “100 maiores
acontecimentos da história do Cristianismo”, onde dedico um capítulo inteiro sobre
o Grande Cisma do Ocidente.
Para resumir em poucas linhas, o
Cisma do Ocidente foi quando dois papas disputavam o poder e ninguém sabia qual
era o “verdadeiro”, situação que perdurou por quase 40 anos (1378-1417) onde
sucessivos papas condenavam-se mutuamente com anátemas e excomunhões, até um
concílio ser convocado para resolver a questão dissolvendo os dois e colocando
um novo papa no lugar. Mas como nenhum dos dois aceitou renunciar, a Igreja
chegou a ter incrivelmente três papas ao mesmo tempo(!), obliterando qualquer
apelo a uma linha “ininterrupta” de papas.
Outro problema é que essas
listas de sucessão (especialmente a romana) estão cheias de erros, com lacunas
históricas, fontes duvidosas e fontes conflitantes entre si. Quando um católico
entra na Wikipedia ou no site do Vaticano, encontra uma lista bonitinha com 267
papas que leva os leigos a pensarem que isso foi aceito desde sempre como algo
certo e líquido, quando na verdade diferentes listas corriam à solta ainda nos
primeiros séculos, cada uma diferente da outra e nenhuma concordando entre si.
Na lista oficial dos papas
atualmente aceita, Pedro é o primeiro, Lino é o segundo, Anacleto é o terceiro
e Clemente o quarto. Em Eusébio, Lino é o primeiro e
Clemente é o terceiro. Jerônimo
diz que a maioria dos latinos de sua época pensava que Clemente tinha sido o
segundo, embora
ele achasse que fosse o quarto e
Agostinho achava que era o terceiro! Como
se não pudesse piorar, Tertuliano diz que Clemente foi ordenado bispo por Pedro, embora
na cronologia oficial Clemente tenha começado a governar mais de 20 anos após a
morte de Pedro!
O primeiro documento a colocar
Pedro como o primeiro bispo de Roma é o Catálogo Liberiano (354), que também é
o primeiro que se propôs a fazer não só uma lista dos bispos romanos até aquela
época, mas também do tempo que cada um governou. Nesse catálogo, após Clemente quem
assume é um tal de Cleto, que governou por 6 anos, 2 meses e 10 dias, e depois
dele quem assume é Anacleto, que governa por 12 anos, 10 meses e 3 dias. O
problema é que esse “Cleto” simplesmente não existe, pelo menos não na lista
oficial do Vaticano e em outras listas da época.
Alguns podem pensar que foi um
erro de copista, que “duplicou” Anacleto encurtando o seu nome, mas isso não
explica por que o catálogo dá a cronologia exata do tempo que cada um governou,
detalhando informações sobre cada um que são únicas de cada um deles. Isso
mostra que essas listas são tão pouco confiáveis que não só alteram a ordem,
como até acrescentam nomes que não existem.
A razão por que essas listas não
apresentam qualquer padrão confiável é que, como os próprios historiadores
católicos reconhecem hoje, nenhum desses era um bispo de fato, se levarmos em
conta o conceito de episcopado monárquico (onde um bispo sucede outro bispo e
está acima de todos os demais). Paul Johnson, o maior historiador católico do
século passado, diz que “provavelmente o primeiro
bispo romano, em algum sentido significativo, foi Sotero (166-174)”,
que é da segunda metade do segundo século, um século e meio após a suposta
coroação de Pedro.
Na obra do Pastor de Hermas, de
meados do segundo século, quem governa a igreja de Roma são os presbíteros, o que
sugere que nessa época Roma ainda não tinha a liderança de um bispo único. E
Inácio, que sempre menciona repetidas vezes a autoridade do bispo de cada uma
das igrejas às quais escrevia, ignora por completo o suposto bispo romano na
carta que escreveu aos romanos (é literalmente a única carta que ele não
menciona o bispo, enquanto em todas as outras o bispo é mencionado uma dúzia de
vezes).
Hoje praticamente já não existe
estudioso católico que assuma que Roma tinha um episcopado monárquico desde o
início, como
diziam no passado. Esse é um discurso que só continua vivo na apologética de
internet do mais baixo nível, onde estão se lixando para os acadêmicos de sua
própria Igreja (mesmo os PhDs que ocupam os mais altos cargos na Igreja e cujos
livros foram aprovados pelo próprio Vaticano), porque só o que interessa é o
que serve para fins proselitistas para ser usado contra os protestantes.
O famoso padre, historiador e
teólogo Raymond Brown, classificado como o maior estudioso católico dos Estados
Unidos, cujos livros até hoje têm o Imprimatur da Igreja (garantindo que
estão livres de erros teológicos), escreveu que “em
algum lugar no segundo século (provavelmente na metade do século) a
Igreja Romana desenvolveu a estrutura de um singular bispo e colégio de
presbíteros, assim como outras igrejas tinham desenvolvido ou desenvolviam essa
estrutura durante o segundo século”.
Ele acrescenta que
é muito
improvável que Clemente fosse chamado de o bispo de Roma. Ele seria, numa
moderna terminologia, o secretário executivo da Igreja. No entanto, desde que
ele foi lembrado como o mais proeminente dos presbíteros de seu tempo, seu nome
aparece na lista como bispo de Roma.
Em outras palavras, nenhum
desses “primeiros papas” era realmente um papa, porque pra começo de conversa
nem bispos de Roma eles eram. Eram apenas presbíteros destacados, e mais tarde
(quando Roma desenvolveu o modelo de episcopado monárquico) retroprojetaram seus
nomes de forma anacrônica como se fossem bispos. É por isso que nos séculos
seguintes ninguém sabia ao certo quem sucedeu quem, já que nenhum deles havia
de fato “sucedido” o outro, uma vez que eram todos presbíteros que viveram numa
mesma época. Naturalmente, então, qualquer tentativa de fazer uma “lista” seria
artificial e falha.
Uma vez que a própria “lista dos
papas” é uma lista falsa, que falha justamente onde mais deveria acertar (no
começo de tudo), argumentar com base em uma sucessão apostólica de bispos nada
mais é que uma falsificação histórica. E mesmo se não fosse o caso, como já
vimos, esse argumento é inteiramente desprovido de base bíblica, não tem sustentação
lógica, contradiz todo o ensino do Novo Testamento e nem mesmo nos ajuda a
encontrar a tal “igreja verdadeira”, já que numerosas igrejas com sucessão
apostólica sequer estão em comunhão umas com as outras, mostrando o quão
completamente inútil é o apelo à sucessão.
E agora a cereja do bolo: ainda
que todo o argumento católico fizesse algum sentido e passasse no teste bíblico,
lógico e histórico, nem assim isso nos levaria necessariamente a abandonar o
protestantismo, haja vista que a Igreja Anglicana (que é protestante) tem
sucessão apostólica. A razão por que Roma não reconhece a sucessão apostólica
dos anglicanos não é por uma razão histórica, porque historicamente falando os
mesmos bispos “legitimamente ordenados” (como católicos) adotaram uma confissão
de fé protestante e consagraram outros bispos legitimamente ordenados (como
protestantes).
Diferente do que pensa o papista
de internet que nunca pegou um livro de história na vida pra estudar, a Igreja
Anglicana não foi “fundada no século XVI por Henrique VIII”. Esse mito é tão
popular na internet que até eu me impressionei quando comecei a estudar o que
os historiadores sérios disseram a esse respeito e como até os católicos são
unânimes em reconhecer que Henrique VIII não era protestante nem fundou igreja
nenhuma, mas um católico nacionalista que se manteve fiel aos dogmas católicos
até o último suspiro (com exceção do papado, pois na cabeça dele o único “papa”
era ele).
Não há necessidade de me
delongar sobre isso porque já dediquei uma longa seção a esse respeito no
primeiro volume do meu livro dos “500 Anos da Reforma: Como o protestantismo
revolucionou o mundo”, onde mostro inclusive as confissões de fé de Henrique VIII
que eram todas católicas, e como os protestantes eram assassinados em massa no
seu regime de terror (um deles, John Lambert, foi queimado a fogo lento após debater
pessoalmente com Henrique VIII sobre a transubstanciação e se recusado a
aceitar o dogma católico).
A Igreja da Inglaterra (que já
era chamada de “anglicana” desde muito antes de aderir à Reforma, cujo nome
remete aos anglo-saxões dos quais os ingleses provêm) só passaria a adotar as
doutrinas reformadas no breve reinado de Eduardo VI, logo sucedido por Maria a Sanguinária,
que restaurou o regime de terror católico em plena comunhão com o papa e
celebrou esse retorno com um banho de sangue de protestantes do país (período
no qual John Foxe escreve o famoso “Livro dos Mártires”). Foi só com Isabel que
o protestantismo é consolidado na Igreja da Inglaterra, mais precisamente no
Ato de Uniformidade de 1559.
Tudo isso é apenas para pontuar
que o protestantismo não criou uma igreja nova na Inglaterra, como se antes
existisse a Igreja Católica e ela tivesse sido substituída pela “Igreja
Anglicana”. A Igreja Anglicana nada mais é do que a Igreja da Inglaterra que já
existia desde que o Cristianismo chegou ali, mantendo a mesma hierarquia, os
mesmos bispos e até os mesmos ritos, apesar da doutrina da Igreja ter sido
reformada. Portanto, se a sucessão apostólica for entendida como uma “corrente
física” de imposição de mãos repassada de bispo pra bispo através dos séculos, os
anglicanos possuem sucessão apostólica no sentido mais pleno do termo.
A razão por que Roma não
reconhece essa sucessão não é histórica, mas teológica. Ela não aceita a
sucessão apostólica anglicana porque para ela a sucessão só é válida se
acompanhada da continuidade doutrinária, e como eles abandonaram a doutrina
católica (em especial a transubstanciação), essa sucessão é considerada
inválida. Curiosamente, o argumento que eles usam para invalidar a sucessão dos
anglicanos é um verdadeiro presente para os protestantes, pois é justamente o
que sempre dissemos: a sucessão de um bispo por outro não tem nenhum valor
se não acompanhada da continuidade doutrinária.
O problema é que quem rompeu
essa continuidade doutrinária não foram os anglicanos, mas os próprios romanos.
A partir do momento em que Roma inventou doutrinas que não constam na Bíblia,
que nunca foram aceitas pelos Pais e que não são recebidas por nenhuma outra
igreja (como é o caso da imaculada conceição), ela está inserindo uma inovação
doutrinária que quebra com a continuidade – exatamente o mesmo que eles denunciam
nos anglicanos e usam como pretexto pra invalidar a sucessão deles.
Na verdade, os anglicanos apenas
deram continuidade à doutrina original, descartando a descontinuidade romana
(como um programa antivírus que elimina um vírus para restaurar o pc à sua
integridade original). De todo modo, o fato de Roma admitir que a sucessão
apostólica só é válida quando há continuidade doutrinária prova exatamente o
nosso ponto: o que realmente importa no fim das contas é a ortodoxia
doutrinária, não a mera sucessão física. E isso é o maior tiro no pé que eles
poderiam dar, pois não há nada mais estupidamente fácil do que provar
biblicamente e historicamente a descontinuidade das inovações romanistas.
A verdadeira “sucessão
apostólica” sempre foi a preservação da doutrina apostólica, que é o que os
próprios apóstolos sempre prezaram em primeiro lugar. A “genealogia” de um
bispo nunca foi garantia de que esse bispo não pudesse cair em apostasia, assim
como eu ter um antepassado milionário não é garantia de que eu seja rico (nesse
caso nem isso eu tenho, mas isso são outros quinhentos). No AT a “linha
ininterrupta” de sacerdotes judeus não os impediu de caírem na apostasia, e não
há nada que sugira coisa diferente no contexto da nova aliança.
E mesmo se estivéssemos
totalmente errados sobre tudo o que dissemos até aqui, nem isso faria
diferença, já que com ou sem sucessão apostólica o próprio catecismo católico
reconhece – lembremos bem – que as nossas igrejas e comunidades eclesiais são
nada a menos que MEIOS DE SALVAÇÃO
(faço sempre questão de frisar isso em negrito e caixa alta porque parece
que os tradicionalistas católicos têm dificuldade em ler esses trechos desse
maravilhoso livro amarelinho que é o catecismo de João Paulo II).
Se no fim das contas o que
importa mesmo é ser salvo, estamos no caminho certo mesmo sem a tal sucessão.
Obrigado, Concílio Vaticano II!
Paz a todos vocês que estão em
Cristo.
Por Cristo e por Seu Reino,
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