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25 de março de 2026

Dez respostas ao argumento da "unidade católica e divisão protestante"

 


*Nota introdutória: O artigo a seguir é extraído de um livro que estou escrevendo e cujo título ainda não defini, mas o objetivo é fornecer respostas curtas e objetivas aos principais argumentos romanistas. Lamentavelmente ou não, a resposta que era pra ser “curta e objetiva” acabou se tornando um texto de 35 páginas que eu escrevi de uma vez só inspirado no Gaião, então aproveitei para transformar em artigo e compartilhar com vocês. Apreciem e compartilhem o quanto possível :) 

***
 
• Argumento católico: “Vocês são divididos em 40 mil seitas!”
 
Este é o “super trunfo” dos apologistas católicos. O debate pode ser sobre qualquer assunto, que o católico sempre vai dar um jeito de conduzir a conversa para esse canto. Você pode estar debatendo sobre papado, que ele vai falar das “40 mil seitas protestantes”. Pode ser sobre os dogmas marianos, que ele vai perguntar das “40 mil seitas protestantes”. Pode ser sobre o padre rasgar o espaço-tempo na eucaristia, que ele vai lembrar que existem “40 mil seitas protestantes”. Pode ser se a hóstia é biscoito ou é bolacha, que ele vai falar das... 40 mil seitas protestantes. É basicamente a única coisa que eles sabem falar, porque é basicamente o único campo onde eles acham que ganham.
 
Aqui irei expor dez formas de se refutar este argumento, mas podemos começar perguntando de onde ele tirou esse número de “40 mil” denominações. A verdade é que nem eles sabem. A prova disso é que citam números aleatórios, tirados da cabeça de cada um a gosto do freguês. Embora o argumento seja sempre o mesmo, a quantidade de denominações às vezes é 20 mil, às vezes 33 mil, às vezes 40 mil, às vezes 60 mil e às vezes 100 mil ou mais! Se você perguntar ao católico qual a fonte de onde ele tirou o número que ele deu, seja ele qual for, a chance dele falar da tua mãe é consideravelmente maior que a de citar qualquer fonte que seja.
 
Como já mostrou Gabriel Ennes[1], também conhecido como Rushdoony, também conhecido como o melhor amigo do Yago Martins, esses dados vêm da Enciclopédia Cristã Mundial, que traz um catálogo de 33.820 denominações. O problema é que essas 33 mil denominações se referem não ao total de denominações evangélicas, mas ao total de denominações cristãs como um todo. Destas, 22 mil constam no grupo de “cristãos independentes” ou “cristãos marginais”, o que inclui as testemunhas de Jeová, mórmons, unitaristas e até cientologistas – muitos dos quais não são considerados nem mesmo cristãos de fato, quanto menos protestantes.
 
Para piorar, essa mesma fonte diz que a Igreja Católica Romana possui 242 denominações(!), o que quebra completamente o argumento da unidade (a não ser que o argumento mude para “somos menos errados do que vocês”, o que não parece ajudar muita coisa). Até mesmo o apologista católico Scott Eric Alt já denunciou a falácia desse argumento e pediu para os católicos deixarem de usá-lo, mas como eles são insistentes, não só continuaram usando como ainda criaram números ainda mais fabulosos e fictícios tirados da cabeça deles pra tentar dar mais força ao argumento que já nasceu morto.
 
Em segundo lugar, este argumento até poderia fazer algum sentido se vivêssemos no século XIII quando a Igreja impunha a ferro e fogo a “verdadeira doutrina” de forma unilateral e dogmática cabendo aos fiéis apenas obedecê-la ou ir pra fogueira, mas usar esse argumento em pleno século XXI é amarrar uma forca para o inimigo protestante e se pendurar nela. Isso porque o próprio catolicismo romano é atualmente dividido em inúmeras facções que crescem tão rapidamente que chega a ser difícil até lembrar cada uma. Eles são os carismáticos, os modernistas, os tradicionais, os tradicionalistas, os veterocatólicos, os sedevacantistas, os teólogos da libertação... e a lista vai longe.
 
Como exigiria um livro inteiro descrever cada facção, pegarei como exemplo por hora apenas duas delas: os tradicionalistas e os modernistas. Quando eu ingressei na apologética, em 2009, dois sites apologéticos católicos eram de longe os mais acessados e conhecidos: a Associação “Cultural” Montfort, do finado professor Orlando Fedeli, e o Veritatis Splendor, do professor Alessandro Lima. Os dois tinham uma coisa em comum: odiavam protestantes. Mas as coisas em comum terminavam aqui. Dando um verdadeiro espetáculo aos de fora, e exibindo publicamente toda a falácia da “unidade” católica, os dois se odiavam mutuamente e trocavam xingamentos sem hesitar.
 
E não é porque Fedeli era corinthiano e Alessandro palmeirense. É porque o concílio que Alessandro acreditava ser dogmático, infalível e autoritativo – o Concílio Vaticano II –, Fedeli chamava de herético, modernista e satânico. E adjetivos não faltavam: de um lado, Fedeli chamava Alessandro de “baixo” e “cego pelo ódio”[2]. Do outro, Alessandro chamava Fedeli de “fedelho”, “covarde” e “herege”[3]. Veja bem: não estamos falando de dois católicos aleatórios com picuinhas infantis. Estamos falando dos dois maiores nomes da apologética católica por mais de uma década, que não se consideravam nem mesmo irmãos!
 
Os anos se passaram, Fedeli já se foi, Alessandro já se aposentou, e no momento em que eu escrevo esta página, por uma notável coincidência do destino, acabei de postar em meu canal um vídeo intitulado “Como é linda a unidade católica”, onde mostro o verdadeiro quebra-pau que está rolando entre vários dos principais apologistas católicos dos dias de hoje. De um lado, o aprendiz de terrorista Tales Muniz, que já disse que quer que uma bala acerte a minha testa e que eu mereço ser espancado na rua. Do outro, Gabriel Friske, o que me acusou de adulterar a patrística, e a dupla dinâmica Cris e Robson, que faz vídeos incansavelmente sobre a minha pessoa há mais de uma década.
 
Embora eu não considere nenhum deles um “inimigo”, o que seria superestimá-los demais, trata-se facilmente dos quatro que mais dedicaram tempo e energia para me ofender até hoje. Por isso não foi pouca a minha surpresa (e satisfação, confesso) ao ver que eles estavam se excomungando mutuamente, aos berros, disputando entre si para ver quem era o herege e quem inventava mais xingamentos criativos contra o outro.
 
Tudo começou quando Tales, em um surto de bom senso e sincericídio, reconheceu que Robson perdeu um debate comigo sobre preterismo (como se fosse uma opinião muito polêmica). O único que se incomodou com isso foi o próprio Robson, que passou a acusá-lo por ser futurista e taxá-lo de herege por isso. Tales devolveu a gentileza chamando-o de herege também, o que despertou a fúria de Macabeus, seu fiel escudeiro, e de Friske, que se sentiu ofendido por ser preterista também e passou a trocar ofensas com seu (ex) grande amigo.
 
Os pormenores desse babado digno de BBB você pode conferir no meu vídeo, mas aqui basta mostrar como que os próprios apologistas católicos se esforçam por destruir completamente a falsa narrativa da “unidade”. Basta uma simples divergência teológica – que pra eles de “simples” não tem nada, já que é o suficiente para taxar o outro de herege – como o modernismo do Concílio Vaticano II ou o “anticristo chefão” pra que esse castelinho de areia baseado numa falsa máscara de unidade se desfaça por completo, ruindo bem diante dos nossos olhos.
 
A verdade é que, desde que a Inquisição acabou e não há mais lenha na fogueira, o magistério perdeu seu poder de impor a doutrina a ferro e fogo, e agora tudo o que lhe restou foi tentar manter os contraditórios sem solução para evitar novos cismas. Isso significa que a Igreja nunca bateu nem vai bater o martelo sobre temas polêmicos que hoje dividem os fiéis, porque sabe que qualquer que seja o lado para o qual ela se incline, terá de enfrentar uma oposição ferrenha do lado oposto – e isso numa época em que ela já perde uma enxurrada de fiéis no mundo todo, e tudo o que ela não precisa é de novos dogmas pra perder mais.
 
Em outras palavras, mesmo que os tradicionalistas considerem heresia, eles terão que engolir a missa nova, os cultos ecumênicos com protestantes, a estátua de Lutero no Vaticano, o selo comemorativo pelos 500 anos da Reforma, a imagem de Buda no altar no encontro inter-religioso de Assis, a Pachamama no Vaticano a mando do papa Francisco, o padre Jonas Abib ensinando os fiéis a falarem em língua estranha, o padre Júlio Lancellotti fazendo militância petista na missa, o papa João Paulo II beijando o Alcorão, o papa Francisco acreditando que o inferno está vazio e que todas as religiões levam a Deus, e o padre José Eduardo berrando qualquer coisa parecida com uma oração em línguas enquanto grita “peguem fogo!”.
 
“Mas nada disso é dogma da Igreja”, alguém dirá. Isso não é exatamente verdade, uma vez que a bula Quo Primum Tempore, do papa Pio V (1570), dizia expressamente que “a fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as igrejas, decretamos e ordenamos que a missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o missal publicado por nós, em todas as igrejas”. E o que o papa Paulo VI fez, quatro séculos mais tarde? Isso mesmo: mudou a missa! Não é à toa que os sedevacantistas se revoltam tanto com isso a ponto de considerarem todos os papas modernos como falsos papas.
 
Tome também como exemplo a salvação de não-católicos. Nos termos mais solenes e taxativos possíveis, e em se tratando do tema mais sensível e importante possível, o papa Bonifácio VIII termina sua bula Unam Sanctam (1302) dizendo: “Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice”. Nessa mesma bula, ele deixa claro que os gregos (ortodoxos) não fazem parte das “ovelhas de Cristo” e, portanto, estão condenados ao inferno. No catecismo atual, porém, a realidade é bem diferente, como esses dois parágrafos nos mostram:
 
818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna [...]. Justificados pela fé recebida no Batismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» (278).
 
819. Além disso, existem fora das fronteiras visíveis da Igreja Católica, «muitos elementos de santificação e de verdade» (279): «a Palavra de Deus escrita, a vida da graça, a fé, a esperança e a caridade, outros dons interiores do Espírito Santo e outros elementos visíveis» (280). O Espírito de Cristo serve-se destas Igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação, cuja força vem da plenitude da graça e da verdade que Cristo confiou à Igreja Católica.
 
De alguém sem esperança de salvação se não se submetesse ao pontífice romano como sua cabeça, os não-católicos passaram ao status de «justificados», «incorporados em Cristo» e a «justo título» honrados com o nome de cristãos – não meramente cristãos nominais, mas «legitimamente» irmãos no Senhor! Mais do que isso, nossas próprias igrejas viraram agora «meios de salvação(!)» e já não podemos nem mais sermos acusados do pecado da divisão!
 
Imagine um papa como Pio X, que mandou queimar as Bíblias protestantes em seu catecismo bem mais raiz, ou um papa como Pio V, que ordenava queimar os próprios protestantes, lendo esse catecismo nutella. Certamente estariam se revirando no túmulo numa hora dessas (ou, caso o leitor seja imortalista, nas profundezas do inferno).
 
Na bula de excomunhão de Lutero[4], o papa Leão X condenou a afirmação de Lutero de que “é contra o desejo do Espírito Santo que hereges sejam queimados”. Em meu debate no RedCast contra 25 católicos, eu citei este documento e perguntei aos meus interlocutores se eles concordavam com Lutero (de que não se devia queimar hereges) ou com o papa (de que hereges deviam ser queimados). O resultado não podia ser mais constrangedor: nenhum deles ousou responder que o papa estava errado, ao mesmo tempo em que não diziam que Lutero tinha razão. Mesmo quando todo o pensamento era construído de maneira a concluir que o papa estava errado, isso não saía da boca deles de jeito nenhum quando eu os desafiava a afirmar isso mais claramente.
 
Quando o debate acabou, um dos debatedores (que não debateu comigo naquela sessão) confessou que eu os coloquei numa encruzilhada, porque ao mesmo tempo em que não podiam parecer monstros morais num debate de grande repercussão como esse, defendendo a queima de hereges na fogueira, também não podiam dar o braço a torcer e ficar do lado do monge rebelado, o que seria admitir a derrota. No fim das contas, o que restou foi um bando de católicos apavorados, sem saber o que responder ou como responder, se esforçando de todas as formas em fugir de responder diretamente à pergunta como o diabo foge da cruz.
 
Os exemplos poderiam ser acumulados aos montões, como a famosa proibição da liberdade de culto, de imprensa e de consciência que perdurou por séculos, até o início do século passado. No Syllabus dos erros, o papa Pio IX (1864) condenou a tese segundo a qual “é livre a qualquer um abraçar ou professar aquela religião que ele, guiado pela luz da razão, julgar verdadeira”, e também a de que “no presente tempo não é mais necessário que a religião católica seja mantida como a única religião do Estado com a exclusão de todos os outros modos de culto.
 
Ele ainda condenou a tese de que “foi uma providência muito sábia da lei, em alguns países nominalmente católicos, que pessoas que vêm a habitar neles possam gozar do livre exercício de seu próprio culto e a de que “a Igreja deve estar separada do Estado e o Estado da Igreja”. O Mirari Vos de Gregório XVI (1832) dedica um tópico inteiro intitulado “A Monstruosidade da Liberdade de Imprensa” (parece piada, mas não é), onde afirma taxativamente que “devemos tratar também neste lugar da liberdade de imprensa, nunca condenada suficientemente.
 
Por contraste, o Concílio Vaticano II tem uma seção inteira para falar da dignidade humana (Dignitatis Humanae), onde diz que “este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa” e que “todos os homens devem estar livres de coação, quer por parte de indivíduos, quer de grupos sociais ou de qualquer autoridade pública; e de tal modo que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a sua própria consciência, nem impedido de proceder de acordo com ela”. E o documento segue com muitas outras declarações tão claras quanto essas, para deixar os tradicionalistas se mordendo de raiva.
 
É por isso que muitos deles já migraram para o sedevacantismo, enquanto outros acham que o Vaticano II “não é dogmático” (ou seja, é um concílio ecumênico porém falível e cheio de erros gritantes contra a fé católica “de sempre”), o que não só significa que eles se reuniram inutilmente durante anos apenas para disseminar heresias e confundir a mente dos católicos no mundo todo, mas também que eles perderam a chance de realizar um concílio infalível e dogmático para em vez disso preferir reunir milhares de bispos num concílio falível e herético que contradiria a “doutrina de sempre” e que ninguém deveria seguir.
 
Daí se vê como que essas muitas facções no seio da Igreja Romana não estão brigando por questões banais: o que está em questão é a própria identidade da Igreja. Mesmo os bispos da teologia da libertação, que muitos gostam de dizer que estão sob a “excomunhão automática” dos comunistas, na prática continuam firme e fortes rezando missa todos os dias, oferecendo os sacramentos, ouvindo confissões e perdoando pecados, sem receber nenhuma excomunhão formal e vivendo tranquilamente como se nada tivesse acontecido (porque não aconteceu).
 
E a razão por que a Igreja não excomunga de verdade nenhum dos “bispos vermelhinhos” da CNBB, que são a grande maioria dos bispos e padres nas palavras dos próprios apologistas católicos (como Bernardo Küster e Cris Macabeus), é porque a Igreja perdeu todo o poder político que já teve um dia, numa época onde por muito menos que isso era fogueira na certa – não sem antes passar pelas máquinas de tortura e delatar todos que podia.
 
Assim, a “verdadeira doutrina” deixou de ser uma coisa objetiva e passou à mais pura subjetividade, dependendo quase que exclusivamente da interpretação que os fiéis fazem do magistério, em vez do próprio magistério ser a palavra final – o que ficou bem evidenciado na recente polêmica envolvendo o “novo dogma” da corredenção de Maria, que acabou virando uma grande decepção para milhões de católicos que dormiram sonhando com o novo dogma e acordaram desapontados com a decisão do novo papa.
 
Mas mesmo após o magistério ter se pronunciado, em vez de acabarem as disputas, como no conto de fadas onde Roma locuta, causa finita, o que aconteceu foi exatamente o contrário: católicos brigando com católicos acerca da “interpretação correta” do documento. Enquanto tradicionalistas como Nougué desceram a lenha no papa sem dó nem piedade por essa decisão que consideraram um erro, outros apoiaram a decisão e outros fingiram que nada mudou e que Maria continua sendo corredentora apesar do título em si ser inapropriado.
 
A coisa ficou tão doida que nem mesmo o maior popstar da apologética católica tupiniquim, o guru que pavimentou tudo – o padre Paulo Ricardo, é claro –, não entendeu o que o papa disse, já que, segundo ele, o papa estava contrariando dúzias de santos e de papas que o precederam. Sua frase final virou até meme: “Eu li e não entendi. Poderia explicar melhor?”[5]. E o coitado está até hoje esperando uma resposta, e provavelmente vai continuar sem a “explicação” até a volta de Jesus, já que o magistério cuja única razão da existência é orientar os fiéis na doutrina correta pra não ficarem discutindo entre si deixa tudo na obscuridade pra gerar mais dúvidas e incertezas na cabeça dos fiéis.
 
No fim das contas, eles criaram um magistério para interpretar a Bíblia, mas que não adianta nada já que o próprio magistério precisa ser interpretado, o que cria um problema em cima de um problema em vez de ser a solução para um problema. Para eles, a Bíblia é um livro “obscuro” demais para se chegar à verdade através dele, como se os milhares e milhares de documentos magisteriais oficiais que nenhum católico sequer leu integralmente e que ainda discutem o seu verdadeiro significado resolvesse o problema em vez de acrescentar um outro.
 
O preterismo é só um entre muitos desses pontos doutrinários que a Igreja nas poucas vezes que se posicionou não foi clara o suficiente. Ela não “bateu o martelo” e nem vai bater, porque sabe que só tem a perder com isso – mesmo que sua função teoricamente seja a de iluminar os fiéis na interpretação correta, já que os pobres fiéis são incapazes de chegar por si mesmos à verdade e precisam do Sagrado Magistério para isso. Aparentemente, dois mil anos ainda não foram o bastante para “bater o martelo” sobre essas questões. Talvez só estejam precisando de mais uns dez mil anos pra resolver isso – e os fiéis que se matem neste ínterim.
 
Portanto, é preciso tirar logo de mente qualquer ideia de uma “Igreja Una e indivisível”. Se algo desse tipo alguma vez existiu, certamente ficou no passado. A Igreja Romana atual é uma verdadeira colcha de retalhos, segregada em inúmeras facções que disputam o poder entre si, que tentam eleger o próximo papa por ser dessa ou daquela linha, e que na prática constituem diversas “igrejas” dentro de um mesmo “CNPJ”. Assim, usar o argumento da “unidade” em pleno século XXI é um atestado de ignorância ou de mau-caratismo: é o sujo falando do mal lavado, é o guri que taca pedras no telhado do vizinho torcendo que ele não saiba que seu próprio telhado é de vidro também.
 
Em terceiro lugar, mesmo que os católicos fossem totalmente unidos e somente os protestantes fossem divididos entre si, o argumento parte de uma pressuposição falaciosa: a de que unidade fatalmente significa estar com a verdade, e que divisão inevitavelmente implica em estar no erro. Curiosamente, o texto mais usado pelos católicos contra o protestantismo quando o assunto é a “divisão protestante” é um texto que eles próprios não percebem que refuta a própria premissa deles quando examinado com mais cuidado. Trata-se do texto em que Jesus disse:
 
“Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá. Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, subsistirá seu reino?” (Mateus 12:25-26)
 
Observe que, embora Jesus esteja obviamente criticando os “reinos divididos”, ele usa como exemplo de unidade justamente o reino de Satanás! Quando ele diz que «se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo», é justamente para refutar a ideia de que Satanás estivesse fazendo isso, como alegado pelos fariseus. Em outras palavras, ele não está dizendo que o reino de Satanás é dividido, como pensavam os seus acusadores, mas que ele é unido e por isso o seu reino subsiste até os dias de hoje.
 
Se o reino de Satanás é unido e mesmo assim ele não deixa de ser o “pai da mentira” (Jo 8:44), a Igreja Romana poderia ser tão unida quanto na fantasia dos zé cruzadinhas, que mesmo assim não se tornaria mais verdadeira que o reino de Satanás, seu mentor. Se unidade implicasse necessariamente em veracidade, teríamos que dar razão aos espíritas, que são inegavelmente mais unidos do que os católicos e os protestantes. Mesmo o Islã possui duas vertentes principais – os sunitas e os xiitas –, número bem modesto se comparado às vertentes cristãs e católicas.
 
Agora observe a ironia: ao mesmo tempo em que somos informados de que o reino de Satanás é unido, basicamente todos os textos bíblicos usados pelos próprios católicos para condenar a “divisão protestante” são textos que se dirigem a... igrejas cristãs! O texto mais clássico é aquele que Paulo escreve à igreja de Corinto:
 
“Visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos? Pois quando alguém diz: ‘Eu sou de Paulo’, e outro: ‘Eu sou de Apolo’, não estão sendo mundanos?” (1º Coríntios 3:3-4)
 
A igreja de Corinto era dividida, mas ela deixava de ser uma igreja de Deus por causa disso? Vejamos como Paulo inicia a carta:
 
“Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus e chamados para serem santos” (1ª Coríntios 1:1-2)
 
Veja só que intrigante: o reino de Satanás era unido, mas estava no engano. A igreja de Corinto era dividida, mas estava com a verdade. Isso por si só deveria ser o bastante para calar qualquer pessoa sincera que ainda use esse tipo de argumento a fim de refutar o protestantismo e exaltar o catolicismo, como se a unidade católica  que só existe na cabeça deles fosse a prova de que o catolicismo romano está com a verdade, e a divisão protestante que eles fazem questão de exagerar com fontes inventadas e dados adulterados provasse que o protestantismo é falso.
 
Em quarto lugar, no texto que lemos há pouco, Jesus disse que “todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 12:25), mas o protestantismo está aí até hoje, firme e forte, há mais de 500 anos causando dor de cabeça nos papistas, a ponto de precisarem escrever milhões de livros, criarem milhares de canais no youtube, fazerem milhares de cursos ensinando a “refutar os protestantes”, exibirem milhares de “testemunhos de conversão” e mesmo assim tomarem uma nova porrada a cada novo censo do IBGE.
 
E não foi por falta de tentativa: católicos tentaram exterminar o protestantismo (e os protestantes) desde o início, seja com a Inquisição, seja com o massacre da noite de São Bartolomeu (onde 70 mil protestantes franceses foram massacrados covardemente, e o papa fez literalmente uma festança no Vaticano quando recebeu a notícia e mandou cunhar uma medalha comemorativa pelo morticínio[6]), seja com a Guerra dos 30 Anos (onde vários estados católicos se uniram para tentar eliminar os protestantes sem sucesso, apesar das milhões de mortes causadas[7]), seja no Tribunal de Sangue do duque d’Alba (que precisava registrar o nome de quem não deveria morrer, de tanta gente destinada ao suplício[8]), seja em inúmeros outros episódios de chacinas perpetradas pelos representantes da “Santa” Igreja que pra “preservar a unidade” precisava recorrer ao terrorismo.
 
E mesmo assim, contra tudo e contra todos – mas sob a destra de um Deus Altíssimo –, os protestantes sobreviveram, e não só sobreviveram, como cresceram no mundo todo e somam hoje mais de 800 milhões de almas. O protestantismo em seus primórdios conquistou mais de 1/3 da Europa católica, colonizou a principal potência mundial e moldou os países mais prósperos do mundo, com os maiores índices de bem-estar social e de expectativa de vida, bastando dizer que dos 17 países com melhor IDH, inclui-se todos os 13 de tradição protestante (Noruega, Suíça, Islândia, Alemanha, Suécia, Austrália, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Reino Unido, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos)[9].
 
O país de tradição protestante pior classificado é os Estados Unidos, que está em 17º num ranking com 189 países. Por contraste, os países de tradição católica no Novo Mundo aparecem nas últimas posições, superando apenas os da África, e mesmo os países católicos da Europa estão no geral muito abaixo do pior país protestante (a Itália, por exemplo, está apenas em 29º, a Polônia em 35º, e Portugal em 38º)[10].
 
Atualmente, o protestantismo é a vertente cristã mais presente e a que mais cresce na Ásia e na África, e em toda a América Latina está havendo um quadro brutal de reversão religiosa nunca vista em toda a história. Basta lembrar que até no país mais católico do mundo (o nosso), os católicos eram quase 90% da população até 1980, e os protestantes apenas 6%. No decorrer de apenas uma geração, os católicos são hoje 56%, e os protestantes 27%. O mesmo tem ocorrido em quase toda a América Latina, como demonstrou o censo recente do Pew Research Center.
 
Em apenas uma década (entre 2014 e 2024), os católicos na Argentina caíram de 71% para 58%, no Chile caíram de 64% para 46%, no México caíram de 81% para 67%, na Colombia caíram de 79% para 60%, e os evangélicos vem crescendo consistentemente, pesquisa após pesquisa (inclusive nessa pesquisa, que é alguns anos mais recente que a do IBGE, os católicos em nosso país já caíram pra 46% e os evangélicos saltaram pra 29%, a despeito do propagandismo católico e do intenso marketing em torno de “conversões ao catolicismo” dentro de um nicho restrito de internet)[11].
 
O marketing da apologética católica, que por anos tentou convencer os fiéis de que está havendo uma verdadeira “onda de conversões ao catolicismo” nos últimos anos – até saírem as pesquisas recentes e jogarem água no chopp – é tão desonesto que conseguiu convencer alguns incautos de que o catolicismo está crescendo nos EUA, quando o cenário por lá não poderia ser mais brutal para eles. Precisou que Trent Horn, o maior apologista católico americano no youtube, viesse à público com os dados mais atualizados do Pew Research Center, que mostrou que para cada 100 pessoas que se convertem ao catolicismo por lá, 840 pessoas deixam a Igreja.
 
Ainda mais significativo que isso é que 14% dos que nasceram católicos migraram para o protestantismo, enquanto apenas 2% dos que nasceram protestantes fizeram o caminho inverso (ou seja, uma proporção 7 vezes menor!)[12]. O número bruto final só não é pior devida à intensa onda de imigração (legal e ilegal) vinda de países latinos, mas nem mesmo os milhões de imigrantes católicos conseguiram reverter a queda contínua de católicos no país.
 
Muito mais poderia ser dito sobre isso, mas o ponto central é: se o protestantismo é dividido de um modo condenado pela Bíblia, então Jesus mentiu quando disse que seu reino não subsistiria, quando subsiste até hoje, mais forte do que nunca, contra todas as adversidades e perseguições possíveis (não só de católicos, mas também de ateus, muçulmanos e governos autoritários).
 
A realidade é tão cruel para a apologética católica de internet que para manter o argumento de pé eles precisam fazer previsões das mais estapafúrdias, como a que o ex-pastor Eduardo Faria (aquele mesmo que só debate comigo quando eu for casado e tiver filhos) fez ao dizer que o protestantismo vai acabar em 200 anos no mundo todo[13] (pelo menos ele foi esperto e jogou pra uma época que ele não estará mais aqui pra passar a vergonha), e Ariel Lazari quando disse que o protestantismo vai acabar “em breve” no Brasil (em defesa dele, ele disse isso antes dos debates dele comigo e com o Pr. Elizeu, então vamos dar um desconto). Mas isso só mostra até que ponto eles estão desesperados, o que os leva a uma total desconexão da realidade – até a Mãe Dináh e a pastora Nadir conseguem fazer previsões mais plausíveis.
 
Não por acaso, a própria Escritura fala de certo nível de divisão que é tolerável, como Paulo escreveu:
 
“Em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como igreja, há divisões entre vocês, e até certo ponto eu o creio. Pois é necessário que haja divergências entre vocês, para que sejam conhecidos quais dentre vocês são aprovados” 
(1ª Coríntios 11:18-19)
 
Portanto, existe um certo nível de divisão que é biblicamente tolerável e que não causa a ruína da casa, e outro nível de divisão que é intolerável e cuja casa não subsiste. O próprio fato da “casa” protestante subsistir contra tudo e contra todos já é uma evidência de que não rompeu esse limite, a não ser que Jesus tenha mentido quando disse que a casa dividida não subsiste.
 
Em quinto lugar, os protestantes concordam entre si nos pontos mais essenciais, como eu mostrei em um artigo intitulado “Uma Confissão de Fé comum a todos os protestantes” com 30 pontos centrais de fé compartilhados por qualquer denominação protestante, das mais tradicionais às mais pentecostais[14].
 
Os apologistas católicos sabem disso, e por isso quando listam as “divergências protestantes” fazem questão de incluir coisas que nenhum protestante acredita, tais como a negação da trindade e da divindade de Cristo. Muitos não têm nem vergonha na cara de rotular as testemunhas de Jeová como protestantes(!), mesmo que nenhum protestante os considere protestantes, muito menos eles mesmos (que consideram falsas todas as igrejas que não a deles). Se já não bastasse eles acharem ser os únicos com o direito de interpretar a Bíblia, também se acham no direito de definir quem é protestante e quem não é ao bel-prazer deles (mas ironicamente não gostam quando chamamos os sedevacantistas de católicos, mesmo que se reconheçam como tais).
 
Isso não significa que os protestantes não tenham divergências em pontos importantes, significa que nos pontos essenciais à salvação compartilhamos de um núcleo em comum de doutrinas centrais: por exemplo, no sacerdócio universal de todos os crentes, que Jesus é nosso único mediador, que ele é o Deus que se fez carne para nos trazer a salvação, que ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, que Deus é o único digno de toda a glória, louvor e culto, que a Sagrada Escritura é a única autoridade infalível em matéria de fé e prática, que a justificação é pela graça mediante a fé, que Jesus é o único que viveu sem pecado desde a concepção, que há um só Senhor e um único Deus, que Cristo é o único chefe supremo da Igreja, que ele voltará em glória, que ressuscitará os mortos e que todos prestarão contas diante dele.
 
Isso não é o mesmo que dizer que não há nada de importante no restante da teologia, mas significa dizer que a salvação não é como uma “prova doutrinária” onde você precisa acertar todas as questões para ser aprovado e entrar no céu. Como vimos, nem mesmo a Igreja Romana tem a mesma doutrina desde sempre, por mais que se esforce em passar essa ideia. Sua doutrina não é a mesma hoje que era na época da Reforma, não era na época da Reforma a mesma que era no início da Idade Média, e não era na Idade Média o mesmo que era no tempo dos apóstolos.
 
Se a salvação fosse por quantidade de acertos doutrinários, como se estivéssemos num “Enem celestial”, os próprios católicos não saberiam responder uma série de questões sobre as quais o magistério ainda não “bateu o martelo”, para usar a linguagem que eles gostam. Católicos discutem entre si sobre vários dos mesmos temas teológicos que mais causam discórdia no meio protestante, incluindo questões escatológicas (preterismo vs futurismo), questões relativas a dons espirituais (glossolalia vs xenolalia) e questões soteriológica (tomistas vs molinistas, que são a versão católica do debate entre calvinistas e arminianos).
 
Se a desculpa para divergências como essa é que Roma não se decidiu ainda, poderíamos usar o mesmo pretexto para nós, ainda mais quando não exigimos que todo mundo pense igual nos pontos que não são vitais à salvação. Como disse o teólogo luterano Peter Meiderlin[15], «no essencial unidade, no não-essencial liberdade, em tudo o amor» (in necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas).
 
Em lugar algum da Bíblia vemos a salvação pelo conhecimento, como se ela dependesse de uma resposta certa a cada discussão teológica que existe. Quem pregava a salvação pelo conhecimento eram os gnósticos, não os cristãos (“gnose” significa justamente “conhecimento”). No Cristianismo, a salvação sempre foi pela graça mediante uma fé que produz obras que demonstram o arrependimento sincero de uma pessoa que nasceu de novo (Ef 2:8-10), não uma prova de teologia onde precisamos acertar todas as questões.
 
Isso responde uma outra pergunta católica clássica tão tola quanto: “Qual igreja protestante é a certa?”. Não me estenderei neste ponto porque dedicarei um tópico inteiro para tratar apenas do significado de “igreja”, que está na essência da pergunta católica que assume um significado distorcido da mesma, envenenando a questão toda. A pergunta só faz sentido se assumirmos que “igreja” significa o que o católico acha que significa, mas se todo o corpo de Cristo é a Igreja, e ele não é uma instituição, denominação ou hierarquia em particular, então a própria pergunta não faz o menor sentido.
 
Não existe uma única igreja protestante “certa”, porque a Igreja não é a Assembleia de Deus, a Presbiteriana ou a Batista. A Igreja de Cristo é todo o corpo de Cristo – os cristãos sinceros onde quer que estejam, indo muito além das fronteiras denominacionais. É por isso que nos consideramos irmãos, como parte de um mesmo corpo, isto é, de uma mesma Igreja, ainda que nos reunamos em congregações diferentes (que não são nem a “Igreja” num conceito bíblico).
 
Quando o católico faz essa pergunta, ele pressupõe que a Igreja seja uma denominação e que para estar “certo” tem que ter 100% de acertos em todos os pontos teológicos, nos fazendo voltar ao “Enem celestial”. Este próprio exemplo mataria o próprio catolicismo romano, já que se a Igreja estava certa na época em que condenou Lutero por dizer que queimar hereges era contra o desejo do Espírito Santo, ela está errada hoje por não pensar o mesmo (idem para os inúmeros outros pontos onde Roma mudou, inclusive escreveram um livro inteiro só sobre isso[16]).
 
Felizmente, nós não precisamos de uma igreja “certa” no sentido de ter um mago com uma varinha mágica decidindo todas as doutrinas verdadeiras com 100% de precisão imutavelmente. Nem as próprias igrejas instituídas pelos apóstolos enquanto eles ainda viviam eram assim. Basta pegar as cartas às sete igrejas do Apocalipse para ver como a coisa já tinha degringolado, ou mesmo ler as cartas de Paulo a igrejas como a de Corinto e da Galácia (um hábito que os católicos cultivam pouco). Isso não passa de um conto de fadas criado por católicos com uma visão deslumbrada e romântica da Igreja, que nunca foi realidade e que só ajuda a refutar eles mesmos.
 
Pensando estar refutando os protestantes, eles estão é nos dando um prato cheio de argumentos para usarmos contra eles, de acordo com seus próprios pressupostos. Pensando em “igrejas” enquanto instituições visíveis, uma igreja está “certa” ou é “verdadeira” não por gabaritar a prova do Enem celestial, mas porque ensina tudo o que é necessário para aproximar o homem do Criador e ter comunhão com Ele. E é uma igreja apóstata ou errada na medida em que faz o contrário – por exemplo, induzindo os fiéis à idolatria, que é em toda a Bíblia o pecado mais condenado e com maior rigor.
 
Em sexto lugar, para tentar contornar o problema da divisão católica, que até os católicos têm dificuldade de negar, eles frequentemente apelam a duas manobras. A primeira é negar que os católicos que pensam diferente deles sejam “católicos de verdade”. Por mais uma coincidência do destino, ontem mesmo recebi um comentário de alguém que se identificou como um católico tradicionalista e disse: “Na Igreja Católica há muita divisão, infelizmente. Quem fala que não parte da premissa de que ‘quem discorda de mim não é católico’, aí é óbvio que não há divisão, pois ele desqualifica qualquer diferente como não-católico”[17].
 
Graças a essa estratégia, o Dr. Nicholas Christakis Bernardo Küster, que nas horas vagas divide a função de mestre de Yale e de floricultor, consegue reconhecer que a Igreja Católica está infestada de teólogos da libertação, que ele considera completamente herética (fez até um filme disso!), mas mesmo assim continua usando o “argumento da divisão” nos vídeos que faz atacando o protestantismo, porque na cabeça dele esses teólogos da libertação não são “católicos de verdade”, e portanto não configuram uma divisão na Igreja. Eles estão apenas “infiltrados” na Igreja, mas não fazem parte dela.
 
Isso decorre de uma leitura errada de documentos em que o papa João Paulo II critica a teologia da libertação, mas não diz que quem é adepto dela está sob a tal “excomunhão automática”, nem que não são “católicos de verdade”. Na verdade, o que a Igreja condenou foram aspectos pontuais do movimento, nunca o movimento como um todo. Tanto é que os principais nomes da teologia da libertação nunca foram excomungados e estão aí até hoje – muitos deles com cargos na Igreja e tudo, sob a aprovação (ou a vista grossa) de seus superiores.
 
Alguns exemplos são o Frei Betto, frade dominicano que permanece como membro da Igreja em situação regular; Leonardo Boff, que foi proibido de falar por apenas um ano (em 1985) mas que nunca foi excomungado e ainda foi consultado pelo papa Francisco quando ele escreveu sua nova encíclica ambientalista[18] (vai ver ele se esqueceu da “excomunhão automática”); Jon Sobrino, que continua sendo padre jesuíta e nunca foi excomungado, e, finalmente, o próprio pai do movimento, Gustavo Gutiérrez, que morreu há apenas dois anos aos 96 anos de idade e que em todo esse tempo nunca foi excomungado pela Igreja e sempre foi recebido regularmente no Vaticano, recebendo as felicitações do papa Francisco.
 
Até mesmo o papa João Paulo II, o mesmo que criticou aspectos pontuais da TL, disse em carta aos bispos do Brasil (1986) que “estamos convencidos, nós e os senhores, de que a teologia da libertação é não só oportuna, mas útil e necessária”[19]. E o papa Francisco, conhecido por seus discursos socialistas frequentemente atacados pela mesma turba de Bernardo, deu um salto ainda maior e literalmente canonizou Oscar Romero, o grande ícone da TL tido como um “mártir” do movimento, além de ter revogado a suspensão a divinis de Ernesto Cardenal, um padre da TL assumidamente revolucionário que dizia que marxismo e Cristianismo são a mesma coisa.
 
Quando Bernardo diz que a TL não faz parte da Igreja, mas são “infiltrados” na Igreja, ele não só demonstra uma ignorância brutal da doutrina da Igreja da qual era novo convertido através de Olavo de Carvalho (este sim com várias práticas que a Igreja consideraria no mínimo duvidosas), mas também indiretamente atesta que o próprio papa faz parte da “infiltração”, uma vez que não há nada mais fácil do que encontrar falas de Francisco e de outros papas que não perdem em nada para qualquer teólogo da libertação (de fato, eu dediquei longas páginas a esses discursos no segundo volume do meu livro dos “500 Anos de Reforma: Como o Protestantismo Revolucionou o Mundo”[20]).
 
A verdade é que nem os teólogos da libertação, nem os carismáticos, nem os modernistas, nem os tradicionalistas do Centro Dom Bosco ou da Fraternidade São Pio X[21] são “infiltrados”. Eles fazem todos parte da Santa e “Una” Igreja, querendo os outros ou não, mesmo que muitos deles excomunguem por conta própria os adeptos das outras facções (o mesmo Olavo dizia que até o papa Francisco era um “antipapa” excomungado sob o pretexto da “excomunhão automática”[22], onde o reconhecimento da excomunhão é puramente subjetivo e na prática nada muda na realidade da Igreja). Se existe alguma “infiltração” na Igreja Romana é a do próprio Satanás, não desses grupos.
 
A segunda estratégia astuciosa dos apologistas católicos é dizer que, mesmo que essas divisões existam, elas não configuram um problema sério porque apesar dos apesares eles ainda fazem parte de uma mesma igreja, enquanto os protestantes são “40 mil seitas” (não vou voltar a este ponto porque já foi amplamente argumentado no início). Mas uma divisão interna ainda é uma divisão. Não há nada na Escritura que sustente que a divisão só é um problema se for externa (através da criação de novas congregações). Pelo contrário, sempre que a divisão é condenada na Bíblia, ela se refere justamente às divisões internas, do mesmo tipo da divisão católica.
 
Tome como exemplo aqueles que Paulo critica “quando alguém diz: ‘Eu sou de Paulo’, e outro: ‘Eu sou de Apolo’” (1Co 3:4). Nem os que se diziam «de Pedro», nem os que se diziam «de Paulo» nem os que se diziam «de Apolo» tinham “fundado uma nova igreja” (estou aqui intencionalmente usando o conceito católico de igreja apenas para exemplificar o ponto). Eles continuavam na Santa Igreja Católica Apostólica Romana contra a qual as portas do inferno não prevalecerão apesar das tentativas de inimigos da Santa Igreja como o Thiago Dutra, mas Paulo disse que eram divididos mesmo assim.
 
Portanto, o argumento católico de que a divisão interna não tem problema fracassa nos próprios textos que eles citam para condenar a divisão protestante, uma vez que eles se encaixam como uma luva no tipo de divisão católica, embora muito provavelmente a igreja de Corinto fosse bem menos dividida do que Roma é hoje (pelo menos não tinha ninguém produzindo um filme pra condenar a facção contrária).
 
Em sétimo lugar, a própria Igreja Católica Apostólica Romana é fruto de um cisma, embora os seus apologistas não queiram admitir. Apologistas católicos frequentemente afirmam que a Igreja Ortodoxa nasceu no assim chamado “cisma do Oriente” (que no Oriente é conhecido como um cisma do Ocidente), em 1054 d.C, porque afirmar que ela nasceu com Jesus no primeiro século comprometeria a sua tese de que Jesus fundou a igreja deles apenas. O problema é que, por essa mesma lógica, a própria ICAR teria nascido em 1054, já que são dois lados que romperam a unidade visível da Igreja e deram origem a novos ramos que são fruto disso.
 
E antes que alguém diga que a culpa do cisma foi toda dos orientais, e que por isso só a igreja deles é fruto de um cisma (o que já seria uma aberração histórica), o próprio catecismo católico trata de eliminar essa hipótese quando diz:
 
817. De fato, «nesta Igreja de Deus una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões, que o apóstolo censura asperamente como condenáveis. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja Católica, às vezes por culpa dos homens duma e doutra parte» (275). As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (a saber: a heresia, a apostasia e o cisma) devem-se aos pecados dos homens.
 
“De uma e de outra parte”, diz o catecismo, não só da parte dos outros (deve ser por isso que os tradicionalistas querem queimar o catecismo amarelinho). Caso você ainda não tenha notado, o próprio catecismo autorizado pelo papa e santo João Paulo II afirma taxativamente que os católicos também têm culpa nos cismas, e não que a culpa é somente dos “hereges” (que nem são mais chamados assim, especialmente depois que colocaram no Vaticano uma estátua enorme de Lutero em celebração à Reforma Protestante que os apologistas de internet ainda seguem chamando de “deforma”).
 
Isso quebra a narrativa da apologética católica tradicional, para a qual os cismas sempre partem dos outros e não deles mesmos, como se Roma fosse o coração da Igreja (para não dizer a Igreja como um todo) e qualquer cisma que ocorra é sempre um outro grupo saindo de dentro dela, mas nunca o contrário. Como veremos mais adiante no livro, até mesmo os teólogos e historiadores católicos mais sérios atualmente reconhecem que nem o papado existia nos primeiros séculos, muito menos a noção de que a Igreja Católica fosse a Igreja Romana em particular (ou somente as igrejas em comunhão com Roma).  
 
Em oitavo lugar, todo o argumento católico sobre a “divisão protestante” já caiu por terra em 7 de dezembro de 1992, não por um herege filho de Lutero e inimigo da Santa Igreja, mas por algo muito pior: o catecismo amarelinho, cuja primeira versão foi apresentada oficialmente neste dia (apenas seis dias depois, o São Paulo de Raí e Telê se sagraria campeão do mundo. Eu não sei qual a relação disso com o catecismo, mas achei importante acrescentar essa informação). Assim diz o amarelinho:
 
818. Os que hoje nascem em comunidades provenientes de tais rupturas, «e que vivem a fé de Cristo, não podem ser acusados do pecado da divisão. A Igreja Católica abraça-os com respeito e caridade fraterna [...]. Justificados pela fé recebida no Baptismo, incorporados em Cristo, é a justo título que se honram com o nome de cristãos e os filhos da Igreja Católica reconhecem-nos legitimamente como irmãos no Senhor» (278).
 
O catecismo diz que nós «não podemos ser acusados do pecado da divisão», mas como os apologistas católicos não estão nem aí com o catecismo da própria Igreja deles, não só nos acusam do pecado da divisão como ainda usam isso como o carro-chefe de toda a sua argumentação antiprotestante. Seria cômico se não fosse trágico!
 
Ademais, lembre-se que o catecismo prossegue dizendo que nós somos «justificados pela fé recebida no batismo», «incorporados em Cristo», que é a «justo título» que somos «honrados com o nome de cristãos», que somos «legitimamente irmãos no Senhor» e que nossas igrejas são «meios de salvação»! Portanto, mesmo se fôssemos tão divididos quanto os papistas de internet afirmam que somos, isso ainda não mudaria em nada esses fatos, o que tira todo o peso da argumentação.
 
Isso porque o católico num debate não cita o argumento da “divisão protestante” como uma mera crítica a uma questão pontual e periférica, mas como a razão central pela qual o protestantismo é falso e que nós estamos perdidos se não ingressarmos na Santa Igreja (a deles, é claro). Mas se o próprio catecismo atesta que nossas comunidades eclesiais são “meios de salvação”, o argumento católico da divisão protestante devido às “40 mil igrejas” poderia até ser verdadeiro, mas perderia todo o seu peso. “Nossas 40 mil igrejas são meios de salvação, você nunca leu seu catecismo?”.
 
Em nono lugar, uma coisa que os apologistas católicos esquecem é que quase sempre que o termo “unidade” (ou o seu antagônico, “divisão”) aparece na Bíblia não é pra falar de doutrina, mas de uma unidade no amor. Tomemos como exemplo o texto mais clássico, o de Jesus na Última Ceia com os discípulos:
 
João 17
17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
18 Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo.
19 Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade.
20 "Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles,
21 para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.
22 Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um:
23 eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste.
24 Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou e vejam a minha glória, a glória que me deste porque me amaste antes da criação do mundo.
25 Pai justo, embora o mundo não te conheça, eu te conheço, e estes sabem que me enviaste.
26 Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja.
 
Note que Jesus nem mesmo entra em questões doutrinárias aqui. O que todo o contexto trata é da união dos cristãos no amor de Cristo, a fim de que, amando uns aos outros, o mundo reconhecesse que eles eram realmente discípulos de Jesus e seguiam os passos de seu Mestre. Paulo expressou algo parecido quando disse: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz(Ef 4:2-3). Ele não diz “pelo vínculo da unidade com a Sé de Roma” ou “da submissão ao romano pontífice”, mas “pelo vínculo da paz”.
 
Ele deu um exemplo concreto quando citou um caso de atrito entre irmãos sobre “questões relativas às coisas desta vida” (1Co 6:4), os quais levaram a causa ao tribunal perante juízes descrentes para a indignação de Paulo, que disse que “o fato de haver litígios entre vocês já significa uma completa derrota” (v. 7). Note que Paulo também não falava nada sobre doutrina aqui: o que estava em disputa eram litígios entre irmãos por questões desta vida, mas o suficiente para romper o «vínculo da paz» e portanto causar divisão.
 
Muitos outros exemplos poderiam ser dados (e que eu forneço em um artigo específico só sobre isso[23]), mas o fato é que o argumento católico da “unidade católica vs divisão protestante” já parte de um conceito errado acerca daquilo que é padronizado na Bíblia como sendo unidade e divisão. Quando João viu alguns expulsando demônios em nome de Jesus e tentou proibi-los “porque não nos segue” (Mc 9:38), Jesus o repreendeu por isso (vs. 39-40), apesar deles não manterem com Jesus e os discípulos um vínculo de unidade visível. Por outro lado, nada sugere que os irmãos que brigaram no tribunal tinham alguma divergência doutrinária, mas esses sim foram repreendidos por Paulo por estarem causando divisões na igreja.
 
Portanto, a não ser que os católicos provem que vivem em perfeita harmonia, paz e amor uns com os outros – o que seria o maior absurdo possível, que eles mesmos fazem questão de refutar –, eles também incorrem no principal sentido bíblico onde a divisão é condenada, uma vez que nenhum dos textos trata de uma divisão institucional como o católico infere na hora de atacar o coleguinha protestante. Ele simplesmente pega um texto solto e isolado que fala de uma outra coisa, e tenta anacronicamente aplicá-lo contra o protestante no debate injetando no texto um conceito novo e estranho a ele.
 
Em décimo e último lugar, lembremos que uma das últimas coisas que o papa Francisco disse antes de morrer é que todas as religiões levam a Deus, declaração essa violentamente atacada por católicos tradicionais como Lucas Lancaster, que denunciou não só o papa mas também os passadores de pano profissionais do papa, citando nominalmente os donos do site “O Catequista” como um “casal que há anos engana as pessoas” e que “são encarregados de ensaboar, de passar pano pra te convencer de que o que você está vendo não existe, que o elefante diante dos seus olhos é uma formiga”[24].
 
Mas se todas as religiões levam a Deus, que diferença faz a quantidade de denominações protestantes? Sendo uma ou sendo um milhão, o que importa é que são “caminhos que levam a Deus”, como disse o Santo Padre. Católicos evidentemente dirão que o papa não disse isso em caráter de infalibilidade, o que é verdade, mas se esquecem que os discursos “infalíveis” (ex cathedra) dos papas se limita a basicamente três, com alguns teólogos católicos chegando a citar sete, porque nem eles mesmos sabem exatamente quantos ou quais são. Todo o resto são declarações falíveis, mas que mostram bem o rumo que a Igreja tem tomado.
 
Não sem razão, o mesmo apologista católico disse mais recentemente que
 
se você é protestante e está pensando em se converter ao catolicismo, vou dar um recado aqui logo de início pra você não se iludir: as coisas aqui não estão boas. Não estão nada boas. A barca está sacudindo, a tempestade está terrível, a água está entrando dentro da barca e tem gente dentro da barca colocando água dentro da barca. Então não se iluda: a coisa aqui não está boa, nunca esteve tão ruim![25]
 
Este é o testemunho lúcido e “sincerão” de um dos maiores apologistas católicos do Brasil, um dos poucos que tem alguma noção da realidade e não tenta pintar o catolicismo atual como o mar de rosas da propaganda católica pra atrair crente otário. A verdade nua e crua é que a doutrina católica está em constante apostasia “desenvolvimento”, e que ninguém sabe a doutrina que surgirá amanhã, assim como ninguém podia prever o Concílio Vaticano II um século antes dele. Apenas temos noção do caminho para onde as coisas rumam, que, longe de ser uma volta aos tempos áureos da Idade Média, caminham cada vez mais ao ecumenismo, onde papa nenhum ousaria dizer a um protestante as coisas que um católico de internet se julga no direito – e eles mesmos têm perfeita ciência disso.
 
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (youtube.com/LucasBanzoli)

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[1] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=F3JlzHvIqUY>. Acesso em: 23/03/2026.

[2] Disponível em: <https://www.montfort.org.br/bra/cartas/polemicas/20070628140449>. Acesso em: 24/03/2026.

[3] Disponível em: <https://www.montfort.org.br/bra/cartas/quadro/20070814200305>. Acesso em: 24/03/2026.

[4] Exsurge Domine.

[5] Veja mais sobre isso no meu vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=UxcyMGzBgSY&t>. Acesso em: 24/03/2026.

[6] Leia mais sobre isso no meu artigo: <https://www.lucasbanzoli.com/2018/03/entenda-tudo-sobre-o-massacre-da-noite.html>. Acesso em: 24/03/2026.

[7] Leia mais sobre isso no meu artigo: <https://www.lucasbanzoli.com/2018/08/conheca-guerra-dos-trinta-anos-suas.html>. Acesso em: 24/03/2026.

[8] Leia mais sobre isso no meu artigo: <https://www.lucasbanzoli.com/2018/03/conheca-o-tribunal-de-sangue-que.html>. Acesso em: 24/03/2026.

[9] Disponível em: <https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/veja-o-ranking-completo-de-todos-os-paises-por-idh>. Acesso em: 24/03/2026.

[10] Leia mais sobre isso no segundo volume do meu livro dos “500 Anos de Reforma: Como o Protestantismo Revolucionou o Mundo”, um livro dedicado exclusivamente só sobre isso, ou mais resumidamente neste artigo do meu site: <https://www.lucasbanzoli.com/2024/02/a-superioridade-do-protestantismo-na.html>. Acesso em: 24/03/2026.

[11] Leia mais em: <https://www.pewresearch.org/global/2026/01/21/catholicism-has-declined-in-latin-america-over-the-past-decade>. Acesso em: 24/03/2026.

[12] Saiba mais sobre isso no meu vídeo: <https://www.youtube.com/watch?v=EfmtcfVQz6s>. Acesso em: 24/03/2026.

[13] Na época, eu fiz este vídeo comentando isso: <https://www.youtube.com/watch?v=E0Vt3oo7INI&t>. Acesso em: 24/03/2026.

[14] Disponível em: <https://www.lucasbanzoli.com/2024/10/uma-confissao-de-fe-comum-todos-os.html>. Acesso em: 24/03/2026.

[15] O verdadeiro autor da frase, às vezes erroneamente atribuída a Agostinho. Meiderlin escreveu no século XVII.

[16] “Inovações da Igreja Católica Romana”, de Carlos H. Collette.

[17] Comentário publicado nos comentários deste vídeo, em 24/03/2026: <https://www.youtube.com/watch?v=hFAUTaQsayA>.

[18] Leia mais em:  https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2014/10/02/papa-consulta-boff-para-escrever-nova-enciclica.htm>. Acesso em: 25/03/2026.

[19] Disponível em: <https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1986/documents/hf_jp-ii_let_19860409_conf-episcopale-brasile.html>. Acesso em: 25/03/2026.

[20] Você pode baixar gratuitamente a versão em pdf ou adquirir a versão impressa no meu site: <https://www.lucasbanzoli.com/2017/04/0.html>.  

[21] No momento em que eu escrevo este livro, em 25/03/2026, eles ainda não foram excomungados, embora “vai se criando um clima terrível”...

[22] Leia mais sobre isso em: <https://heresiascatolicas.blogspot.com/2015/09/olavo-de-carvalho-excomunga-o-papa.html>. Acesso em: 25/03/2025.

[23] Confira em: <https://heresiascatolicas.blogspot.com/2017/09/a-fabula-da-unidade-catolica-e.html>. Acesso em: 25/03/2025.

[24] Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rW01UBrzGUk&t>. Acesso em: 25/03/2026.

[25] Veja em: <https://www.instagram.com/p/DWNEUroEYk5>. Acesso em: 25/03/2026.

12 comentários:

  1. Oi Lucas, os links das referências bibliográficas estão quebrados

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    1. Estão todos funcionando, é só copiar e colar no navegador.

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  2. Perfeito, como de costume. Parabéns. Só gostaria de acrescentar, para de alguma forma contribuir, que daqui a pouco mais de 100 anos a igreja evangélica Valdense vai completar mil anos de existência, sobrevivendo aos mais brutais ataques e perseguições!

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  3. Excelente! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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  4. Tem que ser cronicamente online no canal do Lucas pra entender as referências e os easter eggs que ele faz. Aposto uma coca cola e um pastel de queijo da feira que os haters vivem fuçando esses artigos que tu faz XD o artigo está incrível como sempre, claro objetivo e repleto de fatos, parabéns irmõe

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    1. Falando em easter eggs, o importante é que somos irmõõõeeesss xD

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  5. A Paz, Lucas! Gostaria de perguntar se não é do seu interesse começar trazer alguns conteúdos e até reacts refutando o islamismo e a distorção deles nas escrituras! Pergunto isso pq a crescente islâmica vem forte, e preocupa já que nós como cristão não devemos nunca um falso evangelho crescer tanto.

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    1. O Islã não cresce no Brasil (ele mal existe na verdade, nem aparece nos censos do IBGE de tão pequeno que é), e mesmo ao redor do mundo ele não cresce porque as pessoas se convencem pelos argumentos deles e se convertem à fé deles, ele só cresce porque tem uma taxa de natalidade de 10 enquanto os demais tem menos de 2, e não é a apologética que vai mudar isso.

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  6. Lucas, sempre quando falam das perseguições que os protestantes sofreram é citado apenas as que aconteceram em outros países, há séculos. Seria importante a apologética protestante também procurar na história do Brasil, houveram muitas perseguições aqui, com mortes não posso afirmar, mas teve queima de bíblias em praças públicas, apedrejamento de fiéis e no momento de culto, etc.
    Minha denominação é a AICEB, uma das pioneiras no Sul do Maranhão, e sofreu bastante perseguição, tem vários relatos de irmãos, registros e artigos na internet.

    Outra bizarrice que acontecia aqui no Maranhão era as "evangelizações", pesquisa sobre o Massacre de Alto Alegre, como era feita as evangelizações com os povos indígenas, resumo rápido aqui: Crianças eram sequestradas e levadas para um internato católico onde iam ser catequisadas, eram levadas a força, os indígenas se revoltaram, invadiram o internato e mataram várias freiras e frades, depois houve represália. A história é longa, mas resumindo, hoje os indígenas são os vilões, e os "servos de Deus" são os injustiçados. (não estou dizendo que a atitude dos indígenas foi correta, mas quem não se revoltaria se roubassem seus filhos e sumissem com eles?)

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  7. Eu fico muito feliz quando vejo um relato de conversão no canal do Lucas ou em outro canal semelhante de jovens que desistiram do catolicismo após esclarecimentos.
    Aqui neste artigo foram descritos os personagens, os caminhos e as várias desculpas que tentam usar para justificar e manter a prática da idolatria, conforme o grau de cruzadismo da cabeça do indivíduo, por quem não quer largar o engano.
    Me solidarizo com quem tem convivência com pessoas dos ditos grupos tradicionalistas pois é uma situação muito desgastante. Agradeço muito por este artigo e pelos outros artigos que abordam o assunto.

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