***
• Argumento católico: “Vocês
são divididos em 40 mil seitas!”
Este é o “super trunfo” dos
apologistas católicos. O debate pode ser sobre qualquer assunto, que o católico
sempre vai dar um jeito de conduzir a conversa para esse canto. Você pode estar
debatendo sobre papado, que ele vai falar das “40 mil seitas protestantes”. Pode
ser sobre os dogmas marianos, que ele vai perguntar das “40 mil seitas
protestantes”. Pode ser sobre o padre rasgar o espaço-tempo na eucaristia, que
ele vai lembrar que existem “40 mil seitas protestantes”. Pode ser se a hóstia
é biscoito ou é bolacha, que ele vai falar das... 40 mil seitas protestantes. É
basicamente a única coisa que eles sabem falar, porque é basicamente o único
campo onde eles acham que ganham.
Aqui irei expor dez formas de se
refutar este argumento, mas podemos começar perguntando de onde ele tirou esse
número de “40 mil” denominações. A verdade é que nem eles sabem. A prova disso
é que citam números aleatórios, tirados da cabeça de cada um a gosto do freguês.
Embora o argumento seja sempre o mesmo, a quantidade de denominações às vezes é
20 mil, às vezes 33 mil, às vezes 40 mil, às vezes 60 mil e às vezes 100 mil ou
mais! Se você perguntar ao católico qual a fonte de onde ele tirou o número que
ele deu, seja ele qual for, a chance dele falar da tua mãe é consideravelmente maior que a de citar qualquer fonte que seja.
Como já mostrou Gabriel Ennes
,
também conhecido como Rushdoony, também conhecido como o melhor amigo do Yago
Martins, esses dados vêm da Enciclopédia Cristã Mundial, que traz um catálogo
de 33.820 denominações. O problema é que essas 33 mil denominações se referem
não ao total de denominações
evangélicas, mas ao total de denominações
cristãs
como um todo. Destas, 22 mil constam no grupo de “cristãos independentes”
ou “cristãos marginais”, o que inclui as testemunhas de Jeová, mórmons,
unitaristas e até cientologistas – muitos dos quais não são considerados nem
mesmo cristãos de fato, quanto menos protestantes.
Para piorar, essa mesma fonte
diz que a Igreja Católica Romana possui 242 denominações(!), o que quebra
completamente o argumento da unidade (a não ser que o argumento mude para
“somos menos errados do que vocês”, o que não parece ajudar muita
coisa). Até mesmo o apologista católico Scott Eric Alt já denunciou a falácia
desse argumento e pediu para os católicos deixarem de usá-lo, mas como eles são
insistentes, não só continuaram usando como ainda criaram números ainda mais
fabulosos e fictícios tirados da cabeça deles pra tentar dar mais força ao
argumento que já nasceu morto.
Em segundo lugar, este argumento
até poderia fazer algum sentido se vivêssemos no século XIII quando a Igreja
impunha a ferro e fogo a “verdadeira doutrina” de forma unilateral e dogmática
cabendo aos fiéis apenas obedecê-la ou ir pra fogueira, mas usar esse argumento
em pleno século XXI é amarrar uma forca para o inimigo protestante e se
pendurar nela. Isso porque o próprio catolicismo romano é atualmente dividido
em inúmeras facções que crescem tão rapidamente que chega a ser difícil até
lembrar cada uma. Eles são os carismáticos, os modernistas, os tradicionais, os
tradicionalistas, os veterocatólicos, os sedevacantistas, os teólogos da
libertação... e a lista vai longe.
Como exigiria um livro inteiro
descrever cada facção, pegarei como exemplo por hora apenas duas delas: os
tradicionalistas e os modernistas. Quando eu ingressei na apologética, em 2009,
dois sites apologéticos católicos eram de longe os mais acessados e conhecidos:
a Associação “Cultural” Montfort, do finado professor Orlando Fedeli, e o
Veritatis Splendor, do professor Alessandro Lima. Os dois tinham uma coisa em
comum: odiavam protestantes. Mas as coisas em comum terminavam aqui. Dando um
verdadeiro espetáculo aos de fora, e exibindo publicamente toda a falácia da
“unidade” católica, os dois se odiavam mutuamente e trocavam xingamentos sem
hesitar.
E não é porque Fedeli era
corinthiano e Alessandro palmeirense. É porque o concílio que Alessandro acreditava
ser dogmático, infalível e autoritativo – o Concílio Vaticano II –, Fedeli
chamava de herético, modernista e satânico. E adjetivos não faltavam: de um
lado, Fedeli chamava Alessandro de “baixo” e “cego pelo ódio”
.
Do outro, Alessandro chamava Fedeli de “fedelho”, “covarde” e “herege”
.
Veja bem: não estamos falando de dois católicos aleatórios com picuinhas
infantis. Estamos falando dos
dois maiores nomes da apologética católica por
mais de uma década, que não se consideravam nem mesmo irmãos!
Os anos se passaram, Fedeli já
se foi, Alessandro já se aposentou, e no momento em que eu escrevo esta página,
por uma notável coincidência do destino, acabei de postar em meu canal um vídeo
intitulado “Como é linda a unidade católica”, onde mostro o verdadeiro
quebra-pau que está rolando entre vários dos principais apologistas católicos
dos dias de hoje. De um lado, o aprendiz de terrorista Tales Muniz, que já
disse que quer que uma bala acerte a minha testa e que eu mereço ser espancado
na rua. Do outro, Gabriel Friske, o que me acusou de adulterar a patrística, e
a dupla dinâmica Cris e Robson, que faz vídeos incansavelmente sobre a minha
pessoa há mais de uma década.
Embora eu não considere nenhum
deles um “inimigo”, o que seria superestimá-los demais, trata-se facilmente dos
quatro que mais dedicaram tempo e energia para me ofender até hoje. Por isso
não foi pouca a minha surpresa (e satisfação, confesso) ao ver que eles estavam
se excomungando mutuamente, aos berros, disputando entre si para ver quem era o
herege e quem inventava mais xingamentos criativos contra o outro.
Tudo começou quando Tales, em um
surto de bom senso e sincericídio, reconheceu que Robson perdeu um debate
comigo sobre preterismo (como se fosse uma opinião muito polêmica). O único que
se incomodou com isso foi o próprio Robson, que passou a acusá-lo por ser
futurista e taxá-lo de herege por isso. Tales devolveu a gentileza chamando-o
de herege também, o que despertou a fúria de Macabeus, seu fiel escudeiro, e de
Friske, que se sentiu ofendido por ser preterista também e passou a trocar
ofensas com seu (ex) grande amigo.
Os pormenores desse babado digno
de BBB você pode conferir no meu vídeo, mas aqui basta mostrar como que os
próprios apologistas católicos se esforçam por destruir completamente a falsa
narrativa da “unidade”. Basta uma simples divergência teológica – que pra eles
de “simples” não tem nada, já que é o suficiente para taxar o outro de herege –
como o modernismo do Concílio Vaticano II ou o “anticristo chefão” pra que esse
castelinho de areia baseado numa falsa máscara de unidade se desfaça por
completo, ruindo bem diante dos nossos olhos.
A verdade é que, desde que a
Inquisição acabou e não há mais lenha na fogueira, o magistério perdeu seu
poder de impor a doutrina a ferro e fogo, e agora tudo o que lhe restou foi tentar
manter os contraditórios sem solução para evitar novos cismas. Isso significa
que a Igreja nunca bateu nem vai bater o martelo sobre temas polêmicos que hoje
dividem os fiéis, porque sabe que qualquer que seja o lado para o qual ela se
incline, terá de enfrentar uma oposição ferrenha do lado oposto – e isso numa
época em que ela já perde uma enxurrada de fiéis no mundo todo, e tudo o que
ela não precisa é de novos dogmas pra perder mais.
Em outras palavras, mesmo que os
tradicionalistas considerem heresia, eles terão que engolir a missa nova, os
cultos ecumênicos com protestantes, a estátua de Lutero no Vaticano, o selo
comemorativo pelos 500 anos da Reforma, a imagem de Buda no altar no encontro
inter-religioso de Assis, a Pachamama no Vaticano a mando do papa Francisco, o
padre Jonas Abib ensinando os fiéis a falarem em língua estranha, o padre Júlio
Lancellotti fazendo militância petista na missa, o papa João Paulo II beijando
o Alcorão, o papa Francisco acreditando que o inferno está vazio e que todas as
religiões levam a Deus, e o padre José Eduardo berrando qualquer coisa parecida
com uma oração em línguas enquanto grita “peguem fogo!”.
“Mas nada disso é dogma da
Igreja”, alguém dirá. Isso não é exatamente verdade, uma vez que a bula Quo
Primum Tempore, do papa Pio V (1570), dizia expressamente que “a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e
observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as igrejas,
decretamos e ordenamos que a missa, no futuro e para sempre, não seja
cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o missal publicado
por nós, em todas as igrejas”. E o que o papa Paulo VI fez, quatro
séculos mais tarde? Isso mesmo: mudou a missa! Não é à toa que os
sedevacantistas se revoltam tanto com isso a ponto de considerarem todos os
papas modernos como falsos papas.
Tome também como exemplo a
salvação de não-católicos. Nos termos mais solenes e taxativos possíveis, e em
se tratando do tema mais sensível e importante possível, o papa Bonifácio VIII
termina sua bula Unam Sanctam (1302) dizendo: “Por
isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente
necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano
pontífice”. Nessa mesma bula, ele deixa claro que os gregos (ortodoxos)
não fazem parte das “ovelhas de Cristo” e, portanto, estão condenados ao
inferno. No catecismo atual, porém, a realidade é bem diferente, como esses
dois parágrafos nos mostram:
818. Os
que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé
de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja
Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna [...]. Justificados pela
fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que
se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente
como irmãos no Senhor» (278).
819.
Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica,
«muitos elementos de santificação e de verdade» (279): «a Palavra de Deus
escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons
interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis» (280). O Espírito de
Cristo serve-se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de
salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo
confiou à Igreja Católica.
De alguém sem esperança de
salvação se não se submetesse ao pontífice romano como sua cabeça, os
não-católicos passaram ao status de «justificados», «incorporados em Cristo» e
a «justo título» honrados com o nome de cristãos – não meramente cristãos
nominais, mas «legitimamente» irmãos no Senhor! Mais do que isso, nossas
próprias igrejas viraram agora «meios de salvação(!)» e já não podemos nem mais
sermos acusados do pecado da divisão!
Imagine um papa como Pio X, que
mandou queimar as Bíblias protestantes em seu catecismo bem mais raiz, ou um
papa como Pio V, que ordenava queimar os próprios protestantes, lendo esse
catecismo nutella. Certamente estariam se revirando no túmulo numa hora dessas
(ou, caso o leitor seja imortalista, nas profundezas do inferno).
Na bula de excomunhão de Lutero
,
o papa Leão X
condenou a afirmação de Lutero de que
“é contra o desejo do Espírito Santo que hereges sejam
queimados”. Em meu debate no RedCast contra 25 católicos, eu citei este
documento e perguntei aos meus interlocutores se eles concordavam com Lutero
(de que não se devia queimar hereges) ou com o papa (de que hereges deviam ser
queimados). O resultado não podia ser mais constrangedor: nenhum deles ousou
responder que o papa estava errado, ao mesmo tempo em que não diziam que Lutero
tinha razão. Mesmo quando todo o pensamento era construído de maneira a
concluir que o papa estava errado, isso não saía da boca deles de jeito nenhum
quando eu os desafiava a afirmar isso mais claramente.
Quando o debate acabou, um dos
debatedores (que não debateu comigo naquela sessão) confessou que eu os coloquei
numa encruzilhada, porque ao mesmo tempo em que não podiam parecer monstros
morais num debate de grande repercussão como esse, defendendo a queima de
hereges na fogueira, também não podiam dar o braço a torcer e ficar do lado do
monge rebelado, o que seria admitir a derrota. No fim das contas, o que restou
foi um bando de católicos apavorados, sem saber o que responder ou como
responder, se esforçando de todas as formas em fugir de responder diretamente à
pergunta como o diabo foge da cruz.
Os exemplos poderiam ser
acumulados aos montões, como a famosa proibição da liberdade de culto, de
imprensa e de consciência que perdurou por séculos, até o início do século
passado. No Syllabus dos erros, o papa Pio IX (1864) condenou a
tese segundo a qual “é livre a qualquer um abraçar
ou professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar
verdadeira”, e também a de que “no presente
tempo não é mais necessário que a religião católica seja mantida como a
única religião do Estado com a exclusão de todos os outros modos de culto”.
Ele ainda condenou a tese de que
“foi uma providência muito sábia da lei, em alguns
países nominalmente católicos, que pessoas que vêm a habitar neles possam gozar
do livre exercício de seu próprio culto” e a de que “a Igreja deve estar separada do Estado e o Estado da
Igreja”. O Mirari Vos de Gregório XVI (1832) dedica um tópico
inteiro intitulado “A Monstruosidade da Liberdade de Imprensa” (parece
piada, mas não é), onde afirma taxativamente que “devemos
tratar também neste lugar da liberdade de imprensa, nunca condenada
suficientemente”.
Por contraste, o Concílio
Vaticano II tem uma seção inteira para falar da dignidade humana (Dignitatis
Humanae), onde diz que “este Concílio Vaticano
declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa” e que “todos os homens devem estar livres de coação, quer por
parte de indivíduos, quer de grupos sociais ou de qualquer autoridade pública;
e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a
sua própria consciência, nem impedido de proceder de acordo com ela”. E
o documento segue com muitas outras declarações tão claras quanto essas, para
deixar os tradicionalistas se mordendo de raiva.
É por isso que muitos deles já
migraram para o sedevacantismo, enquanto outros acham que o Vaticano II “não é
dogmático” (ou seja, é um concílio ecumênico porém falível e cheio de erros
gritantes contra a fé católica “de sempre”), o que não só significa que eles se
reuniram inutilmente durante anos apenas para disseminar heresias e confundir a
mente dos católicos no mundo todo, mas também que eles perderam a chance de
realizar um concílio infalível e dogmático para em vez disso preferir reunir
milhares de bispos num concílio falível e herético que contradiria a “doutrina
de sempre” e que ninguém deveria seguir.
Daí se vê como que essas muitas
facções no seio da Igreja Romana não estão brigando por questões banais: o que
está em questão é a própria identidade da Igreja. Mesmo os bispos da teologia
da libertação, que muitos gostam de dizer que estão sob a “excomunhão
automática” dos comunistas, na prática continuam firme e fortes rezando missa
todos os dias, oferecendo os sacramentos, ouvindo confissões e perdoando
pecados, sem receber nenhuma excomunhão formal e vivendo tranquilamente como se
nada tivesse acontecido (porque não aconteceu).
E a razão por que a Igreja não
excomunga de verdade nenhum dos “bispos vermelhinhos” da CNBB, que são a grande
maioria dos bispos e padres nas palavras dos próprios apologistas católicos
(como Bernardo Küster e Cris Macabeus), é porque a Igreja perdeu todo o poder
político que já teve um dia, numa época onde por muito menos que isso era
fogueira na certa – não sem antes passar pelas máquinas de tortura e delatar todos
que podia.
Assim, a “verdadeira doutrina”
deixou de ser uma coisa objetiva e passou à mais pura subjetividade, dependendo
quase que exclusivamente da interpretação que os fiéis fazem do magistério, em
vez do próprio magistério ser a palavra final – o que ficou bem evidenciado na
recente polêmica envolvendo o “novo dogma” da corredenção de Maria, que acabou
virando uma grande decepção para milhões de católicos que dormiram sonhando com
o novo dogma e acordaram desapontados com a decisão do novo papa.
Mas mesmo após o magistério ter
se pronunciado, em vez de acabarem as disputas, como no conto de fadas onde Roma
locuta, causa finita, o que aconteceu foi exatamente o contrário: católicos
brigando com católicos acerca da “interpretação correta” do documento. Enquanto
tradicionalistas como Nougué desceram a lenha no papa sem dó nem piedade por
essa decisão que consideraram um erro, outros apoiaram a decisão e outros
fingiram que nada mudou e que Maria continua sendo corredentora apesar do
título em si ser inapropriado.
A coisa ficou tão doida que nem
mesmo o maior popstar da apologética católica tupiniquim, o guru que pavimentou
tudo – o padre Paulo Ricardo, é claro –, não entendeu o que o papa disse, já
que, segundo ele, o papa estava contrariando dúzias de santos e de papas que o
precederam. Sua frase final virou até meme:
“Eu li
e não entendi. Poderia explicar melhor?”.
E o coitado está até hoje esperando uma resposta, e provavelmente vai continuar
sem a “explicação” até a volta de Jesus, já que o magistério cuja única razão
da existência é orientar os fiéis na doutrina correta pra não ficarem
discutindo entre si deixa tudo na obscuridade pra gerar mais dúvidas e
incertezas na cabeça dos fiéis.
No fim das contas, eles criaram
um magistério para interpretar a Bíblia, mas que não adianta nada já que o
próprio magistério precisa ser interpretado, o que cria um problema em cima
de um problema em vez de ser a solução para um problema. Para eles, a Bíblia é
um livro “obscuro” demais para se chegar à verdade através dele, como se os
milhares e milhares de documentos magisteriais oficiais que nenhum católico
sequer leu integralmente e que ainda discutem o seu verdadeiro significado resolvesse
o problema em vez de acrescentar um outro.
O preterismo é só um entre
muitos desses pontos doutrinários que a Igreja nas poucas vezes que se
posicionou não foi clara o suficiente. Ela não “bateu o martelo” e nem vai
bater, porque sabe que só tem a perder com isso – mesmo que sua função
teoricamente seja a de iluminar os fiéis na interpretação correta, já que os
pobres fiéis são incapazes de chegar por si mesmos à verdade e precisam do
Sagrado Magistério para isso. Aparentemente, dois mil anos ainda não foram o
bastante para “bater o martelo” sobre essas questões. Talvez só estejam
precisando de mais uns dez mil anos pra resolver isso – e os fiéis que se matem
neste ínterim.
Portanto, é preciso tirar logo
de mente qualquer ideia de uma “Igreja Una e indivisível”. Se algo desse tipo
alguma vez existiu, certamente ficou no passado. A Igreja Romana atual é uma
verdadeira colcha de retalhos, segregada em inúmeras facções que disputam o
poder entre si, que tentam eleger o próximo papa por ser dessa ou daquela
linha, e que na prática constituem diversas “igrejas” dentro de um mesmo
“CNPJ”. Assim, usar o argumento da “unidade” em pleno século XXI é um atestado
de ignorância ou de mau-caratismo: é o sujo falando do mal lavado, é o guri que
taca pedras no telhado do vizinho torcendo que ele não saiba que seu próprio telhado
é de vidro também.
Em terceiro lugar, mesmo que os
católicos fossem totalmente unidos e somente os protestantes fossem divididos
entre si, o argumento parte de uma pressuposição falaciosa: a de que unidade
fatalmente significa estar com a verdade, e que divisão inevitavelmente implica
em estar no erro. Curiosamente, o texto mais usado pelos católicos contra o
protestantismo quando o assunto é a “divisão protestante” é um texto que eles
próprios não percebem que refuta a própria premissa deles quando examinado com
mais cuidado. Trata-se do texto em que Jesus disse:
“Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e
toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expulsa
Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, subsistirá seu reino?” (Mateus
12:25-26)
Observe que, embora Jesus esteja
obviamente criticando os “reinos divididos”, ele usa como exemplo de unidade
justamente o reino de Satanás! Quando ele diz que «se Satanás expulsa Satanás,
está dividido contra si mesmo», é justamente para refutar a ideia de que
Satanás estivesse fazendo isso, como alegado pelos fariseus. Em outras
palavras, ele não está dizendo que o reino de Satanás é dividido, como pensavam
os seus acusadores, mas que ele é unido e por isso o seu reino subsiste até os
dias de hoje.
Se o reino de Satanás é unido e
mesmo assim ele não deixa de ser o “pai da mentira”
(Jo 8:44), a Igreja Romana poderia ser tão unida quanto na fantasia dos
zé cruzadinhas, que mesmo assim não se tornaria mais verdadeira que o reino de
Satanás, seu mentor. Se unidade implicasse necessariamente em veracidade,
teríamos que dar razão aos espíritas, que são inegavelmente mais unidos do que
os católicos e os protestantes. Mesmo o Islã possui duas vertentes principais –
os sunitas e os xiitas –, número bem modesto se comparado às vertentes cristãs
e católicas.
Agora observe a ironia: ao mesmo
tempo em que somos informados de que o reino de Satanás é unido, basicamente
todos os textos bíblicos usados pelos próprios católicos para condenar a
“divisão protestante” são textos que se dirigem a... igrejas cristãs! O texto
mais clássico é aquele que Paulo escreve à igreja de Corinto:
“Visto que há inveja e divisão entre vocês, não
estão sendo carnais e agindo como mundanos? Pois quando alguém diz: ‘Eu sou de
Paulo’, e outro: ‘Eu sou de Apolo’, não estão sendo mundanos?” (1º
Coríntios 3:3-4)
A igreja de Corinto era
dividida, mas ela deixava de ser uma igreja de Deus por causa disso? Vejamos
como Paulo inicia a carta:
“Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela
vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto,
aos santificados em Cristo Jesus e chamados para serem santos” (1ª Coríntios
1:1-2)
Veja só que intrigante: o reino
de Satanás era unido, mas estava no engano. A igreja de Corinto era dividida,
mas estava com a verdade. Isso por si só deveria ser o bastante para calar
qualquer pessoa sincera que ainda use esse tipo de argumento a fim de refutar o
protestantismo e exaltar o catolicismo, como se a unidade católica que só existe na cabeça deles fosse a prova
de que o catolicismo romano está com a verdade, e a divisão protestante que
eles fazem questão de exagerar com fontes inventadas e dados adulterados
provasse que o protestantismo é falso.
Em quarto lugar, no texto que
lemos há pouco, Jesus disse que “todo reino
dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra
si mesma não subsistirá” (Mt 12:25), mas o protestantismo está aí até
hoje, firme e forte, há mais de 500 anos causando dor de cabeça nos papistas, a
ponto de precisarem escrever milhões de livros, criarem milhares de canais no
youtube, fazerem milhares de cursos ensinando a “refutar os protestantes”,
exibirem milhares de “testemunhos de conversão” e mesmo assim tomarem uma nova
porrada a cada novo censo do IBGE.
E não foi por falta de
tentativa: católicos tentaram exterminar o protestantismo (e os protestantes)
desde o início, seja com a Inquisição, seja com o massacre da noite de São
Bartolomeu (onde 70 mil protestantes franceses foram massacrados covardemente,
e o papa fez literalmente uma festança no Vaticano quando recebeu a notícia e
mandou cunhar uma medalha comemorativa pelo morticínio
),
seja com a Guerra dos 30 Anos (onde vários estados católicos se uniram para
tentar eliminar os protestantes sem sucesso, apesar das milhões de mortes
causadas
),
seja no Tribunal de Sangue do duque d’Alba (que precisava registrar o nome de
quem
não deveria morrer, de tanta gente destinada ao suplício
),
seja em inúmeros outros episódios de chacinas perpetradas pelos representantes
da “Santa” Igreja que pra “preservar a unidade” precisava recorrer ao terrorismo.
E mesmo assim, contra tudo e
contra todos – mas sob a destra de um Deus Altíssimo –, os protestantes
sobreviveram, e não só sobreviveram, como cresceram no mundo todo e somam hoje
mais de 800 milhões de almas. O protestantismo em seus primórdios conquistou
mais de 1/3 da Europa católica, colonizou a principal potência mundial e moldou
os países mais prósperos do mundo, com os maiores índices de bem-estar social e
de expectativa de vida, bastando dizer que dos 17 países com melhor IDH,
inclui-se
todos os 13 de tradição protestante (Noruega, Suíça,
Islândia, Alemanha, Suécia, Austrália, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Reino
Unido, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos)
.
O país de tradição
protestante
pior classificado é os Estados Unidos, que está em
17º num ranking com 189 países. Por contraste, os países de tradição católica
no Novo Mundo aparecem nas últimas posições, superando apenas os da África, e
mesmo os países católicos da Europa estão no geral muito abaixo do
pior país
protestante (a Itália, por exemplo, está apenas em 29º, a Polônia em 35º, e
Portugal em 38º)
.
Atualmente, o protestantismo é a
vertente cristã mais presente e a que mais cresce na Ásia e na África, e em
toda a América Latina está havendo um quadro brutal de reversão religiosa nunca
vista em toda a história. Basta lembrar que até no país mais católico do mundo
(o nosso), os católicos eram quase 90% da população até 1980, e os protestantes
apenas 6%. No decorrer de apenas uma geração, os católicos são hoje 56%, e os
protestantes 27%. O mesmo tem ocorrido em quase toda a América Latina, como
demonstrou o censo recente do Pew Research Center.
Em apenas uma década (entre 2014
e 2024), os católicos na Argentina caíram de 71% para 58%, no Chile caíram de
64% para 46%, no México caíram de 81% para 67%, na Colombia caíram de 79% para
60%, e os evangélicos vem crescendo consistentemente, pesquisa após pesquisa
(inclusive nessa pesquisa, que é alguns anos mais recente que a do IBGE, os
católicos em nosso país já caíram pra 46% e os evangélicos saltaram pra 29%, a
despeito do propagandismo católico e do intenso marketing em torno de
“conversões ao catolicismo” dentro de um nicho restrito de internet)
.
O marketing da apologética
católica, que por anos tentou convencer os fiéis de que está havendo uma
verdadeira “onda de conversões ao catolicismo” nos últimos anos – até saírem as
pesquisas recentes e jogarem água no chopp – é tão desonesto que conseguiu
convencer alguns incautos de que o catolicismo está crescendo nos EUA, quando o
cenário por lá não poderia ser mais brutal para eles. Precisou que Trent Horn,
o maior apologista católico americano no youtube, viesse à público com os dados
mais atualizados do Pew Research Center, que mostrou que para cada 100 pessoas
que se convertem ao catolicismo por lá, 840 pessoas deixam a Igreja.
Ainda mais significativo que
isso é que 14% dos que nasceram católicos migraram para o protestantismo,
enquanto apenas 2% dos que nasceram protestantes fizeram o caminho inverso (ou
seja, uma proporção 7 vezes menor!)
.
O número bruto final só não é pior devida à intensa onda de imigração (legal e
ilegal) vinda de países latinos, mas nem mesmo os milhões de imigrantes
católicos conseguiram reverter a queda contínua de católicos no país.
Muito mais poderia ser dito
sobre isso, mas o ponto central é: se o protestantismo é dividido de um modo
condenado pela Bíblia, então Jesus mentiu quando disse que seu reino não
subsistiria, quando subsiste até hoje, mais forte do que nunca, contra todas as
adversidades e perseguições possíveis (não só de católicos, mas também de
ateus, muçulmanos e governos autoritários).
A realidade é tão cruel para a
apologética católica de internet que para manter o argumento de pé eles
precisam fazer previsões das mais estapafúrdias, como a que o ex-pastor Eduardo
Faria (aquele mesmo que só debate comigo quando eu for casado e tiver filhos)
fez ao dizer que o protestantismo vai acabar em 200 anos no mundo todo
(pelo menos ele foi esperto e jogou pra uma época que ele não estará mais aqui
pra passar a vergonha), e Ariel Lazari quando disse que o protestantismo vai
acabar “em breve” no Brasil (em defesa dele, ele disse isso antes dos debates
dele comigo e com o Pr. Elizeu, então vamos dar um desconto). Mas isso só
mostra até que ponto eles estão desesperados, o que os leva a uma total desconexão
da realidade – até a Mãe Dináh e a pastora Nadir conseguem fazer previsões mais
plausíveis.
Não por acaso, a própria
Escritura fala de certo nível de divisão que é tolerável, como Paulo escreveu:
“Em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como
igreja, há divisões entre vocês, e até certo ponto eu o creio. Pois é
necessário que haja divergências entre vocês, para que sejam conhecidos quais
dentre vocês são aprovados”
(1ª Coríntios 11:18-19)
Portanto, existe um certo nível
de divisão que é biblicamente tolerável e que não causa a ruína da casa, e
outro nível de divisão que é intolerável e cuja casa não subsiste. O próprio
fato da “casa” protestante subsistir contra tudo e contra todos já é uma
evidência de que não rompeu esse limite, a não ser que Jesus tenha mentido quando
disse que a casa dividida não subsiste.
Em quinto lugar, os protestantes
concordam entre si nos pontos mais essenciais, como eu mostrei em um artigo
intitulado “Uma Confissão de Fé comum a todos os protestantes” com 30 pontos
centrais de fé compartilhados por qualquer denominação protestante, das mais
tradicionais às mais pentecostais
.
Os apologistas católicos sabem
disso, e por isso quando listam as “divergências protestantes” fazem questão de
incluir coisas que nenhum protestante acredita, tais como a negação da trindade
e da divindade de Cristo. Muitos não têm nem vergonha na cara de rotular as
testemunhas de Jeová como protestantes(!), mesmo que nenhum protestante os
considere protestantes, muito menos eles mesmos (que consideram falsas todas as
igrejas que não a deles). Se já não bastasse eles acharem ser os únicos com o
direito de interpretar a Bíblia, também se acham no direito de definir quem é
protestante e quem não é ao bel-prazer deles (mas ironicamente não gostam
quando chamamos os sedevacantistas de católicos, mesmo que se reconheçam como
tais).
Isso não significa que os
protestantes não tenham divergências em pontos importantes, significa que nos
pontos essenciais à salvação compartilhamos de um núcleo em comum de
doutrinas centrais: por exemplo, no sacerdócio universal de todos os crentes, que
Jesus é nosso único mediador, que ele é o Deus que se fez carne para nos trazer
a salvação, que ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa
justificação, que Deus é o único digno de toda a glória, louvor e culto, que a
Sagrada Escritura é a única autoridade infalível em matéria de fé e prática, que
a justificação é pela graça mediante a fé, que Jesus é o único que viveu sem
pecado desde a concepção, que há um só Senhor e um único Deus, que Cristo é o
único chefe supremo da Igreja, que ele voltará em glória, que ressuscitará os
mortos e que todos prestarão contas diante dele.
Isso não é o mesmo que dizer que
não há nada de importante no restante da teologia, mas significa dizer que a
salvação não é como uma “prova doutrinária” onde você precisa acertar todas as
questões para ser aprovado e entrar no céu. Como vimos, nem mesmo a Igreja
Romana tem a mesma doutrina desde sempre, por mais que se esforce em passar
essa ideia. Sua doutrina não é a mesma hoje que era na época da Reforma, não
era na época da Reforma a mesma que era no início da Idade Média, e não era na
Idade Média o mesmo que era no tempo dos apóstolos.
Se a salvação fosse por
quantidade de acertos doutrinários, como se estivéssemos num “Enem celestial”,
os próprios católicos não saberiam responder uma série de questões sobre as
quais o magistério ainda não “bateu o martelo”, para usar a linguagem que eles
gostam. Católicos discutem entre si sobre vários dos mesmos temas teológicos
que mais causam discórdia no meio protestante, incluindo questões escatológicas
(preterismo vs futurismo), questões relativas a dons espirituais (glossolalia
vs xenolalia) e questões soteriológica (tomistas vs molinistas, que são a
versão católica do debate entre calvinistas e arminianos).
Se a desculpa para divergências
como essa é que Roma não se decidiu ainda, poderíamos usar o mesmo pretexto
para nós, ainda mais quando não exigimos que todo mundo pense igual nos pontos
que não são vitais à salvação. Como disse o teólogo luterano Peter Meiderlin
,
«no essencial unidade, no não-essencial liberdade, em tudo o amor» (
in
necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas).
Em lugar algum da Bíblia vemos a
salvação pelo conhecimento, como se ela dependesse de uma resposta certa a cada
discussão teológica que existe. Quem pregava a salvação pelo conhecimento eram
os gnósticos, não os cristãos (“gnose” significa justamente “conhecimento”). No
Cristianismo, a salvação sempre foi pela graça mediante uma fé que produz obras
que demonstram o arrependimento sincero de uma pessoa que nasceu de novo (Ef
2:8-10), não uma prova de teologia onde precisamos acertar todas as questões.
Isso responde uma outra pergunta
católica clássica tão tola quanto: “Qual igreja protestante é a certa?”. Não me
estenderei neste ponto porque dedicarei um tópico inteiro para tratar apenas do
significado de “igreja”, que está na essência da pergunta católica que assume
um significado distorcido da mesma, envenenando a questão toda. A pergunta só
faz sentido se assumirmos que “igreja” significa o que o católico acha que
significa, mas se todo o corpo de Cristo é a Igreja, e ele não é uma
instituição, denominação ou hierarquia em particular, então a própria pergunta
não faz o menor sentido.
Não existe uma única igreja
protestante “certa”, porque a Igreja não é a Assembleia de Deus, a
Presbiteriana ou a Batista. A Igreja de Cristo é todo o corpo de Cristo – os cristãos
sinceros onde quer que estejam, indo muito além das fronteiras denominacionais.
É por isso que nos consideramos irmãos, como parte de um mesmo corpo, isto é,
de uma mesma Igreja, ainda que nos reunamos em congregações diferentes (que não
são nem a “Igreja” num conceito bíblico).
Quando o católico faz essa
pergunta, ele pressupõe que a Igreja seja uma denominação e que para estar
“certo” tem que ter 100% de acertos em todos os pontos teológicos, nos fazendo
voltar ao “Enem celestial”. Este próprio exemplo mataria o próprio catolicismo
romano, já que se a Igreja estava certa na época em que condenou Lutero por
dizer que queimar hereges era contra o desejo do Espírito Santo, ela está
errada hoje por não pensar o mesmo (idem para os inúmeros outros pontos onde
Roma mudou, inclusive escreveram um livro inteiro só sobre isso
).
Felizmente, nós não precisamos
de uma igreja “certa” no sentido de ter um mago com uma varinha mágica
decidindo todas as doutrinas verdadeiras com 100% de precisão imutavelmente. Nem
as próprias igrejas instituídas pelos apóstolos enquanto eles ainda viviam eram
assim. Basta pegar as cartas às sete igrejas do Apocalipse para ver como a
coisa já tinha degringolado, ou mesmo ler as cartas de Paulo a igrejas como a
de Corinto e da Galácia (um hábito que os católicos cultivam pouco). Isso não
passa de um conto de fadas criado por católicos com uma visão deslumbrada e
romântica da Igreja, que nunca foi realidade e que só ajuda a refutar eles
mesmos.
Pensando estar refutando os
protestantes, eles estão é nos dando um prato cheio de argumentos para usarmos
contra eles, de acordo com seus próprios pressupostos. Pensando em “igrejas”
enquanto instituições visíveis, uma igreja está “certa” ou é “verdadeira” não
por gabaritar a prova do Enem celestial, mas porque ensina tudo o que é
necessário para aproximar o homem do Criador e ter comunhão com Ele. E é uma
igreja apóstata ou errada na medida em que faz o contrário – por exemplo,
induzindo os fiéis à idolatria, que é em toda a Bíblia o pecado mais condenado
e com maior rigor.
Em sexto lugar, para tentar contornar
o problema da divisão católica, que até os católicos têm dificuldade de negar, eles
frequentemente apelam a duas manobras. A primeira é negar que os católicos que
pensam diferente deles sejam “católicos de verdade”. Por mais uma coincidência
do destino, ontem mesmo recebi um comentário de alguém que se identificou como
um católico tradicionalista e disse:
“Na Igreja
Católica há muita divisão, infelizmente. Quem fala que não parte da premissa de
que ‘quem discorda de mim não é católico’, aí é óbvio que não há divisão, pois
ele desqualifica qualquer diferente como não-católico”.
Graças a essa estratégia, o Dr.
Nicholas Christakis Bernardo Küster, que nas horas vagas divide a função de
mestre de Yale e de floricultor, consegue reconhecer que a Igreja Católica está
infestada de teólogos da libertação, que ele considera completamente herética
(fez até um filme disso!), mas mesmo assim continua usando o “argumento da
divisão” nos vídeos que faz atacando o protestantismo, porque na cabeça dele
esses teólogos da libertação não são “católicos de verdade”, e portanto não
configuram uma divisão na Igreja. Eles estão apenas “infiltrados” na Igreja,
mas não fazem parte dela.
Isso decorre de uma leitura
errada de documentos em que o papa João Paulo II critica a teologia da
libertação, mas não diz que quem é adepto dela está sob a tal “excomunhão
automática”, nem que não são “católicos de verdade”. Na verdade, o que a Igreja
condenou foram aspectos pontuais do movimento, nunca o movimento como um todo. Tanto
é que os principais nomes da teologia da libertação nunca foram excomungados e
estão aí até hoje – muitos deles com cargos na Igreja e tudo, sob a aprovação (ou
a vista grossa) de seus superiores.
Alguns exemplos são o Frei Betto,
frade dominicano que permanece como membro da Igreja em situação regular;
Leonardo Boff, que foi proibido de falar por apenas um ano (em 1985) mas que
nunca foi excomungado e ainda foi consultado pelo papa Francisco quando ele
escreveu sua nova encíclica ambientalista
(vai ver ele se esqueceu da “excomunhão automática”); Jon Sobrino, que continua
sendo padre jesuíta e nunca foi excomungado, e, finalmente, o próprio pai do
movimento, Gustavo Gutiérrez, que morreu há apenas dois anos aos 96 anos de
idade e que em todo esse tempo nunca foi excomungado pela Igreja e sempre foi recebido
regularmente no Vaticano, recebendo as felicitações do papa Francisco.
Até mesmo o papa João Paulo II,
o mesmo que criticou aspectos pontuais da TL, disse em carta aos bispos do
Brasil (1986) que
“estamos convencidos, nós e os
senhores, de que a teologia da libertação é não só oportuna, mas útil e
necessária”.
E o papa Francisco, conhecido por seus discursos socialistas frequentemente
atacados pela mesma turba de Bernardo, deu um salto ainda maior e literalmente
canonizou
Oscar Romero, o grande ícone da TL tido como um “mártir” do movimento, além
de ter revogado a suspensão
a divinis de Ernesto Cardenal, um padre da
TL assumidamente revolucionário que dizia que marxismo e Cristianismo são a
mesma coisa.
Quando Bernardo diz que a TL não
faz parte da Igreja, mas são “infiltrados” na Igreja, ele não só demonstra uma
ignorância brutal da doutrina da Igreja da qual era novo convertido através de
Olavo de Carvalho (este sim com várias práticas que a Igreja consideraria no
mínimo duvidosas), mas também indiretamente atesta que o próprio papa faz parte
da “infiltração”, uma vez que não há nada mais fácil do que encontrar falas de
Francisco e de outros papas que não perdem em nada para qualquer teólogo da
libertação (de fato, eu dediquei longas páginas a esses discursos no segundo
volume do meu livro dos “500 Anos de Reforma: Como o Protestantismo
Revolucionou o Mundo”
).
A verdade é que nem os teólogos
da libertação, nem os carismáticos, nem os modernistas, nem os tradicionalistas
do Centro Dom Bosco ou da Fraternidade São Pio X
são “infiltrados”.
Eles fazem todos parte da Santa e “Una” Igreja, querendo os outros ou não,
mesmo que muitos deles excomunguem por conta própria os adeptos das outras
facções (o mesmo Olavo dizia que até o papa Francisco era um “antipapa”
excomungado sob o pretexto da “excomunhão automática”
, onde o
reconhecimento da excomunhão é puramente subjetivo e na prática nada muda na
realidade da Igreja). Se existe alguma “infiltração” na Igreja Romana é a do
próprio Satanás, não desses grupos.
A segunda estratégia astuciosa
dos apologistas católicos é dizer que, mesmo que essas divisões existam, elas
não configuram um problema sério porque apesar dos apesares eles ainda fazem
parte de uma mesma igreja, enquanto os protestantes são “40 mil seitas” (não
vou voltar a este ponto porque já foi amplamente argumentado no início). Mas
uma divisão interna ainda é uma divisão. Não há nada na Escritura que sustente
que a divisão só é um problema se for externa (através da criação de novas
congregações). Pelo contrário, sempre que a divisão é condenada na Bíblia, ela
se refere justamente às divisões internas, do mesmo tipo da divisão
católica.
Tome como exemplo aqueles que Paulo
critica “quando alguém diz: ‘Eu sou de Paulo’, e
outro: ‘Eu sou de Apolo’” (1Co 3:4). Nem os que se diziam «de Pedro»,
nem os que se diziam «de Paulo» nem os que se diziam «de Apolo» tinham “fundado
uma nova igreja” (estou aqui intencionalmente usando o conceito católico de
igreja apenas para exemplificar o ponto). Eles continuavam na Santa Igreja
Católica Apostólica Romana contra a qual as portas do inferno não prevalecerão
apesar das tentativas de inimigos da Santa Igreja como o Thiago Dutra, mas
Paulo disse que eram divididos mesmo assim.
Portanto, o argumento católico
de que a divisão interna não tem problema fracassa nos próprios textos que eles
citam para condenar a divisão protestante, uma vez que eles se encaixam como
uma luva no tipo de divisão católica, embora muito provavelmente a igreja de Corinto
fosse bem menos dividida do que Roma é hoje (pelo menos não tinha ninguém
produzindo um filme pra condenar a facção contrária).
Em sétimo lugar, a própria
Igreja Católica Apostólica Romana é fruto de um cisma, embora os seus
apologistas não queiram admitir. Apologistas católicos frequentemente afirmam
que a Igreja Ortodoxa nasceu no assim chamado “cisma do Oriente” (que no
Oriente é conhecido como um cisma do Ocidente), em 1054 d.C, porque
afirmar que ela nasceu com Jesus no primeiro século comprometeria a sua tese de
que Jesus fundou a igreja deles apenas. O problema é que, por essa mesma lógica,
a própria ICAR teria nascido em 1054, já que são dois lados que romperam a
unidade visível da Igreja e deram origem a novos ramos que são fruto disso.
E antes que alguém diga que a
culpa do cisma foi toda dos orientais, e que por isso só a igreja deles é fruto
de um cisma (o que já seria uma aberração histórica), o próprio catecismo
católico trata de eliminar essa hipótese quando diz:
817. De
fato, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram
algumas cisões, que o apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos
séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes
comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por
culpa dos homens duma e doutra parte» (275). As rupturas que ferem a
unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se
aos pecados dos homens.
“De uma e de outra parte”, diz o
catecismo, não só da parte dos outros (deve ser por isso que os tradicionalistas
querem queimar o catecismo amarelinho). Caso você ainda não tenha notado, o
próprio catecismo autorizado pelo papa e santo João Paulo II afirma
taxativamente que os católicos também têm culpa nos cismas, e não que a
culpa é somente dos “hereges” (que nem são mais chamados assim, especialmente
depois que colocaram no Vaticano uma estátua enorme de Lutero em celebração à
Reforma Protestante que os apologistas de internet ainda seguem chamando de “deforma”).
Isso quebra a narrativa da
apologética católica tradicional, para a qual os cismas sempre partem dos
outros e não deles mesmos, como se Roma fosse o coração da Igreja (para não
dizer a Igreja como um todo) e qualquer cisma que ocorra é sempre um outro
grupo saindo de dentro dela, mas nunca o contrário. Como veremos mais adiante
no livro, até mesmo os teólogos e historiadores católicos mais sérios
atualmente reconhecem que nem o papado existia nos primeiros séculos, muito
menos a noção de que a Igreja Católica fosse a Igreja Romana em particular (ou
somente as igrejas em comunhão com Roma).
Em oitavo lugar, todo o
argumento católico sobre a “divisão protestante” já caiu por terra em 7 de
dezembro de 1992, não por um herege filho de Lutero e inimigo da Santa Igreja,
mas por algo muito pior: o catecismo amarelinho, cuja primeira versão foi
apresentada oficialmente neste dia (apenas seis dias depois, o São Paulo de Raí
e Telê se sagraria campeão do mundo. Eu não sei qual a relação disso com o
catecismo, mas achei importante acrescentar essa informação). Assim diz o
amarelinho:
818. Os
que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé
de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja
Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna [...]. Justificados pela fé
recebida no Baptismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram
com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos
legitimamente como irmãos no Senhor» (278).
O catecismo diz que nós «não
podemos ser acusados do pecado da divisão», mas como os apologistas católicos
não estão nem aí com o catecismo da própria Igreja deles, não só nos acusam do
pecado da divisão como ainda usam isso como o carro-chefe de toda a sua
argumentação antiprotestante. Seria cômico se não fosse trágico!
Ademais, lembre-se que o
catecismo prossegue dizendo que nós somos «justificados pela fé recebida no batismo»,
«incorporados em Cristo», que é a «justo título» que somos «honrados com o nome
de cristãos», que somos «legitimamente irmãos no Senhor» e que nossas igrejas
são «meios de salvação»! Portanto, mesmo se fôssemos tão divididos quanto os papistas
de internet afirmam que somos, isso ainda não mudaria em nada esses fatos, o
que tira todo o peso da argumentação.
Isso porque o católico num
debate não cita o argumento da “divisão protestante” como uma mera crítica a uma
questão pontual e periférica, mas como a razão central pela qual o
protestantismo é falso e que nós estamos perdidos se não ingressarmos na Santa
Igreja (a deles, é claro). Mas se o próprio catecismo atesta que nossas
comunidades eclesiais são “meios de salvação”, o argumento católico da divisão
protestante devido às “40 mil igrejas” poderia até ser verdadeiro, mas perderia
todo o seu peso. “Nossas 40 mil igrejas são meios de salvação, você nunca leu
seu catecismo?”.
Em nono lugar, uma coisa que os
apologistas católicos esquecem é que quase sempre que o termo “unidade” (ou o
seu antagônico, “divisão”) aparece na Bíblia não é pra falar de doutrina, mas
de uma unidade no amor. Tomemos como exemplo o texto mais clássico, o de Jesus na
Última Ceia com os discípulos:
João
17
17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
18 Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao
mundo.
19 Em favor deles eu me santifico, para que também
eles sejam santificados pela verdade.
20 "Minha oração não é apenas por eles. Rogo
também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles,
21 para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim
e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que
tu me enviaste.
22 Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam
um, assim como nós somos um:
23 eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à
plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste
como igualmente me amaste.
24 Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde
eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste
antes da criação do mundo.
25 Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te
conheço, e estes sabem que me enviaste.
26 Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a
fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles
esteja.
Note que Jesus nem mesmo entra
em questões doutrinárias aqui. O que todo o contexto trata é da união dos
cristãos no amor de Cristo, a fim de que, amando uns aos outros, o mundo
reconhecesse que eles eram realmente discípulos de Jesus e seguiam os passos de
seu Mestre. Paulo expressou algo parecido quando disse: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando
uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do
Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:2-3). Ele não diz “pelo
vínculo da unidade com a Sé de Roma” ou “da submissão ao romano pontífice”, mas
“pelo vínculo da paz”.
Ele deu um exemplo concreto
quando citou um caso de atrito entre irmãos sobre “questões
relativas às coisas desta vida” (1Co 6:4), os quais levaram a causa ao
tribunal perante juízes descrentes para a indignação de Paulo, que disse que “o fato de haver litígios entre vocês já significa uma
completa derrota” (v. 7). Note que Paulo também não falava nada sobre
doutrina aqui: o que estava em disputa eram litígios entre irmãos por questões
desta vida, mas o suficiente para romper o «vínculo da paz» e portanto causar
divisão.
Muitos outros exemplos poderiam
ser dados (e que eu forneço em um artigo específico só sobre isso
),
mas o fato é que o argumento católico da “unidade católica vs divisão
protestante” já parte de um conceito errado acerca daquilo que é padronizado na
Bíblia como sendo unidade e divisão. Quando João viu alguns expulsando demônios
em nome de Jesus e tentou proibi-los
“porque não nos
segue” (Mc 9:38), Jesus o repreendeu por isso (vs. 39-40), apesar deles
não manterem com Jesus e os discípulos um vínculo de unidade visível. Por outro
lado, nada sugere que os irmãos que brigaram no tribunal tinham alguma divergência
doutrinária, mas esses sim foram repreendidos por Paulo por estarem causando
divisões na igreja.
Portanto, a não ser que os católicos
provem que vivem em perfeita harmonia, paz e amor uns com os outros – o que
seria o maior absurdo possível, que eles mesmos fazem questão de refutar –,
eles também incorrem no principal sentido bíblico onde a divisão é condenada,
uma vez que nenhum dos textos trata de uma divisão institucional como o
católico infere na hora de atacar o coleguinha protestante. Ele simplesmente
pega um texto solto e isolado que fala de uma outra coisa, e tenta anacronicamente
aplicá-lo contra o protestante no debate injetando no texto um conceito novo e
estranho a ele.
Em décimo e último lugar, lembremos
que uma das últimas coisas que o papa Francisco disse antes de morrer é que
todas as religiões levam a Deus, declaração essa violentamente atacada por
católicos tradicionais como Lucas Lancaster, que denunciou não só o papa mas
também os passadores de pano profissionais do papa, citando nominalmente os
donos do site “O Catequista” como um
“casal que há
anos engana as pessoas” e que
“são encarregados
de ensaboar, de passar pano pra te convencer de que o que você está vendo não
existe, que o elefante diante dos seus olhos é uma formiga”.
Mas se todas as religiões levam
a Deus, que diferença faz a quantidade de denominações protestantes? Sendo uma
ou sendo um milhão, o que importa é que são “caminhos que levam a Deus”, como
disse o Santo Padre. Católicos evidentemente dirão que o papa não disse isso em
caráter de infalibilidade, o que é verdade, mas se esquecem que os discursos “infalíveis”
(ex cathedra) dos papas se limita a basicamente três, com alguns
teólogos católicos chegando a citar sete, porque nem eles mesmos sabem exatamente
quantos ou quais são. Todo o resto são declarações falíveis, mas que mostram
bem o rumo que a Igreja tem tomado.
Não sem razão, o mesmo
apologista católico disse mais recentemente que
se você é
protestante e está pensando em se converter ao catolicismo, vou dar um recado
aqui logo de início pra você não se iludir: as coisas aqui não estão boas. Não
estão nada boas. A barca está sacudindo, a tempestade está terrível, a água
está entrando dentro da barca e tem gente dentro da barca colocando água dentro
da barca. Então não se iluda: a coisa aqui não está boa, nunca esteve tão ruim!
Este é o testemunho lúcido e “sincerão”
de um dos maiores apologistas católicos do Brasil, um dos poucos que tem alguma
noção da realidade e não tenta pintar o catolicismo atual como o mar de rosas
da propaganda católica pra atrair crente otário. A verdade nua e crua é que a
doutrina católica está em constante apostasia “desenvolvimento”, e que
ninguém sabe a doutrina que surgirá amanhã, assim como ninguém podia prever o
Concílio Vaticano II um século antes dele. Apenas temos noção do caminho para
onde as coisas rumam, que, longe de ser uma volta aos tempos áureos da Idade
Média, caminham cada vez mais ao ecumenismo, onde papa nenhum ousaria dizer a
um protestante as coisas que um católico de internet se julga no direito – e eles
mesmos têm perfeita ciência disso.
Paz a todos vocês que estão em
Cristo.
Por Cristo e por Seu Reino,
ATENÇÃO: Sua colaboração é importante! Por isso, se você curtiu o artigo, nos ajude divulgando aos seus amigos e compartilhando em suas redes sociais (basta clicar nos ícones abaixo)
Oi Lucas, os links das referências bibliográficas estão quebrados
ResponderExcluirEstão todos funcionando, é só copiar e colar no navegador.
ExcluirPerfeito, como de costume. Parabéns. Só gostaria de acrescentar, para de alguma forma contribuir, que daqui a pouco mais de 100 anos a igreja evangélica Valdense vai completar mil anos de existência, sobrevivendo aos mais brutais ataques e perseguições!
ResponderExcluirBem lembrado, André!
ExcluirExcelente! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
ResponderExcluirVlw!
ExcluirTem que ser cronicamente online no canal do Lucas pra entender as referências e os easter eggs que ele faz. Aposto uma coca cola e um pastel de queijo da feira que os haters vivem fuçando esses artigos que tu faz XD o artigo está incrível como sempre, claro objetivo e repleto de fatos, parabéns irmõe
ResponderExcluirFalando em easter eggs, o importante é que somos irmõõõeeesss xD
ExcluirA Paz, Lucas! Gostaria de perguntar se não é do seu interesse começar trazer alguns conteúdos e até reacts refutando o islamismo e a distorção deles nas escrituras! Pergunto isso pq a crescente islâmica vem forte, e preocupa já que nós como cristão não devemos nunca um falso evangelho crescer tanto.
ResponderExcluirO Islã não cresce no Brasil (ele mal existe na verdade, nem aparece nos censos do IBGE de tão pequeno que é), e mesmo ao redor do mundo ele não cresce porque as pessoas se convencem pelos argumentos deles e se convertem à fé deles, ele só cresce porque tem uma taxa de natalidade de 10 enquanto os demais tem menos de 2, e não é a apologética que vai mudar isso.
ExcluirLucas, sempre quando falam das perseguições que os protestantes sofreram é citado apenas as que aconteceram em outros países, há séculos. Seria importante a apologética protestante também procurar na história do Brasil, houveram muitas perseguições aqui, com mortes não posso afirmar, mas teve queima de bíblias em praças públicas, apedrejamento de fiéis e no momento de culto, etc.
ResponderExcluirMinha denominação é a AICEB, uma das pioneiras no Sul do Maranhão, e sofreu bastante perseguição, tem vários relatos de irmãos, registros e artigos na internet.
Outra bizarrice que acontecia aqui no Maranhão era as "evangelizações", pesquisa sobre o Massacre de Alto Alegre, como era feita as evangelizações com os povos indígenas, resumo rápido aqui: Crianças eram sequestradas e levadas para um internato católico onde iam ser catequisadas, eram levadas a força, os indígenas se revoltaram, invadiram o internato e mataram várias freiras e frades, depois houve represália. A história é longa, mas resumindo, hoje os indígenas são os vilões, e os "servos de Deus" são os injustiçados. (não estou dizendo que a atitude dos indígenas foi correta, mas quem não se revoltaria se roubassem seus filhos e sumissem com eles?)
Eu fico muito feliz quando vejo um relato de conversão no canal do Lucas ou em outro canal semelhante de jovens que desistiram do catolicismo após esclarecimentos.
ResponderExcluirAqui neste artigo foram descritos os personagens, os caminhos e as várias desculpas que tentam usar para justificar e manter a prática da idolatria, conforme o grau de cruzadismo da cabeça do indivíduo, por quem não quer largar o engano.
Me solidarizo com quem tem convivência com pessoas dos ditos grupos tradicionalistas pois é uma situação muito desgastante. Agradeço muito por este artigo e pelos outros artigos que abordam o assunto.